Tudo Sobre Minha Mãe / Todo Sobre Mi Madre

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Depois de quase 100 minutos de explosão de talento e de cores, quando termina a ação de Todo Sobre Mi Madre, surge na tela, ao som de uma das belas melodias compostas por Alberto Iglesias, a dedicatória:

“A Bette Davis, Gena Rowlands, Romy Schneider… A todas as atrizes que interpretaram atrizes, a todas as mulheres que atuam, aos homens que atuam e se convertem em mulheres, a todas as pessoas que querem ser mães. À minha mãe.”

A dedicatória diz muito – diz tudo. Tudo Sobre Minha Mãe é um filme sobre mulheres, sobre maternidade.

Claro que, sendo um Pedro Almodóvar – a obra de 1999 desse diretor magistral e muitas vezes inquietante de tão iconoclasta, tão estudadamente chocante para os padrões dos caretas –, é também sobre homossexualidade, transformismo, travestis, drogas, putaria, teatro, palavra texto literatura, vida que imita a arte, arte que imita a vida, cinema, amizade companheirismo solidariedade, seres portadores de saco e pau que se convertem em mulheres, medicina, transplante de órgãos, Alzheimer. Com destaque para homossexualidade, homossexualidade, homossexualidade. En passant, como quem não quer nada, também sobre a guerrilha em El Salvador e a ditadura argentina dos anos 70.

Mas, sobretudo, é um filme sobre mulheres, sobre maternidade. As alegrias da maternidade, a tragédia da perda de um filho.

A citação a Bette Davis na dedicatória é absolutamente óbvia. Bem no início do filme, Manuela, a protagonista da história (o papel da sempre ótima Cecilia Roth) e seu filho estão vendo na TV All About Eve, no Brasil A Malvada, na Espanha Eva al Desnudo. Esteban (Eloy Azorín, na foto abaixo), o filho de Manuela, que está para fazer 17 anos, comenta com a mãe que o título original é All About Evetodo sobre Eve. Todo Sobre Eve, Todo Sobre Mi Madre – não há como ser mais óbvio, certo?

All About Eve, o grande clássico de Joseph L. Mankiewicz de 1950, conta a história de uma grande dama do teatro americano, Margo Channing (Bette Davis), e uma mocinha que se diz sua absoluta fã e se aproxima dela, Eve Harrington (Anne Baxter). Eve parece uma mocinha pura, doce, adorável – mas o que na verdade ela pretende é tomar o lugar de Margo.

Lá pelas tantas, na fascinante trama criada por Almodóvar, a própria Manuela vai se aproximar de uma grande dama do teatro espanhol, Huma Rojo (o papel da esplêndida Marisa Paredes), e agir como Eve Harrington age no filme com Bette Davis.

Perder um filho deve doer mais que parir um filho

A citação àquela outra grande dama do cinema americano na dedicatória de Todo Sobre Mi Madre, Gena Rowlands, é bem menos óbvia.

Claro, Almodóvar deve seguramente ser fã de Gena Rowlands, como todos os cinéfilos que não nasceram ontem. Mas há um motivo específico para a homenagem à atriz fantástica que foi a musa de seu marido, John Cassavetes: bem no começo da narrativa de Todo Sobre Mi Madre, Almodóvar reencena a sequência de um acidente de Noite de Estréia/Opening Night, que Cassavetes fez em 1977. Em Noite de Estréia, Gena Rowlands interpreta uma atriz famosa que enfrenta dias de grande tensão antes da primeira apresentação de uma nova peça.

Bem no início de Todo Sobre Mi Madre, Manuela e seu filho Esteban vão ao teatro, no dia dos 17 anos dele, assistir à peça A Streetcar Named Desire, de Tennessee Williams, em espanhol Un Tranvía Llamado Deseo.

(No Brasil, esse estranho país em que Annie Hall vira Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Shane vira Os Brutos Também Amam e Blow-up vira Depois Daquele Beijo, o filme de Elia Kazan de 1951 baseado na peça teve o título de Uma Rua Chamada Pecado. No teatro, no entanto, a peça teve o nome correto, Um Bonde Chamado Desejo.)

Un Tranvia Lllamado Deseo, a peça, tem imensa importância na vida de Manuela – e na trama de Todo Sobre Mi Madre.

