Fanny e Alexander / Fanny och Alexander

Nota: ★★★★

Imenso, colossal, com dezenas de personagens e 3h17 de duração, Fanny e Alexander, uma das últimas obras do mestre Ingmar Bergman e um de seus filmes mais aclamados, 21 prêmios, inclusive quatro Oscars, é uma barafunda de um monte elementos.

É a história de uma grande família, os Ekdahl, ligada ao teatro, numa cidade do interior da Suécia, em 1907. Há momentos cômicos – na festa de Natal que abre a longa narrativa, Carl (Börje Ahlstedt), um dos três filhos da matriarca Helena (Gunn Wållgren), tio dos garotos Fanny e Alexander do título, faz um show de flatulência para as crianças, com direito a um número final em que apaga três velas ao mesmo tempo com um fenomenal pum.

Há longos momentos do mais profundo drama – ou não seria um opus de Ingmar Bergman. Quando, um pouco depois da metade do filme, Fanny, Alexander e a mãe deles, a bela Emilie (Ewa Fröling), então viúva de Oscar Ekdahl (Allan Edwall), caem no pesadelo infernal sob as garras do bispo Edvard Vergerus (Jan Malmsjö) e da irmã, mãe e criadas dele, todas umas absolutas bruxas, me peguei pensando que aquilo se parecia com os trechos mais absolutamente apavorantes dos contos de fada.

O sofrimento de Fanny, Alexander e Emilie se parece com a duríssima vida de Cinderela tornada escrava da madrasta cruel e das pavorosas filhas dela. Ou de João e Maria, aprisionados pela bruxa má, que os engorda para matar e comer.

Só que pior, ainda pior que o sofrimento de Cinderela, de João e Maria.

O inferno, o inferno.

Momentos cômicos, momentos profundamente dramáticos – e há também os momentos mágicos, fantásticos, ou então abertamente surreais, seja o adjetivo que o leitor ou espectador quiser. Aquela figura estranhíssima, loucamente andrógina de Ismael (Stina Ekblad), sobrinho do Tio Isak (Erland Josephson), fazendo um autêntico vudu na Escandinávia do começo do século XX, o incêndio que se segue…

Comédia, drama profundo, fantasia, surrealismo.

E Alexander dizendo: – “Se existe um Deus, então ele é uma merda, e eu gostaria de chutar a bunda dele”.

O garoto Alexander, uns 10, 12 anos em uma cidade do interior da Suécia, depois de passar pela infernal experiência de ter como padrasto um bispo rígido, severo e cruel feito aqueles religiosos da Inquisição espanhola, maldiz Deus.

Ingmar Bergman puro.

Ingmar Bergman, como sabem todos os que conhecem um pouco sobre esse que é um dos maiores cineastas da História, se não o maior de todos, nasceu no início do século XX, numa cidade do interior, Uppsala – exatamente a cidade em que foi filmado Fanny e Alexander. E era filho de um pastor luterano, Erik Henrik Fredrik Bergman.

Mas é da matriarca Helena, a avó de Fanny e Alexander, a frase que, na minha opinião, define este filme:

“Tudo pode acontecer. Tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Em uma estrutura frágil de realidade, a imaginação gira, tecendo novos padrões.”

“Fanny e Alexander se aproveitaram do meu alívio”

Escrevi os parágrafos acima antes de fazer uma pesquisinha sobre o filme. Gosto sempre de começar meus comentários antes de ler sobre os filmes, para fazer um registro das minhas sensações, avaliações. Um registro pessoal, ainda sem influência da avaliação de terceiros.

Vejo agora que, em seu livro Imagens (Bilder, em sueco, copyright 1990, sete anos após o lançamento de Fanny och Alexander, lançado no Brasil em 1996 pela Martins Fontes), Bergman coloca o filme no trecho dedicado a “Comédias, Divertimentos”.

Para Bergman, um garoto de 12 anos dizer que “se existe um Deus então ele é uma merda” faz parte de uma comédia, um divertimento.

“Meu filme Fanny e Alexander tem dois pais: um deles é E.T.A. Hoffman”, ele escreve no capítulo de Imagens dedicado ao filme – o último capítulo do livro em que fala sobre cada uma de suas obras.

(Depois de Fanny e Alexander, ele faria ainda Depois do Ensaio, de 1983, O Sinal, de 1985, o Documentário Sobre a Filmagem de Fanny e Alexander, de 1986, e um curta, O Rosto de Karin, também de 1986. Mas não escreveu sobre eles no livro Imagens.)

