Duelo de Titãs / Last Train from Gun Hill

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Nota: ★★★½

Duelo de Titãs, no original Last Train from Gun Hill, lançado por John Sturges em 1959, é um dos melhores westerns feitos nos anos 1950 e 1960. Posso estar errado, posso não ter muita companhia, mas esta é a minha opinião.

Tinha uma ótima lembrança do filme, que vi pela primeira vez no início da adolescência e, ao revê-lo agora, mais de meio século depois que ele foi feito, só confirmei: é um grande western, um grande filme.

Tem todos, absolutamente todos os elementos clássicos, básicos do gênero, um dos primeiros do cinema, e o mais autenticamente americano.

É uma produção de primeira, com direção segura do experiente John Sturges, grandes atores – Kirk Douglas, Anthony Quinn, Carolyn Jones –, primorosa fotografia de Charles Lang, com belíssimas sequências externas, nas pradarias sem fim.

A trilha sonora é de outro expert em westerns, Dimitri Tiomkin – autor, entre muitas outras, das trilhas de Duelo ao Sol (1946), Rio Vermelho (1948), Matar ou Morrer/High Noon (1952), Sem Lei e Sem Alma/Gunfight at the O.K. Corral (1957) – este último, do mesmo John Sturges e também com Kirk Douglas. (Interessante: nesta revisão agora, achei a trilha de mestre Dimitri Tiomkin um tanto exagerada, um tanto over. As trilhas de western costumam mesmo ser um tanto exageradas, mesmo, mas esta me pareceu especialmente grandiloquente.)

Sobretudo, Last Train from Gun Hill tem uma belíssima trama. É uma história bastante simples, linear – não há grande surpresas, não há reviravoltas, não há invencionices ou fanfarronices. É simples, direta, reta – clássica e eterna como o jeans de cinco bolsos e o uísque tomado straight, cowboy, sem gelo, em copinho pequeno, tanto o mocinho quanto o bandido bebendo sofregamente, de um gole só, encostado no balcão do saloon.

As crianças pedem para o xerife contar mais uma vez como foi o grande tiroteio

Há grandes westerns falando do fim da era do Velho Oeste – filmes crepusculares, outonais, em que os pistoleiros vão virando mito (ou lixo) do passado, já há lei e ordem, os trens de ferro cortam os espaços infinitos, as informações viajam pelo telégrafo, os jornais já trazem fotografias (e não mais apenas ilustrações, desenhos). Chega uma nova era, e o Velho Oeste começa a virar lembrança. É uma belíssima estirpe de filmes: Pistoleiros do Entardecer/Ride the High Country (1962), O Homem que Matou o Facínora/The Man who Shot Liberty Valence (1962), O Último Pistoleiro/The Shootist (1976). Butch Cassidy tem esse clima – embora puxe para o bom humor, enquanto os demais são extremamente sérios.

zzlast2aEste Duelo de Titãs pega o momento exatamente anterior – o momento em que a nova era já está chegando, já até chegou em alguns lugares, mas em outros ainda permanecem os hábitos selvagens da falta do império da lei.

Matt Morgan, o protagonista da história, interpretado por Kirk Douglas, é o xerife de sua cidadezinha, Pawley – e ali faz anos que não há mais crimes ou duelos no meio da rua, nos saloons. Esse tipo de coisa ficou no passado – e os dois saloons que existem ali fecham aos domingos. Morgan sequer anda armado pela cidade. Está na delegacia sem cinturão amarrado à cintura quando um grupo de quatro garotos vai até à procura do filho dele, Petey (Lars Henderson), com quem queriam brincar.

O menino não está, Morgan informa aos amiguinhos dele. Foi com a mãe visitar os avós na reserva indígena.

Os meninos aproveitam para pedir a Morgan que conte como foi que ele enfrentou os irmãos Bradley. Os velhos tempos fascinam as crianças. Morgan sabe disso, e então, se divertindo muito com aquilo, conta para eles a história do duelo que eles já haviam ouvido dezenas e dezenas de vezes – as crianças adoram ouvir a mesma história várias vezes.

É uma bela sacada do roteirista James Poe. Com essa sequência, ele explica para o espectador o contexto: o Oeste Selvagem já é coisa do passado, ali naquela cidadezinha. Virou mito, histórias a serem contadas aos mais novos.

