Sorrisos de uma Noite de Amor / Sommarnattens Leende

Nota: ★★★½

Sorrisos de uma Noite de Amor é um daqueles filmes que, além de serem maravilhosos e importantes, têm uma história de vida, se é que podemos usar a expressão, que daria um grande filme.

É uma comédia engraçadíssima, deliciosa, “uma das melhores comédias românticas de todos os tempos”, na definição do crítico Leonard Maltin. Encantou os jurados do Festival de Cannes, que resolveram dar a ela um prêmio especial de “Humor Poético”.

No entanto, seu criador e realizador era um sujeito que parecia tão difícil de se misturar com comédia quanto água com óleo. “Minhas relações com o gênero comédia não têm sido fáceis, e elas vêm de um passado muito recuado. Como criança viam-me com um ser suscetível, ofendido pela menor coisa”, escreveria Ingmar Bergman no capítulo sobre Sorrisos de uma Noite de Amor do livro Imagens, lançado em 1990. “De mim, disseram sempre: ‘Ingmar não tem mesmo o sentido de humor’.”

Poucos meses antes de terminar o roteiro e começar as filmagens, no primeiro semestre de 1955, Bergman passou uma temporada num hotel da Suíça – e esteve perto do suicídio.

“Não raro tenho considerado o suicídio”, diz ele no livro Imagens. Isso principalmente quando era jovem e a existência se me apresentava intolerável. Naquela altura, na Suíça, compreendi que tinha chegado o momento propício. Estava disposto a sentar-me ao volante descendo pela estrada em serpentina sem brecar para que tudo parecesse um acidente e, assim, perante o irremediável, não deixaria ninguém triste.”

Mas eis que chega a roda viva. Bergman recebeu um telegrama de Carl Anders Dymling, o diretor-geral da Svensk Filmindustri, a empresa com a qual tinha o que chamou no livro de “contrato de escravo”, chamando-o de volta à pátria para que trabalhasse um pouco mais numa história que havia escrito e seria filmada pelo colega Alf Sjöberg, e viria a ser O Último a Sair/Sista paret ut (1956).

“Era coisa urgente, portanto. Aliviado, adiei meu suicídio e voltei para casa.”

Depois de trabalhar com Alf Sjöberg dando forma definitiva ao roteiro de O Último a Sair, Bergman concluiu o roteiro do que viria a ser Sorrisos de uma Noite de Amor.

Durante todas as filmagens e o trabalho de montagem, que duraram cerca de 50 dias, Bergman esteve doente – “meus demônios gástricos deram sinal de si logo início” –, e, segundo testemunhos de pessoas que participaram da tarefa, de péssimo humor. “Os que se recordam desta filmagem afirmam que eu fui diabólico com o diretor de produção, os técnicos de som e, principalmente, os diretores da companhia.”

“No último dia de trabalho, eu estava pesando 57 quilos. Todos (inclusive eu) estavam convencidos de que eu tinha um câncer no estômago. Fui internado num hospital e submetido a um exame rigoroso. Foi-me dito que estava completamente são.”

Como é possível que, com tudo isso, o trabalho resultasse neste filme alegre, divertido, jovial, espirituoso?

Coisa de louco. Ou de gênio, o que às vezes é quase a mesma coisa.

(Na foto abaixo, Ulla Jacobsson e Gunnar Björnstrand.)

Depois deste filme, Bergman teve liberdade total

Sorrisos de uma Noite de Amor foi um divisor de águas na carreira de Ingmar Bergman, essa figura gigantesca que é um dos maiores realizadores da História do cinema, se não for o maior de todos.

Os estudiosos da vasta, imensa, fantástica obra de Bergman – como Lasse Bergström, que realizou uma grande coletânea de entrevistas com o cineasta que acabaria resultando no livro Imagens – dizem que só com Prisão, de 1949, seu sétimo filme como diretor, ele passou a ter reconhecimento da crítica e do público de seu país.

Monika e o Desejo/Sommaren med Monika, de 1952, causou furor nos Estados Unidos – mas, segundo a opinião de vários estudiosos, pesquisadores, isso se deveu a uma questão específica. A conservadora, careta, quase pudica América do início dos anos 1950 não estava, de maneira alguma, acostumada a ver mulher nua nas imensas telas dos cinemas. E a jovem Harriet Andersson aparece nua, ou seminua, em várias tomadas de Sommaren med Monika.

