O Segredo das Jóias / The Asphalt Jungle

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Nota: ★★★½

O Segredo das Jóias, no original The Asphalt Jungle, de John Huston, de 1950, é um dos maiores clássicos do cinema policial, e um dos melhores e definitivos filmes sobre assalto que já foram feitos.

Dele posso repetir – fazendo alterações mínimas – o que escrevi sobre outro clássico, Rififi/Du Rififi Chez les Hommes, que o americano Jules Dassin fez na França em 1955:

É a história, ou melhor, a radiografia de um grande assalto, desde os antecedentes, os preparativos, até tudo o que ocorre depois. É da mesma linhagem nobre, portanto, de outros belos filmes: o citado Rififi. O Grande Golpe/The Killing, que Stanley Kubrick lançou em 1956. Homens em Fúria/Odds Against Tomorrow, de Robert Wise, de 1959. Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias, de 1962.  Os Sicilianos/Le Clan de Siciliens, de Henri Verneuil, de 1968. O Círculo Vermelho, de Jean-Pierre Melville, de 1970. O princípio, em todos eles, é o mesmo: a anatomia de um crime, de um grande assalto.

Acho que dá para dizer que todos esses grandes filmes foram influenciados por The Asphalt Jungle, o precursor.

Ao rever o filme agora, depois de muitos anos, algumas características me impressionaram especialmente. Como são bem construídos os personagens todos. Como há uma imensa riqueza de detalhes. Como são maravilhosamente bem escritos os diálogos.

Um criminiso inteligente, Doc, tinha o plano perfeito para assaltar a joalheria

Seria bom apresentar antes uma sinopse curta mas abrangente, bem feita. Vou tentar adaptar o resumo escrito no IMDb pelo especialista carioca Claudio Carvalho:

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Imediatamente após ter cumprido longa pena na prisão, o criminoso Erwin Riedenschneider, conhecido pelo apelido de Doc, de doutor, devido à sua inteligência (o papel do ótimo Sam Jaffe), planeja executar um grande assalto a uma joalheria, que vinha planejando fazia tempos, desde antes de ser preso. Calcula que as jóias poderão render até USS 1 milhão. Precisa de um capital de US$ 50 mil para pagar um pequeno grupo de especialistas, e para obtê-lo procura Cobby (Marc Lawrence), o dono de um pequeno cassino clandestino para todos os tipos de aposta. Como Cobby acha a quantia alta, o próprio Doc sugere a Cobby contatar Emmerich, um advogado rico e famoso da cidade (Louis Calhern), que tem negócios ilícitos com o bookmaker.

Para executar o assalto, Doc contrata um perito em arrombar cofres, Louis Ciavelli (Anthony Caruso); um motorista, Gus Minissi (James Whitmore, à esquerda na foto abaixo), que é dono de um pequeno bar; e um pistoleiro, Dix Handley (Sterling Hayden, à direita na foto abaixo).

O grupo consegue entrar na joalheria e pegar as jóias. Mas, apesar de todos os cuidados, um alarme é disparado, diversos carros de polícia vão para o lugar, um guarda surge no caminho deles e, antes de ser abatido por Dix, acerta um tiro em Louis.

O ferimento – muito grave – em um dos quatro homens envolvidos no serviço é apenas um dos vários problemas que surgirão. Sem avançar muito para não dar spoiler, basta dizer que Emmerich, que havia prometido ser o financiador do golpe e o contato com receptadores de jóias, está falido – seu estilo de vida luxuoso, que inclui uma segunda casa onde mantém uma jovem e linda amante, Angela, o deixou quebrado.

O roteiro conciso, precioso, preciso de John Huston e de Bem Maddow (baseado em um romance do escritor e roteirista W. R. Burnett), mostrará também as ações da polícia – um comissário duro, severo, Hardy (interpretado por John McIntire), e um tenente venal, corrupto, Ditrich (Barry Kelley).

O nome da atriz que faz Angela, a jovem e linda amante do advogado-bandido rico-falido não aparece nos créditos iniciais, e o filme não tem, ao final, aquela relação dos nomes dos personagens e dos atores, o cast of characters.

zzsegredo2Os créditos iniciais são bem curtos, ainda mais sintéticos do que o normal naquela época – e o normal eram mesmo créditos rápidos. Só aparecem dois letreiros com os nomes dos atores. No primeiro estão os nomes de Sterling Hayden, que faz Dix, sem dúvida o personagem central da história, e o de Louis Calhern, um ator bastante conhecido na época. Num segundo letreiro aparecem, pela ordem: Jean Hagen, James Whitmore, Sam Jaffe, John McIntire, Marc Lawrence e Barry Kelley.