Bergman conta então que, no final dos anos 70, ele estava para encenar Os Contos de Hoffmann na Ópera de Munique. “Existe uma ilustração de Os Contos de Hoffmann que não me saía da memória. Ela é proveniente de O Quebra-Nozes. Nessa gravura vêem-se duas crianças de cócoras, na véspera de Natal, esperando que a árvore seja iluminada e as portas do quarto se abram. O ponto de partida de Fanny e Alexander também é a celebração do Natal. O outro pai deste filme é, evidentemente, Dickens: o bispo e sua casa; o judeu na loja fantástica; as crianças como vítimas; o contraste entre um mundo fechado, preto e branco, e uma vida que floresce lá fora. Tudo começou no outono de 1978. Vivia então em Munique, e me sentia mal.”
O cineasta havia saído de seu país e se instalado na Alemanha por causa de brigas com a Receita Federal sueca – recusava-se a pagar a enormidade de dinheiro que o governo sueco exige dos que ganham enormidades de dinheiro.

Fanny e Alexander seria o primeiro filme que ele faria de volta à Suécia, depois que os processos sobre imposto de renda foram julgados – segundo Bergman diz no livro, eles não deram em nada. Estar de novo trabalhando em seu país, falando sua língua, é claro que fez bem ao cineasta, e ele diz isso em Imagens.

“Nota-se logo no início da idéia que eu voltava ao mundo da minha infância. Aí está essa cidade com universidade, a casa de minha avó e a velha cozinheira, o judeu que morava num apartamento do pátio da mesma casa, a escola. E, naquele lugar, começo me movendo pelos arredores. Sem dúvida que minha infância tem sido sempre a fornecedora principal de temas para meus filmes, isso sem que eu me tenha importado em saber de onde vinham essas sugestões.”

E um pouco mais adiante:

Fanny e Alexander foi concebido no outono de 1978, quando tudo na minha vida era miséria e treva. Mas o roteiro em si foi escrito na primavera de 1979, quando toda a angústia já passara. Sonata de Outono fora bem acolhido, e o processo dos impostos resultara em nada. Senti-me subitamente livre, e quero crer que Fanny e Alexander se aproveitaram do meu alívio. Quanto a mim, foi bom saber que possuía aquilo que possuía.”

Em Imagens, Bergman vai fazendo avaliações sobre sua vida, seu trabalho, e volta e meia transcreve anotações que fez na época em que estava realizando tal e tal filme. Ele usa este trecho de seu diário: “Esta primeira semana (de filmagem) excedeu todas as expectativas. Foi muitíssimo mais agradável trabalhar do que supus. Creio bem que o prazer que sinto tem relação com o fato de estar usando agora meu idioma. Há muito que não o fazia. As crianças do filme são um encanto, se sentem à vontade, são engraçadas. Claro que não deixam de surgir dificuldades e, por vezes, sou tomado por uma inquietação horrível.”

Ele diz lembrar da infância “com prazer e curiosidade”

Bergman conta que quando, terminadas as filmagens, ele e sua montadora, Sylvia Ingemarsson, começaram a ver o material, “eram bem umas 25 horas de filme”.

O cineasta não relata em detalhes como foi que tomou a decisão, mas o fato é que resolveu, com o material filmado, fazer uma minissérie para a TV, que acabaria tendo 5h12 no total, divididos em 5 episódios, e, depois, um filme, que a princípio ela acreditava que teria umas 2 horas e meia.

Em agosto de 1981, Bergman relata, a montadora Sylvia Ingemarsson viajou até a ilha de Fårö, onde ele morou durante as últimas décadas de sua vida, para que trabalhassem na montagem do material, cortando para cerca de 2h30. “Trabalhamos diligentemente e, quando terminamos a montagem tínhamos, para meu espanto, um filme de quase quatro horas. Não houve portanto outra coisa a fazer senão começar tudo desde o princípio. Foi uma tarefa extremamente difícil, pois vi-me obrigado a cortar no que constituía os nervos da narrativa. A cada corte que fazia tinha a consciência de estar prejudicando meu filme. Por fim, acabamos neste compromisso: o filme teria três horas e oito minutos de duração.”

Bergman termina seu relato sobre Fanny e Alexander – e também seu livro – transcrevendo um trecho do que ele havia escrito em um livro anterior, Lanterna Mágica. É o que ele chama de “a linha fundamental de Fanny e Alexander”:

“Apesar de tudo, penso nos meus tempos de menino com prazer e curiosidade. Nunca me faltou alimento nem para a fantasia nem para os sentidos, e, que me lembre, jamais me senti entediado. Pelo contrário, meus dias viviam repletos de coisas que achava interessantes, cenários inesperados, instantes mágicos. (…) Sentia dificuldade para distinguir entre o que era imaginado e o que era real. Se me esforçava, conseguia manter a realidade dentro dos seus limites, mas que fazer dos fantasmas e das almas penadas? E as histórias que me contavam as sagas? Seriam reais?”