O espectador fica conhecendo Manuela como uma experiente, competente enfermeira, que trabalha em um grande hospital em Madri e tem função importante na coordenação da doação de órgãos – o trabalho logístico de avisar imediatamente quando morre alguém cuja família concorda com a doação, para que seja acionado o esquema para providenciar que o primeiro da fila de espera por um transplante seja levado para um hospital para enfim ser submetido à operação.

A primeira sequência do filme mostra exatamente esse trabalho de Manuela.

Mais tarde, o espectador fica sabendo, em informações que vão sendo passadas bem a conta-gotas, que, quando jovem, em Barcelona, Manuela participou de uma montagem ainda amadora de Un Tranvia Lllamado Deseo. E foi durante essa experiência que ela conheceu o sujeito que viria a ser seu marido.

Quando soube que estava grávida, Manuela fugiu de Barcelona para Madri, sem se despedir nem das amigas nem do marido – que sequer ficou sabendo que viria a ser pai.

No dia do seu aniversário de 17 anos, o garotão Esteban, adolescente legal, inteligente, simpático, fã de Truman Capote, com aspirações a virar escritor, quer porque quer ganhar um autógrafo da grande atriz Huma Rojo, que interpreta Blanche Dubois naquela montagem madrilenha de Un Tranvia Lllamado Deseo.

Acontece então um acidente – e Pedro Almodóvar o encena recriando uma sequência do filme Noite de Estréia/Opening Night, um dos vários em que John Cassavetes dirigiu sua esplendorosa mulher Gena Rowlands.

Entende-se, portanto, por que o filme é dedicado a Gena Rowlands, assim como a Betty Davis.

Não há menção explícita a Gena Rowlands ao longo do filme. Só quem já viu Noite de Estréia, ou então quem leu a página de Trivia do IMDb sobre Todo Sobre Mi Madre, sabe que a cena do acidente copia a sequência do filme de Cassavetes.

Da mesma forma, não há qualquer menção a Romy Schneider ao longo do filme – com exceção da dedicatória ao final da narrativa, antes que comecem os créditos.

E então repito uma frase que usei mais acima: claro, Almodóvar deve seguramente ser fã de Romy Schneider, como todos os cinéfilos que não nasceram ontem. Mas há um motivo específico para a homenagem à maravilhosa atriz de beleza sublime, que bem jovem encantou o mundo como Sissi – nos tempos em que minha mãe me levava ao cinema em Belo Horizonte para ver a trilogia da imperatriz áustro-húngara, e a mãe de Almodóvar seguramente fazia o mesmo, não sei se em Calzada de Calatrava ou já em Madri – e depois, quando floresceu e virou adulta, trabalhou com grandes e importantes cineastas como Luchino Visconti, Otto Preminger, Orson Welles, Joseph Losey, Bertrand Tavernier, Claude Sautet.
Romy Schneider perdeu um filho.

Assim como Wanderléa, a eterna Ternurinha, assim como Eric Clapton, Romy Schneider perdeu um filho em circunstância absolutamente trágica, absurda, inimaginável. David, o garoto, estava com 14 anos, a mãe tinha 43.

É frase feita se dizer que a pior dor que um ser humano pode suportar é a dor do parto. Imagino que essa verdade tão firme no senso comum não seja tão verdadeira assim: perder um filho deve seguramente ser uma dor maior do que parir um filho.

Como McCartney e Cat Stevens, como Bergman e Allen

É absolutamente impressionante como Almodóvar consegue falar de dramas pesados, os dramas mais pesados que a gente é capaz de imaginar – como a perda de um filho –, e de problemas graves, sérios, horrorosos – como a aids, o Mal de Alzheimer, a dependência de droga, a violência no submundo da prostituição -, em um filme que não é depressivo, deprimente.

Essa é uma das grandes maravilhas de Almodóvar – e Todo Sobre Mi Madre é um dos seus filmes que mais conseguem essa façanha. Bem, entre os que vi – e a rigor não vi tantos assim. Fui checar, e fiquei contente ao constatar que já estavam neste + de 50 Anos de Filmes seis Almodóvar:

Ata-me! (1989),

Kika (1993),

Abraços Partidos (2009),

A Pele Que Habito (2011),

Julieta (2016),

Dor e Glória (2019).

É bom – mas ainda é muito pouco. O certo seria ter aqui todos, ou quase todos os filmes de Almodóvar, assim como tenho todos os de François Truffaut, todos os de Woody Allen. Assim como o certo seria ter aqui todos, ou quase todos, os de Ingmar Bergman.