Na verdade, não compreendo por que Sam Jaffe, o veterano ator que interpreta Doc, não aparece com a mesma importância de Sterling Hayden e Louis Calhern (o terceiro da esquerda para a direita na foto abaixo). Ele é sem dúvida o segundo personagem mais importante da história, o que mais aparece na tela.

Bem, mas o fato é que, em momento algum – repito, para dar ênfase que a rigor nem é necessária –, aparece na tela o nome de Marilyn Monroe, que faz Angela, a amante jovem e linda.

Marilyn Monroe aparece em apenas duas sequências do filme. Falo dela mais adiante.

“O crime é apenas uma forma degenerada de esforço humano”

Personagens muito bem construídos.

Tome-se, por exemplo, o bookmaker, o dono do lugar de apostas, Cobby. Marc Lawrence, o ator que o interpreta, tem o tipo físico perfeito: é magrinho, pequenino, tem um bigodinho fino. Cobby é daquele tipo que trata muito mal quem é pobre ou está na pior – e bajula abertamente quem tem mais dinheiro ou pose do que ele. Paga propina para o tenente Ditrich deixá-lo em paz com seu negócio ilegal, e por isso se julga inalcançável pela lei. Sua no rosto, na careca, quando pega em dinheiro – um dos muitos pequenos detalhes de uma narrativa cheia de pequenos detalhes interessantes.

Cobby – o espectador percebe desde logo – na verdade é um fraco, um frouxo, além de mau caráter. Uns tapas do tenente Ditrich bastarão para acabar com sua banca.

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Louis Ciavelli, o expert em cofres, é isso mesmo, um expert, um especialista, um homem que tem um talento excepcional, orgulha-se dele e vive dele. O fato de que sua expertise é um crime parece para ele não ter a menor importância. É um bom pai de família, sempre preocupado com o filhinho. E forma, com a mulher, Maria (Teresa Celli), uma perfeita família italiana, religiosa – católica, é claro – e com muitos amigos.

Talvez o personagem de Louis Ciavelli seja o que mais claramente mostra essa coisa de que há momentos, circunstâncias, em que a fronteira entre os dois lados da lei fica difícil de se ver – e há pessoas que têm de fato dificuldade de enxergar essa fronteira. Num dos muitos diálogos fantásticos do filme, haverá uma frase apavorante. Acontece num raro momento em que o advogado Emmerich está dando um pouco de atenção a sua mulher, May (Dorothy Tree). Ele conta que recebeu uma notícia ruim, uma morte, um assassinato. Aí a mulher, uma dondoca hipocondríaca, diz: – “Quando penso nessa gente horrível com que você tem contato… criminosos de verdade… fico com muito medo.”

Ao que Emmerich responde: – “Ah, não há nada tão diferente assim neles… A rigor, o crime é apenas uma forma degenerada de esforço humano”.

Credo em cruz.

Doc, o sábio, o doutor do crime, é apaixonado pelas mulheres

Belissimamente construído é também o personagem de Doc, o cérebro, o doutor do crime, o homem que planeja em detalhes como entrar na joalheria usando o túnel de esgoto próximo ao prédio. Erwin Riedenschneider – evidentemente, um imigrante alemão. Homem metódico, disciplinado, organizadíssimo – afinal, é alemão. Faz questão de se vestir bem, impecavelmente. É educado, gentil, atencioso – parece, em tudo por tudo, um perfeito homem honesto, cumpridor de seus deveres, bom pagador de impostos. Mas tem uma paixão na vida: mulher.

zzsegredo7Doc está na sala de Cobby, o bookmaker; Cobby sai para dar um telefonena numa outra sala. Doc percebe de longe que, numa das paredes, há uma folhinha com fotos de mulheres, e vai até lá. Examina as fotos com imensa atenção e prazer. Outro detalhe saboroso num filme que dá especial atenção aos detalhes.

Assim que pode, visita uma profissional. E é através dela que fica sabendo que o advogado Emmerich, com toda sua banca, sua figura imponente, seu casarão com seis criados, está falido.

E será por causa de um rabo de saia que Doc, enfim, se perderá, quase no finalzinho de 112 minutos de belo cinema.

