53 Domingos / 53 Domingos

3.5 out of 5.0 stars

(Disponível na Netflix em 4/2026.)

A gente ri muito, ao longo de quase todos os curtíssimos 78 minutos de 53 Domingos, escrito e dirigido pelo catalão Cesc Gay, o autor dos maravilhosos O Que os Homens Falam (2012) e Truman (2015). Como naqueles filmes, neste drama-comédia sobre vida em família o cineasta fala de assuntos seriíssimos, densos, pesados, de forma leve, bem-humorada, com diálogos gostosos, engraçados, às vezes abertamente hilariantes.

Bem no finalzinho, a gente pára de rir de repente, de imediato. O fim de 53 Domingos é um grande susto, uma danada de uma cacetada, uma porrada feia.

Acho bem difícil que alguém veja esse belíssimo exemplar de bom cinema e, depois, não pare para pensar – um pouco que seja – em sua própria vida, em sua própria família, no jeito de tratar os problemas.

Acho que 53 Domingos pode fazer com que o espectador tome mais cuidado, fique atento.

Algum tempo depois que o filme acabou, e eu ficava pensando nele, me lembrei daqueles que são seguramente os versos mais belos, mais impressionantes que John Lennon escreveu na sua vida tão curta quanto este filme de Cesc Gay: “Life is what happens to you while you’re busy making other plans”. A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.

Quatro ótimos atores, em atuações fantásticas

Todo o tempo em que estão junto, os irmãos Julian, Natalia e Victor – todos ali na faixa dos 50 e muitos anos – ocupam-se em encher o saco uns dos outros. Melindrar, incomodar, chatear uns aos outros. Não que se encontrem amiúde. Não, isso não, Bem ao contrário. Mas, na época em que se passa a ação, está programada uma reunião dos três, a pedido de Natalia, para conversar sobre o pai deles. Com mais de 80 anos, viúvo, ele tem tido problemas, talvez não possa continuar vivendo sozinho. Entre os problemas notados por Natalia estão o fato de que ele andou mostrando o pau para a vizinha e tem se queixado muito de que a lâmpada da casa está tremelicando, o que o incomoda demais.

Julian, Natalia e Victor são representados, respectivamente, por Javier Cámara, Carmen Machi e Javier Gutiérrez, atores veteranos, experientes, talentosos. Na abertura do filme, a quarta personagem central da história, Carol (o papel de Alexandra Jiménez, na foto acima), a mulher de Julián, nos apresenta os irmãos, nos conta a situação.

Os quatro atores são das melhores qualidades deste belo filme. Dão um show de interpretação. Mais uma vez Cesc Gay comprova que é um maravilhoso diretor de atores. E que só trabalha com ótimos profissionais.

O início do filme, em que Carol olha nos olhos do espectador e conta  sobre os irmãos, é absolutamente brilhante. Claro, esse recurso de um personagem olhar para a câmara, e portanto para os olhos do espectador – algo que era rigorosamente proibido pela gramática do cinema até os anos 1950 – tem sido bastante usual nas últimas décadas. Mas eu diria, sem medo de errar, que a forma com que Carol-Alexandra Jiménez fala com o espectador em vários momentos deste 53 Domingos é uma das mais perfeitas utilizações desse recurso que já foram feitas.

Aos 46 anos, Alexandra Jiménez é uma mulher bonita, atraente, e faz uma Carol simpática, alegre, bem-humorada – e perfeitamente à vontade. Ela conversa com o espectador da forma mais casual do mundo, como se fosse velha amiga dele. Não há nada de formal, de ensaiado, de estudado – tudo nela, a voz, o gestual, enquanto caminha pelas ruas, entra numa loja, interrompe a conversa com o espectador para pedir um produto ao vendedor, é absolutamente à vontade, natural, livre leve solto.

(Na foto abaixo, Javier Cámara como Julián.)

