A Cor do Dinheiro / The Color of Money

Nota: ★★★☆

A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese, de 1986, é um belo filme, indiscutivelmente. Tem – creio que dá para dizer isso com muita segurança – as mais belas tomadas que o cinema já fez do jogo de bilhar, essa paixão de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo.

Reúne dois dos atores mais competentes, mais famosos – além de mais charmosos, mais belos – da História do cinema, o então jovem de tudo Tom Cruise e o veterano Paul Newman, em atuações excepcionais. Pela sétima vez, Paul Newman foi indicado ao Oscar de melhor ator – e, pela primeira e única vez, levou o prêmio.

É um Martin Scorsese legítimo – vem com o selo de garantia de grande cinema, e faz jus a ele.

Tem um visual deslumbrante, e movimentos de câmara de deixar os cinéfilos sem fôlego.

É um caso raro de filme que retoma um personagem já mostrado muitos, muitos anos antes: o ás do bilhar Eddie Felson, interpretado então pelo jovem Paul Newman, foi o protagonista de um filme que se tornou um clássico, The Hustler, no Brasil Desafio à Corrupção, um filmaço de 1961 dirigido pelo grande Robert Rossen.

Quando finalmente escrevi sobre The Hustler, em 2011, exatos 50 anos após seu lançamento, escrevi:

“Sucesso de crítica e público, nove indicações ao Oscar, duas vitórias, 14 prêmios no total, The Hustler ajudou a consolidar Paul Newman como grande astro, e virou cult para muita gente que não conhece nenhum outro tipo de cult movie. Primeiro filme sobre o mundo do bilhar, da sinuca, é objeto de admiração, veneração, de gerações de aficionados pelo jogo – e são muitos milhares. Um jogador que já era famoso na época, tido como um dos melhores dos Estados Unidos, mudou oficialmente seu nome para o de um dos personagens da história, Minnesota Fats.

“O grande Martin Scorsese, apaixonado pelos belos filmes (refilmaria Círculo do Medo/Cape Fear, daquela mesma época), filmou a continuação de Desafio à Corrupção, A Cor do Dinheiro, exato um quarto de século depois, em 1986, com Paul Newman vivendo seu mesmo personagem original, 25 anos mais velho.

“Uma lenda.

“Para mim, pessoalmente, Desafio à Corrupção sempre foi uma lenda. Foi um daqueles filmes de que ouvi falar muito, demais, quando era garoto, adolescente, mas não pude ver por causa da censura por faixa etária. Sabia toda a história, contada pelos irmãos mais velhos, via as fotos nas revistas, nos jornais – mas não podia ver o filme. Por uma dessas pequenas armadilhas do destino, nunca tive a oportunidade de ver The Hustler – nem em reestréias, nem na TV, nem no vídeo. Só vim vê-lo agora, outro quarto de século depois de ter visto e revisto A Cor do Dinheiro.

“Confesso que vi The Hustler como um beatlemaníaco fanático vê um show de Paul McCartney, um sinatrista de carteirinha amarelecida vê um show de The Voice.”

Pois é.

Ao rever A Cor do Dinheiro mais uma vez agora, para finalmente escrever sobre ele, me surpreendi por me perceber um tanto perplexo, com sensações conflitantes. Os tais mixed feelings de que se fala em Inglês, essa língua danada para ter palavras e termos mais expressivos que as outras, inclusive a nossa maravilhosa, a inculta e bela.

Um mundo podre, viciado, corrupto

 Não tem nada a ver com a qualidade do filme. É outra coisa. É visão de mundo. Escala de valores.

Diacho: é um bando de personagens que só pensam em dinheiro, ostentação, coisas materiais. Disputa, concorrência, eu versus o outro. Não há, nesse mundo de Eddie Felson, qualquer espaço para solidariedade, amizade, para qualquer sentimento que seja bom, positivo, pra cima. É tudo concorrência, ser melhor que o outro, vencer o outro. Ferrar o outro, sacanear o outro, enganar, trapacear. Levar vantagem.