Foi realmente com este Sorrisos de uma Noite de Verão, de 1955, que Ingmar Bergman passou a ser reconhecido internacionalmente.

Ele mesmo diz isso, em um curtíssimo documentário que foi feito com um Bergman já bem idoso (ele morreu em 2007, aos 89 anos), para servir como uma introdução ao filme no DVD que trouxe a versão restaurada – e que foi lançado no Brasil pela Versátil Home Vídeo. O documentariozinho de quatro minutos é de uma simplicidade franciscana: vemos um veículo desses feitos para estradas ruins em áreas rurais chegar a uma espécie de galpão de fazenda. Dele desce um casal, que entra na tal edificação – e aí vemos que é uma cabine de projeção, um pequeno cinema doméstico com umas 20 poltronas. Dá para imaginar que seja na propriedade do cineasta na ilha Fårö – seguramente é, sim.

Ele se senta numa das poltronas ao lado da escritora, produtora e diretora Marie Nyreröd, que realizou, em 2004, o documentário A Ilha de Bergman, e responde a perguntas dela. “O filme para mim foi um marco em todos os sentidos”, ele diz. “Ele tornou-se um sucesso em todos os lugares em que foi exibido. A Svensk Filmindustri ganhou muito dinheiro com ele. A partir daí, a Svensk me deu total liberdade de criação.”

Aí vem um detalhe fantástico, fascinante: – “Foi tudo muito estranho. Eu não sabia que eles tinham inscrito o filme no Festival de Cannes. Eu não sabia de nada. Lembro que um dia estava sentado no banheiro, lendo o jornal, quando, de repente, li a manchete: ’Sucesso sueco no Festival de Cannes’. Pensei: ótimo, sucesso sueco no Festival de Cannes. Então vi que era Sommarnattens Leende, que eles tinham levado ao festival sem sequer me consultarem.”

Em seguida, o então veterano Bergman – essa entrevista deve sem dúvida alguma ter sido feita por Marie Nyreröd durante suas conversas com o cineasta para o documentário de 2004 – conta que estava sem dinheiro. “Na época, eu estava saindo com Bibi Andersson. Ela estava bem, fazendo vários papéis no cinema. Então, peguei emprestado um dinheiro com ela para comprar uma passagem de avião. Fui para Cannes, sem perguntar a ninguém.”

Logo em seguida ele enfatiza a informação que havia dado um pouco antes, que é importantíssima, fundamental: – “A partir de Sommarnattens Leende, ninguém mais interferiu no meu trabalho. Sempre fiz o que quis.”

Marie Nyreröd pergunta o que ele acha do filme, tantos anos depois. Vemos fotos de sequências de Sommarnattens Leende – e o octogenário Bergman diz: – “Eu gosto do filme. Sempre gostei. Se você pensar nas condições precárias em que o filme foi realizado, é incrível que ele seja tão alegre, despreocupado, com seu tom levemente sério. Ainda o acho divertido.”

Marie Nyreröd sugere que eles vejam se o filme continua mesmo assim – e Bergman faz um sinal para o projecionista começar a exibir a obra.

Quatro mulheres, quatro homens – e uma grande excitação

“Na época, eu estava saindo com Bibi Andersson.”

É obrigatório, é fundamental voltar a este assunto, e vou voltar, sem dúvida alguma – mas agora seria bom falar um pouco da trama do filme.

Bem, para começo de conversa, Sorrisos de uma Noite de Amor é invenção dos exibidores brasileiros, sempre muito criativos, sempre dispostos a inventar coisas que não existem nos títulos originais. Sommarnattens Leende significa Sorrisos de Noites de Verão. O título do filme em inglês é Smiles of a Summer Night. Na França, os jovens François Truffaut, Jean-Luc Godard, Louis Malle viram Sourires d’une nuit d’été. Visconti, Antonioni, Fellini viram Sorrisi di una Notte d’Estate, e Carlos Saura viu Sonrisas de una Noche de Verano.

Summer, été, estate, verano, verão – a estação do calor. Sorrisos de uma Noite de Verão. Sorrisos de uma Noite de Amor, só no Brasil.

