As Duas Faces da Felicidade / Le Bonheur


Nota: ★★★★

Anofação em 2009: Para mim, Le Bonheur, que Agnès Varda realizou em 1965, é um dos mais belos filmes que já foram feitos. Belo, no sentido estrito do termo segundo o dicionário – “que tem forma perfeita e proporções harmônicas; formoso, lindo”.

É um fantástico espetáculo para os olhos.

O filme é cheio, repleto, lotado de tomadas que parecem quadros, pinturas, belas obras de arte.

O uso das cores, o cuidadoso, extraordinário, sensacional uso das cores é uma coisa espantosa. Deve haver outros filmes em que as cores são tão bem usadas quanto aqui, mas, na minha opinião, só há um filme que é de fato páreo para Le Bonheur nesse quesito específico: é Os Guarda-Chuvas do Amor/Les Parapluies de Cherbourg, que Jacques Demy, o marido de Agnès Varda, havia feito um ano antes, em 1964. Quero voltar a falar de cores, e também de Os Guarda-Chuvas, mais tarde.

Antes, quero insistir na coisa da beleza. As paisagens são belas. Mostram-se muitas plantas, árvores, flores. Focalizam-se belas casas antigas, belas fachadas de prédios. Os atores são belos. As roupas são belas, cheias de cores. A trilha sonora todinha, todinha, é de Wolfgang Amadeus Mozart.

Tudo é belo.

abonheur2O filme abre com um close de um girassol. Alternam-se tomadas em close do girassol com tomadas em plano geral de um grupo de girassóis em primeiro plano e, lá ao fundo, num gramado, fora de foco, um casal e duas pequenas crianças. François e Thèrese (na foto), jovem e belo casal, está passando um domingo de sol, de verão, num grande bosque, com seus dois filhinhos, Gisou e Pierrot. Os dois são jovens, belos e felizes, se amam e amam os filhos, e no domingo fazem piquenique no bosque.

Os primeiros 15, 20 minutos deste filme bem curtinho – são apenas 79 minutos, que passam depressa como um raio – mostram o dia-a-dia da família, os pequeninos detalhes de que é feita a vida. François é carpinteiro, trabalha com um tio e alguns amigos numa pequena carpintaria numa pequena cidade, Fontenay. Thèrese é costureira, uma boa costureira, trabalha em casa. Recebe em casa uma cliente que vai se casar, foi a Paris à procura de um vestido de noiva, não gostou de nada do que viu e agora quer que a figurinista do lugar crie o vestido para ela.

Há tomadas de roupa sendo passada a ferro, roupas passadas sendo dobradas, vaso de flor sendo aguado, os pais levando os filhos para a cama, os pais se deitando juntos, se abraçando. Os pequeninos detalhes de que é feita a vida. Uma família que tem o básico e é feliz.

Então, um dia François tem que ir fazer um trabalho em Vincennes, não muito longe de Fontenay. Em Vincennes, precisa telefonar para a carpintaria para falar sobre o andamento do serviço. No posto dos Correios, onde ficam também os telefones públicos, François é atendido por uma linda e simpática funcionária, Émilie. Ela conta para ele que em breve vai se mudar exatamente para Fontenay.

Numa outra vez em que François tem que ir a Vincennes e tem que telefonar, revê Émilie. Saem para tomar um café. Já sabem que querem estar um com o outro.

A seqüência é extraordinária. A montagem é ágil, rápida. Vemos François, vemos Émilie. A câmara pega então uma mesa ao lado, o foco está na bebida que as pessoas da mesa ao lado estão tomando. Pega outra mesa. De novo François, de novo Émilie. Ele pergunta se não podem passear no castelo da região – tomadas rapidíssimas, de pouquíssimos segundos, mostram o que cada um imagina de um passeio deles ao castelo, do lado de fora, do lado de dentro.

François, o carpinteiro criado por Agnès Varda, homem simples, bom, honesto, marido feliz que ama a mulher e os filhos, acredita que pode ter uma felicidade a mais, somar duas felicidades.