A menção a Allen e Bergman não é gratuita.

Fiquei pensando, depois de rever Todo Sobre Mi Madre agora, para fazer esta anotação… (Tínhamos visto pouco depois do lançamento, em 2000, no Cine Vitrine, o daquela galeria entre Augusta e Haddock Lobo que depois fechou.)

Fiquei pensando que Almodóvar é um cineasta genial, sem dúvida alguma. É um mestre absoluto na direção de atores; é brilhante a forma com que rege a direção de fotografia e a direção de arte de cada um de seus filmes – e todos têm a sua marca registrada, as cores brilhantes, esfuziantes. Tem um bom gosto absurdo para coordenar as trilhas sonoras, quase sempre, de uns tempos para cá, com o compositor Alberto Iglesias.

É excelente em cada um desses diversos aspectos. Mas o mais esplendoroso dos talentos de Almodóvar é o de criar as suas histórias.

A imaginação, a criatividade do sujeito é algo inteiramente fora de série, excepcional. Suas histórias são deliciosas, originais, inteligentes, intrincadas, complexas, em geral com subtramas e mais subtramas; seus personagens são interessantes, fascinantes, e as relações entre eles são sempre muito bem costuradas – e surpreendentes.

E ele é capaz de criar uma nova história sensacional quase uma vez por ano!

Não me lembrava disso, mas, quando vi Abraços Partidos, o modelo 2009 dessa fábrica de filmes, escrevi que “Almodóvar se parece um tanto com Paul McCartney e com Cat Stevens, hoje Yusuf. E parece também Woody Allen e Ingmar Bergman.”

De fato não me lembrava de ter escrito isso. Depois de rever agora Todo Sobre Mi Madre, fiquei pensei na semelhança com Allen e Bergman… Como se tivesse descoberto uma coisa, tivesse feito uma grande sacada…

Bem, vou aproveitar o que eu escrevi em 2010, porque vale perfeitamente:

“Paul McCartney e Cat Stevens são, na minha opinião, os compositores mais prolíficos da música popular das últimas muitas décadas. As canções, as melodias, as frases melódicas brotam da cabeça deles com uma facilidade espantosa, aos montes, aos borbotões, sem parar. É uma coisa absurda, sem jeito, anormal. Há canções em que eles usam duas, três, quatro frases musicais diferentes. É espantoso.

“Almodóvar é assim com suas histórias. As histórias parecem brotar loucamente da sua cabeça. (E loucamente, aqui, é um adjetivo justo como luva: Almodóvar é louco, todos sabemos.) Em Abraços Partidos há pelo menos quatro histórias diferentes.

“Quanto à segunda comparação, é bem simples. É sobre a regularidade com que Almodóvar lança seus filmes, sempre baseados em histórias originais do próprio cineasta. Além dele, só consigo me lembrar de Woody Allen e Ingmar Bergman, que, ao longo de décadas, conseguiram manter o ritmo alucinante de um novo filme por ano, um novo filme de história original nova por ano, ou a cada dois anos.

“Claro, há outros cineastas que produzem um filme por ano, ou quase isso, na média. Mas com argumento e roteiro originais, além de Almodóvar só me lembro de Woody Allen e Bergman.”

Almodóvar é um citador. Cita filmes, poetas…

É impressionante como Todo Sobre Mi Madre é cheio de citações.

Cita o filme All About Eve – já a partir do título. (Que, nos países de língua inglesa é, obviamente, All About My Mother.)

Cita o filme Noite de Estréia/Opening Night.

Cita A Streetcar Named Desire, Un Tranvia Lllamado Deseo. A peça de Tennessee Williams é um elemento fundamental em toda a trama. E aqui aproveito para registrar: Almodóvar parece ser absolutamente apaixonado por “deseo” – a coisa em si e a palavra que a expressa. A produtora que ele criou juntamente com seu irmão Agustín se chama El Deseo S.A. – muito provavelmente para aproveitar o título de um de seus primeiros grandes sucessos, A Lei do Desejo/La Ley del Deseo.

