Sintonia de Amor / Sleepless in Seattle

Nota: ★★★½

Rever Sintonia de Amor/Sleepless in Seattle agora, quase três décadas depois de seu lançamento em 1993, é um grande prazer – e confirma que o filme tem mesmo todo o direito de pertencer à categoria dos “novos clássicos”.

É uma deliciosa comedinha romântica, assim como seus “primos”, eles também “novos clássicos”, Harry e Sally – Feitos um para o Outro/When Harry Met Sally… (1989) e Mens@gem para Você/You’ve Got Mail (1998).

Chamar os três filmes de “primos” tem todo sentido, por vários motivos. Têm muita coisa em comum, a começar do clima e da época em que foram feitos. Todos os três têm a assinatura de Nora Ephron nos roteiros, e todos os três são estrelados por Meg Ryan, aquela absoluta gracinha, lindinha de doer. Dois deles têm as impressões digitais de Rob Reiner. O filho de Carl Reiner, melhor diretor que o pai, na minha opinião, dirigiu Harry e Sally e trabalhou como ator em Sleepless in Seattle.

Em dois deles – este aqui e Mens@gem para Você – quem faz o par romântico com Meg Ryan é Tom Hanks, esse ator que é assim uma espécie de Gary Cooper das últimas décadas do século XX e primeiras do XXI.

Esses dois filmes com Meg Ryan e Tom Hanks são elogios, elegias, homenagens a antigos clássicos de Hollywood. Mens@agem para Você é uma adaptação para aqueles tempos iniciais do e-mail da comédia romântica A Loja da Esquina/The Shop Around the Corner, de Ernst Lubitsch, com Margaret Sullavan e James Stewart, ambientada em Budapeste. Uma lembrança, para o público americano, de que naquele ano de 1940 a bela Budapeste, assim como diversas outras capitais européias, havia sido invadida pelas tropas nazistas.

E este Sintonia de Amor aqui é uma homenagem ao choroso clássico Tarde Demais para Esquecer/An Affair to Remember, de Leo McCarey, de 1957, com Cary Grant e Deborah Kerr – que, por sua vez, era a refilmagem da mesma história de Mildred Cram que havia sido filmada pelo próprio Leo McCarey em 1939 com Irene Dunne e Charles Boyer como Love Affair, no Brasil Duas Vidas.

Uma homenagem a um filme – e ao cinema como um todo

Tarde Demais para Esquecer não chegou a ficar entre os 10 filmes americanos de maior bilheteria lançados em 1957, o ano de Os Dez Mandamentos, A Volta ao Mundo em 80 Dias e Assim Caminha a Humanidade; segundo o livro Box Office Greats – The Most Popular Movies of the Last Fifty Years, ficou na verdade na 17ª posição naquele ano. Mas foi um daqueles filmes que não saem da cabeça de milhões e milhões de pessoas, e volta e meia passava na televisão – como mostra mais de uma vez este Sintonia de Amor.

Tearjerker – esse é o termo usado para designar esse subgênero, o drama romântico que fazia as mulheres dos 14 aos 80 anos derramarem lágrimas nos cinemas. Se se fosse fazer uma lista dos dez tearjerkers que mais fizeram multidões chorarem, Tarde Demais para Esquecer estaria nela, sem dúvida nenhuma.

Tearjerker – “um livro, filme, peça, etc muito triste, feito para as pessoas choraram”, segundo definição do Dictionary of English Language and Culture da Longman.

Também chamados, pejorativamente, de filmes para mulherezinhas.

Sintonia de Amor, este novo clássico das comedinhas românticas, que a rigor são outro gênero de “filmes para mulherezinhas”, faz deliciosas brincadeiras com essa noção machista, primária, besta, de que há filmes para homens e filmes para mulheres.

Na verdade, Sintonia de Amor, um filme evidentemente feito por gente que adora o cinema, os filmes, de todas as épocas e todos os gêneros, é repleto, absolutamente repleto de deliciosas brincadeiras com filmes e atores.

