Munique / Munich

4.0 out of 5.0 stars

(Disponível na Netflix até 18/3/2026.)

O massacre de Munique – o assassinato de 11 atletas da delegação de Israel nas Olimpíadas de 1972 por um grupo terrorista palestino – aparece bem pouco em Munique/Munich, o extraordinário, maravilhoso filme que Steven Spielberg lançou em 2005.

A chegada dos terroristas à Vila Olímpica de Munique e a tomada dos reféns são reconstituídos – brilhantemente – nos primeiros 7 minutos dos 164 de duração do filme. À reconstituição se juntam trechos de noticiários de TV da época, em montagem muitíssimo bem feita. O prosseguimento da ação dos terroristas é reconstituído e mostrado em duas ou três outras sequências igualmente curtas ao longo da narrativa.

O que interessava a Steven Spielberg não era o massacre em si – mas o que veio depois.

Munique é sobre o revidem, a vingança do Estado de Israel. O roteiro magnífico assinado por Tony Kushner e Eric Roth se baseia no livro Vengeance: The True Story of an Israeli Counter-Terrorist Team, do jornalista e escritor canadense de origem húngara George Jonas – literalmente, Vingança: a história real de um grupo contra-terrorista de Israel.

Ao rever Munique agora, no início de 2026, 20 anos após ter visto pela primeira e única vez na época do lançamento, fiquei de queixo caído, é claro, diante da extrema qualidade do filme, em todos, rigorosamente todos os quesitos. E me peguei pensando que Spielberg conseguiu reunir, ao longo das 2 horas e 44 minutos de grande cinema, o melhor que pode haver de filmes de ação – de John Sturges e Robert Aldrich a Michael Bay –, mais a seriedade, a densidade, a profundidade de Ingmar Bergman, e ainda a discussão política de Costa-Gavras e Robert Guédiguian.

Há impressionantes, sensacionais, eletrizantes sequências de ação, de tiroteios, explosões, assassinatos. E há longos, densos, memoráveis diálogos sobre política, ética. Discute-se extensamente sobre a eterna luta entre judeus e árabes, sobre a importância da existência do Estado de Israel, depois de séculos em que os judeus viveram sem uma pátria.

Mais ainda: fala-se sobre o absurdo que é, um quarto de século depois de os judeus terem enfim estabelecido sua pátria, os palestinos ainda não terem a sua.

São apresentados os argumentos a favor da vingança israelense contra os ataques árabes, o uso da violência contra a violência – e também os argumentos de quem diz que a violência da vingança gera mais e mais violência, e não leva à paz.

Sobretudo, Munique demonstra, de forma dura, forte, dramática, impressionante, como o exercício da vingança pode destruir o vingador.

Ver ou rever o filme agora, em 2026, depois de tantos e tantos anos com Israel sob um governo de extrema direita que recusa de todas as maneiras admitir que os palestinos têm o mesmo direito que os judeus a uma terra, uma pátria; depois de dois anos de uma guerra de aniquilação na Faixa de Gaza; depois de um novo ataque israelense ao Irã e ao Líbano… Meu Deus, ver ou rever Munique é especialmente pesado, doloroso – e ao mesmo tempo necessário.

“Esqueçam a paz agora”, diz a primeira-ministra

Quando estamos com 11 minutos de filme, vemos uma reunião da primeira-ministra israelense Golda Meir com alguns membros importantes de seu governo. Um deles apresenta fotos de 11 proeminentes palestinos – os mandantes do atentado.

Uma das signatárias da Declaração de Independência de Israel, em 1948, Golda Meir, é bom lembrar, não era de direita, muito menos de extrema direita, e sim do Partido Trabalhista, de Yitzhak Rabin e Shimon Peres; foi primeira-ministra entre 1969 e 1974. Figura forte, marcante, ela foi interpretada por grandes atrizes – no teatro, por Anne Bancroft, e no cinema, por Ingrid Bergman e Judy Davis. Aqui, ela é o papel de Lynn Cohen (à direita na foto abaixo).