“Os irmãos do meu marido têm um assunto para discutir”

A primeira tomada do filme mostra, em close-up, um belo toca-discos; mãos de um velho, que tremem um pouco, tiram um LP da capa e o colocam no aparelho. Ouvimos o início de uma peça erudita, creio que um Liszt, e vão surgindo os créditos iniciais. Tomada geral de uma rua movimentada, com várias lojas. Um suave zoom, e se destaca entre os transeuntes uma mulher bela, elegante, com um sobretudo charmoso.

– “É sexta-feira”, ela diz, “e são quase 7 da tarde. Daqui a pouco os irmãos do meu marido vão lá em casa porque têm um assunto familiar para discutir. Discutir sem dúvida alguma é o termo mais apropriado quando se trata de Julián e seus irmãos.”

Ela entra em uma loja, um pequeno armazém, e pede algo ao atendente. Volta-se diretamente para a câmara, e continua nos contando: – “Julián me disse para não comprar nada, mas como eles vão se reunir… Né? São três. Víctor é o mais velho. (Vemos um porta-retrato com fotos 3 x 4 de três garotos.) Depois vem Natália e por último Julián, que é meu companheiro. (A câmara faz um leve movimento para a esquerda e vemos agora uma foto dos três irmãos já na meia-idade.)”

Carol prossegue:

– “Foi Natalia que insistiu nesse encontro, para conversarem sobre o pai. (Vemos agora um senhor de roupão – o pai dos três é interpretado por  Ricardo Lacámara –, olhando para uma lâmpada que pisca.) Meu sogro tem 89 anos. É viúvo. Ela diz, com razão, que ele não pode mais morar sozinho. Ele anda se perdendo cada vez com mais frequência. E, ultimamente, pegou a mania de mostrar o pênis para as vizinhas.”

Na mesma tomada – um plano americano –, Carol-Alexandra Jiménez muda de expressão ao interromper sua conversa com o espectador e diz para o atendente: – “Mais nada. Quanto te devo?”

Estamos aqui com menos de dois minutos de filme, e ele já me ganhou. (Na foto abaixo, Javier Gutiérrez como Victor.)

O irmão do marido é metido a besta; a irmã, séria, metódica

Carol sai da vendinha e, caminhando na rua, vai nos contando:

– “Então, segundo Natalia, eles têm que tomar uma decisão urgentemente, antes que a coisa piore e aconteça alguma coisa grave. Victor já disse que vai se atrasar. Parece que, como sempre, está atolado no trabalho. (Vemos Victor-Javier Gutiérrez em um escritório, os pés em cima da mesa, lendo um jornal, com todo jeito de quem não tem trabalho algum a fazer..) Victor é casado com Marisa. Têm quatro filhos e dois cachorros. Eles se conheceram muito jovens, na universidade. Depois de muito insistir, começaram a namorar. Ficaram noivos, e Victor acabou deixando-a grávida. (Vamos vendo fotos do casal com a filharada.) O sogro dele é um advogado famoso, importante, e Victor entrou na empresa da família. Embora, até hoje, ninguém saiba direito o que ele faz. (Vemos Victor jogando golfe.) Ele é metido a besta, um fanfarrão, como Julián sempre diz. Um homem que faz tudo o que sua mulher manda, só para manter um status que nunca imaginou que teria.”

E então Carol passa a falar de Natalia.

– “A Natalia é o oposto dos seus irmãos. É uma mulher séria, introvertida, obsessivamente metódica e muito perfeccionista. (Vemos Natália-Carmen Machi no corredor de uma escola, carregando uma pasta em uma das mãos e alguns livros na outra, e depois dando aula.) É uma professora prestigiada e, como se não bastasse, em seu tempo livre escreve artigos e traduz de não sei quantos idiomas. Natalia se casou com Jerônimo; eles têm uma filha. Mas ela nunca foi feliz. Jerônimo sempre a traiu. (Vemos o cara, interpretado por Antonio Márquez, paquerando uma jovem em um bar.) Todos sabemos. Por sorte, Natalia tem uma amiga muito próxima; sempre saem juntas e se dão muito bem. (Vemos Natalia com a amiga, o papel de Miriam Montilla.) A amiga dela é solteira. Não que seja da minha conta, mas Natalia poderia ser menos séria, tão reprimida e, sei lá, se soltar um pouco… Enfim…”

Carol chega a seu apartamento. Havia comprado também flores.