Sim: basicamente, é uma homenagem a Tarde Demais para Esquecer. A protagonista, Annie Reed, o papel de Meg Ryan, vê e revê o filme pela enésima vez na televisão; numa sequência, ela está com a maior amiga, Becky (interpretada pela simpaticíssima Rosie O’Donnell) – e as duas falam os diálogos que estão sendo ditos na tela juntamente com os atores, simultaneamente, junto com eles.

E toda a trama da comedinha romântica se encaminha para o ponto climático do classicão tearjerker feito 36 anos antes: o encontro marcado no último andar do Empire State Building.

(Mas será que foi marcado mesmo? Será que haveria, afinal de contas, o encontro?)

Além da homenagem ao filme choroso com Cary Grant e Deborah Kerr, Sintonia de Amor é também uma elegia – bem humoradíssima – ao cinema de uma maneira geral, ao citar e brincar com vários filmes e atores.

Há uma conversa absolutamente deliciosa sobre essa coisa de filmes para homens e filmes para mulheres. Não me lembrava dela – tinha visto o filme só uma vez, em outubro de 1994, não muito depois, portanto, do lançamento nos cinemas, que no Brasil foi em novembro de 1993.

Amor à primeira vista nestes novos tempos

Faço questão de transcrever a conversa engraçadíssima, inteligente, marcante – mas antes seria preciso registrar uma sinopse. Faz falta uma sinopse.

Vou roubar o início do texto sempre maravilhoso de Roger Ebert:

“Se o amor à primeira vista é uma realidade, então nesta era da informação deveria haver também a possibilidade de amor ao primeiro ‘contato cibernético’. Quando as pessoas se encontram via computadores ou anúncios pessoais ou programas de rádio com ligações telefônicas – quando a primeira vista da pessoa é através de um meio de comunicação –, não é possível que alguma química essencial esteja sendo comunicada? Que o brilho nos olhos seja de alguma maneira sugerida a alguém que está a milhares de quilômetros?

“Essa é a esperança explorada em Sleepless in Seattle, de Nova Ephron, um filme assumidamente romântico sobre duas pessoas que se apaixonam cada um de um canto do continente, através de um programa de rádio. Em Baltimore, Meg Ryan interpreta uma mulher que já está noiva em segurança – em segurança demais – de um homem que parece alérgico a quase tudo.”

O homem, Walter, é o papel do simpático Bill Pullman, então jovenzinho demais da conta. Bem, todos eles estão jovenzinhos demais da conta – afinal, o filme tem 28 anos.

“Então, numa noite, dirigindo seu carro, ela ouve no rádio um garoto, uma criança, pedindo à apresentadora do programa que ajude o pai dele. Dirigindo à noite, Ryan ouve a história. O homem (Tom Hanks) é chamado ao telefone, e ficamos sabendo que depois da morte de sua mulher ele mergulhou numa depressão, até que finalmente se mudou com seu filho de Chicago para Seattle. Pensava que uma mudança de cenário poderia ajudar, mas, aparentemente, não tinha adiantado.

“Alguma coisa na voz do homem – ou talvez alguma coisa na sua alma que foi transmitida junto com a sua voz – mexeu com Ryan. Ela não conseguia tirar o cara da sua cabeça. Enquanto isso, em Seattle, ficamos conhecendo o personagem de Hanks, que é um homem terrivelmente simpático, mas muito triste, e vemos que seu filho (Ross Malinger) espera que o pai conheça a mulher certa. Seu pai já até encontrou uma mulher (chamada Victoria, interpretada por Barbara Garrick), mas, como ela tem uma risada que se parece com o grito de uma hiena no cio, o filho não a considera como uma boa candidata.

“Ephron desenvolve essa história com toda a sinceridade de coração aberto de um tearjerker dos anos 1950 (na verdade, os personagens do filme passam um bom tempo vendo várias vezes An Affair to Remember e usando o filme como sua bússola romântica). Não há ironia, distanciamento ou angulação diferente sobre o material. É sobre duas pessoas que estão destinadas uma à outra, e é isso aí. E para mim foi tudo bem.”