Mas esta é a segunda sequência do filme. Quando a vemos, nós – ao contrário de Matt Morgan – já sabemos que houve uma tragédia. A tragédia já havia sido mostrada na longa, e excelente, primeira sequência. Catherine Morgan (Ziva Rodann) voltava de charrete da reserva indígena, onde tinha ido visitar seus pais, em companhia do filho Petey, de nove anos. No caminho, no meio do nada, passou por dois homens, que haviam apeado de seus cavalos e se dedicavam a encher a cara de cachaça.

Catherine é uma figura bela, atraente, longos cabelos. Os dois homens que vagabundeavam sobem nos seus cavalos e vão atrás da charrete.

Catherine acelera o passo dos cavalos. Os vagabundos se aproximam facilmente dela.

Catherine lança o chicote com força no rosto de um dos vagabundos – mas isso não interrompe a perseguição.

Na disparada, a charrete não aguenta o tranco e tomba. Catherine sinaliza para que Petey fuja, usando os cavalos dos bandidos.

No momento em que o bandido que tinha tido o rosto cortado pelo chicote começa a estuprar Catherine, corta, e estamos na segunda sequência, os meninos pedindo ao xerife que conte mais uma vez a velha história dos tempos em que naquela cidadezinha havia tiroteio.

Morgan está ainda contando sua história quando ouve o barulho dos cascos do cavalo do bandido em que Petey chega.

Refazer o caminho que sempre era percorrido por Catherine entre a cidadezinha e a reserva em que viviam seus pais é fácil. Pouco depois de encontrar o corpo de sua mulher, Morgan examina a sela do cavalo do bandido, que seu filho tinha usado para ir à cidade avisar ao pai sobre a tragédia. Na sela, diferente, luxuosa, há as iniciais CB.

Um belo roteiro, recheado de frases fortes, marcantes

Morgan sabe quem é CB, Craig Belden. Foram amigos, amicíssimos, inseparáveis, até uns dez anos antes, quando então se separaram, Morgan foi para Pawley, virou homem da lei, casou-se com a bela Catherine, virou pai de família e xerife em uma cidade em que não há mais tiroteios, em que a era do Velho Oeste acabou.

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Ao longo desses dez anos, Craig Belden – o papel de Anthony Quinn – tinha ficado rico. Era dono de imensa fazenda, de grande rebanho, na cidadezinha de Gun Hill.

Quando Morgan vai a Gun Hill – de trem, esse símbolo da chegada da nova era –, e se encontra com o velho amigo, não demora cinco minutos para perceber que o sujeito que usava a sela de Craig Belden, que levara uma violenta chicotada no rosto e depois estuprara e assassinara sua mulher, era o próprio filho de Belden, Rick (Earl Holliman).

Do grande amigo, Morgan ouve o seguinte: – “Não encoste um dedo naquele garoto. Você vai embora no próximo trem. Eu sou dono do xerife, eu sou dono de tudo aqui. Você irá no próximo trem, Matt.”

Do xerife do lugar, Bartlett (Walter Sande), a quem procura em seguida para avisar que tem uma ordem de prisão para os dois homens que estupraram e assassinaram sua mulher, ouve o seguinte:

– “Acredito na lei e na ordem, mas devemos pensar no futuro. Está vendo aquele grande hotel ali? É do sr. Belden. Os currais perto dos trilhos? Belden e Filho. Ele é dono dos estábulos, dos dois bares e, dizem, da Prefeitura. Como eu disse, um homem da lei tem que pensar no futuro. (…) Dentro de 40 anos, o mato terá crescido no seu túmulo e no meu. Ninguém se lembrará que fui covarde, ou que você morreu como um tolo.”

Duelo de Titãs é um filme povoado por frases fortes, impressionantes, marcantes.

Um pouco depois de ouvir essa lição de moral do xerife de Gun Hill, Morgan toma um uísque no Horseshoe, um dos saloons do lugar. Pergunta então a Steve (Val Avery), o homem do bar: – “Há alguém nesta cidade que não tenha medo de Craig Belden?” E o bartender responde: – “Claro: o cemitério está cheio deles”.

De Linda (Carolyn Jones), bela mulher que conhece ainda no trem, a caminho de Gun Hill, Morgan ouve diversos conselhos para ir embora dali, antes de ser assassinado por um dos 20 ou 30 capangas de Belden. Um deles é assim: – “A raça humana não presta. Sou uma autoridade no assunto”.

É. De fato o roteirista James Poe fez um belo roteiro – e encheu-o de frases marcantes.