– “Eles quase nunca se juntam, e eu adoro vê-los quando se encontram, discutem, brigam… Sou filha única. Meus pais já faleceram. E agora eles são minha família. E a família é a coisa mais importante, porque o companheiro pode te deixar a qualquer momento. Os amigos vêm e vão, mas a família, os irmãos, eles estão sempre presentes. Eles não sabem a sorte que têm.”

A câmara focaliza em close up o gato do casal; surgem na tela o penúltimo letreiro dos créditos iniciais – “Guion y Dirección Cesc Gay” – e então o título, 53 Domingos. (Na foto abaixo, Carmen Machi como Natalia,)

O cineasta adaptou uma peça dele mesmo, escrita em catalão

Vi depois que o guion, o roteiro, é a adaptação que Cesc Gay fez de sua peça de teatro escrita seguramente em catalão, porque o título é 53 Diumenges.

Este aqui foi o terceiro filme do cineasta catalão que vi, e, como os outros dois, é todo falado em espanhol, e não em catalão. A ação não se passa em Barcelona, e sim em Madri.

Acho isso bem interessante. A ditadura franquista (1929-1975) reprimia duramente o uso do catalão (assim como do basco). Depois da redemocratização, o uso das línguas diferentes do espanhol voltou a ser permitido, é claro. Na música e no cinema, há quem prefira usar o catalão, como prova da autonomia da região – e há quem prefira usar o espanhol, que afinal é uma das línguas mais faladas do mundo, falada em mais de uma dezena de países. O catalão Lluis Llach, excelente compositor e cantor, só usa o catalão. O catalão Juan Manuel Serrat, excelente compositor e cantor, usa basicamente o espanhol – e só canta algumas poucas músicas em catalão.

Cada um, cada um.

Perdão pela digressão, mas não consegui me impedir…

Ator, Javier não teve sucesso na profissão

Bem. Levei 15 parágrafos, quase 70 linhas (se a conta do Word estiver certa), para relatar o inicinho do filme, para transcrever tudo o que falado nos primeiros cinco minutos da narrativa. Gosto de fazer isso, relatar detalhadamente o começo dos filmes, porque a forma com que o realizador conta o início de sua história já define o tom que a obra terá. E porque assim fica aqui o registro da base da trama, para que eu possa me lembrar, e também o eventual leitor que já tenha visto o filme.

Com o iniciozinho devidamente relatado, registrado, fico mais à vontade para apertar a tecla de fast forward, e avançar mais depressa na apresentação da trama e dos personagens.

Victor e Natalia já foram introduzidos – na bela sacada do roteirista e diretor – pela própria mulher do irmão caçula, Javier. De maneira interessante, ela não nos introduz o próprio marido. Veremos logo que Javier é um ator que não teve muita sorte na profissão, não conseguiu boas oportunidades. Depois de algumas peças quando jovem, passou a ter trabalhos só esparsamente; fica claro que é Carol, com seu salário de enfermeira, que paga as contas da casa. Naqueles dias em que se passa a ação, Javier havia conseguido um trabalho – ele faria o papel do tomate em um comercial de gaspacho.

O fato de não ter tido sucesso profissional seguramente explica boa parte da má vontade que o caçula tem pelo irmão mais velho. Sim, OK, Victor ficou rico porque a mulher dele é filha de um advogado famoso, endinheirado – mas o fato é que ele tem vida de rico, enquanto Javier, ao contrário, vive devendo dinheiro aos próprios irmãos.

