Raízes da Ambição / Comes a Horseman

3.0 out of 5.0 stars

(Disponível na Netmovies em 10/2024.)

Na primeira vez em que foi dirigida pelo excelente Alan J. Pakula, em 1971, Jane Fonda interpretou uma puta de luxo em Klute, um drama policial/psicológico sombrio, pesado, no ambiente mais cosmopolita que poderia haver, Nova York, a capital do mundo. Sete anos depois, diretor e atriz se reencontraram para fazer Comes a Horseman, um western passado nas paisagens gigantescas, imponentes, de Montana, tão longe da civilização urbanóide atual quanto a Terra de Earendel, aquela estrela que fica a 12,9 bilhões de anos-luz.

Não poderia haver gêneros, locais da ação, atmosferas mais díspares que os de Klute e Comes a Horseman – mas, em boa parte porque ambos têm um realizador e uma atriz maravilhosos, são, os dois, grandes filmes.

Não baseado em romance ou peça de teatro, escrito diretamente para o cinema pelo autor e roteirista Dennis Lynton Clark, Comes a Horseman é um autêntico, perfeito western. Os personagens centrais são literalmente cowboys – e uma cowgirl, Elle, a personagem de Jane Fonda, claro. Vaqueiros, profissionais do ofício de cuidar de gado. Há mocinhos e bandidos…

Bem, há mocinhos e bandidos também em filmes policiais, em filmes de guerra, em dramas políticos, até em comédias românticas. Mas os bandidos aqui são pistoleiros, há tiros a dar com o pau, há brigas no saloon da cidadezinha mais próxima das fazendas em que se passa a imensa maior parte da ação. Ou seja: tudo como se fosse no Wild West, o Velho Oeste, ali pela segunda metade do século XIX.

No entanto, lá pelas tantas um personagem diz que, infelizmente, os russos vão chegar a Berlim antes que os Aliados, no fim da guerra. Estamos, portanto, no final de 1944 ou já no início de 1945.

É verdade que há westerns passados já nos últimos anos do século XIX, nos primeiros anos do século XX – westerns outonais, crepusculares, de fim de ciclo, de fim, afinal de contas, do bangue-bangue, com a chegada da lei e da ordem, da civilização, enfim. É até um subgênero dentro do gênero: O Último Pôr-do-Sol (1961), Pistoleiros do Entardecer (1962), O Último Pistoleiro (1976). Em Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969), Butch anda de bicicleta carregando Etta-Katharine Ross, a namorada do amigo. Em Sua Última Façanha/Lonely Are the Brave (1962), o protagonista interpretado por Kirk Douglas cavalga perseguido pelos homens da lei em jipes e helicópteros.

O IMDb traz até o subgênero “western contemporâneo”.

Pois é. Mas eu nunca tinha visto um western, um perfeito western passado tão longe dos tempos do Velho Oeste Sem Lei e Sem Alma, tão perto dos tempos que me deram para viver, com perdão pela citação do velho Bertold.

Um western sobre a selvageria do pior capitalismo

Há uma outra característica interessante neste Comes a Horseman: ele é um desses filmes cujo título varia demais de país para país. É talvez uma obra tão aberta a várias visões, diferentes leituras, que os exibidores dos diversos países foram para os mais diferentes lados.

Comes a Horseman – vem um cavaleiro, chega um cavaleiro. Simples, não? Llega un Jinete foi o título na Argentina, na Colômbia. (O IMDb estranhamente não cita a Espanha, mas muito certamente lá terá sido assim também.) Os italianos acrescentaram ao título original dois adjetivos: Arriva un Cavaliere Libero e Selvaggio. Os franceses resolveram inventar poeticamente: Le Souffle de la Tempête, o sopro da tempestade. Os alemães foram de Eine Farm in Montana, uma fazenda em Montana.