É tudo a Lei de Gerson, quero levar vantagem em tudo. É tudo o que é o pior na sociedade capitalista, é tudo o que os que defendem a destruição da sociedade capitalista usam para condená-la, porque são valores de fato desprezíveis, mesquinhos, desumanos, abjetos, nojentos.

O mundo de Eddie Felson é a concentração, o exagero, a hiperbolização de tudo o que de pior pode existir numa sociedade: ambição, apego ao dinheiro, aos objetos, individualismo, egocentrismo, indiferença. A total ausência de empatia.

Os valores de Eddie Felson são de causar náusea a qualquer pessoa que tenha algum tipo de boa intenção na vida.

Rever A Cor do Dinheiro agora realmente me deixou afundado em mixed feelings. De um lado, a admiração pelo belíssimo, magnifico cinema. De outro, um profundo mal-estar diante de tamanha exposição de uma escala de valores que é exatamente a antítese da que sempre admirei.

Um mundo podre, viciado, corrupto, maléfico, egoísta, egocêntrico. Abjeto, nojento, asqueroso.

Um garotão fascina o trapaceiro aposentado

Não me lembrava, de jeito nenhum, da pequena mas importantíssima participação de Forest Whitaker, o grande Forest Whitaker, quando ainda estava em início de carreira.

Ele aparece em uma única sequência do filme, quando já passamos bastante da metade dos 119 minutos de duração.

É o momento da virada completa da cabeça de Eddie Felson.

Eddie Felson não jogava bilhar para valer havia muito, muito, muito tempo, como ele havia dito ao garoto prodígio Vincent (o papel de Tom Cruise, aos 24 anos de idade, rosto de garoto de 18) e à namorada dele, a bela, gostosa, ambiciosa, venenosa Carmen (Mary Elizabeth Mastrantonio, então com 28 anos de idade, uma das melhores coisas do filme).

Não é dito com todas as letras – há apenas uma menção bastante cuidadosa que Eddie faz ao fato –, mas quem viu Desafio à Corrupção/ The Hustler percebe que ele não jogava desde que teve suas mãos quebradas, 25 anos antes, por uns brutamontes que ele enganou.

Nesses 25 anos decorridos desde os fatos do primeiro filme até os mostrados aqui, Eddie Felson dedicou-se à arte de ganhar muito dinheiro. A rigor, a rigor – a não ser que eu não tenha percebido alguma coisa –, não se explica muito bem como, afinal de contas, ele ganhou tanto dinheiro, entre 1961, quando teve as mãos quebradas em vingança por ter trapaceado, e 1986. Parece viver de vender bebida – e trapacear na venda de bebida, oferecendo gato por lebre. Ele mesmo menciona que em parte ganhou dinheiro com a venda de bebida, em parte com investimentos.

O fato é que, quando a narrativa de A Cor do Dinheiro começa, Eddie está cheio da grana, namorando uma bela mulher que gerencia um bar que tem mesas de bilhar, e, paralelamente, se diverte apostando num rapaz bom de taco, um tal Julian (o papel de outro bom ator então iniciante, John Turturro).

Julian, que Eddie considerava bastante bom, leva surras homéricas de um garotão atrevido, metido, com todo jeito de um absoluto babaca – Vincent, o papel de Tom Cruise.

Bastante contra sua vontade, malgré lui-même, para usar outra expressão que tem enorme força sem tradução direta e reta em Português, Eddie começa a prestar atenção ao rapaz, e percebe que ele tem imenso talento no bilhar – embora seja um absoluto bobo, um bocó, quase um idiota.

O talento de Vincent é tão grande, tão avassalador, que Eddie resolve apostar nele. Investir nele. Ensinar para ele os truques, a arte de ganhar rios de dinheiro trapaceando nos salões de bilhar.