Roger Ebert é o que há. Admiro esse cara mais e mais a cada vez que leio um texto dele.

Esses parágrafos dele que transcrevi acima servem como uma belíssima sinopse.

Faltaria apenas acrescentar que Jonah, o garoto (e como está bem esse menino Ross Malinger), consegue ver, no meio do monte de cartas de mulheres interessadas em falar com o pai, depois daquele programa de rádio, uma carta que Annie havia começado a escrever – e sua amiga Becky bota no correio, de Maryland para Seattle. Jonah percebe que aquela, sim, seria uma ótima nova mulher para o pai e nova mãe para ele. E fica insistindo com o pai para que vá se encontrar com ela no Dia dos Namorados no último andar do Empire State Building.

Há um diálogo sensacional aí. De saco cheio com a insistência do filho, Sam berra com ele: – “De jeito nenhum nós vamos entrar num avião para conhecer uma mulher que pode ser uma louca, uma lunática doente! Você não viu Atração Fatal?”

E Jonah: – “Você não me deixou ver!”

Sam: – “Bem, eu vi, e fiquei morrendo de medo! Todo homem neste país ficou morrendo de medo!”

Um filme que escancara que é de 1993

É uma delícia como o filme escancara as marcas do seu tempo.

Sintonia de Amor é aquele tipo de filme cheio de demonstrações de que a ação se passa “nos dias de hoje” – ou seja, naqueles dias em que ele foi feito. Visto quase 30 anos depois, é uma absoluta delícia.

E é uma maravilha ver Tom Hanks e Bill Pullman tão jovenzinhos. Como a gente continuou vendo os dois ao longo destas três décadas, fomos nos acostumando com seus rostos de hoje senhores aí dos seus sessentinha.

Sessentinha? A ver.

Isso mesmo. O californiano Tom Hanks é de 1956; estava portanto com 37 no lançamento do filme, está com 65 anos em 2021. Bill Pullman, nascido no interior do Estado de Nova York é de 1953, estava com 40 na época, está hoje com 68. Hanks é seis anos mais novo que eu, Pullman, três. Foram ficando velhinhos ao mesmo tempo que eu, e eu fui vendo eles envelhecerem. Me assusto ao vê-los de repente tão jovens.

É diferente a sensação diante de Meg Ryan. È diferente a coisa do passar dos anos para os homens e para as mulheres. Mesmo hoje em dia, quando tantas mulheres permanecem saudáveis, ativas, lindas, atraentes, aos 50, 60 e tantos anos, o passar dos anos pesa mais para elas do que para nós. E a verdade é que não fui acompanhando o envelhecimento de Meg Ryan. Faz muitos e muitos anos que não vejo um filme recente com ela.

Nascida em 1961, em Connecticut, aquela absurdamente bela mulher estava em 1993 na flor dos 32 aninhos.

Me alonguei um pouco na coisa da idade dos atores centrais. O que queria realçar é que Sintonia de Amor escancara que é um filme de 1993 – aquele tempo em que os homens morriam de medo de que atrás de uma desconhecida houvesse uma Glenn Close carregando um furador de gelo.

Aquele estranho tempo em que não havia telefones celulares, nos computadores imperava o DOS, streaming era tão comum quanto a gente andar entre marcianos e venusianos na rua e a TV a cabo engatinhava, ainda era uma relativa raridade.

Annie faz umas pesquisas no computador da redação do jornal em que trabalha, atrás de informações sobre Sam Baldwin, arquiteto, morador de Seattle. E a gente vê naquela tela gordinha do PC as letras em DOS, pré-Windows.

Lá pelas tantas, Sam chega em casa e dá com um Jonah sentado bem juntinho de uma garota mais velha que ele – Jessica, esperta, safa, danadinha (o papel de Gaby Hoffmann, uma gracinha). Dias depois, Jonah, que devia estar aí com uns oito anos, a idade da minha neta Marina, faz perguntas e comentários sobre sexo. O pai pergunta onde ele ouviu falar daquilo, e ele diz que viu na TV a cabo – na casa de Jessica, diferentemente da casa dele, havia TV a cabo.

