Charity, Meu Amor / Sweet Charity

Nota: ★★★½

Charity, Meu Amor/Sweet Charity é uma maravilha, um encanto, uma alegria. Filme de estréia na direção de Bob Fosse, feito em 1969, tem um ou outro defeitinho, um ou outro momento que denota um tom datado. Detalhinhos, coisinhas menores, de somenos importância. É uma beleza de filme, uma explosão de talento.

Se há algo a lamentar, é apenas que Bob Fosse, esse ourives cuidadoso, meticuloso, exigente, preciosista, detalhista, tenha brindado a humanidade com apenas cinco filmes, ao longo de 24 anos. Apenas cinco filmes – este aqui, depois Cabaret (1972), Lenny (1974), All That Jazz (1979) e Star 80 (1983). Muito pouco, pouquíssimo – mas o suficiente para colocá-lo entre os grandes realizadores de todos os tempos.

Uma história criada por Fellini e amigos

Para lembrar, registrar: Federico Fellini dirigiu As Noites de Cabíria em 1957; foi seu sexto longa-metragem; depois dele viria La Dolce Vita, e o incensamento universal do diretor como um dos maiores gênios do cinema. Na história criada por Fellini e seus co-roteiristas Ennio Flaiano e Tullio Pinelli, Cabiria é uma prostituta pobre de Roma de coração tão absolutamente gigantesco quanto sua falta de sorte na vida; sonha com um casamento com um homem bom, mas só topa pela frente com gigolôs e malandros sem qualquer caráter.

Boa parte do encanto de As Noites de Cabíria – uma obra-prima que teve imenso sucesso e reconhecimento, com 15 prêmios, inclusive o Oscar de melhor filme estrangeiro – vem da interpretação brilhante, emocionante, superlativa de Giulietta Masina (na foto), musa, cúmplice artística e mulher do diretor.

A história básica de Noites de Cabíria virou um musical da Broadway. Foram feitas as devidas adaptações. Cabíria virou Charity Hope Valentine – e para se reparar o nome, composto por caridade, esperança e o santo protetor dos namorados. Em vez de prostituta pobre das ruas, a Cabíria do teatro americano teve sua profissão suavizada para uma taxi dancer nova-iorquina – aquele tipo de dançarina de boates, inferninhos, que ganha pelo tempo que passa com o cavalheiro, em geral recebendo cantadas ou avanços sem permissão.

(Em 1955, Doris Day havia interpretado, em Ama-me ou Easquece-me, uma taxi dancer que atrai as atenções de um gângster, interpretado por James Cagney, e a partir de sua relação com ele transforma-se em cantora de sucesso. No filme, inspirado na vida de Ruth Etting, ex-taxi dancer e depois cantora de jazz de sucesso dos anos 20, Doris Day interpreta – sensacionalmente – uma belíssima canção sobre a profissão, “Ten Cents a Dance”, da dupla Richard Rodgers-Lorenz Hart.)

O autor da adaptação da história de Cabíria para o palco da Broadway foi o dramaturgo e roteirista Neil Simon. Em meados dos anos 1970, Neil Simon já seria um dos mais aclamados e bem sucedidos autores do teatro americano; nos anos 60, ainda estava começando a carreira.

Sweet Charity estreou no Palace Theater da Broadway em 29 de janeiro de 1966. Tinha canções de Cy Coleman com letras da escritora Dorothy Fields; a coreografia e a direção eram de Bob Fosse, já na época um respeitadíssimo encenador da Broadway. Charity, a protagonista, era interpretada pela atriz e dançarina Gwen Verdon – a mulher que estava para Bob Fosse como Giulietta Masina para Fellini.

Foi um imenso sucesso. Teve 608 apresentações consecutivas, ganhou 12 indicações ao Tony, o Oscar do teatro americano, e prosseguiu carreira no West End de Londres.