O título original, Sorrisos de uma Noite de Verão, o clima de excitação sexual com o calor das noites de verão, a trama que envolve vários casais, ninguém tem dúvida alguma de Bergman tomou da comédia de William Shakespeare A Midsummer Night’s Dream, Sonho de uma Noite de Verão.

Nunca li a peça, nem assisti a alguma encenação, mas acho que seria bom ter uma sinopse dela. Recorro à Wikipedia:

O Duque Teseu se prepara para se casar com Hipólita, mas, antes das bodas, é chamado para resolver uma disputa amorosa envolvendo a romântica Hérmia e o seu pai Egeu. Hérmia ama Lisandro, mas Egeu pretende forçar Hérmia a casar-se com Demétrio. Teseu decide que Hérmia tem até seu casamento com Hipólita para escolher o seu destino: casa-se com Demétrio, morre ou converte-se no altar de Diana e abandona a companhia de homens para viver em solidão. Lisandro propõe à sua amada que ambos fujam de Atenas, e ela concorda. Hérmia conta o seu plano à sua amiga Helena, que morre de amores por Demétrio…

Aaaahnn… Acho que deu para perceber o clima.

A história que Ingmar Bergman, aos 37 anos de idade, criou para seu filme de número 17 fala de oito pessoas, quatro mulheres e quatro homens, e é mais ou menos assim:

A ação se passa na Suécia da virada do século XIX para o XX.

Fredrik, homem de meia-idade, advogado bem posto na vida, ama sua segunda esposa, a jovem muito jovem Anne, e Anne parece gostar muito do marido, embora – é um tanto difícil saber por qual motivo – eles não tenham ainda tido sexo, após dois anos sob o mesmo teto e com as bênçãos de Deus; quem parece muito interessada em Anne é seu enteado, o filho do primeiro casamento de Frederick, Henrik, rapagão aí de uns 20 anos, que estuda para ser ministro religioso. (Ministros religiosos protestantes, como o fictício filho de Fredrik e o pai de Ingmar Bergman na vida real, têm todo o direito de se casar, é bom lembrar.)

Bem no início da narrativa, Fredrik leva a esposa Anne ao teatro para ver uma peça estrelada pela bela atriz Desirée Armfeldt – que havia sido amante do advogado durante alguns anos, depois da morte da primeira mulher dele e antes que ele conhecesse a segunda.

Com ciúme de Desirée, Anne pede para voltarem para casa assim que a atriz entra em cena.

Depois de deixar Anne na cama, Fredrik retorna rapidamente ao teatro para rever Desirée, pela primeira vez depois de alguns anos.

Vão os dois para a casa dela – mas, ao chegar lá, Fredrik cai numa poça d’água, se molha inteiramente. Enquanto sua roupa é posta para secar, ele usa o pijama e o robe que Desirée oferece a ele – e que pertence ao atual amante dela, o capitão do Exército Real conde Carl Magnus Malcolm.

O conde Malcolm estava fora da cidade – mas retorna muito antes do previsto, para encontrar a amante acompanhada por seu ex-amante, que usa suas próprias roupas.

Pinta aí um clima.

E há outros elementos ainda mais complicadores. A condessa,  esposa do conde, a jovem também muito jovem Charlotte, é amicíssima de Anne, a senhora Fredrik Egerman.

Desirée toma uma decisão: vai visitar a mãe, uma velhinha riquíssima, que mora num palacete no campo, e pede a ela que convide, para um fim de semana ali, os casais Fredrik & Anne e conde & condessa Malcolm. Mais, é claro, o filho do advogado.

Estão também no palacete no campo Petra, a empregada dos Egerman, e Frid, empregado na propriedade da sra. Armfelddt, a velhinha mãe da atriz Desirée. Frid vai dar em cima de Petra, que é empregada na casa dos Egerman – e ela vai consentir com os avanços dele.

Sem contar com a velhinha, são quatro homens e quatro mulheres.

Ali no campo, o que já era confuso – e terrivelmente engraçado – vai ficar mais confuso, e mais engraçado.

(Na foto abaixo, Gunnar Björnstrand, Eva Dahlbeck e Jarl Kulle.)