– “Essas pessoas… Eles juraram nos destruir”, diz a primeira-ministra. – “Esqueçam a paz agora. Temos que mostrar que somos fortes. Temos as leis. Nós representamos a civilização. Dizem que não podemos nos dar ao luxo de sermos civilizados. Sempre resisti a essa gente. (…) Cada civilização acha necessário negociar compromissos com seus próprios valores. Tomei uma decisão. A responsabilidade é toda minha.”

A primeira-ministra se levanta – a reunião está encerrada.

Na sequência seguinte, um importante militar, o general Zamir (Ami Weinberg), está em um carro diante da casa de Avner Kaufman, um agente do Mossad, o serviço de inteligência do governo de Israel, para levá-lo a uma reunião com a própria primeira-ministra e algumas das figuras mais importantes da área militar do governo.

Avner Kaufman (o papel do australiano Eric Bana, na época do lançamento do filme com 38 anos de idade) havia sido escolhido para chefiar um grupo de pessoas encarregadas de localizar e matar aqueles 11 palestinos que haviam planejado o massacre de Munique.

A primeira-ministra conhece Avner – ele havia sido um de seus guarda-costas. Conhece a mãe e o pai dele, um militar exemplar, tido como herói da pátria. Sabe até que a mulher dele está grávida.

Daphna, belíssima, jovem (o papel da israelense Ayelet Zurer), estava grávida de sete meses. Algumas poucas sequências – uma delas de uma trepada – demonstram clarissimamente que Avner e Daphna são muito apaixonados um pelo outro, se entendem muito bem, são um casal feliz.

Aceitar a missão perigosa, arriscada, de chefiar um grupo de contra-terroristas encarregados de matar pessoas significa que Avner ficará longe da mulher – e não poderá sequer contar para ela o que vai fazer.

Ele aceita.

“Você vai fazer o que os terroristas fazem”

O homem que vai passar as instruções sobre a missão para Avner, que será o seu contato daí em diante, se chama Ephraim (o papel do australiano Geoffrey Rush). O filme não explicita o posto de Ephraim na estrutura do governo, mas fica claro que ele é um dos nomes do topo da hierarquia do Mossad.

Há um belo diálogo entre os dois, assim que Avner é oficialmente desligado do Mossad – para que seu nome deixe de estar associado à agência e ao governo. Um belo diálogo em um filme de diálogos magníficos. Os dois homens estão caminhando em Tel Aviv (na foto abaixo).

Ephraim: – “Temos 11 nomes de palestinos. Cada um participou do planejamento de Munique. Você vai matá-los, 11 homens, um por um. Todos estão na Europa agora. Você ficará lá o tempo que for necessário. Só na Europa, não nos países árabes. Isso é para nós, não para você. E não no Bloco Oriental. Não perturbe os russos. Pra quê? Você não terá nenhum contato conosco.”

Avner: – “Você não vai me dar nenhuma informação?”

Ephraim: – “Nós depositamos dinheiro de um fundo que não existe em uma caixa que desconhecemos, em um banco em que nunca pisamos. Não podemos ajudar você porque nunca ouvimos falar de você. Você vai fazer o que os terroristas fazem. Você acha que eles se reportam à base? Eles não se reportagem. Nós queremos que eles morram.”

Um grupo heterogêneo – interpretado por atores idem

Avner forma uma equipe com quatro judeus de diversas origens – um grupo absolutamente heterogêneo:

* Steve, da África do Sul, vai operar basicamente como motorista do grupo. Jovem, firme, sem dúvidas ou questionamentos sobre a missão, ele chega até mesmo a questionar por que Avner foi escolhido como o líder.