Filmes para homens, filmes para mulheres…

Bem, a conversa maravilhosa sobre filmes para homens e filmes para mulheres.

Acontece, repito, quando o filme já passa da metade. Sam recebe em casa a visita de sua irmã Suzy e seu marido Greg, que ele não via fazia mais de ano. Suzy é o papel de Rita Wilson; Greg, de Victor Garber.

Sam conta para eles a história de que Jonah insiste em que ele precisa conhecer a mulher que quer se encontrar com ele no alto do Empire State Building.

Suzy: – “É como no filme.”

Sam: – “Que filme?”

Suzy: – “An Affair to Remember. Você nunca viu?”

Ora bolas, Sam é um arquiteto, vivia numa metrópole, Chicago. É impossível que nunca tivesse visto ou ouvido falar em Tarde Demais para Esquecer, diabo!

Bem, mas ele aparentemente não tinha visto. E Suzy prossegue: – “Cary Grant e Deborah Kerr. Ela vai se encontrar com ele no alto do Empire State Building. Só que ela é atropelada por um táxi. E ele ficou esperando, esperando. E estava chovendo, eu acho. E então… Ela é orgulhosa demais pra dizer pra ele…”

Ela começa a chorar.

Suzy: – “… Aleijada. E ele é orgulhoso demais pra tentar descobrir por que ela não foi. Mas ele vai vê-la assim mesmo. Esqueci por que, mas… Ah, é tão impressionante quando ele chega para vê-la por que…”

Ela chora cada vez mais.

E continua contando o final do filme, em detalhes, as reações dos dois personagens centrais – cada vez chorando mais.

Os três homens presentes – além de Greg e de Sam, Jonah também está ouvindo Suzy chorar ao se lembrar dos personagens de Cary Grant e Deborah Kerr – fazem aquelas caras de homens que não entendem as mulheres.

E aí Sam volta ao assunto que havia sido interrompido por Suzy para contar sobre o filme em que um outro casal havia combinado de se encontrar no alto do Empire State: – “Bem, eu não estou procurando uma noiva via e-mail. Eu só queria alguém com quem eu pudesse ter uma conversa decente no jantar, sem que desmoronasse em mil lágrimas por causa de algum filme.

E aí Greg intervém: – “As mulheres, como você acabou de ver, são muito emocionais.”

Sam, na que talvez seja a piada mais deliciosa de todas as piadas do filme: – “Embora eu tenha chorado no fim de The Dirty Dozen.”

Os Doze Condenados, de Robert Aldrich, 1967. Na Segunda Guerra, um major do Exército americano treina uma unidade composta por 12 soldados condenados (em geral por desobediência e violência) para uma missão suicida por trás das linhas inimigas, em troca do perdão pelos seus crimes. O típico filme que transforma a dureza absurda da guerra em uma aventura, um bangue-bangue em que os nazistas são como os índios nos westerns antigos, em que índio bom era índio morto.

Greg: – “Bem, quem não chorou?”

Sam: – “Jim Brown jogando aquelas granadas de mão… E Richard Jaeckel e Lee Marvin

Ele finge que começa a chorar, e continua: – “… estavam sentados no alto daquele veículo militar vestidos de nazistas…”

Greg, também fingindo choro: – “Ah, meu Deus, pare…”

Sam: – “E o Trini Lopez…”

Greg: – “Trini Lopez!”

Sam: – “Ele quebrou o pescoço enquanto eles estavam caindo de pára-quedas atrás dos nazistas.”

Greg, soluçando dramaticamente: – “Chega!”

Sam: – “Richard Jaeckel, no começo ele tinha aquele pequeno capacete, porque era da Polícia do Exército… “

Greg: – “Por favor, chega! Ah, meu Deus, eu amo aquele filme!”