         20, 30 leituras diferentes

Qualquer obra está aberta a várias, diferentes interpretações. Deve haver 20, 30, sei lá quantos tipos de leituras diferentes para a história que Varda nos conta em Le Bonheur. Podem-se achar abordagens filosóficas, psicanalísticas, sociológicas, antropológicas. Será a monogamia uma invenção de parte da humanidade que contraria as leis naturais? Onde começa o moralismo? É possível evitar o sentimento de culpa? Mentir, omitir, é preferível, às vezes, à verdade? – ou qualquer outra coisa parecida, ou diferente. Eu, de minha parte, prefiro não entrar nessa.

Prefiro simplesmente desfrutar da beleza do filme.

         Um intermezzo pessoal. O eventual leitor pode pular para o próximo intertítulo

Tinha visto Le Bonheur duas vezes, com poucos dias de diferença entre uma e outra. Foram, as duas, em abril de 1967, no Cine Plaza de Curitiba, conforme vejo no cadernão, o segundo que enchi com as fichas técnicas básicas dos filmes que via. Não me lembro, mas deve ter tido um ciclo de cinema francês no Cine Plaza, em 1967, porque entre abril e maio vi lá dois Godard (Tempo de Guerra/Les Carabiniers e O Pequeno Soldado/Le Petit Soldat) e três Varda (Le Bonheur, duas vezes, e ainda As Criaturas e Cleo das 5 às 7). O que me lembro é que, de longe, o que mais me fascinou foi Le Bonheur.

abonheur1Sempre guardei dele uma lembrança encantadora, de uma coisa mágica.

Nunca mais tinha visto o filme; que eu saiba, ele não foi relançado nos cinemas no Brasil, nem saiu em VHS. Na França, o filme só foi lançado em DVD em 2006, segundo vi no site da Fnac francesa. Nos Estados Unidos, saiu em 2008, pela Criterion Collection, tida como a editora dos mais bem cuidados DVDs do mundo, ao lado da francesa MK2. Saiu no Brasil só agora, no segundo semestre de 2009, em DVD sem um extra sequer, por uma empresa pequena, que nem diz seu nome direito, dessas que deixam a gente em dúvida se eles pagaram os direitos autorais ou simplesmente piratearam o filme. Na capa do DVD aparece só o título da coleção, Coleção CultClassic. No disco, pequenininho, está o nome Cult Classic’s Comércio de DVDs.  

Mas o que importa é que a cópia está muito boa. Antes do início do filme, uma legenda informa que o filme passou por duas restaurações, uma em 1996 e outra em 2005.

Tinha até um pouco de medo de rever o filme depois de tantos anos – credo, mais de 40! – e me decepcionar. Bobagem total. O filme me encantou da mesma forma como havia me encantado quando tinha 17 anos de idade.

         Um casal de verdade, uma família de verdade

 Uma coisa de que eu não me lembrava: o casal de atores que faz o François e Thèrese, Jean-Claude Druout e Claire Druout, era casado na vida real. E os garotinhos que fazem os filhos do casal, Pierrot e Gisou, eram filhos deles na vida real, Olivier e Sandrine Druot. Nos créditos iniciais, eles são até mesmo apresentados de uma maneira que pode ofender as feministas mais radicais: “Jean-Claude Druout, sua mulher Claire e seus filhos Olivier e Sandrine”. Imagine se Agnès Varda, uma feminista de primeira hora, estava querendo colocar Claire como menos importante que Jean-Claude; queria, logicamente, obviamente, apenas enfatizar que o casal que o espectador veria na tela estava reproduzindo o que era na vida real.

Foi o primeiro longa-metragem de Jean-Claude Druout; ele prossegue na carreira até hoje, basicamente na TV francesa. Claire Druout, ao contrário, só fez este filme.

Marie-France Boyer, uma mulher de beleza arrebatadora, fascinante, apaixonante, já era atriz desde 1959. Mas, apesar da beleza, e do talento que demonstra no filme no papel de Émilie, não teve uma grande carreira. Seu último trabalho registrado no iMDB foi uma série de TV de 1971.