O fato de o protagonista ser casado com uma índia engrandece o filme

Anotei que vi Duelo de Titãs quatro vezes, antes desta agora: duas vezes em seguida, em 1963, uma outra vez em 1964 e depois em 2003. Está mais do que explicado, portanto, por que me lembrava tão bem da história. No entanto, não me lembrava direito da importância grande das duas mulheres que aparecem na história, Catherine e Linda.

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O fato de Catherine ser índia engrandece ainda mais – e engrandece muito – este belo western.

É um ato de muita coragem dos produtores – o famoso Hal B. Wallis, um dos chefões da Paramount ao longo de décadas – colocar, ainda em 1959, o mocinho casado com uma cherokee, com um filho mestiço, ou, como se dizia nos filmes, com uma carga racista pesadíssima, half breed.

O racismo era algo fortissimamente arraigado em boa parte dos Estados Unidos naquela época. Ainda é mesmo hoje, mas era, então, muitíssimo, muitíssimo pior. Basta lembrar (e é sempre bom lembrar esses absurdos) que a segregação racial era garantida por lei em diversos Estados até 1964; o casamento entre pessoas de cor de pele diferente era proibido por lei em 16 ou 17 dos 51 Estados americanos, conforme nos lembra um diálogo extraordinário de Adivinhe Quem Vem para Jantar, de 1967.

Há bons westerns que denunciam o racismo contra os índios, e sobretudo contra a miscigenação entre brancos e índios, mas são poucos os que mostram casos de amor entre brancos e índios. Lembro de Flechas de Fogo/Broken Arrow (1950), O Homem dos Olhos Frios/The Tin Star (1957), Pequeno Grande Homem (1970) – e não creio que haja muitos outros.

Com o casamento de Matt Morgan com Catherine, uma cherokee, Duelo de Titãs mostra que já existiam, felizmente, seres acima do racismo – embora a praga ainda contagiasse a imensa maioria.

Tanto Rick Belden quanto seu amigo e cúmplice Lee Smithers (Brian G. Hutton) dizem várias vezes, como que para justificar seu crime: “Mas era apenas uma índia”!

Um cidadão de Gun Hill, a quem Morgan pergunta onde encontrar Rick Belden, diz para ele: “Aqui não prendemos ninguém por causa de uma índia. Damos recompensa”.

Como Morgan é um homem da lei, o racista filho da mãe que pronuncia esse horror não leva um balaço no peito, mas apenas e tão somente um vigoroso soco na cara.

Antes de Morgan embarcar no trem para Gun Hill à procura dos assassinos, ouve um pedido do sogro, o velho cherokee: “Mate-os do jeito índio – bem devagar”.

Bem mais adiante, numa sequência fortíssima, Morgan contará para o garotão Rick sobre o pedido do velho índio, e dirá que não, que Rick terá uma morte lenta, mas do jeito branco: com prisão, julgamento, sentença, a espera apavorante do momento da morte, e o momento em si, a corda se fechando sobre seu pescoço.

De fato, o assassinato de bandidos do jeito branco é tão cruel, doloroso, torturante, quanto parece ser o do jeito índio.

Em uma sociedade machista, uma ex-puta virar senhora “de respeito” é difícilimo

O personagem de Linda é bastante interessante – e sua importância é realçada pela atriz escolhida para o papel, essa Carolyn Jones que jamais teve, que eu saiba, uma oportunidade de ser protagonista, mas que brilhava em todos os filmes em que aparecia como coadjuvante, com sua beleza estranha, nada convencional, os cabelos negros realçando ainda mais os olhos imensos de um azul como pouquíssimos outros.

zzlast6Linda aparece pela primeira vez no trem em que Matt Morgan vai de sua cidade para Gun Hill. Senta-se ao lado dele, puxa conversa – mas o sujeito, que acabava de perder a mulher daquela maneira absurda, não estava de fato a fim de jogar conversa fora.

Veremos que Linda foi prostituta em um dos saloons de Gun Hill. Agora não é mais – tornou-se amante de Craig Belden e é teúda e manteúda por ele. Teúda, manteúda e apanhuda: no trem, estava voltando de uma temporada em um hospital, onde se recuperava de uma surra que havia levado do amante. Surra – saberemos bem mais tarde – provocada por mentiras contadas por Rick, o filho único do sujeito, que implica com Linda.

Faz muito tempo que Belden ficou viúvo, e Linda tinha expectativa de se casar com ele. Belden usa o filho como desculpa para não casar.