Os exibidores brasileiros, esses caras que inventam barbaridades tipo Os Brutos Também Amam e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa para as obras-primas Shane e Annie Hall, criaram esse Raízes da Ambição. E, diacho, não erraram absurdamente.

Comes a Horseman não trata das raízes de coisa alguma, já que mostra uma história passada em meados dos anos 1940 – mas é sem dúvida alguma um filme sobre a ambição. Greed – o título da obra-prima de Erich von Stroheim de 1924, no Brasil Ouro e Maldição. Greed – “power and greed and corruptible seed / seem to be all that there is”, o poder e a ambição e sementes corrompíveis parecem ser tudo que existe, como diz Bob Dylan em uma de suas canções mais desesperançadas.

Raízes da Corrupção/Comes a Horseman é um dos westerns que mais firmemente denunciam a selvageria do pior capitalismo que pode haver.

Não que denunciar as mazelas do capitalismo seja novidade no gênero. Ao contrário. É uma das características do western bater duro na concentração de riqueza nas mãos de poucos. Os faroestes em geral são odes aos desbravadores daquelas imensidões de terras, os peregrinos, os sitiantes, os pequenos fazendeiros – enquanto os grandes proprietários, os latifundiários, são normalmente os bandidos, os que, com sua ambição desmedida, não suportam a concorrência dos pequenos, e querem tomar suas terras, seu gado.

Um latifundiário, uma pequena fazendeira, um recém-chegado

É exatamente o caso de Ewing, um dos três protagonistas da história criada por Dennis Lynton Clark.

Ewing (o papel de Jason Robards Jr, na foto acima) é o maior fazendeiro da região em que se passa a história – mas jamais se contentou com a grande quantidade de terra e de gado que possui. Ao longo de toda a vida, lutou ´para inviabilizar a sobrevivência das famílias que tentavam se estabelecer na região. No passado, muito antes da época focalizada na narrativa, havia sido um duro adversário dos vizinhos todos, talvez em especial de Connors – ao mesmo tempo em que sempre babou pela filha dela, Ella Connors – sim, claro, o papel de uma Jane Fonda lindérrima, no esplendor dos maravilhosos 41 anos, queimadíssima do sol à qual vivia exposta cuidando do gado e da roça de subsistência.

Quando a ação começa, o filho de Ewing está sendo enterrado com honras militares – fica óbvio que morreu em combate, naqueles meses em que a Segunda Guerra Mundial se aproximava do fim. Apesar de ter por Ewing apenas ódio e desprezo, Ella está presente ao funeral, por uma questão de civilidade.

Bem de longe, dois homens ouvem as salvas de tiros disparadas pelos soldados no funeral. Veremos logo que os dois haviam sido dispensados pelo Exército fazia pouco tempo, e tentavam se estabelecer naquela região como pequenos sitiantes. Haviam comprado um pedaço das terras de Ella – sempre endividada, sempre com a corda no pescoço, a moça havia sido obrigada a se desfazer de parte do que havia herdado do pai.

Esses dois homens logo serão atacados por um bandido, enquanto dormiam, a céu aberto – ainda não tinham tido tempo de construir um pequeno barraco sequer. Um deles é morto. O outro, embora duramente ferido, sobrevive, e mata, em legítima defesa, o agressor. Chama-se Frank, é o terceiro dos personagens centrais da trama, ao lado de Ella e Ewing. É o papel de James Caan (na foto abaixo), que me pareceu bem jovem.

Frank é encontrado ferido, perdendo sangue, ao lado do companheiro morto, por Dodger, um senhor idoso, o único empregado de Ella (o papel de Richard Farnsworth, em atuação extraordinária, magnífica). Dodger o leva para a sede da fazenda da patroa, e os dois passam a cuidar dele no estábulo junto da casa de Ella.

Como seria de se esperar, Ewing era o mandante do bandido que havia tentado matar os dois homens que tentavam se estabelecer ali.