Dois pequeninos, rapidíssimos comentários meus:

Um: Que coisa, hein? Bergman pensava nos seus tempos de menino com prazer e curiosidade – e criou tantos dramas pesadíssimos, densos, dolorosos. Imagine se ele pensasse sobre seu passado com profunda tristeza, dolorosa angústia.

Dois: O capítulo final, o livro – tudo termina com interrogações. Três interrogações consecutivas. Bergman puro.

Atores que não eram do grupo de sempre de Bergman

Mais que qualquer outro, Ingmar Bergman foi um cineasta fiel a um grupo de atores. Fiz um rápido levantamento dos elencos dos 17 filmes que ele realizou entre 1950, o ano de Quando as Mulheres Esperam, e 1965, o ano de Persona. Gunnar Björnstrand trabalhou em dez dos 17 filmes. Harriet Andersson, em cinco. Eva Dahlbeck, em seis. Max von Sydow, em sete.

É muito interessante notar que três dos principais atores de Fanny e Alexander, ao contrário do que é usual na carreira de Bergman, só trabalharam com ele neste filme aqui. Gunn Wållgren, que faz a matriarca, a avó dos dois meninos, Ewa Fröling, que faz a mãe, e Jan Malmsjö, que interpreta o bispo Edvard Vergerus, não tinham ainda trabalhado com o diretor – nem voltariam a trabalhar.

Mas, para confirmar a tradição de que sempre estão no elenco dos filmes do cineasta alguns seus colaboradores usuais, Gunnar Björnstrand e Harriet Andersson trabalham no filme. Só que em papéis pequenos.

Gunnar Björnstrand aparece, se não estou enganado, em apenas uma sequência, no início do filme – ele interpreta um dos homens da trupe de teatro dirigida por Oscar Ekdahl, o pai de Fanny e Alexander. Já Harriet Andersson faz o papel de Justina, uma das criadas do bispo Vergerus – e ela foi produzida para parecer feia, horrorosa, como o próprio caráter da personagem. Justina leva para o bispo informações sobre Alexander, o que resultará numa terrível surra de vara aplicada no pobre garoto.

Confesso que não reconheci Harriet Andersson enquanto via o filme. É absolutamente impossível ligar o rosto daquela pavorosa mulher com a jovem gostosérrima, sensual, livre leve solta de Monika e o Desejo (1953), o primeiro dos cinco filmes em que ela trabalhou com o sujeito com quem viveria alguns anos.

Jan Malmsjö, que faz o bispo, ficou bastante surpreso ao receber o convite de Bergman para o papel do bispo que se casa com Emilie Ekdahl depois que morre seu marido Oscar. Jan Malmsjö era mais conhecido como ator de comédias leves e musicais. Segundo o IMDb, ele perguntou a Berman o motivo da escolha, e recebeu a seguinte resposta: – “Bem, eu sinto algumas ondas de negror e do mal escondidas dentro de você, Jan. Você tem, eu tenho, todos nós temos.”

Um dos papéis mais importantes do filme é o da criada Maj, a fogosa babá de Fanny e Alexander que se torna amante do tio deles, Gustav-Adolph. O papel foi dado a Pernilla Wallgren, então com 20 e poucos aninhos. Cerca de 10 anos mais tarde, quando Bergman confiou ao dinamarquês Bille August a direção do filme As Melhores Intenções, com base em seu roteiro abertamente autobiográfico, indicou Pernilla para o papel principal, o de Anna Bergman, sua mãe. Pernilla ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, e também um novo marido. Ninguém que gosta de cinema se lembraria do nome Pernilla Wallgreen, que aparece nos créditos de Fanny e Alexander: ela ficou mesmo conhecida como Pernilla August.

Ainda um registro sobre os atores: nem Bertil Guve nem Pernilla Allwin, os garotos escolhidos pela equipe de casting e pelo próprio Bergman para os papéis de Alexander e Fanny, prosseguiram na carreira. Devem ter concluído que não era a praia deles.

Pernilla Allwin não tem muitas falas no filme, não é muito exigida. Já o garoto Bertil Guve está muito bem como Alexander. Bem… Até eu, dirigido por Ingmar Bergman, seria um bom ator. Até mesmo aquelas moças bonitas que a Globo bota para trabalhar nas novelas seriam capaz de virar atrizes, dirigidas por Ingmar Bergman.

O filme mais acessível de Bergman – e o mais popular

Fanny e Alexander recebeu seis indicações aos Oscars, inclusive em duas das categorias mais importantes, melhor direção e melhor roteiro original. Não levou as estatuetas dessas categorias, mas venceu nas de melhor filme estrangeiro, melhor fotografia para Sven Nykvist, melhor direção de arte para Anna Asp e melhor figurino para Marik Vos-Lundh.

Levou ainda o Globo de Ouro e o César francês de melhor filme estrangeiro, e o Bafta de melhor fotografia.

