O Netinho do Papai / Father’s Little Dividend

(Disponível no YouTube em 12/2023.)

O Netinho do Papai, que o grande Vincente Minnelli lançou em 1951, tem um sério defeito – e não é o título escolhido pelos exibidores brasileiros, que sem dúvida parece bem bobinho, mas até tem o seu sentido. É o fato de que Minnelli, à época das filmagens já enfiado na pré-produção de um filme que exigia dele todas as atenções, simplesmente An American in Paris, no Brasil Sinfonia de Paris, um dos mais belos musicais da História, não teve o cuidado, a atenção de fazer sequer um close-up da atriz que faz a mãe do netinho, a filha do papai a que se refere o título. Continue lendo “O Netinho do Papai / Father’s Little Dividend”

A Dama de Preto / Park Row

2.5 out of 5.0 stars

(Disponível no Dwan & Walsh Filmes do YouTube, em 12/2023.)

O cinema americano tem longa tradição de obras sobre a imprensa, de Cidadão Kane a Todos os Homens do Presidente, passando por O Homem Que Matou o Facínora, para citar só três imensos clássicos. Mas não há elogio aos jornais, aos jornalistas e ao jornalismo maior, mais derramado, mais apaixonado, mais arrebatado, mais exagerado do que Park Row, no Brasil A Dama de Preto, que Samuel Fuller escreveu, produziu (com dinheiro do próprio bolso) e dirigiu em 1952. Continue lendo “A Dama de Preto / Park Row”

Lady in the Fog ou Scotland Yard Inspector

2.5 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 12/2023 com o título Dama no Nevoeiro.)

Está absolutamente escuro naquela rua de Londres, e o nevoeiro – o famosérrimo fog londrino – é espesso. Está tudo tão absolutamente escuro que não são apenas os dois personagens que não enxergam nada, naquelas primeiras tomadas de Lady in the Fog, produção inglesa de 1952: o espectador também mal consegue divisar alguma coisa na tela. Continue lendo “Lady in the Fog ou Scotland Yard Inspector”

Romance na Itália / Viaggio in Italia

3.5 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 10/2023.)

Há alguns pontos sobre Viaggio in Italia, de 1954 – o quarto dos seis filmes de Roberto Rossellini com Ingrid Bergman, então sua mulher – que são absolutamente fascinantes, na minha opinião. O primeiro deles é que, embora realizado por um dos criadores do neo-realismo, Viaggio in Italia não é um filme neo-realista. Continue lendo “Romance na Itália / Viaggio in Italia”

O Mundo é Culpado / Outrage

3.0 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 9/2023.)

O estupro é um dos crimes mais hediondos que pode haver, ao lado apenas do abuso sexual de criança ou dos seguidos espancamentos da esposa pelo marido. Mas claro que não é o caso de fazer uma métrica de qual é o crime mais hediondo que a humanidade foi capaz de inventar. A verdade é esta: o estupro é um dos crimes mais hediondos que pode haver – e é, muito provavelmente, o único que faz a vítima se envergonhar de ter sido vítima. Continue lendo “O Mundo é Culpado / Outrage”

O Criminoso Não Dorme / Gunman in the Streets / Le Traqué

2.0 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 9/2023.)

No dia em que está sendo levado do presídio de La Santé para julgamento, o famoso gângster Eddy Roback consegue fugir, após um tiroteio violento entre bandidos amigos dele e a polícia, em plena Île de la Cité, pertinho do Palais de Justice, da Sainte-Chapelle e da Notre Dame, no coração Paris. Le Traqué, (o procurado, o rastreado), de 1950, começa com a sequência do tiroteio e da fuga, e mostra toda a grande caçada policial atrás do fugitivo. Continue lendo “O Criminoso Não Dorme / Gunman in the Streets / Le Traqué”

O Morto Desaparecido / Murder is my Beat

2.5 out of 5.0 stars

(Disponível no Dwan e Walsh Filmes no YouTube em 7/2023.)