Selva de asfalto, selva de pedra, em contraposição ao meio rural de Dix

O espectador tem elementos para conhecer um pouco até de Bob Brannom, um personagem tão secundário que o ator que o interpreta, Brad Dexter, não tem seu nome nos créditos iniciais. Bob Brannom é um detetive particular que trabalha para ao advogado Emmerich. É um sujeito que se tem em altíssima conta, se julga superior aos outros – e é racista. Quando Dix e Doc vão se encontrar com Emmerich, após o assalto, Bob está junto do advogado ricaço-falido. Ele trata Doc por Fritz e Dix de fazendeiro – ambas formas ofensivas a eles.

Ao ameaçar atirar em Dix, diz o seguinte: “Se ele fizer um gesto errado, nunca mais vai poder encher uma pá de esterco”.

O fato de Dix ser um sujeito que veio de área rural, de ter sido criado em fazenda, é mencionado várias vezes ao longo da narrativa. É o que justifica e explica o título original, The Asphalt Jungle, a selva de asfalto. Selva de asfalto, selva de pedra. É a contraposição ao ambiente rural do qual Dix sente imensa saudade, para o qual ele sonha em retornar, assim que conseguir juntar algum dinheiro.

Como todo filme noir, The Asphalt Jungle é um filme urbano, urbanóide, urbaníssimo – a começar pelo título. Mas John Huston faz questão de não dar nome à cidade em que se passa toda a ação. É para indicar que aquilo poderia acontecer em qualquer grande cidade. Fala-se apenas que é no Meio-Oeste, mas o Meio-Oeste americano é imenso, nele caberiam dezenas de países europeus.

O título original foi seguido à risca – pelo que informa o IMDb – na Espanha e na Itália, respectivamente La Jungla de Asfalto e Giungla d’asfalto. Os exibidores franceses, que de vez em quando tomam Criativol, criaram: lá o filme – que deve ter sido visto várias vezes pelos jovens que no final daquela década criariam a nouvelle vague – chamou-se Quand la Ville Dort. Os exibidores portugueses volta e meia copiam os franceses, e lá The Asphalt Jungle se chamou Quando a Cidade Dorme.

Mas no quesito criatividade ninguém bate os brasileiros, e então aqui inventaram esse negócio de O Segredo das Jóias. Ridículo: as jóias não têm segredo algum!

Sterling Hayden compõe um Dix que não parece nada inteligente

zzsegredo9aO espectador é informado de diversas coisas do passado de Dix Handley. Ele é preso bem no início da narrativa, e colocado naquela fila ao lado de outros criminosos ou suspeitos, para ser identificado por um comerciante que havia sido assaltado na noite anterior. Um policial lê a ficha dele – uma ficha terrível: “Natural de Kentucky. 36 anos. Profissão: nenhuma. Preso em 1937 por posse ilegal de arma de fogo. Sentença de 2 a 5 anos. Escapou da prisão estadual em 1939. Preso em 1940, solto em 1941…”

A ficha continuava, mas o espectador só fica sabendo até aí, porque nesse trecho o tenente Ditrich diz que já basta para o colega que lê as informações, e pergunta para o comerciante sentado a seu lado se aquele homem foi o que assaltou sua loja. O homem não sabe dizer com certeza – e Dix será solto.

Não poderia haver ator mais perfeito para o papel de Dix que Sterling Hayden (1916-1986). Sterling Hayden é todo grande. Tem 1 metro e 96, segundo o IMDb. Não é gordo, mas é cheio, forte, parrudo. Tem um rosto forte, de uma beleza estranha. O Dix que ele compõe está sempre com as roupas amassadas, amarfanhadas. Não parece nada inteligente, até bem ao contrário. Mas é de uma fidelidade canina aos amigos e, para eles, seu coração é imenso.

É fascinante lembrar que Sterling Hayden estaria, seis anos depois de The Asphalt Jungle, em outro filme maior sobre assalto, O Grande Golpe/The Killing, de Kubrick.

Jean Hagen dá um show como Doll, pobre mulher apaixonada por Dix

Há uma personagem sobre a qual, ao contrário do que acontece com os outros, o filme não dá muitas informações. Chama-se Doll, mas, pelo jeito, é mesmo o nome dela, e não apelido. Doll – boneca – é o jeito com que as mulheres menos, digamos, virtuosas, costumam ser tratadas pelos bandidos nos filmes noir. Doll, dame, broad.

