Banquete de Amor / Feast of Love


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2009: Um pequeno drama sobre amores, família, relações afetivas, pessoas comuns, gente como a gente – essa coisa de que eu gosto demais. Não chega a ser muito bom, não é nada marcante, na minha opinião, mas é bem intencionado, e gostosinho de se ver.

É um daqueles filmes que retratam um grupo grande de pessoas, no subgênero que outro dia Jussara, uma moça que de vez em quando lê este site, definiu muito bem como mosaico, à la Short Cuts, do Altman. Neste caso, um mosaico de peças que estão todas ligadas umas às outras. Os diversos personagens todos têm ligações com os dois centrais, os interpretados por Morgan Freeman e Greg Kinnear. Vamos a eles:

– Harry (Morgan Freeman) é um professor universitário em Portland, Oregon; toda a ação se passa nessa cidade do Noroeste americano, apresentada como bonita e tranqüila, sem violência ou miséria; é bem casado com Esther (Jane Alexander), e está no momento da ação temporariamente afastado do trabalho; é calmo, e tem a sabedoria das pessoas experientes e resolvidas – embora haja um problema entre ele e o filho. Qual é o problema, o espectador só ficará sabendo quase no fim da narrativa;

– Bradley (Greg Kinnear), muito amigo de Harry, tem uma cafeteria; é uma pessoa boa, simpática, agradável, mas um tanto ingênua, inocente, e distraída. Não enxerga nada, não percebe nada. Não nota coisa alguma quando uma bela jovem, Jenny (Stana Katic), aproxima-se de sua mulher, Kathryn (Selma Blair), e a conquista num piscar de olhos, diante do próprio Bradley e de Harry, que, é claro, vê tudo;

– Kathryn, a mulher de Bradley, após uns poucos dias de intensa paixão por Jenny, abandona o marido e vai viver com a nova namorada;

– Oscar (Toby Hemingway) é um garotinho que trabalha na cafeteria de Bradley; é o personagem mais jovem e ao mesmo tempo, me pareceu, mais complexo, menos monocórdico de todo o mosaico; saberemos depois de um tempinho que ele já foi viciado em heroína, mas conseguiu sair dela; a mãe morreu quando ele era bem jovem, o pai, Bat (Fred Ward) é um alcoólatra burro e brutal; bem no começo da narrativa, Oscar vai se apaixonar à primeira vista por uma garota lindíssima que entra na cafeteria à procura de emprego, Chloe (Alexa Davalos);

– Chloe, o espectador não tem a mínima idéia de onde veio, o que fazia na vida, por que teve a idéia de procurar emprego numa cafeteria; mais tarde veremos que ela divide uma casa com uma amiga, uma pessoa muito estranha; mas ficamos sem saber de onde é sua família, por que mora com a amiga, coisa alguma. Vai se apaixonar à primeira vista e perdidamente por Oscar, e pronto;

– Diana (Radha Mitchell) é uma corretora de imóveis que um belo dia vai entrar na cafeteria e começará a conversar com Bradley; ela mostrará uma casa para ele, ele vai pedi-la em casamento, ela vai aceitar – embora tenha um amante já faz um bom tempo, Billy (David Watson), com quem tem um ótimo relacionamento sexual;

– Billy é uma figuraça interessante; como já era casado quando conheceu Diana, acha normal que os dois sejam amantes, mas fica muito espantada quando Diana conta que vai se casar com Bradley; isso, segundo os valores dele, seria uma infidelidade (da parte dela, Diana, para com o futuro marido).

Impressiona a qualquer um a quantidade de mulher bonita que o diretor, o veteraníssimo Robert Benton, juntou neste mosaico. Radha Mitchell (na foto) e essa garotinha Alexa Davalos são belíssimas, extraordinariamente belas – e o diretor as faz tirar a roupa, de vez em quando, para a coisa ficar melhor ainda para os olhos. Selma Blair e Stana Katic, que formam o parzinho gay, são muito bonitas. E mais para o fim do filme ainda vai surgir outra atriz linda, Erika Marozsán, no papel de Margit, a terceira mulher estrondosa a aparecer na vida do personagem Bradley em oito meses de ação, 101 minutos de duração do filme.

Igualmente impressionante, me pareceu, é a rasura dos personagens, a falta de complexidade deles. Não parecem gente de carne e osso, de três dimensões,  parecem figurinhas de um álbum para colorir: Bradley o sujeito bonzinho mas bobo; Harry o professor maduro e sábio a quem todos recorrem na hora da necessidade; Jenny a homossexual decidida que ataca e conquista a presa num vápt-vupt; Kathryn a casada insatisfeita pronta a cair na primeira cantada; Diana a comedora que pensa e sente mais com a xoxota do que com o coração ou a cabeça; Bat o imbecil burro e bêbado; e por aí vai.

Tudo muito rasinho, muito esquemático, me pareceu – e tudo muito róseo em termos materiais, tudo muito fácil de se obter, numa bela cidade sem pobreza e desemprego e violência que mais parece pertencer à redoma do Truman Show do que ao mundo real.

Friso o “me pareceu”. Mary, por exemplo, não concordou comigo nesse quesitos; achou um “filminho duas estrelas bom de se ver”.

De qualquer forma, me parece muito pouco para um diretor do calibre de Robert Benton, autor de poucos filmes mas alguns marcantes ou até mesmo grandes, como Kramer x Kramer.

Banquete do Amor/Feast of Love

De Robert Benton, EUA, 2007

Com Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Alexa Davalos, Toby Hemingway, Billy Burke, Erika Marozsán, Selma Blair

Roteiro Allison Burnett

Baseado em livro de Charles Baxter

Produção GreeneStreet Films. Estreou em São Paulo 9/5/2008

Cor, 102 min .

**

Um Comentário

  1. Jussara
    Postado em 7 abril 2009 às 12:29 am | Permalink

    oi, Sergio!
    Que surpresa agradável* ver meu nome citado no texto. Mas eu leio sempre, viu? não é só de vez em quando, hehe. E como vc sabe que sou uma moça e não uma senhorinha de 70 anos? rsrs.

    * Surpresa agradável é pleonasmo, né? pq pra mim surpresa é sempre agradável. Visitas inoportunas , por exemplo, não são surpresas, pois são desagradáveis ;). Não sei se fez algum sentido o que escrevi… estou num dia tristolengo e de muita gripe, o que prejudica as sinapses entre tico e teco; portanto , releve! :).
    Muito obrigada pela parte que me “cabe nesse latifúndio”! rsrs. Eu gosto desse tipo de filme. Suas duas estrelinhas não me animaram a assisti-lo, rs, mas se eu o encontrar fácil … vou ver, sim.

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