 Em 2002, portanto 37 anos depois de Le Bonheur, o diretor Robert Guédiguian dirigiria um filme que faz lembrar este aqui. É também sobre trabalhadores, gente simples, não intelectualizada; na trilha sonora também há Mozart, e é também sobre um triângulo amoroso, mas nele o vértice é uma mulher. Marie-Jo e seus Dois Amores, o filme de Guédiguian, realmente faz lembrar Le Bonheur, mas é o oposto dele, assim como Marie-Jo é antípoda de François. Poderia perfeitamente se chamar Le Malheur, e os exibidores brasileiros estariam certos se usassem o título As Duas Faces da Infelicidade

         Nada de tons pastel, meio tons – são cores fortes, vivas, berrantes

abonheur5Para as pessoas mais jovens, pode parecer muito estranho, mas nos anos 60 ainda se fazia a transição do preto-e-branco para o colorido. Nos anos 30 já havia filmes em cores – mas o preto-e-branco continuou a ser usado por muitos diretores em todas as décadas seguintes. Só a partir dos anos 70 os filmes em preto-e-branco passaram a ser gloriosas exceções.

Os anos 60 foram a época da transição. Nos Estados Unidos, John Ford, John Huston, Robert Aldrich, Robert Rossen, Robert Mulligan, entre muitos outros, ainda faziam filmes preto-e-brancos nos anos 60. Na França, Truffaut, Malle, Godard, Demy, Varda, toda aquela geração que começou a dirigir no finalzinho dos anos 50 e início dos 60 fez seus primeiros filmes em preto-e-branco.

A mesma coisa na Itália de Visconti, Antonioni, Fellini. A mesma coisa na Inglaterra de Tony Richardson, Karel Reisz, Richard Lester. Antonioni fez seu primeiro filme em cores em 1964 – Il Deserto Rosso. Fellini, em 1965 – Giulietta degli Spiriti. Visconti é um caso ligeiramente diferente, conforme me alertou o Jorge Teles: ele alternou filmes em preto-e-branco e em cores; estreou no P&B, e fez seu primeiro filme colorido, Sedução da Carne/Senso, ainda em 1954, antes de todos os grandes de sua geração; voltou ao P&B nos dois filmes seguintes; O Leopardo/Il Gattopardo, de 1963, é uma festa de cores – seria inimaginável O Leopardo em preto-e-branco. Mas ele voltaria ao P&B em 1965, com Vagas Estrelas da Ursa.

Truffaut só aderiu ao colorido em 1966, em Farenheit 451 – e ele também, na sua estréia em cores, abusou das cores fortes, quentíssimas. Com Jacques Demy foi a mesma coisa: sua estréia no colorido, Os Guarda-Chuvas do Amor, era um arco-íris.

Le Bonheur foi o primeiro filme em cores de Agnès Varda. E haja cores. Nada de tons pastel, meio tons: são cores fortíssimas. O amarelo vivo, fortíssimo, dos girassóis da abertura. Os vários verdes do bosque. O azul das paredes da casa de François e Thèrese.

Le Bonheur tem tanta cor que até os fade outs e fade ins entre uma seqüência e outra explodem em cores. O primeiro é em azulão, o segundo é vermelhão, e por aí vai.  Nunca vi isso em nenhum outro filme.

         Homenagens a cantores, compositores, atores, filmes

Como boa parte dos grandes cineastas de sua geração, Agnès Varda cita, homenageia diversos artistas. Le Bonheur é cheio de referências a atores, cantores, compositores, filmes. François e Thèrese conversam sobre o filme que vão ver na sessão das 21 horas no cinema ali de Fontenay; François pergunta se é um western, e Thèrese diz que não tem cavalos; aí François diz: “Ah, então é um filme francês!”. E Thèrese confirma: é com Brigitte Bardot e Jeanne Moreau, a primeira vez que elas trabalham juntas. (Viva Maria!, a colorida aventura de Louis Malle que reuniu as duas maiores estrelas do cinema francês da época, é do mesmo ano de Le Bonheur, 1965.)