Quando Frank vai sarando dos ferimentos, seria absolutamente normal que ele passasse a trabalhar junto com Ella e Dodger na fazenda. Há alguma relutância, algum fiofó açucarado dos dois lados, mas, enfim, dá a lógica, e o convalescente passa a trabalhar para Ella.

Frank é um vaqueiro danado de competente, e o rebanho da fazenda cresce rapidamente, o que melhora muito as condições de Ella poder pagar suas prestações ao banco – e aumenta a fúria do fazendeiro ricaço e de ambição sem fim.

Jason Robards Jr. tinha 15 anos mais que Jane Fonda

Fico pensando nas idades desses três grandes atores. Quando Jason Robards Jr. estava com exatos 40 anos quando interpretou o dr. Dick Diver, o psiquiatra americano que acaba se casando com uma de suas pacientes da clínica na Suíça, Nicole-Jennifer Jones, em Suave é a Noite, a adaptação dirigida por Henry King do romance de F. Scott Fitzgerald, de 1962. (Eu estava com 12 quando vi o filme, no Cine Tamoio, em Belo Horizonte, mas isso não tem qualquer importância…)

Naquela época, Jason Robards Jr. vinha de uma longa carreira na televisão, e estava, já maduro, começando no cinema. Dois anos antes, 1960, a filha do grande Henry Fonda havia estreado em uma comedinha, Até os Fortes Vacilam/Tall Story, sobre um casalzinho de universitários sem dinheiro para casar, sob a direção de Joshua Logan e ao lado de Tony Perkins, que naquele mesmo ano interpretava Norman Bates no Psicose de Alfred Hitchcock. A jovem belíssima, que sofria loucamente de bulimia – embora ninguém soubesse disso à época – estava então com 23 aninhos.

Jane Fonda é de 1937, Jason Robards Jr, de 1922. No ano de lançamento deste Raízes da Ambição, ela estava, como já foi dito, com 41 anos e ele, com 56. A diferença de idade entre os dois, no filme, no entanto, parece maior que 15 anos – ele aparentando mais idade com os cabelos bem grisalhos, quase brancos, ela aparentando um pouco menos, talvez uns 35.

James Caan é de 1940, três anos mais jovem que Jane Fonda. Estava portanto com 38 anos, mas, diacho, parecia ter uns 30, no máximo. Tem a aparência de um garotão – embora já tivesse interpretado Sonny Corleone no primeiro The Godfather, de 1972, provavelmente seu papel mais importante antes deste Frank de Raízes da Ambição.

Um western com pitada de política – e de história de amor

Embora passado em meados dos anos 1940, Raízes da Ambição é um western clássico, e é também uma dura crítica à ambição desenfreada dos muito ricos, muito poderosos. Assim, é um filme com um pé na política, na sociologia.

Mas – ao vê-lo agora pela primeira vez –, fiquei pensando que é também, ao mesmo tempo, um filme sobre um triângulo amoroso.

Na sequência de abertura, a do funeral do jovem soldado, pelos olhares trocados entre o pai do rapaz e Ella-Jane Fonda, e pelo fato de ela não se aproximar dele na fila de cumprimentos protocolares, já dá para perceber que ali teve coisa. E, quando Frank-James Caan é levado por Dodger para o estábulo da fazenda de Ella para se recuperar dos ferimentos, qualquer pessoa que gosta de ver filmes sabe que ali vai ter coisa. Ah, meu, não existe história em que o mocinho e a mocinha não vão ter um envolvimento.

         Atenção: spoiler! Melhor pular até o próximo intertítulo.

Muito das qualidades dos grandes filmes vem dos detalhes. Cada vez estou mais convencido disso – e há uma sequência que considero especialmente brilhante neste Comes a Horseman. Ela acontece quando o filme já passou bem da metade e então, a rigor, relatá-la é um spoiler. O eventual leitor que não viu o filme ainda – disponível, insisto, no Netmovies, “de grátis” como um passeio no parque – deveria pular para o próximo intertítulo.