Veremos que Victor é aquilo mesmo que Carol resumiu – um sujeito metido a besta, um fanfarrão. Demonstra menosprezar o irmão mais novo por ele não ter obtido sucesso profissional e dinheiro.

Natalia, espremida entre os dois, é a que cobra que eles tomem providências quanto ao pai idoso – e com isso os dois machos a têm como a chata que está sempre exigindo providências deles. Haverá até um momento em que Javier e Victor deixarão de lado suas eternas rivalidades para se juntar na cobrança de que a irmã então vá lá na casa do pai e resolva o problema da lâmpada que tremelica.

Os irmãos discutem, brigam, e não resolvem nada sobre o pai

E surge um elemento novo na já estressada relação entre os irmãos. Natalia conta para Javier que Victor escreveu e publicou um romance. Escreveu – diz ela – no seu único dia de folga, o domingo. Levou 53 domingos para escrever. Na opinião dela – que aquilo fique apenas entre os dois, é claro –, o livro é fraco.

Javier fica duplamente irritado, chateado, frustrado, puto dentro das calças com aquela novidade. Em primeiro lugar, pelo fato em si de Victor ter sido capaz de escrever um romance. E, em segundo lugar, por ter falado do livro apenas para Natalia, dado para Natalia um exemplar do livro, e pedido sua opinião. Diabo – pensa Javier –, o cara me desprezou, deve achar que eu não tenho inteligência ou sensibilidade para ler o livro e opinar sobre ele.

Interessante: teoricamente, seria natural que o espectador sentisse simpatia por Javier, esse sujeito que acabou não tendo sorte na profissão, embora tivesse tido a sorte de se casar com essa mulher bela, simpaticíssima que é Carol. Esse sujeito que afinal de contas é espezinhado pelo irmão mais velho, este sim, sem dúvida um babaca, deslumbrado pelo dinheiro que tem por ser – como um dos irmãos define – o mordomo de sua mulher.

Mas, à medida que a narrativa avançava, eu fui perdendo a simpatia por Javier. O cara tem razões para se queixar do irmão, tá certo – mas o fato é que ele vai se revelando um sujeito chato. Não dá para entender muito bem por que aquela gracinha de Carol aguenta o cara.

Mas isso é sensação minha, apenas, e não importa.

O importante é que o estresse entre os irmãos vai se prolongando, se agudizando, diante dos olhos de Carol – e também do espectador, é claro. A reunião prevista para aquela sexta-feira do começo da narrativa não acontece – tinha havido um mal-entendido, o encontro havia sido marcado para o sábado. No sábado só Natalia aparece – e é nessa oportunidade que ela fala para Javier do romance escrito por Victor.

A reunião dos três acaba acontecendo só na semana seguinte – mas os irmãos se perdem nas questiúnculas entre eles, e não decidem absolutamente nada sobre o pai.

O tempo vai passando.

E vai indo assim até que vem o fato que deixa o espectador travado, chocado.

Cesc Gay cria belas histórias e é mestre na direção de atores

Francesc Gay i Puig é de Barcelona, da classe de 1967 – a mesma de Benicio Del Toro, François Ozon, Mathieu Kassovitz, Julia Roberts, Nicole Kidman, O ano em que Carlos Saura lançou seu quarto longa-metragem, Peppermint Frappé. Estava portanto com oito anos de idade quando morreu o ditador Francisco Franco e se iniciou o processo de redemocratização da Espanha.

Estudou cinema na EMAV (Escuela Municipal de Audiovisuales de Barcelona), e estreou como diretor em 1998. Quando vimos este 53 Domingos, seu 12º longa-metragem, o cineasta acumulava 50 prêmios e 41 indicações. Só ao Goya, o prêmio da Academia Espanhola, teve sete indicações, que resultaram em duas vitórias – melhor roteiro original, com Tomàs Aragay, e melhor direção, ambos por Truman.

Lançado mundialmente pela Netflix em 27 de março de 2026, 53 Domingos ainda não havia iniciado sua passagem por festivais quando o vimos.