Last Train from Gun Hill mostra que, no Velho Oeste, era muito mais fácil um ex-pistoleiro virar homem da lei, como tudo indica que aconteceu com Morgan, do que uma ex-puta virar senhora “de respeito”.

No Velho Oeste – como em tantos outros lugares do mundo, no passado distante, ontem, hoje –, a sociedade era machista.

Linda – é bastante óbvio – ama Craig de verdade, não pelo dinheiro, mas por ele mesmo. O amor é cego, a gente não escolhe, e às vezes pode errar feio. Ela ama o sujeito apesar de saber de seus defeitos, apesar de apanhar dele, apesar de saber que ele nunca vai se casar com ela. Ama – e ao mesmo tempo o odeia, o despreza, e ficaria extremamente feliz se houvesse algum dia alguém capaz de derrubá-lo do alto do trono que ele construiu para si. A ponto de ela se dispor – correndo todos os riscos possíveis e imagináveis – a ajudar Matt Morgan.

Homens que trabalharam duro para enriquecer têm filhos fracos, sem caráter

Me ocorreu, ao rever mais esta vez o filme, que esse Rick Belden faz um tipo que é extremamente comum no cinema americano como um todo, e não apenas no western: o do filho do ricaço que é uma porcaria, um pustema, um inútil.

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Se essa noção é algo amplamente difundida na sociedade americana, ou se é mais restrito, uma coisa da ideologia reinante em Hollywood, não sei, mas a verdade é que o cinema americano é farto de exemplares assim. Pais que trabalharam duro, durante muito, muito tempo, para conseguirem acumular riqueza – e filhos que não fizeram esforço algum, e são mimados, estragados, sem caráter, sem ideiais, sem rumo.

Um dos exemplos mais marcantes disso é a família do milionário de Palavras ao Vento/Written on the Wind (1956), o belo melodrama do mestre Douglas Sirk. O pai (interpretado por Robert Keith) foi um batalhador a vida inteira; o filho (feito por Robert Stack) é um bêbado imprestável, e a filha (a linda Dorothy Malone) é uma ninfomaníaca perdidinha na vida.

Esse Rick Belden de Duelo de Titãs é o protótipo acabado do filhinho de papai imbecil, absolutamente sem valor, sem caráter, sem personalidade. O pai sabe que o filho não presta – chega a usar como desculpa, perante o amigo que agora quer levar o garotão embora para um tribunal e dali para a forca, o fato de que é difícil criar um filho sem a mãe.

Tanto o melodrama de Douglas Sirk quanto o western de John Sturges batem na tecla tão tocada pelo cinema americano: enriquecer é bom, mas enriquecer demais é extremamente injusto. Cria absurdos, como a cidade de Palavras ao Vento pertencer, inteira, ao milionário, e a pobre Gun Hill ser propriedade privada desse Craig Belden, que é um grande capitalista e um bandidão absoluto.

Nos alfarrábios, não há grandes elogios ao filme

O belo livro Great Hollywood Westerns, de Ted Sennett, não dá grande importância ao filme. Diz que ele é uma espécie de variação do tema de Matar ou Morrer/High Noon, com um pouco do elemento horário marcado que é importante tanto em High Noon quanto em 3:10 to Yuma, no Brasil Galante e Sanguinário (1957). “O filme, no entanto, oferece poucas surpresas – sabemos que Matt, ‘aquele pobre tolo com seus ideais grandiosos’, como um personagem o descreve, irá perseverar e triunfar. Na visão do western, no esquema das coisas do western, só os certos podem vencer, não importa quão solitário seja o caminho que terão que tomar.”

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Quem fala a frase “aquele pobre tolo com seus ideiais grandiosos” é Linda, naturalmente – a única pessoa da cidade que não tem medo de Craig Belden e ainda não está no cemitério.

Sim, Duelo de Titãs não oferece surpresas. Eu havia dito exatamente isso no início desta anotação, antes de ler o trecho do livro que fala sobre o filme. O que para mim é uma virtude, o autor considerou um defeito.

Nenhuma palavra sobre a questão de a mulher do mocinho ser índia, nenhuma palavra sobre o racismo – embora Ted Sennett dedique um capítulo inteiro de seu livro a discutir a questão indígena, e aponte a importância do racismo dos brancos diante dos índios e dos mestiços.