Shirley MacLaine atua, canta e dança maravilhosamente

Nada mais natural que a peça virasse filme. Quis o acaso que o próprio Bob Fosse dirigisse a versão cinematográfica.

Deve ter sido, muito provavelmente, uma exigência dos produtores que Charity fosse interpretada por um atriz de sucesso na bilheteria, uma estrela. Gwen Verdon tem dezenas de trabalhos no cinema, mas era, basicamente, uma atriz de teatro; nunca foi uma estrela de Hollywood.

E então o papel de Charity caiu no colo de Shirley MacLaine.

Bom para Shirley, bom para o filme, bom para o espectador.

Shirley é uma grande atriz, seja no drama, seja na comédia. É uma força da natureza. Em Charity, ela tem a oportunidade de mostrar tudo de que é capaz. Atua, canta e dança com brilhantismo. É um de seus grandes papéis, numa carreira longa e cheia de grandes papéis.

Ela emociona, faz rir e chorar (ou, no caso de machos empedernidos, no mínimo dá travo forte na garganta, nos momentos tristes, dramáticos). E canta e dança maravilhosamente. Tem a energia de umas três Itaipus a todo vapor.

Estava com 35 anos, quando fez o filme (Giulietta estava com 36 ao filmar Cabíria), e os sinais no seu rosto eram de mais do que isso. Já tinha pouco a ver com a jovenzinha que havia estreado aos 21 anos, com carinha de 18, em O Terceiro Tiro/The Trouble with Harry, de Hitchcock. E Fosse, estreante no cinema mas safo, gênio, abusou do rosto já com as marcas do tempo de Shirley MacLaine. Há belos close-ups de seu rosto, e belos super ultra big close-ups de seus faiscantes olhos de um azul profundo que nem o céu em dia havaiano.

Todo mundo sabe que o namorado de Charity é um malandro safado. Todo mundo, menos ela

Há um bando de bossinhas formais em Charity, Meu Amor. E era absolutamente natural que houvesse. Afinal, o respeitado diretor e coreógrafo de teatro estava estreando como diretor de cinema, e os estreantes adoram umas bossinhas para chamar de suas. E os anos 60 foram a década das bossinhas formais – gente como o francês Jean-Luc Godard e os ingleses Tony Richardson e Richard Lester, entre tantos outros, que o digam.

Já nos créditos iniciais o cineasta novato faz brincadeirinhas formais. Entremeia tomadas em movimento com fotogramas imóveis, o movimento congelado. Acompanhamos uma alegre, sorridente, esfuziante Charity-Shirley MacLaine correndo por Manhattan, fazendo compras, indo ao encontro do namorado no Central Park.

A figura do namorado, Charlie (Dante DiPaolo), é a perfeita tradução do bandidinho sem caráter algum.

Charity acha que Charlie vai se casar com ela. Conta para ele que tirou todo o dinheiro que tinha no banco – exatos US$ 427, a fortuna todinha em notas ali dentro da sua bolsa. Vão se casar, vão dar entrada em uma casa, em alguma coisa. Charity Hope Valentine é a caridade esperançosa em pessoa, Charlie é o bandidinho safado que todo mundo, menos Charity, enxerga.

Charity se senta no parapeito da ponte sobre o lago do Central Park. Balança as perninhas de pura alegria. Charlie, rápido, empurra Charity para dentro do lago e foge com a bolsa.

À noite, nos camarins, as taxi dancers se enfeitando para mais uma noite de trabalho, Charity conta para as colegas e amigas sua versão dos fatos: ela se desequilibrou no parapeito da ponte; solícito, Charlie tentou segurá-la, mas só conseguiu pegar a bolsa; e então ele saiu correndo para pedir ajuda.

As colegas estão acostumadas às descrições que Charity faz dos fatos, e sabem interpretar direitinho o que aconteceu: o puto a empurrou, roubou a bolsa.