Com base nos três de seus 12 filmes que já vi, dá para afirmar que Cesc Gay é um cineasta que fala de relações afetivas entre pessoas simples, comuns – nem gente famosérrima ou miliardária, nem super-homens, nem bandidos, e sim gente como a gente. Seus personagens são em geral da classe média, adultos, chegando à meia-idade ou solidamente já instalados nela.

Seu estilo, o jeito de sua câmara se mover, é tudo sóbrio, tranquilo, sem muitos criativóis, firulinhas formais. E ele tem dois especiais talentos: o de criador de histórias e personagens interessantes, envolventes, e o de mestre na direção de atores. Acho que daria para dizer que, lá da sua nuvem, Elia Kazan, um dos melhores diretores de atores da História do cinema – seus filmes renderam 24 indicações ao Oscar a 21 atores, que levaram a nove premiações – aplaude o catalão. “O rapaz leva jeito”, deve pensar o mestre grego.

Se pinta uma oportunidade de fazer uma tabelinha, aproveito. E então lá vai. Aqui estão alguns filmes de três dos ótimos atores deste 53 Domingos:

Javier Cámara

(La Rioja, 1967)

Carmen Machi

(Madri, 1963)

Alexandra Jiménez

(Zaragoza, 1980)

Fale com Ela/Hable con Ella (2002) Fale com Ela/Hable con Ella (2002) 100 Metros (2016)
O Que os Homens Falam/Una Pistola en Cada Mano (2012) O Bar/El Bar (2017)

Thi Mai/Thi Mai, Rumbo a Vietnam (2017)

Gente que Vai e Volta/Gente que Viene y Bah (2019)
Viver é Fácil com os Olhos Fechados/Vivir es Fácil Con los Ojos Cerrados (2013) Criminal: Espanha/Criminal: España (2019) O Inocente/El Inocente (2021)
Truman (2015) Vida Perfeita/Vida Perfecta (2019-2022) Xeque-Mate – O Jogo da Vida/Menudas Piezas (2024)
A Ausência Que Seremos/El Olvido Que Seremos (2020) O Jogo da Viúva/La Viuda Negra (2025) Dormindo Com Seu Ídolo/Buscando a Coque (024)

Eis aí um bando de filmes bons. Comprovam minha teoria de que hoje o cinema espanhol é o segundo melhor do mundo, atrás apenas do feito nas Ilhas Britânicas.

Gostaria de ver outros filmes desse Cesc Gay. O cara é muito bom.

Anotação em abril de 2026

53 Domingos/53 Domingos

De Cesc Gay, Espanha, 2026.

Com Javier Cámara (Julián, o irmão caçula),

Carmen Machi (Natalia, a irmã do meio),

Javier Gutiérrez (Víctor, o irmão mais velho),

Alexandra Jiménez (Carol, a mulher de Julián)

e Ricardo Lacámara (o pai dos três irmãos), Rosa Vivas (Marisa, a mulher de Víctor), Carla Soto (filha de Víctor), Leyre Soto (filha de Víctor),Pedro Miguel Martínez (o sogro de Víctor), Antonio Márquez (Jerônimo, o marido de Natalia), Miriam Montilla (a grande amiga de Natalia), Sergio Pozo (o pai quando jovem), Isabella Álvaro (Natalia criança), Axel Cañedo (Julián criança), Adrián Gámiz (Víctor criança), Susana Cano (Natalia adolescente), David Vaquerizo (Julián adolescente), Rodrigo Gibaja (Víctor adolescente)

Argumento e roteiro Cesc Gay

Baseado na peça teatral “53 Diumenges”, de Cesc Gay

Fotografia Andreu Rebés

Música Arnau Bataller

Desenho de produção Arnau Bataller

Casting Mireia Juarez

Produção Laia Bosch, Marta Esteban, SundayFilm, Impossible Films.

Cor, 78 min (1h18)

***1/2

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