O Grande Pecado / Valborgsmässoafton

Nota: ★★★☆

O quinto dos 55 filmes de Ingrid Bergman, Valborgsmässoafton, de 1935, quatro anos antes de ela ser importada por Hollywood, é um drama que fala de amor, da chegada da primavera – a estação do ano e toda a simbologia que ela carrega –, da questão de ter filhos, de querer ou não querer ter filhos, e da importância disso tanto para cada pessoa, cada casal, quanto para a economia de um país. Fala também, e bastante, de aborto. Mas a questão “pecado” só existe na cabeça dos exibidores brasileiros. Continue lendo “O Grande Pecado / Valborgsmässoafton”

Um Barco e Nove Destinos / Lifeboat

Nota: ★★★★

Lifeboat, no Brasil Um Barco e Nove Destinos, lançado em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, é um dos melhores dos 53 longa-metragens dirigidos por Alfred Hitchcock. É também – tive certeza disso ao revê-lo agora – um dos mais sérios, mais pesados, mais densos filmes de sua extraordinária obra. Continue lendo “Um Barco e Nove Destinos / Lifeboat”

Ladrão de Alcova / Trouble in Paradise

Nota: ★★★★

Trouble in Paradise, no Brasil Ladrão de Alcova, que Ernst Lubitsch lançou em 1932, é a própria definição da expressão “comédia sofisticada”, segundo o crítico Leonard Maltin, o autor do guia de filmes mais vendido no mundo no tempo em que se vendiam guias de filmes. Continue lendo “Ladrão de Alcova / Trouble in Paradise”

Dr. Fantástico / Dr. Strangelove Or: How I Learned To Stop Worrying and Love The Bomb

Nota: ★★★★

Há filmes que ficam velhos, datados. Os que abusam dos maneirismos, dos modismos de seu tempo, esses tendem a envelhecer bem rapidamente, ao contrário dos que optam por uma narrativa mais escorreita, mais clássica. Estes últimos são naturalmente mais tendentes a virarem clássicos. Continue lendo “Dr. Fantástico / Dr. Strangelove Or: How I Learned To Stop Worrying and Love The Bomb”

Sócios no Amor / Design for Living

Nota: ★★★☆

A história de dois grandes amigos, amigos irmãos, unha e carne, que se apaixonam pela mesma mulher – que ama os dois, igualmente, ao mesmo tempo. O local: Paris, aquela cidade esplendorosa, talvez a cidade mais romântica do mundo. Um belo filme em ótima fotografia em preto-e-branco. Continue lendo “Sócios no Amor / Design for Living”

Até a Vista, Querida / Murder, My Sweet

Nota: ★★★☆

Quando Murder, My Sweet, no Brasil Até a Vista, Querida, de 1943, já passa da metade de seus 95 minutos, o detetive particular Philip Marlowe vai à casa da bela jovem Ann Grayle, a filha de um milionário que ele havia conhecido dias antes. Está um lixo, um caco: sua roupa está toda desgrenhada, suja, amarrotada. Despenteado, a barba de três dias por fazer, parece que foi atropelado por um caminhão. Continue lendo “Até a Vista, Querida / Murder, My Sweet”

Lágrimas Tardias / Too Late for Tears

Nota: ★★★☆

Não tem para ninguém. Nem para a Phyllis Dietrichson de Barbara Stanwyck em Pacto de Sangue (1944), nem para a Cora Smith de O Destino Bate à Porta (1946) – nem para nenhuma outra. Embora essas personagens e atrizes citadas sejam muito mais famosas, a Jane Palmer de Lizabeth Scott em Lágrimas Tardias (1949) é a pior femme fatale dos filmes noir.

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O Caminho da Tentação / Pitfall

Nota: ★★★½

John Forbes, o protagonista de O Caminho da Tentação/Pitfall, que André de Toth lançou em 1948, tem tudo que uma pessoa pode querer na vida – e milhões e milhões e milhões de seres humanos não têm. Uma mulher muito bela, boa pessoa, que o ama, um filho aí de uns 8, 10 anos legal, inteligente, esperto, que o adora. Uma casa ampla, gostosa, confortável, num bom bairro de Los Angeles, um emprego sólido. Continue lendo “O Caminho da Tentação / Pitfall”

A Renegada / Woman They Almost Lynched

Nota: ★★★☆

Woman They Almost Lynched, no Brasil A Renegada, é um filme impressionantemente à frente de seu tempo – e impressionantemente pouco conhecido, reconhecido, respeitado. Lançado em 1953, é um western, esse gênero machista por definição, em que as mulheres são em geral meras coadjuvantes. Continue lendo “A Renegada / Woman They Almost Lynched”

A Canção da Estrada / Pather Panchali

Nota: ★★★★

A Canção da Estrada é uma beleza, um grande filme. Um retrato impressionante, emocionante, sobre a vida duríssima, miserável, triste, de uma família no interiorzão da Bengala Ocidental, nos anos 1920, quando todo o Subcontinente Indiano era possessão britânica. Um filmaço – mas é muito mais que isso. Continue lendo “A Canção da Estrada / Pather Panchali”

Interlúdio / Notorious

Nota: ★★★★

Notorious, no Brasil Interlúdio, de 1946, é o longa-metragem número 32 dos 53 que Alfred Hitchcock realizou. O décimo-primeiro depois que trocou a Inglaterra natal pelos Estados Unidos. O segundo dos três em que dirigiu Ingrid Bergman, o rosto mais belo que já passou diante de uma câmara de cinema. O segundo dos quatro com Cary Grant. Uma obra-prima, uma maravilha. Continue lendo “Interlúdio / Notorious”

A Rua da Vergonha / Akasen chitai

Nota: ★★★★

Em seu 99º filme, aquele que viria a ser o último, lançado no Japão em março de 1956, poucos meses antes de sua morte, em agosto, aos 58 anos, Kenji Mizoguchi fala dos mesmos temas que abordou em muitas de suas obras: as condições de vida da mulher na sociedade japonesa, as emoções femininas, as imensas diferenças entre uma mulher e outra. E. mais especificamente, a prostituição, o dia-a-dia das prostitutas. Continue lendo “A Rua da Vergonha / Akasen chitai”