Típico estilo B em história sobre a suposta assassina Payton descobrindo o verdadeiro criminoso. Com essa frase, ou algo bem parecido (a tradução que fiz não é literal), o crítico Leonard Maltin matou o verbete sobre o filme Murder is My Beat, no Brasil O Morto Desaparecido, que Edgar G. Ulmer lançou em 1955. Simples assim. Continue lendo “O Morto Desaparecido / Murder is my Beat”

O Sol Brilha na Imensidão / The Sun Shines Bright

3.0 out of 5.0 stars

(Disponível noYouTube em 6/2023.)

O gigante John Ford fez dois filmes com o personagem William Pittman Priest: O Juiz Priest/Judge Priest, de 1934, e O Sol Brilha na Imensidão/The Sun Shines Bright, de 1953. Este aqui ele dizia ser o favorito entre seus filmes – e, diabo, isso não é pouca coisa, de jeito nenhum. Continue lendo “O Sol Brilha na Imensidão / The Sun Shines Bright”

Quem Ama Não Teme / Never Fear e Escravo de Si Mesmo / Beware, My Lovely

2.5 out of 5.0 stars

(Disponíveis no YouTube em 5/2023.)

Ida Lupino é absolutamente admirável. Atriz, roteirista, produtora e diretora em uma época em que quase nenhuma mulher dirigia e produzia em Hollywood, era um vulcão, uma força da natureza, uma artista “extremamente talentosa, intensa”, como sintetizou a Baseline.  Continue lendo “Quem Ama Não Teme / Never Fear e Escravo de Si Mesmo / Beware, My Lovely”

La Violetera

2.5 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 4/2023.)

La Violetera, co-produção Espanha-Itália de 1958 muito mais espanhola que italiana, foi um extraordinário sucesso de público na Espanha da ditadura franquista e nos países da América Latina, ditatoriais ou não, inclusive o Brasil. Durante anos e anos foi um dos filmes espanhóis de maior bilheteria. Continue lendo “La Violetera”

Maldição / House by the River

1.0 out of 5.0 stars

(Disponível no Cine Antiqua do YouTube em 5/2023.)

House by River, no Brasil Maldição, de 1950, foi o décimo dos 17 filmes dirigidos por Fritz Lang em sua fase americana, entre 1936 e 1956. Veio antes de Só a Mulher Peca/Clash by Night (1952), com Barbara Stanwyck e um pequeno papel para a novata Marilyn Monroe, O Diabo Feito Mulher/Rancho Notorious (1952), western com Marlene Dietrich, e Os Corruptos/The Big Heat (1953), aquela obra-prima com Glenn Ford e Gloria Grahame. Continue lendo “Maldição / House by the River”

Rio, 40 Graus

4.0 out of 5.0 stars

(Disponível na GloboPlay em 3/2023.)

Filme de estréia do então jovem demais Nelson Pereira dos Santos, Rio, 40 Graus, de 1955, é indiscutivelmente um marco excepcional, um divisor de águas. Uma obra que “iniciou o cinema moderno no Brasil a partir do diálogo com o neo-realismo italiano”. “O precursor e o inspirador do que viria poucos anos depois a ser o cinema novo”, o mais importante movimento do cinema brasileiro. Continue lendo “Rio, 40 Graus”

O Regresso de um Estranho / The Unholy Four

0.5 out of 5.0 stars

(Disponível no YouTube em 2/2023.)

O diretor inglês Terence Fisher (1904-1980) especializou-se em filmes de terror, muitos deles pelo famoso estúdio britânico Hammer. Como diz, com alguma ironia, o grande Jean Tulard em seu Dicionário de Cinema – Os Diretores, Fisher ressuscitou velhos monstros – Frankenstein, Drácula, o Lobisomem, o Doutor Jekyll, o Fantasma da Ópera, a Múmia. Continue lendo “O Regresso de um Estranho / The Unholy Four”