Abandona tudo – a venda de bebidas, o namoro com a doce Janelle (Helen Shaver), a promessa que havia feito a ela de passarem uma temporada nas Bahamas –, para viajar com Vincent e Carmen por cidadezinhas com salões de bilhar, até chegar a Atlantic City, aquela espécie de Las Vegas da Costa Leste, o lugar de um torneio nacional de bilhar.

A idéia básica é simples: trapacear. Chegar a um salão, identificar quem ali tem dinheiro para apostar e vontade de provar que é bom; jogar com ele, perder, perder, perder, para que o pato, o bobo, a vítima, se sinta absolutamente, absolutamente seguro – e então propor uma aposta de valor bem alto, derrotar o idiota e levar sua grana.

Trapaça. Verbo to hustle, substantivo hustler para o agente, o cara que faz aquilo que o verbo significa, o trapaceiro.

O ex-grande trapaceiro é trapaceado

Ao longo da viagem, Eddie Felson, uma lenda quando jovem, vai ficando com vontade de tentar de novo.

Cresce nele uma irresistível inveja do garotão Vincent. Aumenta a vontade de saber se conseguiria jogar bem de novo, depois de tanto tempo.

E aí, numa noite lá quando o filme está bem passado da metade, vai sozinho, sem Vincent e sem Carmen, a um salão, para se testar. Para ver como se sai. Para ver se ainda consegue ser o velho trapaceiro de sempre.

É quando vemos a sequência em que ele enfrenta um negro grande, gordo, que fala demais, e fala muita asneira. Chama-se Amos aquele personagem que o pessoal do casting teve a esperteza de dar a Forest Whitaker, esse ator estupidamente talentoso.

Na sua tentativa de voltar a ser trapaceiro, Eddie perde de propósito algumas partidas para Amos. Os dois vão dobrando o valor da aposta a cada jogo. Quando o valor está bem alto, Amos arrasa com Eddie Felson, The Hustler.

– “Are you a hustler?”, ele pergunta, atônito, vencido, perdido.

Ele faz a mesma pergunta umas três ou quatro vezes. Você é um trapaceiro?

Você é o que eu era, o que eu já fui?

Amos-Forest Whitaker não diz nem sim, nem não. Não precisa. Pega a montanha de notas do ex-grande trapaceiro e se manda.

Don’t bullshit a bullshitter – essa é outra maravilhosa expressão que não tem uma tradução tão forte. Nunca sacaneie um sacana.

A expressão não é dita no filme, mas fica passando pela cabeça da gente na sequência que é talvez a mais forte, a mais significativa do filme. Eddie Felson-Paul Newman, atônito, perdido, inteiramente perdido, não consegue se conformar com o fato de que foi trapaceado por um trapaceiro profissional – ele, que havia sido o melhor trapaceiro profissional no seu tempo!

As almas mais absolutamente puras, nobres, magnânimas, essas poderiam talvez interpretar que, afinal, a partir dali, a partir daquele momento, quando a partida está ali pelos 30 minutos do segundo tempo, Eddie Felson, um trapaceiro durante toda a vida, resolve mudar. Resolve deixar a trapaça de lado, e ser verdadeiro, honesto

Tenho nítida na memória minha sensação de alegria quando Eddie Felson pronuncia a frase: – “I’m back!” Estou de volta!

Quando vi o filme pela primeira vez, na época do lançamento, no Cine Gemini, na esquina de Paulista com Joaquim Eugênio de Lima, adorei aquilo.

Hoje, bem velho, bem mais velho do que Paul Newman estava quando fez esse Eddie Felson velho (ele estava com 61), não tive a mais leve simpatia por qualquer um daqueles personagens.

Não tenho qualquer simpatia por bandidos – seja os que usam metralhadoras, sejam os que furtam carteiras sem a mínima violência.

Não tenho a menor simpatia por bandidos, trapaceiros, mentirosos.

Não tenho nada a ver com essa turma.