Ella e Frank estão na sala da casa da fazenda. Ella começa a contar algo de seu passado que – vemos clarissimamente – ela jamais havia contado para ninguém. Até porque é uma pessoa extremamente solitária, sem amigos ou amigas – antes da chegada de Frank, a única pessoa com que convivia era o velho Dodger.

E revela para o homem com quem está se apaixonando que, quando muito jovem, adolescente ainda, foi possuída por Ewing. (Creio que o verbo que ela usa é tomar – “fui tomada por ele”.)

Corro o risco de chover no molhado, mas é preciso lembrar, realçar que, no passado, os homens costumavam exigir “pureza”, virgindade, das mulheres – e, portanto, a confissão/declaração de Ella era algo que exigia do eventual namorado esforço, coragem – ou uma boa alma.

A reação do vaqueiro Frank é maravilhosa. Com carinho, suavidade, ele passa a falar do que os dois precisariam fazer com o gado no dia seguinte, as providências que precisariam tomar.

 “Ella está distintamente desglamourizada, não arrumada”

“Uma história sobre uma fazendeira de Montana, logo após a Segunda Guerra Mundial, lutando para salvar suas terras de barões latifundiários e companhias de petróleo.” Assim Jane Fonda define a trama do filme em sua maravilhosa autobiografia, Minha Vida Até Agora. “James Caan era o co-protagonista e Jason Robards interpretava o barão”, ela relata. “Mas, para mim, os grandes atrativos desse filme eram os fatos de Alan Pakula, que me dirigira em Klute, ser o diretor, e Gordon Willis, novamente o diretor de fotografia.”

E prossegue, na tradução de Alice Klesk para a edição brasileira, da Record, lançada em 2006: “Para ser franca, eu não tinha certeza se realmente poderia interpretar o papel dessa mulher calejada, mas Alan me deu coragem para tentar. Eu sabia que, para fazê-lo apropriadamente, teria que me transformar nos vaqueiros que roubam gado e trabalham com os cavalos nos filmes. O desafio não seria a montaria; assim como sexo e andar de bicicleta, você logo lembra. Mas eu precisava aprender como arremessar um laço, laçar um novilho, juntar o gado e marcar e castrar os bois. Não que eu tivesse de fazer tudo isso nesse filme, mas eu precisava que os vaqueiros soubessem que, assim como meu personagem Ella, eu poderia fazer tudo, se me fosse pedido, que eu não era uma dondoca urbana. A fé que os vaqueiros depositassem em mim me daria fé em mim mesma – como Ella.”

O livro The Films of Jane Fonda, de George-Haddad-Garcia, lembra que um dos cartazes do filme dizia: “Ela era tão forte quanto a terra pela qual lutava. E tão vulnerável”. Para em seguida afirmar: “No entanto, este foi um dos papéis menos vulneráveis de Fonda. Ao longo da maior parte do filme, Ella estava distintamente desglamourizada, não-falante, não arrumada, uma fazendeira trabalhadora. Ella era tão diferente de Barbarella e outras vamps de (Roger) Vadim quanto possível. Fonda roubou o espetáculo e, apesar de ter seu nome em primeiro lugar nos créditos, James Caan não provocou muito impacto.

“Nem o próprio filme, que era um tanto aborrecido e duro como a rigidez da paisagem e do povo que habitava nela. Horseman não foi um fracasso nas bilheterias, mas rendeu menos dinheiro e elogios do que os dois filmes anteriores de Fonda.”

Raízes da Ambição está, na carreira de Jane Fonda, entre Julia e Amargo Regresso/Coming Home, os dois de 1977, e California Suite (1978) e Síndrome da China (1979).

Leonard Maltin deu apenas 2.5 estrelas em 4 para o filme: “História de western severamente simples (passada nos anos 1940) sobre donos de fazenda rivais cujas raízes estão na terra. Discreto até o ponto de catatonia, mas oferece alguns quadros e sequências tocantes.”