* Carl, bem mais velho do que Avner e Steve, é um ex-oficial do Exército de Israel. Bem ao contrário do sul-africano, é um homem cheio de dúvidas. É calmo, eficientíssimo – é o “limpador” do grupo, o sujeito que vai limpar as cenas dos ataques da equipe –, mas está sempre se questionando e questionando os colegas sobre as ações, os assassinatos que têm que cometer.

* Robert, nascido na Bélgica, originalmente um fabricante de brinquedos, é o perito em explosivos do grupo. Só quando a narrativa já está se aproximando do fim é revelado que na verdade Robert era um especialista em desmontar bombas, e não propriamente em montar explosivos.

* Hans, um negociante de antiguidades alemão, também bem mais velho que Avner, Steve e Robert, é especialista em forjar documentos.

E é fantástico: para interpretar os quatro homens que trabalharão com Avner-Eric Bana na caçada dos 11 palestinos, os realizadores formaram um grupo tão heterogêneo quanto a equipe de contra-terroristas.

* Steve é o papel de Daniel Craig, inglês de Cheshire, da classe de 1968. Ele iria virar Bond, James Bond, no ano seguinte, 2006, em 007: Cassino Royale.

* Carl é o papel de Ciarán Hinds, irlandês de Belfast, da classe de 1953, aquela maravilha de ator que fiquei conhecendo, assim como muita gente, como Júlio César na extraordinária série Roma (2005-2007).

* Robert coube a Mathieu Kassovitz, parisiense classe de 1967, ator de tantos belos filmes, diretor de 13 títulos, inclusive o aclamadíssimo O Ódio/La Haine (1995) e de Rios Vermelhos/ Les Rivières Pourpres (2000).

* Hans é interpretado por Hanns Zischler, alemão de Nuremberg, classe de 1947, 275 filmes na filmografia como ator.

Uma das muitas, muitas qualidades de Munique é o extraordinário, impressionante elenco reunido por Spielberg e os diretores de casting Lucky Englander, Fritz Fleischhacker e Jina Jay. (Da esquerda para a direita, Cirián Hinds, Mathieu Kassovitz, Eric Bana e Daniel Craig.)

Palestinos assassinados em Roma, Paris, Chipre, Beirute

Cheio de dinheiro depositado pelo Mossad em conta em banco da Suíça, o grupo dos cinco homens faz contato com um francês que vive de prestar informações a quem pagar bem – venha de que país, ideologia ou crença que vier, um tal de Louis (o papel de Mathieu Amalric, mais um grande ator). Basicamente com base em informações fornecidas por Louis, os israelenses conseguem localizar e assassinar vários dos 11 palestinos de sua lista:

Em Roma, Wael Swaiter;

Em Paris, Mahmoud Hamshari;

Em Chipre, Hussein Abd Al Chir;

Em Beirute, Muhammad Youssef al-Najjar, Kamal Adwan, and Kamal Nasser.

Todos esses nomes são de pessoas reais, que foram assassinadas por agentes israelenses nos meses seguintes ao massacre de Munique. O filme encena as execuções de todos eles.

E não é necessário relatar mais sobre a trama de Munique. A trama já foi devidamente exposta, creio eu. Em suma, é isto: Munique mostra o revide, a vingança de Israel ao massacre de Munique durante os Jogos Olímpicos de 1972. Com extraordinárias sequências de ação – e com muitos diálogos sérios, densos, impressionantes sobre o revide, a vingança. O olho-por-olho, dente-por-dente. A Lei do Talião.

“Você não sabe o que é não ter um lar.”  

Tão importantes quanto as imagens das sequências de ação do grupo contra-terrorista israelense são – insisto – os diálogos escritos pelos roteiristas Tony Kushner e Eric Roth.

É fundamental transcrever ao menos dois deles. Escolho um entre Avner, que naquele momento escondia o fato de ser judeu e estava se passando por um ativista de extrema-esquerda alemão, e Ali (Omar Metwally), um membro da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina, então dirigida por Yasser Arafat.

Avner: – “Vocês matam judeus e o mundo sente pena deles. E acha que vocês são animais.”