Patroa e empregada são opostas

Como são muitos personagens, não coloquei, ao contrário do padrão, os nomes dos atores entre parênteses. Numa tentativa de não tornar ainda mais difícil a compreensão do resumo da história, deixei para apresentar os atores agora.

Eis o cast of characters, na ordem em que os nomes dos atores aparecem nos créditos iniciais – primeiro as damas, depois os cavalheiros:

Ulla Jacobsson – Anne Egerman

Eva Dahlbeck – Desirée Armfeldt

Harriet Andersson – Petra, a empregada

Margit Carlquist – condessa Charlotte Malcolm

Gunnar Björnstrand – Fredrik Egerman

Jarl Kulle – conde Carl Magnus Malcolm

Åke Fridell – Frid, o noivo

Bjorn Bjelvenstam – Henrik Egerman, o filho de Fredrik

A sra. Armfeltdt é interpretada por Naima Wifstrand, uma velhinha deliciosa, fantástica. Nascida em 1890, morta aos 78 anos em 1968, Naima Wifstrand trabalhou com Bergman também em O Rosto, de 1958, e Morangos Silvestres, de 1957, em que fez a mãe do velho Isak Borg, o protagonista representado por Victor Sjöstrom.

Petra é uma personagem importante – assim como é importante a atriz que a representa, Harriet Andersson. Petra é muito bela, muito jovem – e extremamente provocante. Provoca o jovem candidato a ministro religioso Henrik o tempo todo, rebolando, exibindo boa parte dos seios fartos.

De maneira fascinante, Petra, a empregada, é a antípoda da patroa, Anne. Têm mais ou menos a mesma idade, aí por volta dos 18, 19, mas, enquanto a patroa ainda é virgem, porque o marido bem mais velho não quer avançar sobre ela – espera que ela fique a fim, que ela tome a iniciativa –, a empregada dá mais que chuchu na cerca, ou pelo menos diz que dá mais que chuchu na cerca, e parece se orgulhar disso. A sequência em que Anne e Petra trocam confidências (na foto abaixo), riem, se abraçam, é uma absoluta maravilha.

Frases e mais frases deliciosas, fantásticas        

Os personagens são interessantes. As situações que os unem são fascinantes. E os diálogos… Meu Deus do céu e também da Terra, como são absolutamente geniais os diálogos deste Sommarnattens Leende!

Muitas vezes anoto alguns dos melhores diálogos do filme que está rolando diante de mim. Ao ver agora este Bergman de 1955 – a terceira comédia deste realizador que mais fez dramas sérios, densos, profundo, sobre as grandes questões metafísicas, quem sou, onde estou, para onde vou –, evitei anotar. Se ficasse anotando cada belo diálogo, levaríamos mais de cinco horas para ver aqueles 108 minutos de maravilhoso cinema.

Só anotei uma fala. Creio que é da condessa, mas a verdade é que não importa a autora. Poderia perfeitamente ser também uma frase de Desirée:

– ”Sou uma cascavel honesta.”

A página de falas – Quotes – do filme no IMDb traz 23 trechos de diálogos do filme. Dá vontade de traduzir e trazer todas para cá, mas é claro que isso seria loucura demais. Vou escolher umas duas – mas eta tarefa difícil!

* Desirée Armfeldt: – “Nós todos sabemos que cada homem tem sua dignidade. Nós, mulheres, temos o direito de cometer múltiplos pecados contra maridos, amantes e filhos, exceto um: ofender sua dignidade. Se fizermos isso, somos tolas e teremos que enfrentar as consequências. Em vez disso, deveríamos fazer da dignidade do homem nosso principal aliado e acarinhá-la, acalmá-la, falar com carinho com ela e cuidar dela como nosso brinquedo preferido. Só então vamos ter o homem em nossas mãos, a nossos pés, ou em qualquer lugar que a gente queira que ele fique naquele exato momento.”

* O conde, para a esposa, ao saber que sua amante pode estar tendo um caso: – “Eu posso tolerar a infidelidade da minha esposa, mas se alguém tocar na minha amante, viro um tigre!”

* O conde, ao saber, pela amante, que sua esposa pode estar sendo infiel: – “Eu posso tolerar alguém mexendo com minha amante, mas de alguém encostar na minha mulher, viro um tigre!”