E parece ser o filme mais popular, mais apreciado pelos espectadores comuns, pelo público em geral, entre todos os deste cineasta que não faz assim obras propriamente fáceis. Uma indicação disso é que, no IMDb, ele tem nota 8,1 na média da avaliação dos leitores, uma nota que poucos filmes alcançam, mesmo entre os mais populares. No site Rotten Tomatoes, que faz a média de avaliação tanto de críticos quanto de leitores, o filme tem 94% de aprovação no voto popular. (No voto da crítica, tem raros, raríssimos 100%.) No belo, respeitabilíssimo AllMovie, o filme tem 5, a nota máxima, tanto dos críticos do site quanto no voto dos leitores.

Como toda unanimidade é burra, segundo dizia Nelson Rodrigues, Mary, ali ao meu lado, achou o filme muito chato. Não seria necessário dizer (mas digo mesmo assim) que Mary é uma pessoa de muito bom gosto. Mas acontece: às vezes a gente não entra em sintonia com um filme, mesmo que grande.

O livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer diz que Fanny e Alexandre, “história autobiográfica”, é considerado o mais acessível dos filmes de Bergman. “O filme inteiro possui um sentido onírico de irrealidade, o que vem como um alívio em seus momentos mais trágicos”, diz – com bastante propriedade – o livro organizado por Steven Jay Schneider.

O livro Off-Hollywood Movies, de Richard Skorman, abre seu verbete sobre o filme assim: “Em sua prolífica carreira, Ingmar Bergman dirigiu mais de 70 filmes de longa-metragem, e a maior parte de seu trabalho pode ser descrita como intensos estudos de personagens que estão à beira da loucura. Embora sua última obra, Fanny e Alexander, tenha alguns desses elementos, é também um filme caloroso, uma afirmação de vida.” E depois: “Bergman mistura um pouco de cada coisa neste grand finale altamente autobiográfico – denso estudo de personagens, simbolismo religioso, memórias afetivas da infância e os mistérios do desconhecido. Tudo isso é costurado magnificamente, desde as atuações e o roteiro até a decoração de interiores e fotografia.”

O Dicionário de Filmes do mestre Georges Sadoul diz: “Pela duração, pelo número de temas que aborda (infância, família, religião, o teatro), pode-se dizer que este filme é algo como uma ’biografia distanciada’. Situando a ação no início do século, em Uppsala, sua cidade natal, Bergman empenha-se na descrição impiedosa de uma família dividida entre a representação social e teatral. Encontram-se aqui, orquestrados por mão de mestre, os temas bergmanianos: o erro e o arrependimento, e a hipocrisia que os sustém. Isso se passa sob os olhos de duas crianças, irmão e irmã de dez e oito anos, Alexander e Fanny, que armazenam provisões, para a vida inteira, de ódio e obsessões.”

Anotação em fevereiro de 2021

Fanny e Alexander/Fanny och Alexander

De Ingmar Bergman, Suécia-França-Alemanha Ocidental, 1982

Com Bertil Guve (Alexander Ekdahl), Pernilla Allwin (Fanny Ekdahl), Gunn Wållgren (Helena Ekdahl, a avó, a matriarca), Ewa Fröling      (Emilie Ekdahl, a mãe dos meninos), Allan Edwall (Oscar Ekdahl, o pai dos meninos), Jarl Kulle (Gustav-Adolph Ekdahl, filho de Helena), Mona Malm (Alma Ekdahl, a mulher de Gustav-Adolph), Maria Granlund (Petra, a filha de Gustav-Adolph e Alma), Pernilla August (Maj, a criada da avó, amante de Gustav-Adolph), Börje Ahlstedt (Carl Ekdahl, filho de Helena), Christina Schollin (Lydia Ekdahl, a mulher de Carl), Sonya Hedenbratt (tia Emma), Käbi Laretei (tia Anna von Bohlen), Majlis Granlund (Vega), Kristina Adolphson (Siri), Lena Olin (Rosa),

Erland Josephson (Isak Jacobi, o grande amigo de Helena), Stina Ekblad (Ismael, sobrinho de Isak), Mats Bergman (Aron, sobrinho de Isak),

Jan Malmsjö (bispo Edvard Vergerus), Kerstin Tidelius (Henrietta. a irmã do bispo), Marianne Aminoff      (Blenda, a mãe do bispo), Harriet Andersson (Justina, a criada do bispo),

Gunnar Björnstrand (Filip Landahl, no teatro), Anna Bergman (Hanna Schwartz, no teatro)

Argumento e roteiro Ingmar Bergman

Fotografia Sven Nykvist

Música Daniel Bell

Montagem Sylvia Ingemarsson

Direção de arte Anna Asp

Produção Jörn Donner. DVD Versátil.

Cor, 197 min (3h17)

Disponível em DVD.

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