Ali: – “Sim. Mas o mundo vai ficar sabendo como eles nos transformaram em animais. Vão começar a fazer perguntas sobre as condições dos presídios em que (os judeus) nos colocam.”

Um pouco adiante, Ali diz: – “Pode levar cem anos, mas nós vamos vencer. Quanto tempo foi preciso para que os judeus tivessem seu próprio país? (…) Você não sabe o que é não ter um lar. Nós queremos ser uma nação. Um lar é tudo.”

Uau! Que maravilha alguém dizer para uma pessoa que está fingindo não ser judeu a frase “Você não sabe o que é não ter um lar”!

O diálogo abaixo, entre Avner e seu superior, seu contato, Ephraim, acontece depois que o grupo já havia matado sete dos 11 palestinos da lista, e Avner deixara Israel e se radicara no Brooklyn, com a bela Daphna e a filhinha do casal.

Avner: – “Se essas pessoas cometeram crimes, deveríamos ter prendido. Como Eichmann.” (O criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann foi capturado pelo Mossad na Argentina, julgado e condenado à morte em Israel em 1962.)

Ephraim: – “Se esses caras viverem, israelenses morrem. Você pode ter as dúvidas que tiver, mas sabe disso. Você fez o certo, mas está infeliz.”

Avner: – “Eu matei sete homens”.

Ephraim: – “Mas não matou Salameh (o líder do massacre). Nós vamos pegá-lo, é claro. Você acha que vocês eram a única equipe? É uma grande operação, vocês eram apenas uma parte. Isso ameniza a sua culpa?”

Avner: – “Nós conseguimos alguma coisa? Cada homem que matamos foi substituído por um pior.” (…) Nós matamos para substituir a liderança terrorista ou a liderança palestina? Me diga o que nós fizemos!”

Ephraim: – “Você matou pelo bem do país que agora você escolheu abandonar. O país que sua mãe e o seu país construíram, o país em que você nasceu. Você matou em nome de Munique, do futuro, da paz.”

Avner: – “Não há paz no fim disso, não interessa em que você acredita. Você sabe que isso é verdade.”

O filme foi duramente criticado por autoridades de Israel

Como já foi dito, os nomes dos palestinos assassinados pelo grupo de Avner Kaufman são todos verdadeiros, das pessoas reais. Já Avner Kaufman é um nome fictício. O protagonista do filme foi inspirado em Juval Aviv, que foi major do Exército israelense e participou de operações do Mossad em diversos países. Mais tarde, nos Estados Unidos, tornou-se consultor sobre segurança.

Em 1981, a editora Collins Canada pediu ao escritor George Jonas que se encontrasse com Juval Aviv, e ouvisse dele os relatos sobre a operação do Mossad para assassinar os palestinos que planejaram o massacre de Munique. Foi com base nos depoimentos desse ex-agente das forças de segurança israelenses que George Jonas escreveu seu livro Vengeance: The True Story of an Israeli Counter-Terrorist Team – que, repito. serviu de base para o roteiro de Eric Roth e Tony Kushner.

Steven Spielberg abre seu filme com o aviso, a informação: “Inspirado em fatos reais”. Não há uma lei escrita explicitando isso, mas “inspirado em fatos reais” é diferente de “baseado em fatos reais”. Esta última expressão indica que houve a intenção de reconstituir os eventos com a maior fidelidade possível. O aviso que diz “inspirado”, diferentemente, demonstra que não houve o esforço para tentar relatar exatamente como foi a história real.

Autoridades israelenses da área de segurança detestaram o livro de George Jonas e detestaram o filme de Spielberg, informa a Wikipedia.