O escritor é também o autor de O Gambito da Rainha

Walter Tevis (1928-1984) escreveu cerca de 25 contos e seis romances. The Hustler foi o primeiro romance, publicado em 1959. The Color of Money é de 1984 – Hollywood, portanto, levou apenas dois anos para transformar cada um  dos livros sobre o jogador de bilhar Eddie Felson para a telas.

Outro de seus livros é The Man Who Fell to Earth, de 1963, que deu origem ao filme com o mesmo título, lançado aqui com a tradução literal, O Homem que Caiu na Terra, de 1975, dirigido por Nicolas Roeg com David Bowie em uma de suas incursões como ator no cinema.

Em 1983 Walter Tevis lançou The Queen’s Gambit, que deu origem à minissérie de 2020 que tem feito imenso sucesso no mundo todo, inclusive o Brasil. Eu não tinha interesse algum em ver a série, mas agora que fiquei sabendo que se baseia em livro do autor de The Hustler e The Color of Money estou com vontade de ver a adaptação para a TV…

Consta que Walter Tevis era um fumante e um bebedor de álcool em quantidades imensas, industriais. Consta inclusive que, com o dinheiro que ganhou vendendo os direitos de adaptação de The Hustler para o cinema ele tirou longas férias com a mulher, Jamie, no México, onde – segundo ele mesmo disse depois – ficou bêbado durante oito meses. Nos anos 70, curou-se do vício, com a ajuda dos Alcoólicos Anônimos. Jamie Griggs, que ficou casada com ele por mais de 20 anos e deu a ele um casal de filhos, lançou em 2003 uma autobiografia com o título My Life with the Hustler, minha vida com o trapaceiro.

A trilha sonora de A Cor do Dinheiro é de Robbie Robertson, o canadense que foi o guitarrista, pianista e vocalista de The Band, o ótimo grupo de rock. Martin Scorsese sempre teve boa ligação com a música, com o rock, com The Band: ele dirigiu o documentário The Last Waltz, no Brasil O Último Concerto de Rock, de 1978 – as apresentações de despedida do conjunto, recebendo uma plêiade de grandes nomes, de Eric Clapton a Emmylou Harris, de Joni Mitchell a Ringo Starr, passando, claro, por Bob Dylan, que havia gravado e excursionado com o grupo. (É bom lembrar que mais tarde Scorsese faria um maravilhoso documentário sobre Bob Dylan, No Direction Home: Bob Dylan, de 2005, e um sobre George Harrison, George Harrison: Living in the Material World (2011).

Além de criar composições para o filme, Robbie Robertson selecionou, seguramente com a ajuda do próprio Scorsese, uma dúzia de canções que aparecem no filme como música incidental – tocando no rádio do Cadillac de Eddie Felson, ou no rádio de um dos muitos salões de bilhar que os personagens frequentam.

A imensa maior parte dessas músicas são de rock e pop, mas há um momento em que se pode ouvir o saxofonista Charlie Parker tocando “I’ll Remember April”. O IMDb chama a atenção para esta coincidência: dois anos depois do lançamento de A Cor do Dinheiro, Forest Whitaker, já então bem conhecido do público, interpretaria Charlie Baker no filme Bird, dirigido por um sujeito apaixonado por jazz, Clint Eastwood.

         Pauline Kael diz que tudo fica chato no final

Cada cabeça, uma sentença. Para mim, depois de levar uma sova de Amos, o gordão que falava como um bocó, Eddie Felson resolve mudar de vida, passar a ser verdadeiro, honesto. Dame Pauline Kael, a prima donna da crítica americana, acha que a partir daí Eddie Felson, Paul Newman e o filme perdem a graça.