* O mesmo conde, jurando que vai tentar ser fiel à esposa: – “Serei fiel por pelo menos sete eternidades de prazer, 18 sorrisos falsos e 57 sussurros ternos sem sentido. Permanecerei fiel até o fim dos nossos dias. Em suma, permanecerei fiel do meu jeito.”

Sai Harriet Andersson, entra Bibi Andersson

Além de estar se sentindo doente, com problemas gástricos, além de ter pensado em suicídio poucos meses antes, Ingmar Bergman estava, durante as filmagens dessa comédia romântica, separando-se de uma das atrizes do filme e começando um namoro com outra.

Bergman e Harriet Andersson (na foto acima) haviam se apaixonado na época em que fizeram Monika e o Desejo, em 1953. O diretor tinha, então, 35 anos e estava em seu terceiro casamento de papel passado, com Gun Grut. Harriet, linda, gostosa, “com um incrível carisma”, nas palavras do próprio Bergman, tinha 21. Ele separou-se de Gun Grut e passou a viver com Harriet.

Dois anos depois, em 1955, na época das filmagens de Sorrisos de uma Noite de Amor, o casal estava prestes a se separar. E pouco depois, quando o filme foi lançado, ele já estava namorando – conforme contou para a diretora Marie Nyreröd no pequeno documentário citado acima –

outra Andersson, a Bibi. Tinha inclusive dado a ela um pequenino, mínimo papel em Sorrisos de uma Noite de Amor – Bibi Andersson faz uma das duas atrizes de teatro que entram em cena na peça cuja estrela é Desirée, a que assiste o casal Fredrik e Anne.

Depois de Bibi Andersson, Bergman ainda se casaria mais duas vezes de papel passado, e, além disso, teria uma longa relação com Liv Ullmann.

Se foi fiel a cada uma dessas oito mulheres – cinco esposas, mais Harriet Andersson, Bibi Andersson e Liv Ullmann – no período em que estava com cada uma delas, não dá para saber. O que se pode afirmar com absoluta certeza, no entanto, é que sempre foi fiel a seus atores.

Mais do que qualquer outro diretor, Bergman gostava de dirigir sempre os mesmos atores, o mesmo grupo de atores. É absolutamente impressionante. Com Bibi Andersson, o realizador fez 13 filmes, segundo as contas do IMDb. Com Harriet foram pelo menos 5. Com Liv Ullmann foram 10. Com Eva Dahlbeck foram 6.

O recorde é de Gunnar Björnstrand, que aqui faz o advogado Fredrik Egerman. Bergman o dirigiu em 23 filmes! Bem, o atpr trabalhava demais. Sua filmografia tem 145 títulos.

Bibi Andersson, Harriet Andersson, Eva Dahlbeck, Ulla Jacobsson – e Greta Garbo, Ingrid Bergman, Ann-Margret, Lena Olin, Alicia Vikander. É absolutamente impressionante a quantidade de mulheres lindas que a Suécia deu para o cinema.

Bergman diz que aprendeu com Eva e Björnstrand

O livro Movies of the 50s, da Taschen. editado por Jürgen Müller, diz: “O incomparável uso dos close-ups de Bergman revela a força dos sentimentos dos personagens. Mas o que mais fica na memória do espectador são os diálogos mordazes, inteligentes. Enquanto os amantes duelam com competência com as palavras, o filme é uma flecha envenenada que vai direto ao coração, desafiando o domínio racional da mente.”

“O primeiro sucesso internacional de Ingmar Bergman pode parecer, em retrospecto, uma anomalia em sua carreira”, diz o livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, de Steven Jay Schneider. “Em entrevistas, Bergman afirmou muitas vezes não ter talento para a comédia. (…) Contudo, em Quando as Mulheres Esperam (1952), e, especialmente, em Uma Lição de Amor (1954), ele encontrou uma fórmula bem sucedida para comédias espirituosas e sofisticadas com os dois excelentes atores Gunnar Björnstrand e Eva Dahlbeck (carinhosamente chamada pelo diretor de ‘O Encouraçado Feminilidade’) como um casal de meia idade que atormenta alegremente um ao outro. Sorrisos de uma Noite de Amor é uma variação dessa fórmula.”

