O Grande Lebowski / The Big Lebowski

3.5 out of 5.0 stars

(Disponível na Apple TV e na Prime Video em 3/2026.)

O Grande Lebowski, que os irmãos Joel e Ethan Coen cometeram em 1998, é loucamente, insanamente, fantasticamente delicioso, bem-humorado, engraçado – e extremissimamente bem realizado em todos os quesitos. Meu, que história, que incrível imaginação para produzir aquela trama maluca – e que competência para transformar a trama maluca em imagens em movimento.

É um show, uma coisa literalmente espetacular.

Os tipos que a imaginação dos irmãos Coen criaram – e os atores escolhidos para interpretar aqueles tipos! Que coisa mais absolutamente deliciosa!

Há um monte de figuras sensacionais em The Big Lebowski, interpretados por atores igualmente sensacionais – John Goodman, Steve Buscemi, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman, John Turturro. O tipo mais genial de todos, é claro, é Jeff Lebowski, o Dude, o papel de Jeff Bridges – e, diacho, simplesmente não haveria no mundo algum mais perfeito para interpretar o Dude do que Jeff Bridges.

Na primeira sequência em que o vemos, o Dude está em um supermercado de Los Angeles, caminhando entre as prateleiras vestindo um roupão de banho aberto, embaixo dele uma camiseta e uma bermuda mais horrorosas do que as minhas de mais de 40 anos de idade, e calçando sandálias de couro com meias. Claro que o cabelão é grande, assim como a barba. Um look de quem está em casa, e sozinho, solteiro – um homem casado não usaria aquele modelito, porque a mulher não permitiria. Está aí a Mary pra não me deixar mentir.

Um velho hippie, riponga, bicho-grilo, alternativo – muito depois da época dos hippies, ripongas, bichos-grilos, alternativos. Um velho ex-hippie, andando na maior pelo supermercado vestido como não fica bem se vestir sequer em casa de solteiro,.

Ele compra um iogurte e paga com um cheque de US$ 0,69!

Isso é na abertura do filme. Ali pelos 30 minutos, o velho ex-hippie ou coisa parecida está de posse de US$ 1 milhão, em notas, em moeda corrente – e ele não cometeu nenhum roubo, de forma alguma. Nem muito menos fez rachadinha, como fazem políticos brasileiros que costumam comprar dezenas de imóveis em notas, em moeda corrente.

O carro dele, em que havia deixado a maleta com US$ 1 milhão, não está mais no lugar em que ele o estacionou antes de entrar no bar com o grande amigo Walter (John Goodman) – e então o sujeito mais anti-establishment que pode haver no mundo dá queixa do roubo à Polícia.

Todos os diálogos criados pelos danados dos Coen para o filme são deliciosos, mas este entre The Dude e os dois homens da lei é especialmente gostoso.

– “Tinha algo de valor no carro?” – pergunta o policial, bloco de notas à sua frente.

O cara não podia dizer que tinha uma maleta com US$ 1 milhão, certo? Então ele diz: – ‘Um toca-fitas, alguns cassetes do Creedence… E também havia… ah, minha maleta.’

Muito sério, o uniformizado homem da lei pergunta: -“E na maleta?

– “Ah… Papéis. Só papéis. Meus papéis de negócios.”

– “Em que você trabalha?”

– “Estou desempregado.” –

A essa altura, o espectador seguramente já imaginou que o Dude jamais teve um emprego formal na vida…

Depois de uma breve pausa, ele acrescenta: – “Meu tapete também foi roubado.”

Os tapetes são muito importantes na trama criada pelos irmãos Coen. Foi basicamente por causa de um tapete que o Dude se envolveu naquela história maluca, em que receberia R$ 1 milhão para entregar aos sequestradores da jovem Bunny Lebowski (Tara Reid, na foto abaixo) em troca da libertação dela. Na primeira vez em que ele vê essa moça Bunny, ela diz: – “Eu chupo seu pau por US$ 1 mil.”

Não é um filme indicados para conservadores, caretas

Ah, sim, é importante registrar: The Big Lebowski não é um filme para todas as audiências. Não é recomendável, de forma alguma, para conservadores, tradicionalistas, direitistas, caretas de maneira ampla geral irrestrita.

Os caretas ficariam chocados com o linguajar. Poderiam ter um choque anafilático.

|Outro exemplo. Quando surge inteira na tela pela primeira vez, Maude Lebowski – o papel de uma Julianne Moore linda de morrer aos 38 aninhos, na foto abaixo – diz: – “Minha arte tem sido elogiada por ser fortemente vaginal, o que deixa alguns homens incomodados. A própria palavra deixa alguns homens desconfortáveis. Vagina. (…) Eles não gostam de ouvir isso, e acham difícil pronunciar a palavra, enquanto, sem qualquer problema, se referem a seu pau como sua vara ou seu peru.”