Cita, en passant, Como Agarrar um Milionário, a comedinha romântica de Jean Negulesco de 1953 com Marilyn Monroe, Betty Grable e Lauren Bacall: quando chega ao apartamento de Manuela e vê que ele está recebendo a visita de duas outras mulheres, sua grande amiga Agrado (Antonia San Juan) diz uma frase assim: – “Sempre que eu vejo três mulheres em um apartamento me lembro de Como Agarrar um Milionário”. (As duas mulheres que estão no apartamento são a irmã Rosa, o papel de Penélope Cruz, e a já citada atriz Humo Rojo.

(Rosa, Rojo… Até os nomes dos personagens de Almodóvar são coloridos…)

Cita o poeta, escritor e compositor francês Boris Vian: bem no início do filme, Manuela conta para o filho Esteban que, quando jovem, trabalhou como atriz. “Fazíamos um espetáculo com textos de Boris Vian”.

Cita o escritor americano Truman Capote: Manuela dá de presente para Esteban o livro que ela sabia que ele queria ler, Música Para Camaleões. O filho pede para a mãe ler para ele, como quando ele era criança, e ela lê o começo do prefácio.

Cita Federico García Lorca: quase no final da narrativa, está sendo montada uma peça com base em textos do poeta assassinado pelos fascistas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Tennessee Williams, Truman Capote, Federico García Lorca. Todos os três autores mencionados no filme, diz um dos itens da página de Trivia do IMDb, são gays, famosos por isso.

Cita o pintor russo Marc Chagall: Rosa (Rosa Maria Sardà), a mãe da irmã Rosa interpretada por Penélope Cruz, ganha dinheiro falsificando quadros de Chagall, e há uma tomada do estúdio em que ela trabalha, cheia de obras do pintor.

Adoro citações. Sou um citador compulsivo – e acho a maior delícia quando filmes citam filmes, autores, artistas…

Com amizade, solidariedade, dá pra tocar a vida

Há uma outra característica de Almodóvar, bem presente neste Todo Sobre Mi Madre, que o aproxima de Ingmar Bergman e de seu fã apaixonado Woody Allen: como o mestre sueco e o grande nova-iorquino, este espanhol tem um grupo de atores com os quais gosta de trabalhar sempre.

A argentina Cecília Roth, que faz aqui a protagonista Manuela, esteve no primeiro longa-metragem do cineasta, Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón (1980), e trabalhou também em Labirinto de Paixões (1982), Maus Hábitos (1983) e O que Eu Fiz para Merecer Isto? (1984).

Penélope Cruz, que aqui faz essa irmã Rosa, filha de casal rico que vira religiosa e se dedica a ajudar drogados, mendigos, putas e travestis, trabalhou com ele também em Carne Trêmula (1997), Abraços Partidos (2009) e Madres Paralelas (2021).

Marisa Paredes, que interpreta a atriz de teatro Huma Rojo, está também em De Salto Alto (1991), A Flor do Meu Segredo (1995) e A Pele que Habito (2011).

Todo Sobre Mi Madre ganhou 58 prêmios, fora 40 outras indicações. Levou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Bafta de melhor filme não em língua inglesa, e, no Festival de Cannes, ganhou melhor direção e o prêmio do júri ecumênico.

O livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, editado por Steven Jay Schneider, faz belas considerações:

Tudo Sobre Minha Mãe – como todos os filmes de Almodóvar – constrói a feminilidade através do olhar irreverente e apaixonado de um homem gay que cresceu cercado por mulheres adoráveis à beira de um ataque de nervos. (…) A trama, elaboradamente estruturada e revestida de significados, é um pretexto para reunir um bando de mulheres de voz rouca (com ou sem seus próprios seios) para falar indecências, beber, chorar e se ajudar mutuamente. Quando uma mulher chora em um filme de Almodóvar, é um acontecimento denso, arfante, aristocrático. Ainda assim, com seu jeito de bobo da corte, Almodóvar é o mais entusiasta dos igualitários sociais. Uma freira pode decair, uma prostituta pode ascender ao sucesso e, embora ambas possam se queixar de seus destinos, suas agruras são absolutamente despidas de amargura ou ódio. Até mesmo a paleta de cores é igualitária e o trash possui a sua própria beleza. Os carros que rondam em busca de prostitutas à noite sob uma ponte em Barcelona são banhados pela mesma adorável luz da lua que ilumina os prédios antigos da cidade.”