Uma autora e realizadora de bem com a vida

Depois que revi o filme, li um texto interessante sobre a roteirista e diretora Nora Ephron, num comentário sobre o filme que ela fez em 2009, Julie & Julia, com Meryl Streep e Amy Adams. Transcrevo um trecho:

“Nora Ephron deve muito certamente ser uma pessoa feliz, de bem com a vida. Se não fosse, não escreveria os roteiros que escreveu, nem dirigiria os filmes que dirigiu. São filmes bem-humorados – e que coisa bem-aventurada é o bom humor.

“Foi jornalista; era jornalista quando se casou com Carl Bernstein, que, com o colega Bob Woodward, foi mandado pelo Washington Post para cobrir um assalto ao escritório da campanha democrata à presidência dos Estados Unidos, no Edifício Watergate, em 1972. Nora contaria a história de seu casamento e de sua separação com um dos jornalistas que derrubaram Richard Nixon da Presidência em uma novela, Heartburn, que viraria filme em 1986, com direção de Mike Nichols e roteiro da própria Nora Ephron. Meryl Streep fazia o papel da heroína, e Jack Nicholson, a do marido dela.”

Aí o texto fala de Harry e Sally – Feitos um para o Outro/When Harry Met Sally…, deste Sintonia de Amor aqui e Mens@gem para Você/You’ve Got Mail:

“Pode ser meio chata essa enumeração de filmes, mas ela tem sentido. Além de relembrar as principais obras da diretora, essa relação mostra duas coisas interessantes, que têm muito a ver com o que Nora Ephron faz na vida:

“a) se juntar todas as tragédias existentes nos filmes dela, não há angústia suficiente para se igualar a dez minutos de um filme de Bergman, um gênio, ou de Chabrol, um chato. Nora Ephron pode não ser um gênio, mas é a anti-chata, é a joie de vivre em pessoa; e

“b) os filmes de Nora Ephron são assim uma festa de amigos. Todo mundo se conhece, todo mundo já trabalhou junto.“

O texto é assinado por um tal Sérgio Vaz, num site chamado + de 50 Anos de Filmes

É bem verdade tanto o que está na letra a) quanto o na letra b). De fato, os filmes que Nora Ephron escreve e/ou dirige estão cheios de amigos. Já foi dito que Rob Reiner, o diretor de Harry e Sally, faz aqui em Sintonia de Amor o papel de um amigo de Sam, Jay – o cara que sugere que Sam chame a moça Victoria para um encontro.

Para o papel de Suzy, a irmã de Sam que chora ao se lembrar de Tarde Demais para Esquecer, foi escolhida Rita Wilson (na foto acima). Bonita, simpática, Rita Wilson tem longa filmografia como atriz, produtora e diretora. Em 1988, um ano antes de Harry encontrar Sally e cinco anos antes de Annie ouvir no carro um programa de rádio em que um garoto de oito anos pedia ajuda para o pai que andava muito triste e solitário, Rita Wilson havia se casado com Tom Hanks. Estão juntos até hoje. Tiveram dois filhos.

Antes de Tom Hanks topar fazer o principal papel masculino, os realizadores chegaram a pensar em convidar Dennis Quaid = que, na época, ainda estava casado com Meg Ryan. Os dois se divorciariam em 2001.

Tom Hanks e Meg Ryan estiveram juntos em um terceiro filme – também uma comedinha romântica, só que sem nada de Nora Ephron: Joe Contra o Vulcão, de 1990. Dos três, este Sintonia de Amor foi o que obteve maior sucesso de público e crítica.

Tom Hanks foi indicado para o Globo de Ouro de melhor ator em filme comédia ou musical por este Sintonia de Amor. No mesmo ano, foi indicado também ao Globo de Ouro na categoria melhor ator em filme drama, por Philadelphia. Ganhou por Philadelphia.

Pérolas de vários gêneros da música americana

O texto já está grande demais, mas é preciso fazer uma última consideração.

As canções que a gente ouve no filme, as canções incidentais, que tocam no rádio ligado por algum dos personagens, são uma playlist que tem algumas das… Como é que se dizia? Algumas das mais belas páginas do cancioneiro norte-americano.

Perdão pela brincadeira. Até porque a coisa é séria.

É um absoluto deslumbre.