Thèrese então pergunta qual das duas François prefere, e ele diz que prefere Thèrese.

E aí corta, e há uma tomada de um armário dos funcionários da carpintaria onde François trabalha, repleto de fotos de Brigitte e de Jeanne Moreau.

Em diversas outras cenas, aparecem fotos de Sylvie Vartan, grande sucesso do pop francês nos anos 60, de Georges Brassens, uma espécie assim de Noel Rosa deles; há referência à cantora Dalida; e um cartaz de cinema anuncia Detective Story, de William Wyler, de 1951 (no Brasil, Chaga de Fogo) e Irma La Douce, de Billy Wilder, de 1963. Em um aparelho de TV na casa do tio de François, está passando um filme de Jean Renoir, o filho do pintor Auguste – parece que é Le Déjeuner sur l’Herbe, de 1959.

         “No meu filme, pecado não existe”

“Pensei nos impressionistas”, disse Varda numa entrevista no ano em que o filme foi feito. “Em seus quadros, há uma vibração da luz e da cor que me parece corresponder exatamente a uma certa definição de felicidade. Aliás, os pintores daquela época adaptaram sua técnica à sua temática, e, assim, eles mostraram piqueniques, refeições sobre a relva, domingos que se aproximavam de uma noção de felicidade. Eu utilizei a cor, porque a felicidade não pode ser ilustrada em preto-e-branco.”

Em outra entrevista, também de 1965, ela vai fundo:

“Há infelicidade na felicidade. Talvez até da pior, como um suicídio. Mas a vida e a felicidade podem coexistir. A felicidade que eu sinto, que eu quis no filme e que eu quero na minha vida, é uma casa alegre, aberta. Não é se esconder, mas enfrentar. A felicidade é uma claridade. No meu filme, o pecado não existe. Nem a baixaria. Mas não estamos habituados a isso, pois é difícil conceber um mundo sem culpa.”

         Uma cineasta que sempre homenageia o marido

abonheur4Em uma seqüência no meio do filme, François, com sua habilidade de bom carpinteiro, está construindo e pintando um posto de gasolina de madeira que vai dar de presente para o filho caçula, Pierrot. O posto é idêntico ao que aparece na seqüência final de Os Guarda-Chuvas do Amor. O pequeno detalhe é uma das muitas homenagens que Agnès Varda prestou na vida a seu marido Jacques Demy. Ela fez um longa-metragem sobre as recordações de Demy a respeito de sua infância, Jacquot de Nantes, de 1990. Fez Les Demoiselles on eu 25 ans, um média-metragem sobre os 25 anos do filme Duas Garotas Românticas/Les Demoiselles de Rochefort, o filme que Demy fez depois de Os Guarda-Chuvas. Fez outro longa sobre o marido depois que ele morreu, O Universo de Jacques Demy, de 1995. Supervisionou os trabalhos de restauração das cores vivas de Os Guarda-Chuvas.

Cacilda, isso é que é amor.

E cacilda, Le Bonheur – isso é que é filme belo. 

         “Nos estreitos limites, ainda nos podemos mexer”

Falei lá em cima que pode haver dezenas de diferentes interpretações para Le Bonheur, e que não iria entrar nessa. Dando uma rápida olhadinha na internet, vi que tem gente que diz que o filme tem um tom de conto de fadas. Outro diz que Varda quis fazer uma grande ironia. Uma mulher escreveu que a seqüência final – passada já no outono, ao som de uma peça de câmara de Mozart que teria, segundo ela, um tom fúnebre – significa um funeral. Outra pessoa conta que, nos extras do DVD na Coleção Criterion, quatro intelectuais franceses discutem sobre o filme e o significado da felicidade. Um deles, Frederic Bonnaud, pontifica: “Max Ophuls fez um filme maravilhoso chamado Prazer, e não Felicidade. E a última frase é: ‘A felicidade não é alegre’. É isso, alguém diz: ‘Mas, senhor, a felicidade não é alegre’. E eu penso que o filme de Agnès é uma análise a respeito dessa frase”.