Doll (o principal papel feminino do filme, que coube a Jean Hagen) irrompe, no início da narrativa, no quarto de Dix, carregando uma pequena mala e implorando a ele para passar algumas noites ali, ou, no mínimo, uma noite. O lugar em que ela trabalhava, o Club Regal, havia sido fechado pela polícia, justamente no dia do pagamento, e então ela estava completamente sem dinheiro e tinha sido despejada do quarto em que morava.

Seria Doll uma dançarina? Uma vendedora de cigarros, uma funcionária da chapelaria, uma garçonete? Ou uma puta? O filme não explica.

O que o espectador percebe no primeiro minuto em que Doll surge é que a pobre mulher é terrível, louca, absolutamente apaixonada por aquele homenzarrão. Ele gosta dela, simpatiza com ela – mas a adverte para não pensar que vai haver um romance, uma paixão correspondida.

Tinham sido amantes antes? Ou apenas se conheciam de algumas conversas nos clubes noturnos, ou bares depois do trabalho dela?

O filme não explica. O espectador que faça sua historinha, caso queira.

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O que fica claro, e é o que importa na história, é a paixão absoluta que ela sente por ele. Isso fica claro já naquela primeira sequência em que aparece de repente no quarto de Dix. Jane Hagen dá um show de interpretação nessa sequência.

Doll sorri um sorriso absolutamente aberto, radiante, quando Dix abre a porta para ela. Quando ele se serve de uma bebida, segurando um cigarro na outra mão, ela procura um cigarro dentro da bolsa, e vem com um todo amassado, mas não tem fósforos. Quando Dix vai acender o cigarro para ela, Doll começa a chorar, e o rímel preto cai em suas faces junto com as lágrimas – e ela diz que o cílio postiço está sindo do lugar, e então o retira. Um detalhinho neste filme cheio de detalhinhos.

É impressionante como Doll se coloca numa posição inferior à de Dix. Ela se dirige a ele como uma escrava falaria com o senhor todo poderoso, como se ela estivesse de joelhos pedindo favores a um rei no alto de seu trono.

Jean Hagen (nascida em 1923 e morta em 1977, de câncer, quando estava com apenas 54 anos) nunca virou uma grande estrela. Seu papel mais conhecido talvez seja o da pobre Lina Lamont, a bela estrela do cinema mudo que tem uma voz horrorosa e cuja carreira não vai conseguir fazer a transição para o falado, em Cantando na Chuva.

Aquele era um papel caricatural, e ela o faz muito bem. Aqui, num papel difícil, dramático, ela está um brilho.

É propaganda enganosa vender The Asphalt Jungle como “um filme com Marilyn”

zzsegredo99Quando foi lançado em vídeo, nos diversos formatos, The Asphalt Jungle virou um filme com Marilyn Monroe. As leis do mercado explicam facilmente o fenômeno, mas vender The Asphalt Jungle como sendo um filme com Marilyn Monroe é propaganda enganosa.

São, como falei bem acima, apenas duas sequências em que ela aparece. A primeira, mais no inicio, é bem curta. Ela tem umas três falas. A segunda, já quando a narrativa se aproxima do final, é bem mais longa e mais importante. Dá para perceber que, naquele início de carreira, Marilyn não tinha treinamento, formação de atriz – mas não está mal, não, de alguma maneira. John Huston é um extraordinário diretor de atores. E está absolutamente linda, maravilhosa, estonteante.

Norma Jean Mortenson é de 1926. Estava, portanto, com 24 aninhos em 1950, o ano em que o filme foi lançado. Naquele mesmo ano, teve um pequeno papel em outro grande filme, A Malvada/All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz: ela fazia uma aspirante a atriz que o crítico de teatro interpretado por George Sanders leva a uma festa na casa da grande estrela Margo Channing-Bette Davis.

Foi muita sorte dela ter feito papéis ainda que pequenos nestes dois filmes importantes – assim como foi sorte, é claro, dos produtores. Marilyn trabalhou em uma dezena de filmes, em papéis pequenos, entre 1947 e 1952. Só em 1952 teve um papel mais importante, em Almas Desesperadas/Don’t Bother to Knock. Em 1953 já foi protagonista em três filmes: Torrente de Paixão, Como Agarrar um Milionário e Os Homens Preferem as Louras – e o resto, como se costuma dizer, é História.

Um filme menos interessado no assalto em si e mais nos personagens

The Asphalt Jungle teve quatro indicações ao Oscar, nas categorias de direção, ator coadjuvante para Sam Jaffe, roteiro e fotografia em preto-e-branco. Não levou dos prêmios, no entanto.