Um ex-diretor do Massad, David Kimche, declarou: – “Acho uma tragédia que uma pessoa da estatura de Steven Spielberg, que fez filmes tão fantásticos, tenha baseado este filme em um livro que é uma falsidade”. Dois ex-agentes do serviço de inteligência, Gad Shimron e Victor Ostrovsky, disseram ser uma ficção a sequência em que a primeira-ministra Gold Meir pessoalmente conversa com Avner Kaufman sobre a missão que o governo está dando a ele.

Foi muito criticado o fato de o filme mostrar apenas aquele grupo de cinco pessoas chefiado por Avner – argumentou-se que foi uma operação de imensa complexidade, e que vários grupos participaram da caçada aos palestinos. Isso apesar daquele diálogo citado pouco acima, em que Ephraim, o funcionário de alto escalão do Mossad, afirma: – “É uma grande operação, vocês eram apenas uma parte.”

O escritor britânico Gordon Thomas, que aborda em sua obra temas ligados aos serviços de inteligência, relatou que altas figuras do Mossad, inclusive o então diretor-geral Meir Dagan, assistiram ao filme em uma sessão privada. E ali ouviram-se expressões do tipo: “nunca poderia ter acontecido assim”; “isso é fantasia”, “isso é pura ficção”. “isso é a história no estilo Hollywood”.

Bem. Na minha opinião, o fato de pessoas ligadas ao Mossad e às forças de defesa de Israel criticarem o filme do judeu Steven Spielberg serve como elogio caloroso.

Diacho: o grande artista não fez o filme para dizer oba-oba, isto sim é que país que sabe assassinar seus inimigos! Como são competentes os funcionários do governo que assassinam palestinos!

Munique é um filme que mostra que a vingança – nas palavras de seu protagonista – “não leva à paz”.

Em pequenos papéis, Hiam Abbas, Marie-Josée Croze…

Um pequeno detalhe me deixou impressionado – e feliz. Spielberg ofereceu um papel a Hiam Abbass, a extraordinária atriz palestina de tantos filmes belos e importantes – Lemon Tree (2008), A Fonte das Mulheres (2011), Uma Garrafa no Mar de Gaza (2012), O Casamento de May (2013), Dégradé (2015).

Hiam Abbas faz uma pequena ponta como a mulher de um dos alvos do grupo liderado por Avner, Mahmoud Hamshari, assassinado em Paris. Uma ponta, e mais um crédito como “consultora e treinadora de diálogos” – uma homenagem a essa atriz palestina superlativa.

Há outras participações especiais de atores internacionais famosos. A bela canadense-francesa Marie-Josée Croze (na foto acima), tem um pequeno mas importante papel como Jeanette, uma assassina de aluguel holandesa que tenta seduzir (para depois matar) Avner no bar de um hotel elegante. Fazem também papéis pequenos o francês Michael Lonsdale, o alemão Moritz Bleibtreu e a italiana naturalizada francesa Valeria Bruni Tedeschi.

Um aviso: o filme está disponível na Netflix apenas até o dia 18 de março de 2026. A empresa vai retirar o filme de cartaz nessa data, sem explicar os motivos.

“Uma oração pela paz, uma ação corajosa e audaciosa”

Munique teve cinco indicações ao Oscar, nas categorias melhor filme, melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor montagem e melhor trilha sonora. Não levou nenhuma estatueta. Também não levou nenhum dos dois Globos de Ouro para os quais foi indicado, nas categorias melhor direção-filme e melhor roteiro-filme.

Mas ganhou o Prêmio AFI como o filme do ano. Eis o texto distribuído pelo American Film Institute para explicar a escolha: “Munich nos lembra de como somos pessoas de sorte por viver na época em que Steven Spielberg está fazendo filmes. Esta é mais uma contribuição marcante ao cinema americano de um dos seus maiores contadores de histórias. O filme levanta difíceis questões sobre as complexidades morais da vingança – e quem, em última análise, se orgulha em nome da família e do lar. Grandes filmes provocam grandes debates, e que Spielberg tenha abraçado um tema tão controvertido e o apresentado como uma oração pela paz é uma ação tão corajosa e audaciosa quanto poderíamos esperar de um dos grandes artistas do país.”