Eisenstein deve ter babado com o trabalho de montagem de Fosse

Até aí, é uma adaptação fiel ao tom do início do filme de Fellini. No início de Cabíria, se não estou muito enganado (vi o filme há muitos anos), o namorado aproveitador que Cabíria imaginava fosse seu noivo, futuro marido, a joga num rio barrento na periferia pobre de Roma, e sai correndo com a bolsa na qual ela havia juntado todas suas suadas economias.

Mas aí, quando estamos com uns 12, 15 minutos de filme, há um número musical, “Big Spender”.

Quando começa “Big Spender” (veja no YouTube), é como se Bob Fosse gritasse Shazam! – e gritasse bem gritado, com todas as forças de um pulmão que nunca fumou um danado de um cigarro, justo ele, que fumava uns quatro maços por dia.

A coreografia que o cara criou é de babar, de chorar de alegria, de ficar de pé e aplaudir como na ópera, de concluir que Deus existe e a vida tem sentido e vale a pena.

Já está lá, no filme de 1969, o coreógrafo genial que sabe adaptar seus musicais para o cinema, como faria depois em Cabaret, em All That Jazz.

É uma coisa nova, inovadora, moderna, audaciosa. Parece tudo isso hoje – imagine-se como deve ter sido em 1969.

Muitos anos antes de a estética MTV dominar o cinema, com os cortes rápidos, agitados, nervosos, a montagem perfeita, Bob Fosse fez isso – mas com a vantagem de que fazia isso apenas em alguns momentos, nos números de dança, e não direto e reto, o filme inteiro, como fazem hoje os filmes de ação, e até outros que não são thrillers policiais de ação.

Que domínio de montagem, meu Deus do céu e também da Terra. Serguei Mikhailovich Eisenstein seguramente deve babado com o trabalho da camarada capitalista dançarino coreógrafo tornado cineasta.

Assim como imagino que Giulietta Masina deve ter aprovado, com aquele sorriso angelical, a atriz americana que recriou seu personagem.

Uma sequência sensacional, inesquecível, com a participação especial de Sammy Davis Jr.

Bob Fosse se dá depois ao direito de apresentar toda uma seqüência com fotos, imagens congeladas, de Charity Hope Valentine retomando a vida, depois da decepção de ter sido roubada e empurrada para dentro do lago do Central Park pelo babaca do Charlie.

No filme de Fellini, se a memória não me trai, acontece então o louco encontro de Cabíria com um famoso ator que frequenta a Via Veneto. Neil Simon recriou esse episódio para a peça, e ele está lá no filme. De repente, a pobre Charity está ao lado de Vittorio Vidal, famosérrimo ator do cinema italiano que vive como biliardário em Nova York. O ator é interpretado, um tanto caricaturalmente, por Ricardo Montalban – e a comprida sequência da longa noite de loucuras de Charity com Vittorio Vidal, primeiro numa festa de biliardários famosos, depois na mansão luxuosa dela (na foto), cheia de citações ou brincadeiras com os filmes europeus dos anos 60, com a atmosfera que Fellini criou em La Dolce Vita, me pareceu levemente boba, suavemente datada.

Mas a seqüência comprida finalmente termina, e aí vem o encontro de Charity com Oscar (John McMartin), o contador da companhia de seguros careta e tíbio, e o filme alça vôo de novo.

Na sequência em que Charity e Oscar se encontram com Big Daddy Brubeck (interpretado, numa participação especialíssima, por Sammy Davis Jr., velho amigo de Shirley, que quando jovem tinha sido tiete do Rat Pack, o grupo de amigos de Frank Sinatra), o filme atinge altitudes pouco vezes atingidas pelo filmusical, ou pelo cinema de maneira ampla, geral. (Veja no YouTube.)

É antológica, é estupenda, é chapante toda a seqüência em que Sammy Davis Jr. está na tela.

