Desconstruindo Harry / Deconstructing Harry


Nota: ★★★★

Anotação em 1999: Este filme é o Morangos Silvestres de Allen. Ela já havia feito o seu Amarcord em A Era do Rádio, o Crime e Castigo em Crimes and Measdemeanors, o Guerra e Paz em Love and Death – e aqui faz o seu Morangos Silvestres. Como o personagem de Victor Sjöström no Bergman de 1957, o personagem de Allen, Harry, revê sua vida enquanto viaja para receber uma homenagem acadêmica.

Como se trata de Woody Allen, a homenagem é na universidade que o expulsou quando estudante. Há uma cena em que Demi Moore o leva para a casa da irmã dele, e ele assiste a uma conversa, tenta falar, mas é advertido pela personagem de Demi Moore de que a irmã não pode ouvi-lo, que é a mais pura homenagem ao mestre sueco, a citação da cena em que o personagem de Sjöström revê os familiares da sua infância.

aharryDemi Moore interpreta a personagem de um dos muitos livros de Harry, que foi inspirada na primeira mulher dele. O filme mostra as ex-mulheres todas e os diversos amigos sempre em duas versões: a pessoa mesma e o alter-ego dela descrito por Harry em seus livros. Demi Moore interpreta a personagem do livro calcada na sua primeira mulher. Judy Davis faz a segunda mulher. Elisabeth Shue (entre Billy Crystal e Allen na foto) faz a terceira.

Há duas vinganças explícitas contra os que atormentaram o diretor no episódio da separação tenebrosa da Mia Farrow. Ao descer para o inferno, no elevador, e enquanto uma voz anuncia o que há em cada andar, como se estivéssemos numa loja de departamentos, é dito: Quinto andar, mídia – lotado. Depois, na hora em que a polícia chega para prender Harry, no momento em que está sendo recebido na universidade para a homenagem, ele diz: como eu posso ser acusado de seqüestar o meu próprio filho?

Há um modismo narrativo, calcado no que o Godard fez demais, depois de Resnais no Ano Passado em Marienbad: a repetição, por várias vezes, de uma tomada. Ele abre a filme assim, com uma tomada de Judy Davis chegando em um táxi, abrindo a porta, pagando o motorista, dirigindo-se a um prédio. A tomada se repete umas cinco, seis vezes em seguida.

Allen gosta desses modismos. Três ou quatro filmes atrás, abusou da câmara de mão, por exemplo. Acho que ele se diverte com isso.

Desconstruindo Harry/Deconstructing Harry

De Woody Allen, EUA, 1997.

Com Woody Allen, Elisabeth Shue, Demi Moore, Robin Williams, Billy Crystal, Amy Irving, Stanley Tucci, Caroline Aaron, Kirstie Alley, Mariel Hemingway

Argumento e roteiro Woody Allen

Produção Sweetland Films. Lançado nos cinemas nos EUA 12/12/97 e em São Paulo 11/6/99

Cor, 96 min.

10 Trackbacks

  1. […] em um período de obras menores, quando fez O Escorpião Jade. O filme, de 2001 veio depois de Desconstruindo Harry, de 1997, Celebridades, de 1998, Poucas e Boas, de 1999, e Trapaceiros, de 2000. Logo depois viriam […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Manhattan em 22 novembro 2010 às 12:42 pm

    […] Dostoiévski (Crimes e Pecados, O Sonho de Cassandra), de Bergman (Interiores, Neblina e Sombras, Desconstruindo Harry), de Tchécov (Hannah e Suas Irmãs), mas sendo sempre, sobretudo, Woody Allen, começa Manhattan […]

  3. […] o fato de eu nunca ter falado nele – e também, confesso sem qualquer vergonha, o nome de Elizabeth Shue no elenco. Elizabeth Shue é boa atriz, uma bela mulher, com uma aura de grande sensualidade, como […]

  4. […] and Misdemeanours, de 1989; seu Morangos Silvestres/Smultronstället, de Ingmar Bergman, em Desconstruindo Harry/Desconstructing Harry, de 1997; fez seu Oito e Meio, de novo de Fellini, em Memórias/Stardust Memories, de […]

  5. Por Intertextualidade: Bergman em Allen | mfsmariana em 1 Abril 2014 às 8:49 pm

    […] Isak assiste, dentro de uma memória, à sua família almoçando, o personagem de Allen, em “Desconstruindo Harry”, também é homenageado com um título honorário, exatamente como Isak Borg e durante a viagem […]

  6. […] em dois filmes de Woody Allen! Está em Hannah e Suas Irmãs (1986), que revi recentemente, e Desconstruindo Harry (1997). Que estranho eu nunca ter prestado atenção a ela […]

  7. Por 50 Anos de Filmes » Poucas e Boas / Sweet and Lowdown em 25 novembro 2014 às 4:51 pm

    […] situar: Poucas e Boas/Sweet and Lowdown veio depois de Desconstruindo Harry (1997) e Celebridades (1998); depois dele viriam Trapaceiros (2000) e O Escorpião de Jade […]

  8. […] Allen já fez homenagens a Ingmar Bergman (A Outra, Desconstruindo Harry), Federico Fellini (A Era do Rádio, Memórias), Fiodor Dostoiévski (Crimes e Pecados), Liev […]

  9. […] em Crimes e Pecados, o Fellini de Amarcord em A Era do Rádio, o Bergman de Morangos Silvestres em Desconstruindo Harry, o Fellini de Oito e Meio em Memórias, o Kafka de O Processo e O Castelo em Neblina e […]

  10. […] críticos classificaram os filmes que Woody Allen fez entre 1997 – o ano de Desconstruindo Harry, que veio depois do maravilhoso e aclamado Todos Dizem Eu Te Amo – e exatamente 2004, o ano deste […]

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