(No original as palavras são dick, rod e Johnson. Pau, vara e peru são as expressões muito bem escolhidas pelos autores das legendas no DVD lançado pela Universal.)

O Grande Lebowski do título não é o protagonista da trama

Jeff Lebowski. Bunny Lebowski, Maude Lebowski.

Muitos Lebowskis na história. Mas o nosso herói – o protagonista da história, o velho ex-hippie que ainda se comporta como hippie em 1998, quase duas décadas depois da preponderância dos yuppies, o sujeito que vai ao supermercado de roupão de banho aberto, o papel de Jeff Bridges –, esse aí não é O Grande Lebowski do título. Na verdade, ele não gosta nada de ser chamado de Lebowski. Refere-se a si mesmo como The Dude, e seus amigos só o chamam de Dude – a gíria para homem, sujeito, cara. (As legendas usam “O Cara”, muito corretamente, eu acho.)

Essa preferência pela expressão The Dude é explicada de cara, bem na abertura do filme, por uma voz em off, enquanto vemos diversas tomadas em que aparece um tumbleweed – aquela bola de capim ou de gravetos que aparece muito nos faroestes, rolando ao vento -, passeando primeiro em um campo aberto, depois por Los Angeles. Eu até achei, ao rever o filme agora, que o narrador era um tumbleweed – mas na verdade a voz é de Sam Elliott, que faz um personagem chamado The Stranger, O Estranho.

Eis o intróito, a apresentação do ´protagonista da história que ouvimos na abertura do filme, numa fala toda cheia de gírias:

“Lá no Oeste tinha esse sujeito… Sujeito de quem vou falar. Sujeito de nome Jeff Lebowski. Pelo menos esse era o nome que seus queridos pais deram para ele, mas que ele não usava. O senhor Lebowski, ele chamava a si mesmo de The Dude. Agora, Dude é um nome que eu nunca usaria para mim mesmo no lugar de onde eu venho. Mas tinha um monte de coisas sobre o Dude que não fazia muito sentido. E um monte sobre o lugar em que ele vivia. Eles chamam Los Angeles de Cidade dos Anjos. Não acho que seja nada disso. Mas admito que tem uns caras legais lá. Claro que não posso dizer que conheço Londres, e nunca fui à França. Mas vou dizer – depois de ver Los Angeles, e a história que eu estou para contar, bem, acho que vi algo tão estonteante quanto você veria em qualquer outro lugar. E em inglês. Então eu posso morrer com um sorriso na cara, sem achar que o bom Deus me enganou. A história que eu estou para contar aconteceu no começo dos anos 90 – ali na época do conflito com Saddam e os iraques. Só menciono isso porque às vezes há um homem… Não vou dizer um herói, porque… O que é um herói? Mas às vezes há um homem. E estou falando do Dude. Às vezes há um homem, bem, um homem para o seu tempo e lugar. Ele se encaixa ali. E esse é o Dude, em Los Angeles. E mesmo sendo um sujeito preguiçoso – e o Dude com toda certeza é. Muito possivelmente o mais preguiçoso no Condado de Los Angeles, o que o colocaria lá em cima na lista dos candidatos ao mais preguiçoso do mundo inteiro. Mas às vezes há um homem, algumas vezes há um homem. Ahnn, perdi o fio da meada. Mas… ah, diabo, já fiz uma boa apresentação dele.”

Ah, meu, que delícia de fraseado de malandro… E os Coen aproveitam para gozar os habitantes de Los Angeles, o lugar em que eles vivem e trabalham!

Tá tudo bem – mas falta dizer quem é o Grande Lebowiski.

O problema é que estou me divertindo ao falar sobre esse filme divertidíssimo…

Dois bandidos cobram dinheiro do Lebowski errado

Pouco depois que chega em sua casa de volta da sua visita ao supermercado para comprar um iogurte, logo depois desse intróito em The Stranger descreve a figura, o Dude é violentamente atacado por dois bandidos. Um deles enfia a cara dele na privada e dá descarga, enquanto berra que a mulher dele está devendo uma grana preta para um tal de Treehorn, e ele tem que pagar logo.

E enfia de novo a cabeça do Dude no vaso e diz que a mulher dele gasta dinheiro demais, e pediu emprestada a Treehorn uma fortuna, e agora ele tem que pagar.