O livro The Paramount Story também cita semelhanças do filme com High Noon. Diz que o filme parte de uma situação básica forte – o xerife obcecado por vingar a morte da mulher, mesmo sendo o assassino filho de seu maior amigo – e vai acelerando a tensão cada vez mais. “Há poucas experiências mais satisfatórias proporcionadas pelo cinema do que ver dois bons atores de alta intensidade se encaminhando para um conflito aberto, e nenhum par poderia fazer isso melhor que Douglas e Quinn, que já haviam soltado faíscas um para o outro em Lust for Life. Eles chamaram as multidões e as mandaram embora do cinema satisfeitas.”

Bom texto!

Lust for Life, no Brasil Sede de Viver, de Vincente Minnelli, foi lançado em 1956, três anos antes, portanto, deste Last Train from Gun Hill. Nele Kirk Douglas interpreta Vincent Van Gogh e Anthony Quinn, seu contemporâneo amigo e às vezes rival Paul Gauguin.

Leonard Maltin dedica ao filme 3 estrelas em 4 e uma única frase: “Western superior sobre xerife firme, decidido a sair de Gun Hill com suspeito de assassinato, apesar da necessidade de tiroteios.”

Eis o que diz o Guide des Films de Jean Tulard:

“Um western sólido em que todos os ingredientes (interpretação, música, fotografia) seriam reunidos para fazer uma obra-prima se não fosse tão ostensivamente parecido com Trois Heures Diz pour Yuma e Le Train Sifflera Trois Fois”.

Mais um livro que cita 3:10 to Yuma e High Noon!

Não acho que a semelhança seja tão grande. Duelo de Titãs tem diversos pontos que o diferenciam desses dois outros filmes que vieram antes. Acho um equívoco desmerecê-lo porque veio depois.

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No IMDb, encontro o texto de um leitor da Finlândia que havia visto Last Train from Gun Hill em 2006 e se apaixonado: “Alguns dizem Rio Bravo, alguns The Searchers, alguns Shane, por alguma razão. Cada um tem uma opinião sobre qual é o maior western ‘clássico’ (antes que nos anos 60 Leone e Peckinpah quebrasse os velhos mitos). Alguns anos atrás eu teria dito High Noon. Então eu estava em casa ontem à noite, uma noite muito fria e cheia de neve. Pensei em ver um filme na TV e não prestei muita atenção ao que estava passando. Aconteceu de ser esta obra-prima. Fiquei pasmo.”

A internet traz problemas – mentiras ditas como se fossem verdades, por exemplo –, mas é uma maravilha. Entre outras coisas, permite que o espectador finlandês e este espectador mineiro-paulistano aqui manifestem suas opiniões do mesmo jeito que os doutos críticos em seus livros.

Repito o que disse na abertura: Duelo de Titãs/ Last Train from Gun Hill é um dos melhores westerns feitos nos anos 1950 e 1960. É um grande western, um grande filme.

Anotação em maio de 2015 

Duelo de Titãs/Last Train from Gun Hill

De John Sturges, EUA, 1959

Com Kirk Douglas (xerife Matt Morgan), Anthony Quinn (Craig Belden)

e Carolyn Jones (Linda), Earl Holliman (Rick Belden), Brad Dexter (Beero), Brian G. Hutton (Lee Smithers), Ziva Rodann (Catherine Morgan), Lars Henderson (Petey Morgan), Bing Russell (Skag), Val Avery (Steve, o homem do bar), Walter Sande (xerife Bartlett),

Roteiro James Poe

Baseado na história Showdown, de Les Crutchfield

Fotografia Charles Lang

Música Dimitri Tiomkin

Direção de arte Hal Pereira e Walter H. Tyler

Figurinos Edith Head

No DVD. Podução Hal B. Wallis, Paramount. DVD Paramount.

Cor, 95 min

R, ***1/2

Título na França: Le Dernier Train de Gun Hill. Em Portugal: O Último Comboio de Gun Hill.

Um Comentário

  1. Senhorita
    Postado em 29 agosto 2015 às 2:27 pm | Permalink

    Kirk Douglas tem, tem, mas TEM que chegar vivo aos 100.

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Joe Kidd em 17 outubro 2015 às 5:55 pm

    […] que poderia estar diante de um western interessante, de qualidade. Não apenas porque o diretor, John Sturges, é competente, não apenas porque o astro é Clint Eastwood e o elenco tem ainda Robert Duvall, […]

  2. […] quinto ator que aparece absolutamente irreconhecível no filme é Kirk Douglas – mas o caso dele é bem diferente dos quatro colegas, que se divertiram aparecendo cada um em […]

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