Euzinho não consigo compreender como é possível dizer que um filme está perto da catatonia e no entanto “offers some beautiful tableaux and moving scenes”. Mas o cara é o autor do guia de filmes mais vendido do mundo, no tempo em que se vendiam guias de filmes, então…

“Um filme que provavelmente não vou esquecer”

Roger Ebert também deu 2,5 estrelas em 4, mas Roger Ebert –

ao contrário de Maltin, que faz verbetes bem sintéticos, justamente para caber mais de 15 mil deles em um livro – escreve textos bem longos. Não tão longos quanto os meus, que ele não era louco, mas bem longos. Começa assim:

Comes a Horseman é um western estranhamente sombrio e gótico, que supera grandes dificuldades até finalmente lançar seu feitiço. É tão lento, tão introspectivo que pensamos, a princípio, que não terá energia para nos envolver. Mas ele envolve. É um daqueles filmes difíceis que eu não consigo propriamente recomendar, e que no entanto provavelmente não vou esquecer.”

É como eu volta e meia digo: quando crescer gostaria de escrever como Roger Ebert…

Mais adiante, depois de relatar a trama:

“O filme é o trabalho de alguns artistas muito particulares; eles talvez não façam que o filme seja bem sucedido, mas fazem uma tentativa fascinante. Ella é interpretada por Jane Fonda, que de novo consegue uma atuação que é forte, sutil e diferente do que ela já havia feito. Pense nela em Coming Home (Amargo Regresso), Klute e Julia, e você percebe que atriz notável ela se tornou. Frank é interpretado por James Caan, que pode às vezes ser opaco, mas desta vez está perfeito para o papel. E Ewing é aquele quintessencial intérprete de filhos perdidos de meia-idade, Jason Robards.”

“O filme é dirigido por Alan J. Pakula, que acabava de fazer All the President’s Men, com energia e habilidade, e talvez estivesse rumando de volta para uma atmosfera de elegia e ruína. (…)

“O problema de Pakula, talvez, é que ele fez dois filmes aqui. A história humana, envolvendo os tipos de pessoas que vivem nessa terra e como eles convivem uns com os outros, é o bom. E então há o melodrama colocado por cima, sobre banqueiros, gente de petróleo, segredos sexuais do passado, vingança fanática no presente. Não precisamos dos fogos de artifício. As pessoas neste filme poderiam ter carregado seu fardo. Sim, mesmo de maneira tão lenta, tão quieta, tão absorvidos em si mesmos.”

Maravilhoso Roger Ebert.

Mas, diabo, não vi lentidão alguma em Raízes da Ambição. Para mim, é um belo filme.

         Anotação em outubro de 2024

Raízes da Ambição/Comes a Horseman

De Alan J. Pakula, EUA, 1978.

Com James Caan (Frank),

Jane Fonda (Ella Connors),

Jason Robards Jr. (Ewing),

Richard Farnsworth (Dodger, o empregado de Ella), George Grizzard (Neil Atkinson, o empresário do petróleo), Jim Davis (Julie Blocker, capanga de Ewing), Mark Harmon (Billy Joe Meynert), Macon McCalman (Hoverton), Basil Hoffman (George Bascomb), James Kline Ralph (Cole), James Keach (Kroegh), Cliff Pellow (o comprador de gado)

Argumento e roteiro Dennis Lynton Clark

Fotografia Gordon Willis

Música Michael Small

Montgem Marion Rothman

Desenho de produção George Jenkins

Figurinos Luster Bayless

Produção Gene Kirkwood, Dan Paulson

Cor, 118 min (1h58)

***

Título na França: “Le Souffle de la Tempête”. Em Portugal: “Uma Mulher Implacável”. Na Alemanha: “Eine Farm in Montana”.

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