O belo desempenho de Sam Jaffe foi premiado no Festival de Veneza, um dos três mais importanteas do mundo.

Pauline Kael, a primeira dama da crítica americana, a língua mais ferina de qualquer quadrante, definiu o filme como competente e muitas vezes sobrevalorizado. Ela informa que a história foi refilmada como The Badlanders em 1958, Cairo em 1963 e A Cool Breeze em 1972, este último com elenco todo formado por negros.

A informação é interessante. O adjetivo “overrated” que ela usa, a gente pode jogar no lixo.

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Leonard Maltin, o autor do guia de filmes mais vendido do mundo, deu 3.5 estrelas em 4, e escreveu que o filme é realista, tenso, cheio de ótimas caracterizações (em especial da de Sam Jaffe, e com Marilyn em um pedacinho memorável). Ele também informa que o filme foi refeito pelo menos três vezes, e dá os nomes citados por Pauline Kael.

O CineBooks’ Motion Picture Guide dá a cotação máxima, 5 estrelas. “Huston dirigiu essa produção soberba com a velocidade de um raio, desenvolvendo seus personagens incisivamente, mas sem prejuízo da trama que se desenrola rapidamente. A fotografia cheia de clima de Harold Rosson e a trilha emocionante de Miklos Rozsa aumentam ainda mais o valor desta obra-prima do filme noir.”

O livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer diz que o filme “focaliza não só o assalto, mas também as vidas privadas dos membros da gangue, que são individualizados com toques notáveis de diálogo e estilo visual. Huston conduz com maestria um ótimo grupo de atores, incluindo Marilyn Monroe (…) em um de seus mais importantes papéis em início de carreira.”

The Asphalt Jungle está entre os 50 filmes de mistério e crime do livro 501 Must-See Movies (e nele estão também os igualmente citados neste texto The Killing e Rififi). O livro lembra que o filme influenciou diversos outros – entre os quais Rififi e Reservoir Dogs (1992), de Quentin Tarantino. Mas, ao contrário dos filmes que se inspiraram nela, a obra de Huston está menos interessada no plano astucioso ou no assalto brilhante. “Em vez disso, ele centra seu foco nos personagens, explorando a decepção, os relacionamentos e as fraquezas humanas. A falta de ação no filme deu ao elenco oportunidade de sobra para desenvolver seus personagens”.

É isso aí. Grande filme. Um brilho.

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Anotação em dezembro de 2015

O Segredo das Jóias/The Asphalt Jungle

De John Huston, EUA, 1950

Com Sterling Hayden (Dix Handley), Sam Jaffe (Doc Erwin Riedenschneider), Louis Calhern (Alonzo D. Emmerich), Jean Hagen (Doll Conovan), James Whitmore (Gus Minissi), John McIntire (comissário Hardy), Marc Lawrence (Cobby), Barry Kelley (tenente Ditrich), Anthony Caruso (Louis Ciavelli), Teresa Celli (Maria Ciavelli), Marilyn Monroe (Angela Phinlay), William Davis (Timmons), Dorothy Tree (May Emmerich), Brad Dexter (Bob Brannom), John Maxwell (Dr. Swanson)

Roteiro Ben Maddow e John Huston

Baseado no romance de W. R. Burnett

Fotografia Harold Rosson

Música Miklos Rozsa

Montagem Beorge Boemler

Produção Arthur Hornblow Jr., MGM. DVD Silver Screen Collection.

P&B, 112 min

***1/2

Título na França: Quand la Ville Dort. Em Portugal: Quando a Cidade Dorme. Na Espanha: La Jungla de Asfalto. Na Itália: Giungla d’asfalto.

2 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 16 Abril 2016 às 5:15 pm | Permalink

    John Huston era sensacional, Jean Hagen era sensacional, Marilyn era sensacional, Sérgio Vaz tá sensacional também.

  2. albertino.ferreira
    Postado em 17 Abril 2016 às 5:11 pm | Permalink

    Concordo absolutamente com a crítica e as palavras que ajudam a compreender a acção. É um dos meus favoritos e faz parte da minha videoteca privativas duas breves aparições da bela Marylin são soberbas assim como no “All About Eve” que também possuo.”The Asphalt Jungle” é um dos filmes de culto do “noir” e fica bem com certeza nos dez melhores de sempre, assim como “The Killing” do Kubrick que também tenho. Fico à espera de mais recensões como esta porque sou fã dos clássicos americanos sobretudo dos anos 40 e 50.

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