Depois de várias enfiadas de cabeça do coitado do Dude no vaso, e de ameaçar que vai acontecer coisa muito pior com ele se ele não pagar o que a mulher dele deve a Treehorn, o bandido indica que vai embora. Mas aí o outro bandido faz xixi em um tapete que fica bem no meio da sala da casa. O Dude pede pelamordeDeus pro bandido não fazer aquilo – veremos que ele simplesmente adora aquele tapete.

– “Aquele tapete compunha de verdade o ambiente”, o Dude repetirá diversas vezes no salão de boliche que frequenta com os grandes amigos Walter (John Goodman, como já foi dito) e Donny (Steve Buscemi). – “Aquele tapete compunha de verdade o ambiente”. E repete também, várias vezes: – “He peed on my rug” – ele mijou no meu tapete.

Demora um tanto, mas acaba caindo a ficha na cabeça cheia de maconha do Dude que os capangas do tal de Treehorn haviam se enganado de Jeffrey Lebowski. Ah, bom! Eles deviam estar atrás era do Jeffrey Lebowski milionário!

E então o Dude vai visitar a mansão de Mr. Jeffrey Lebowski, O Grande Lebowski (o papel de David Huddleston). É recebido pelo secretário particular do ricaço, Brandt (o papel do grande Philip Seymour Hoffman), e depois pelo próprio Grande Lebowski. Apresenta sua demanda: quer ser indenizado porque os bandidos que mijaram no seu tapete na verdade estavam procurando não por ele, mas pelo outro Lebowski.

O secretário Brandt é uma pessoa gentil, atenciosa, pronto a resolver problemas. Acaba permitindo que o Dude saia da mansão carregando um dos muitos, muitos, muitos tapetes do lar do Grande Lebowski.

É quando está sendo conduzido por Brandt para fora da propriedade, carregando o tapete, que o Dude passa pela área da piscina, e uma mulher muito jovem e muito bonita – Bunny, a senhora Jeffrey Lebowski – diz que chupa o pau dele por US$ 1 mil.

Uma antológica sequência em que o Dude voa sobre L.A.

Vixe! Me entusiasmei, e me alonguei demais na apresentação dos fatos básicos da trama. Aciono então a tecla do fast forward e tento resumir:

Alguns dias depois de sua visita à mansão do Big Lebowski, o Dude recebe um telefonema de Brandt. Bunny havia sido sequestrada, diz o secretário – e Mr. Lebowski, apavorado, chocado com o que acontecia com o grande amor da sua vida, gostaria que ele, o Dude, tentasse entrar em contato com os sequestradores, seguramente bandidos a mando do tal Treehorn.

Se ele conseguisse a libertação de Bunny, seria recompensado com US$ 100 mil. E para isso recebe uma maleta contendo o US$ 1 milhão exigido pelos sequestradores.

O carro dele, com a maleta milionária no porta-malas, é roubado.

E pouco depois o Dude leva uma porrada feia de empregados de Maude, a filha do Big Lebowski, obviamente de um casamento anterior ao com a garota Bunny. Maude queria de volta o tapete que Dude havia levado embora, como indenização pelo outro no qual o capanga de Treehorn havia feito xixi. Tinha sido presente de sua falecida mãe, e Maude tinha carinho especial por ele.

Maude estava se lixando para o que acontecesse com Bunny, aquela, segundo ela, ninfomaníaca desgraçada – mas queria de volta o US$ 1 milhão que o pai havia retirado da Fundação da família gerida por ela. Estava disposta a recompensar Dude com um décimo daquele milhão se ele conseguisse reavê-lo.

Tudo isso que relatei– todos os diversos episódios dessa trama louquíssima, maluca, fantástica, acontecem até uns 40 e poucos dos 117 minutos de duração do filme.

Aos 40 e poucos minutos do filme, o espectador já se deleitou com, entre outras maravilhas, uma sequência antológica em que, depois de levar uma porrada, o Dude voa sobre Los Angeles – nada no ar, deliciosamente. Até que de repente cai, e entra no oco de uma bola de boliche, e rola dentro dela enquanto ela é lançada rumo aos pinos.

Ainda vai ter muita, mas muita, mas muita surpresa pela frente.

Uma beleza de trilha sonora, com belas canções incidentais

Os filmes dos irmãos Coen sempre têm trilhas sonoras belas, ricas, caprichadas, compostas por Carter Burwell. Nova-iorquino da classe de 1954, Carter Benedict Burwell, 33 prêmios e 112 indicações, inclusive três ao Oscar de trilha sonora original, por Carol (2015), Três Anúncios para um Crime (2017) e Os Bashees de Inisherin (2022), já compôs para filmes de diversos diretores, incluindo Bill Condon, Spike Jonze, James Foley, Brian Helgeland e John Lee Hancock.