Caetano e os teóricos costumavam falar da linha evolutiva da música popular brasileira. Me lembrei deles enquanto me deliciava com a sequência com Big Daddy.

É o grande passo à frente do musical americano, após West Side Story. Passada entre carros, num local que lembra uma garagem, um estacionamento, a seqüência tem tudo a ver com a ousadia formal que Jerome Robbins criou para o musical de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

E é também, ao lado das sequências que virão depois, de novo no Central Park, uma antecipação de Hair – o musical da Broadway que esperaria uma década até virar o filme definitivíssimo de Milos Forman, de 1979.

Na sua estréia no cinema, Bob Fosse misturou Fellini com o moderno filmusical americano, com Hair, com flower power.

É, literalmente, de babar. É para ver de novo, e de novo, e de novo, como sempre dá vontade de ver de novo Cabaret, All That Jazz.

Se eu fosse condenado a 20 anos de solitária, mas pudesse levar West Side Story, Charity, Cabaret, All That Jazz e Hair (mais uns dois ou três Jacques Demy), juro que não teria um minuto de tédio.

Talvez, se fosse mais experiente, mais maduro, o diretor tivesse enxugado um pouquinho o filme

Fiquei imaginando que, se fosse um pouco mais experiente no cinema, um pouco mais maduro nessa arte (já não era um jovenzinho; estava com 42, quando dirigiu este seu primeiro filme), talvez Bob Fosse tivesse enxugado um pouquinho seu Charity. O filme tem 149 minutos, ou seja, duas horas e meia. Talvez Bob Fosse pudesse ter cortado aí uns dez, 15 minutos, quem sabe.

Mas tudo bem. Ele era um estreante. Queria mostrar tudo de que era capaz, não foi homem de cortar nada.

Mas talvez ele pudesse ter cortado alguma coisa. E talvez seja por isso que Joe Giddeon, seu alter ego, seu personagem que é ele próprio escarrado de All That Jazz, ficasse tanto tempo na sala de montagem revendo e revendo o que havia sido filmado, e refazendo a montagem, tentando achar a perfeição – uma busca tão louca pela perfeição que o faz discutir com Deus em pessoa.

Bob Fosse era tão louco, tão absolutamente louco, em sua ourivesaria interminável, que foi capaz de antecipar no Joe Giddeon de All That Jazz a sua própria morte: como Joe Giddeon, Fosse morreria, em 1987, com parcos 60 anos, enquanto trabalhava sem parar em novos shows.

As primeiras das muitas indicações ao Oscar que Fosse teria

Charity, Meu Amor teve três indicações ao Oscar: trilha sonora, direção de arte e figurinos, para Dame Edith Head, a autora dos figurinos de uns 7.377 filmes (434, para ser exato). Não teve indicações para as categorias mais importantes, e sequer levou um dos prêmios menores aos quais concorreu – a vetusta Academia, em 1970, tadinha, não estava preparada para um musical moderno, demolidor, e ainda por cima baseado em Fellini.

Demoram um pouco para cair as fichas para a vetusta Academia, tadinha, mas elas acabam caindo. O filme seguinte do diretor, Cabaret, teria dez indicações ao Oscar, e oito vitórias. All That Jazz teria nove indicações, e quatro vitórias. Até mesmo Chicago, de 2002, feito portanto 15 após a morte de Fosse, mas em tudo absolutamente fiel à peça musical criada por ele, levaria 6 Oscars, das 13 indicações recebidas. Aliás, muita gente diz que Chicago é um filme superestimado. Não é superestimado coisa alguma: é um brilho, como tudo que Bob Fosse fez – e até mesmo não fez – na vida.

Com uma pequena ajuda da maravilhosa ex-mulher

Consta que Gwen Verdon, sabendo que não teria cacife para fazer o papel central no filme, teria incentivado Shirley MacLaine a se candidatar ao papel. Mais ainda: teria generosamente ajudado a atriz a treinar para o papel.