E prossegue:

“Perto do desfecho do filme, a prostituta sobe ao palco e, após ter enumerado o custo de suas diversas cirurgias plásticas para uma escandalizada platéia burguesa, os encanta com sua definição espontânea do que é preciso para ser verdadeiro. “Você é mais autêntico”, diz ela, “à medida que mais se assemelha com as coisas com que sonhou.” Para Almodóvar, a natureza é superestimada, ao passo que atuar – mentir, inclusive – é a capa que nos liberta para revelarmos o que temos de pior e de melhor. Essa sedutora cena resume a crença exuberantemente humana que move todos os filmes que ele realiza. Embora Tudo Sobre Minha Mãe contenha cenas tão honestas e ruidosas como qualquer um de seus filmes anteriores, ele preserva um tom mais sereno, mais melancólico e meditativo que começou com A Flor do Meu Segredo (1995) e continuou com o adorável Fale Com Ela.”

Belo texto este do 1001 Filmes.

É isso aí. De fato, como diz o texto, Almodóvar foi ficando mais sereno à medida em que envelhecia. Não sou mesmo um conhecedor de sua obra, mas até eu, que conheço pouco, notei isso. Quando escrevi sobre Julieta, o Almodóvar safra 2016, escrevi:

“Interessante: alguns anos atrás, Pedro Almodóvar fazia filmes chocantes, provocantes, irritantes. Estupendos, todos, é verdade, mas chocantes, provocantes, irritantes. Filmes para épater les bourgeois. Que bom ver mais uma vez como é verdadeiro aquele dito de que a juventude é uma doença que o tempo cura: aos 67 anos (ele é de 1949, poucos meses mais velho que eu), Pedro Almodóvar deixou em segundo, ou terceiro, ou quarto plano sua vontade de épater les bourgeois. Não deixou de lado seu talento brilhante, e então agora faz estupendos filmes adultos para platéias adultas.”

Todo Sobre Mi Madre não é apenas um filme que fala de dramas e problemas muito graves sem ser depressivo, deprimente, como falei acima. Mais que isso: é um filme até mesmo otimista.

Almodóvar gosta da humanidade. Gosta das pessoas, gosta desses seus personagens às vezes trágicos, às vezes perdidos, às vezes fodidos demais pela vida. Suas personagens sabem ser companheiras, solidárias; gostam de ajudar umas às outras.

Com amizade, solidariedade dá pra tocar a vida. Mesmo se a vida te trata muito mal. Ou, como diriam seus personagens, quando a vida te fode.

Anotação em junho de 2021

Tudo Sobre Minha Mãe/Todo Sobre Mi Madre

De Pedro Almodóvar, Espanha-França, 1999

Com Cecilia Roth (Manuela)

e Marisa Paredes (Huma Rojo, a atriz veterana, que faz Blanche Dubois), Candela Peña (Nina, a atriz mais jovem, que faz Stella), Antonia San Juan (Agrado, a grande amiga de Manuela), Penélope Cruz (irmã Rosa), Rosa Maria Sardà      (Rosa, a mãe da irmã Rosa), Fernando Fernán Gómez (o pai de Rosa), Toni Cantó (Lola/Esteban, o ex-marido de Manuela), Eloy Azorín (Esteban, o filho de Manuela), Carlos Lozano (Mario, o ator que faz Kowalski), Fernando Guillén (o ator que faz o médico), Manuel Morón (médico), José Luis Torrijo (médico), Juan José Otegui (ginecologista),

Carlos García Cambero (o receptor do coração doado), Paz Sufrategui (a mulher do receptor do coração), Agustín Almodóvar (motorista de táxi)

Argumento e roteiro Pedro Almodóvar

Fotografia Affonso Beato

Música Alberto Iglesias

Montagem José Salcedo

Casting Sara Bilbatua

Direção de arte Antxón Gómez

Produção Agustín Almodóvar, El Deseo, Renn Productions, France 2 Cinéma, Vía Digital, Canal+. DVD 20th Century Fox.

Cor, 101 min (1h41)

Disponível em DVD.

R, ****

3 Comentários para “Tudo Sobre Minha Mãe / Todo Sobre Mi Madre”

  1. Esse filme é um pérola. Cecília Roth, está deslumbrante. Tudo bem que 1999 era o ano de “Matrix, O Sexto Sentido…” (a melhor atriz foi Hilary Swank, que está ótima), mas Cecília merecia se não o prêmio, ao menos uma indicação. Sobre Bette Davis, Gena Rowlands e Romy Schneider, acho que você disse tudo.

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