A importância dos atores Gunnar Björnstrand e Eva Dahlbeck (os dois na foto acima) de que fala o livro 1001 Filmes é ressaltada pelo próprio Bergman no capítulo do livro Imagens em que ele fala de suas comédias. “Naquele tempo – ele diz, referindo-se às filmagens de Quando as Mulheres Esperam –, os atores Eva Dahlbeck e Gunnar Björnstrand tinham contrato com a Svenks Filmindustri, e foi portanto natural que eu escrevesse uma comédia para eles. Houve alguma coisa de decisivo no meu encontro com esses dois atores. Eram atores cheios de talento e de criatividade. (…) Com grande tato e confiança em mim, esses atores ensinaram-se o que devia fazer.”

É fascinante ver esse elogio de Bergman a Eva Dahlbeck e Gunnar Björnstrand – os mais experientes entre os principais atores de Sorrisos de uma Noite de Amor, e exatamente os intérpretes do casal mais importante da história. Porque eram todos muito jovens, naquele ano de 1955. Fiz umas contas: Harriet Andersson e Margit Carlquist tinham 23 anos; Ulla Jacobsson, 26. Apenas Eva Dahlbeck estava na faixa dos 30 – tinha 35, dois anos apenas menos que o próprio Bergman. E Gunnar Björnstrand era o mais velho deles, com 46.

“Um dos poucos clássicos da comédia sexual”

Até mesmo a prima donna da crítica americana, Pauline Kael, que consegue ver defeitos em absolutamente todos os filmes que vê, derreteu-se diante deste aqui: “Ingmar Bergman realiza um dos poucos clássicos da comédia sexual: uma tragicômica perseguição e ciranda que eleva a farsa de alcova à elegância e à poesia lírica. Este filme é o clímax do estilo ‘rosa’ de Bergman; como roteirista e diretor, ele amarra seus primeiros temas persistentes de guerra entre sexos numa intrincada estrutura de trama.”

Leonard Maltin deu a cotação máxima de 4 estrelas. Em seu sintético texto, deu uma informação que tinha necessariamente que estar nesta minha anotação: Woody Allen, um admirador fanático da obra de Bergman, se inspiraria neste Sorrisos de uma Noite de Verão para fazer seu filme de 1982, A Midsummer Night’s Sex Comedy, no Brasil Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão.

“Uma das melhores comédias românticas de todos os tempos, um inteligente tratado sobre as maneiras, o comportamento e o sexo durante um fim de semana em uma propriedade rural no final do século XIX. Inspirou o musical da Broadway e um filme, Light Night Music, assim como A Midsummer Night’s Sex Comedy, de Woody Allen.”

Anotação em agosto de 2020

Sorrisos de uma Noite de Amor/Sommarnattens Leende

De Ingmar Bergman, Suécia, 1955

Com Gunnar Björnstrand (Fredrik Egerman, advogado), Ulla Jacobsson (Anne Egerman, a jovem mulher de Fredrik), Eva Dahlbeck (Desirée Armfeldt, a atriz), Jarl Kulle (conde Carl Magnus Malcolm), Margit Carlquist (Charlotte Malcolm, a jovem mulher do conde), Harriet Andersson(Petra, a empregada dos Egerman), Bjorn Bjelvenstam (Henrik Egerman, o filho de Fredrik), Naima Wifstrand (a sra. Armfeldt, mãe de Desirée), Åke Fridell (Frid, o empregado da sra. Armfeldt), Gull Natrop (Malla, a empregada de Desirée), Jullan Kindahl (Beata, a cozinheira dos Egerman), Birgitta Valberg (atriz na peça de Desirée), Bibi Andersson (atriz na peça de Desirée), Hans Straat (Almgen, o fotógrafo), Lisa Lundholm (a sra. Almgren)

Argumento e roteiro Ingmar Bergman

Fotografia Gunnar Fischer

Música Erik Nordgren,

Montagem Oscar Rosander

Direção de arte P.A. Lundgren

Figurinos Mago

Produção Allan Ekelund, Svensk Filmindustri. DVD Versátil.

P&B, 108 min (1h48)

Disponível em DVD.

***1/2

Título em inglês: Smiles of a Summer Night. Na França: Sourires d’une nuit d’été.

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