É uma coletânea de clássicos – e o fantástico é que é uma coletânea de clássicos não apenas de um gênero, mas de vários.

Muitos filmes de Woody Allen são coletâneas de pérolas da Grande Música Americana, os standards de autoria dos mestres, George & Ira Gerswhin, Cole Porter, Irving Berlin, Rodgers & Hammerstein…

Aqui, não. Aqui tem de tudo. Tem Grande Música Americana, sim, mas também tem pop de diferentes tipos, tem country & western…

Tem – só pra dar alguns exemplos – “A Kiss to Build a Dream on” com Louis Armstrong, “Stardust” com Nat King Cole, absolutas maravilhas da GMA. Mas tem também os standards da GMA “In the Wee Small Hours of the Morning” com a pop Carly Simon e “When I Fall in Love” com a popíssima titaniquíssima Celine Dion. Tem os gigantes do country Tammy Wynette e Gene Autry, cantando respectivamente “Stand by your man” e “Back in the Saddle Again”. Tem Joe Cocker cantando “Bye Bye Blackbird” e “Over the Rainbow” com Ray Charles.

Tem “As Times Goes By” também. Como não?

Na verdade, o filme meio que abre com a canção que Ilsa Lund-Ingrid Bergman pede para Sam-Dooley Wilson cantar, embora o patrão dele, Rick Blaine-Humphrey Bogart, o tenha definitivamente proibido de cantá-la no seu Café Americain, em Casablanca. É a primeira a tocar, bem no início do filme. Das trocentas gravações de “As Time Goes By”, com todos os tipos de cantores de todos os muitos gêneros da música americana, os produtores escolheram a gravação de Jimmy Durante, o simpático ator de tantos musicais e comédias dos anos 40, aquele de narigão grande.

Meu, como foi possível eu não ter comprado o disco dessa trilha sonora?

Se faz tempo que o eventual leitor não vê Sleepless em Seattle, aqui vai um conselho, já que conselho não custa nada mesmo: reveja.

Anotação em agosto de 2021

Sintonia de Amor/Sleepless in Seattle

De Nora Ephron, EUA, 1993.

Com Tom Hanks (Sam Baldwin),

Meg Ryan (Annie Reed)

e Ross Malinger (Jonah Baldwin, o filho de Sam), Bill Pullman (Walter, o noivo de Annie), Rosie O’Donnell (Becky, a grande amiga de Annie), Rob Reiner (Jay, amigo de Sam), Rita Wilson (Suzy, a irmã de Sam), Victor Garber (Greg, marido de Suzy), Gaby Hoffmann (Jessica, a garotinha amiga de Jonah), Caroline Aaron (a voz da dra. Marcia Fieldstone, do programa de rádio), Barbara Garrick (Victoria, a quase namorada de Sam), Amanda Maher (Clarise, a baby sitter), Carey Lowell (Maggie Baldwin, a mulher de Sam), Calvin Trillin (tio Milton), Frances Conroy (Irene Reed), Dana Ivey (Claire), Tom Riis Farrell (Rob), Le Clanche DuRand (Barbara Reed), Kevin O’Morrison (Cliff Reed), David Hyde Pierce (Dennis Reed), Valerie Wright (Betsy Reed), Tom Tammi (Harold Reed), Linda Wallem (Loretta), Latanya Richardson (Harriet), Tom McGowan (Keith), Stephen Mellor (Wyatt), Brian McConnachie (Bob), Hannah Cox (a mãe de Jessica), Rich Hawkins (o pai de Jessica)

Roteiro Nora Ephron e David S. Ward e Jeffrey Arch

História de Jeffrey Arch

Fotografia Sven Nykvist

Música Marc Shaiman

Montagem Robert Reitano

Direção de arte Jeffrey Townsend

Figurinos Judy Ruskin

Na TV a cabo (Now). Produção Gary Foster, TriStar Pictures.

Cor, 105 min (1h45)

Disponível no Now em agosto de 2021

R, ***1/2

Título na França: Nuits Blanches à Seattle. Em Portugal: Sintonia de Amor.

 

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