Deve ser verdade. Gwen Verdon deve ter sido uma ex-mulher maravilhosa, como era maravilhosa a ex-mulher de Joe Giddeon-Bob Fosse-Rob Schneider em All That Jazz, interpretada por Leland Palmer. O que não consigo entender é por que Fosse não pôs a própria ex-mulher para interpretar, em All That Jazz, o papel de Audrey Paris.

(Joe Giddeon, o alter ego de Fosse em All That Jazz, é apaixonado pela ex-mulher. Como eterno apaixonado pelas minhas ex-mulheres, me identifico muito com Joe Giddeon. Temos algo em comum – nem que seja esse pequeno detalhe.)

Consta também (está no IMDb) que, embora não apareça nos créditos, Gwen Verdon, musa, cúmplice artística e mulher do diretor, trabalhou como assistente da coreografia do filme.

Há quem tenha a sorte grande de ter tido pessoas maravilhosas como ex-mulheres.

E então, já que estou mais pessoal, confessional, do que normalmente (embora eu sempre seja mesmo pessoal, confessional), registro aqui que, além da sorte grande de ter tido pessoas maravilhosas como ex-mulheres, tive a oportunidade de ver um show de Bob Fosse na Broadway. Na única vez que passei por Nova York, em 1981, numa esticada de uma viagem a trabalho pelo Jornal da Tarde, proporcionada, é preciso dizer, pelos meus amigos Sandro Vaia e Anélio Barreto, vi Dancin’, beleza, maravilha de espetáculo.

E aí, deixando de lado o confessional, particular, penso nessa imensa distância que há entre o teatro, o palco, e o cinema.

Nada a ver com a arte em si, nenhuma comparação entre as possibilidades de uma linguagem e outra. Mas é só a constatação de que o que acontece no palco é um momento finito. O que é gravado no celulóide, ou hoje no computador, seja lá no que for, fica para sempre.

Guardo de Dancin’ a sensação de ter visto uma maravilhosa obra de arte. Mas me lembro pouco do espetáculo em si.

Verba volant, scripta manent. O que se vê no palco pode desaparecer da memória com o tempo. O que está gravado em filme, celulóide ou não, fica para sempre.

Tenho inveja de quem viu todos os shows de Bob Fosse na Broadway. Mas, sobretudo, lamento que Bob Fosse tenha feito apenas cinco filmes, que ficam para sempre, como este maravilhoso Charity.

Ainda bem que Bob Fosse fez cinco filmes.

Anotação em janeiro de 2012

Charity, Meu Amor/Sweet Charity

De Bob Fosse, EUA, 1969

Com Shirley MacLaine (Charity Hope Valentine), John McMartin (Oscar Lindquist), Chita Rivera (Nickie), Paula Kelly (Helene), Stubby Kaye (Herman), Ricardo Montalban (Vittorio Vidal), Sammy Davis Jr. (Big Daddy Brubeck), Barbara Bouchet (Ursula), Suzanne Charny (dançarina), Dante DiPaolo (Charlie)

Roteiro Peter Stone

Baseado na peça musical escrita por Neil Simon

Por sua vez baseada no filme As Noites de Cabíria, roteiro de Federico Fellini, Ennio Flaiano e Tullio Pinelli

Fotografia Robert Surtees

Canções de Cy Coleman (música) e Dorothy Fields (letra)

Arranjos Ralph Burns

Coreografia Bob Fosse

Figurinos Edith Head

Produção Universal Pictures.

Cor, 149 min

***1/2

2 Trackbacks

  1. […] Unidos. São sete episódios, todos estrelados pela jovem, linda e fantástica Shirley MacLaine; espalhados pelas sete historietas estão diversos atores de primeira linha, de diferentes […]

  2. Por Surviving the 60’s – The LBD em 6 julho 2016 às 4:22 pm

    […] 50anosdefilmes.com.br […]

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