Mas com os irmãos Coen, Burwell tem uma relação especial. Ele está para os Coen como Nino Rota para Federico Fellini, Pino Donaggio para Brian De Palma, John Williams para Steven Spielberg.

E, como outros filmes da dupla, este The Big Lebowski traz, além das composições de Carter Burwell, diversas, diversas músicas incidentais, canções conhecidas que integram a trilha. Para selecionar essas canções, contaram com a colaboração de T-Bone Burnett. Nos créditos, os dois nomes aparecem juntos: “Carter Burwell, original music – T-Bone Burnett, musical archivist”.

T. Bone Burnett – como eu escrevi na anotação sobre Cold Mountain, que tem trilha sonora escrita por ele – é uma das figuras mais respeitáveis da música popular americana das últimas décadas. Nascido em 1948, é compositor e instrumentista, participou das bandas Alpha e Guam, tocou guitarra na louca Rolling Thunder Revue de Bob Dylan em meados dos anos 70, mas ficou mais conhecido como produtor. Foi o responsável por discos de diversos artistas, de Roy Orbinson a Elvis Costello e Counting Crows. Foi o produtor do disco da trilha sonora de O Brother, Where Art Thou, o filme dos irmãos Coen de 2000. O álbum – uma maravilha absoluta, acompanhado de um encarte que é uma obra de arte – vendeu cerca de 9 milhões de cópias nos Estados Unidos, deu a Burnett quatro prêmios Grammy, mas, mais ainda do que isso, tornou-se um fenômeno cultural, relançando a moda da folk music da mesma maneira com que havia sido relançada no final dos anos 50 e início dos anos 60 por Pete Seeger, os Weavers, Harry Belafonte, e logo depois por Joan Baez, Bob Dylan, Peter, Paul and Mary, Judy Collins.

Entre as músicas incidentais que Burnett escolheu para The Big Lebowski está, por exemplo, a deliciosa gravação de “Hotel California” pelos Gypsy Kings. (É uma delícia, porque lá pelas tantas The Dude diz que detesta os Eagles…) Há um Elvis Costello, um Creedence Clearwater Revival, é claro – mas, sobretudo, sobretudo, há, em duas ou três ocasiões ao longo do filme, “The Man in Me”, uma das únicas canções, entre as trocentas mil que Bob Dylan escreveu, que é absolutamente alegre. É uma delícia total ouvir Dylan cantando enquanto The Dude-Jeff Bridges nada nos céus de Los Angeles.

Os irmãos Coen se inspiraram em duas pessoas reais

Joel e Ethan Coen se inspiraram em duas pessoas reais para criar o Dude, esse sujeito incrível, fascinante, preguiçoso, sempre chapadão, e sempre levando porrada de tudo quanto é gente que passa por ele. É o que diz a Wikipedia.

Um deles é Jeff Dowd, um produtor de cinema e ativista político que os irmãos Coen conheceram enquanto estavam tentando encontrar um distribuidor para seu primeiro longa-metragem, Gosto de Sangue/Blood Sample (1984). Exatamente como o Dude do filme, Jeff Dowd pertenceu so grupo de ativistas que ficou conhecido como Os Sete de Seattle, gostava de beber o coquetel russo branco e era conhecido como The Dude.

O outro é Peter Exline, um amigo dos irmãos Coen, veterano da Guerra do Vietnã que vivia em um apartamento absolutamente bagunçado e adorava um pequeno tapete que, segundo ele, “compunha muito bem” o ambiente.

É um filme que agrada os espectadores. The Big Lebowski estava, em outubro de 2025, com nota 8,1 no IMDb, média das notas dada por mais de 900 mil leitores do site.

O site agregador de opiniões Rotten Tomatoes mostra que o público, os seres humanos, gostam mais do filme do que os doutos críticos de cinema. Entre os críticos, ele estava com 79% de aprovação; entre os leitores do site, era aprovado por 93%.

O Guide des Films de Jean Tulard, por exemplo, detestou o filme. Aconselha o leitor a procurar outras coisas para ver.