“Este filme de Martin Scorcese retoma Paul Newman como Fast Eddie Felson, 25 anos depois do final de Desafio à Corrupção (1961), filme de Robert Rossen, em que Eddie, novo campeão de sinuca, abandona o jogo para não comprometê-lo, submetendo-o ao empresário corrupto que o bancou. Agora ele é um grisalho negociante de bebidas em Chicago que dirige seu Cadillac e usa um fino bigode e boas roupas, um malandro cínico e simpático que banca jovens jogadores de sinuca (em troca de 60% dos ganhos). Quando encontra o bisonho e presunçoso novato Vincent (Tom Cruise), faz um acordo para treinar o garoto. Newman sorridentemente diabólico mostra que seu prazer em representar é inseparável da arte da malandragem de Eddie, e, com a ajuda do pungente diálogo de submundo de Richard Price, que escreveu o roteiro, conduz muito bem a ação. O filme poderia ter sido um clássico popular, se ficasse no nível de descaramento atingido em suas melhores sequências. Mas lá pela metade Fast Eddie tem uma crise de consciência, ou alguma coisa assim, e quando cerra os dentes e decide tornar-se um homem puro e íntegro, a atuação de Newman perde a graça, que (apesar dos esforços de um monte de bons atores) é a única coisa viva do filme, a não ser por uma breve e surpreendente atuação do ator negro Forest Whitaker, de 25 anos, como um jogador cobra chamado Amos.”

Leonard Maltin deu ao filme 3 estrelas em 4. “Sequência de The Hustler feita de maneira afiada, com bom textura, com o Fast Eddie Felson de Newman descobrindo uma versão de si mesmo mais jovem, mais verde, no personagem de Cruise, que ele decide promover às grandes ligas. Roteiro durão de Richard Price, direção chamativa de Scorsese, trabalho de câmara extravagante de Michael Balhaus, e atuações de primeiríssima de Cruise e especialmente de Newman fazem deste um filme obrigatório… embora a segunda metade do filme seja longa demais e desapontadora, com a espera por um clímax que nunca chega. Newman finalmente ganhou o prêmio da Academia por seu ótimo trabalho.”

O grande Roger Ebert se mostrou decepcionado com o filme, ao qual deu apenas 2.5 estrelas em 4. Ele começa assim sua longa análise: “Se esse filme tivesse sido dirigido por alguma outra pessoa, eu poderia ter pensado sobre ele de maneira diferente, porque não teria tido tanta expectativa. Mas The Color of Money é dirigido por Martin Scorsese, o mais emocionante diretor americano em ação, e ele não é um filme emocionante. Não tem a eletricidade, a tensão de seus melhores trabalhos, e por isso fiquei muito ciente da história que se passava.”

O Guide des Films do francês Jean Tulard faz um avaliação mais positiva de La Couleur de l’Argent, que ganhou 3 estrelas em 4: “Continuação bem sucedida de L’arnaqueur de Rossen: Newman retoma seu personagem mais envelhecido e a transferência se opera no de Tom Cruise. Mas onde Rossen fazia sobretudo um filme noir, Scorsese privilegia uma reflexão sobre o jogo. Jamais entediante, p filme é plasticamente notável.”

Ah, isso ele é mesmo. Plasticamente notável, deslumbrante.

Anotação em março de 2021

A Cor do Dinheiro/The Color of Money

De Martin Scorsese, EUA, 1986

Com Paul Newman (Eddie Felson),

Tom Cruise (Vincent),

Mary Elizabeth Mastrantonio (Carmen)

e Helen Shaver (Janelle), John Turturro (Julian), Bill Cobbs (Orvis, dono do salão Chalkie’s), Keith McCready (Grady Seasons), Bruce A. Young (Moselle). Forest Whitaker (Amos)

Roteiro Richard Price

Baseado no romance de Walter Tevis

Fotografia Michael Ballhaus

Música Robbie Robertson

Montagem Thelma Schoonmaker

Direção de Arte Boris Leven

Figurinos Richard Bruno

Produção Irving Axelrad, Barbara De Fina, Touchstone Pictures, Silver Screen Partners II. DVD Buena Vista Home Entertainment.

Cor, 119 min (1h59)

Disponível em DVD.

R, ***

 

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