Que beleza!

Bela também é a crítica do grande Roger Ebert, que deu ao filme 4 estrelas, a maior cotação. Eis o início do longo, denso texto de Ebert:

Munich de Steven Spielberg é um ato de coragem e consciência. O diretor de Schindler’s List, o fundador da Fundação Shoa, o mais bem sucedido e conhecido judeu no mundo do cinema, ele se colocou entre Israel e os palestinos. Observou décadas de terrorismo e represálias, e fez um de seus personagens concluir: ‘Não há paz no fim disso’. O filme de Spielberg foi chamado de um ataque aos palestinos e ele foi agredido como ‘não amigo de Israel’. Ao não tomar partido de um dos lados, ele tomou partido dos dois.

“O filme tem profundo amor por Israel, e contém um sincero momento em que uma mãe lembra seu filho de por que o estado havia sido fundado: ‘Nós tivemos que tomá-lo, porque ninguém no mundo o daria para nós. Custe o que custou, custe o que custar, finalmente temos um lugar na Terra’. Creio que Spielberg concorda com essa afirmação até o fundo de sua alma. No entanto, o filme questiona a política de Israel de retaliação rápida e completa de cada ataque.”

Ter um lugar na Terra. Esse direito legítimo que o governo de ultra-direita de Israel faz absoluta questão de negar aos palestinos.

Anotação em março de 2025

Munique/Munich

De Steven Spielberg, EUA, 2005

Com Eric Bana (Avner Kaufman, o líder do grupo)

Daniel Craig (Steve, o motorista do grupo), Ciarán Hinds (Carl, o “limpador” do grupo), Mathieu Kassovitz (Robert, o especialista em bombas do grupo), Hanns Zischler (Hans, o forjador de documentos do grupo),

Ayelet Zurer (Daphna Kaufman, a mulher de Avner), Geoffrey Rush (Ephraim, o superior de Avner), Mehdi Nebbou (Ali Hassan Salameh, um dos alvos), Gila Almagor (a mãe de Avner), Karim Saleh (Issa), Michael Lonsdale (Papa, o líder do grupo de Louis), Mathieu Amalric (Louis, o informante francês), Marie-Josée Croze (Jeanette, a matadora holandesa), Ziad Adwan (Kamal Adwan), Moritz Bleibtreu (Andreas), Yvan Attal (Tony), Valeria Bruni Tedeschi (Sylvie), Meret Becker (Yvonne), Roy Avigdori (Gad Tsobari), Sam Feuer (Yossef Romano), Lynn Cohen (a primeira-ministra Golda Meir), Guri Weinberg (Moshe Weinberg), Makram Khoury (Wael Zwaiter, um dos alvos), Hiam Abbass (Marie), Omar Metwally (Ali, o ativista da OLP), Igal Naor (Mahmoud Hamshari, um dos alvos), Hiam Abbass (Marie Claude Hamshari, a mulher de Mahmoud), Mouna Soualem (Amina Hamshari, a filhinha de Mahmoud), Ami Weinberg (general Zamir)

Roteiro Tony Kushner e Eric Roth

Baseado no livro “Vengeance: The True Story of an Israeli Counter-Terrorist Team”, de George Jonas

Fotografia Janusz Kaminski

Música John Williams

Montagem Michael Kahn

Desenho de produção Rick Carter

Direção de arte Géza Kerti. Iain McFadyen, Rod McLean

Casting Lucky Englander, Fritz Fleischhacker, Jina Jay

Figurinos Joanna Johnston

Produção Kathleen Kennedy, Barry Mendel, Steven Spielberg, Colin Wilson, DreamWorks Pictures, Universal Pictures, Amblin Entertainment, The Kennedy/Marshall Company, Barry Mendel Productions, Alliance Atlantis Communications, Peninsula Films.

Cor, 164 min

R, ****

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