Já os editores do livro 5001 Must-See Movies o incluíram na lista das melhores comédias já feitas. Diz o verbete sobre o filme: “O humor maluco dos irmãos Coen tem prazer com personagens esquisitos – ou personagens normais é que ficam esquisitos. Neste aqui, seu primeiro (e provavelmente único) filme sobre boliche, o melhor companheiro do Dude no jogo, Walter Sobchak (Goodman), é um veterano do Vietnã que atribui cada causa e efeito na vida ao envolvimento dos EUA ‘lá’. Ele faz isso quando está jogando boliche e faz isso quando diz que não está fazendo. Donny (Buscemi), o outro companheiro de boliche, poderia ser esquisito ou normal, mas nunca vamos saber, porque basta ele abrir a boca que provoca a ordem de ‘ficar calado’. Outro tipo esquisito dos Coen é Jesus (Turturro), um latino jogador de boliche com uma rara missão porta a porta. Como o Dude, o filme dos Coen não quer chegar a lugar algum, mas ele garante que estamos felizes por jogar boliche junto com ele.”

O grande Roger Ebert, com o extremo bom gosto dele, é claro que adorou o filme, para o qual deu a cotação máxima de 4 estrelas. Eis o início de seu delicioso texto:

“The Big Lebowski é sobre uma atitude, não uma história. É fácil não perceber isso, porque a história é tão urgentemente perseguida. Envolve sequestro, dinheiro de resgate, uma rainha pornô, um milionário recluso, uma garota fugitiva, a polícia de Malibu, uma mulher que pinta enquanto está nua e presa no alto a um cinto de segurança, e o último ato de discordância entre veteranos do Vietnã e do Flower Power. Tem mais sequências de boliche do que de qualquer outra coisa.

“É um conjunto de trama e diálogos que talvez só os irmãos Coen poderiam conceber. E estou pensando menos na sua claridade em Fargo e No Country for Old Men do que na lógica quase alucinante de Raising Arizona ou The Hudsucker Proxy. Apenas uma mão firme no meio de loucuras permite que eles mantenham tudo junto – isso, e a riqueza delirante de sua abordagem visual.”

Para lembrar: Fargo, de 1996, é o filme imediatamente anterior a este The Big Lebowski na obra dos Coen. Onde os Fracos Não Têm Vez/ No Country for Old Men é de 2007., de 1987, Arizona Nunca Mais/Raising Arizona foi o segundo longa-metragem dos irmãos. E Na Roda da Fortuna/ The Hudsucker Proxy é de 1994.

The Big Lebowski é uma beleza de filme. Os irmãos Coen são extraordinários. Gostaria de rever todos os filmes deles.

Anotação em outubro de 2025

O Grande Lebowski/The Big Lebowski

De Joel e Ethan Coen, EUA, 1998.

Com Jeff Bridges (Jeffrey Lebowski, The Dude),

John Goodman (Walter Sobchak, o grande amigo do Dude),

Julianne Moore (Maude Lebowski, a filha do Big Lebowski).

Steve Buscemi (Donny Kerabatsos, o grande amigo do Dude e de Water),

David Huddleston (Jeffrey Lebowski, o milionário, The Big Lebowski), Philip Seymour Hoffman (Brandt, o secretário do Big Lebowski), Tara Reid (Bunny Lebowski, a jovem mulher do Big Lebowski), Sam Elliott (O Estranho), Peter Stormare, Torsten Voges e Flea (Uli Kunkel/Karl Hungus, Franz e Kieffer, os niilistas), Jon Polito (Da Fino, o detetive particular), Philip Moon e Mark Pellegrino (capangas de Treehorn), Jimmie Dale Gilmore (Smokey, jogador de boliche), Jack Kehler (Marty, o senhorio do Dude), Dom Irrera (Tony, o motorista), Harry Bugin (Arthur Digby Sellers), Jesse Flanagan (Larry Sellers), Leon Russom (o chefe de polícia de Malibu), Warren Keith (Francis Donnelly, o diretor da casa de funeral), Marshall Manesh (o médico), Asia Carrera (Sherry, a atriz pornô), Aimee Mann (a namorada de Franz), Richard Gant e Christian Clemenson (os policiais)

e, em participações especiais, John Turturro (Jesus Quintana, o jogador de boliche), Ben Gazzara (Jackie Treehorn, o produtor de filmes pornô), David Thewlis (Knox Harrington, o amigo esquisito de Maude)

Argumento e roteiro Ethan e Joel Coen

Fotografia Roger Deakins

Música Carter Burwell

“Arquivista musical” T-Bone Burnett

Montagem Ethan e Joel Coen (sob o pseudônimo de Roderick Jaynes) e Tricia Cooker

Casting John S. Lyons

Desenho de Produção Rick Heinrichs

Direção de Arte John Dexter

Figurinos Mary Zophres

Produção Ethan e Joel Coen, Polygram Filmed Entertainment,

Working Title Films.

Cor, 117 min (1h57)

R, ***1/2

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