Bem, então eu me desdigo, e entro nessa história, boto minha colher. Vou tentar dizer o que vejo no filme. Não o que eu ache que a Varda quis dizer, mas o que o filme diz para mim.

Minha “leitura” (eta expressão horrorosa, pretensiosa, babaca) é simples, direta, quase tosca.

Para mim, que teimo em achar que a menor distância entre dois pontos é uma boa e simples linha reta, Le Bonheur quer dizer que alguma felicidade é possível e, para isso, cada um tem que fazer a sua parte. Há quem complique demais as coisas, e há quem veja as coisas de maneira simples. Quem persiga a infelicidade, e quem busque ser feliz. François e Émilie são do segundo time. Vêem as coisas de maneira simples. Exatamente por isso Varda escolheu como personagens um carpinteiro e uma funcionária dos Correios – gente não intelectualizada, não especialmente culta, porque, aparentemente, quanto mais intelectualizadas são as pessoas, mais se dedicam a perseguir a infelicidade.

“Sou livre, feliz e você não é o primeiro; me ame”, diz Émilie. “Eu conheci Thèrese primeiro, e casei com ela, e a amo, e amo você e sou feliz. Se tivesse conhecido você primeiro, teria casado com você”, diz François.

Então ele acredita que possa ter uma felicidade a mais, somar duas felicidades. E faz a parte dele para desfrutar da felicidade.

Simples assim.

Em seu Marie-Jo e Seus Dois Amores, ou As Duas Faces da Infelicidade, Robert Guédiguian faz sua Marie-Jo, a antípoda de François, sofrer tudo o que é possível sofrer, exatamente porque ama duas pessoas ao mesmo tempo. Por antecipação, por antecedência – antes que qualquer tragédia aconteça.

François não conta com a tragédia, não prevê uma tragédia. Em vez de sofrer por antecipação, por antecedência, é feliz. Acredita que é possível somar duas felicidades.

A própria Agnès Varda havia se permitido uma brincadeira no meio de seu filme anterior, Cleo de 5 às 7. No meio daquele filme sobre uma mulher que está para receber o resultado de um exame médico que poderá condená-la à morte iminente, há um filmetinho, um intermezzo, em que o diretor Jean-Luc Godard, em uma participação especial como ator, tira os óculos escuros, passa a ver o mundo de maneira diferente e diz: “Eu via tudo negro por causa dos meus óculos escuros!” 

Claro que isso é uma brincadeira, uma simplificação. Mas é assim que eu vejo Le Bonheur: como um elogio da simplicidade. Um elogio de quem procura não ver a vida através de óculos escuros. A vida não é um mar de rosas, não é um conto de fadas; “la vida no es buena, ni bella, ni nada”, mas certamente fica um pouco melhor se não fizermos um grande esforço para transformá-la numa merda total. Se, em vez de sofrermos por antecedência, por antecipação, à espera de uma tragédia que virá, soubermos aproveitar o que há de bom enquanto o que é bom dura. Ou ao menos se tentarmos.

Não depende apenas de nós – são sempre 200 mil variáveis, mas algumas delas passam pelas decisões que tomamos, pelas opções que fazemos. Como disse o velho Graça, nas Memórias do Cárcere, numa frase perfeita e bela como Le Bonheur da Varda: “Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”.

As Duas Faces da Felicidade/Le Bonheur

De Agnès Varda, França, 1965.

Com Jean-Claude Druout, Claire Druout, Marie-France Boyer, Olivier Druot, Sandrine Druot

Argumento e roteiro Agnès Varda

Fotografia Claude Beausoleil e Jean Rabier

Montagem Janine Verneau

Música W.A. Mozart

Produção Parc Films, Mag Bodard

Cor, 79 min

R, ****

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