A Noite / La Notte

3.5 out of 5.0 stars

Paulo Mendes Campos escreveu que “o amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…” E concluiu: “em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba”. Valentina, a personagem de Monica Vitti em A Noite, diz para o escritor Giovanni-Marcello Mastroianni: “Todas as vezes que tentei me comunicar com alguém, o amor foi embora”.

Giovanni e sua mulher, Lidia (o papel de uma Jeanne Moreau resplandescentemente bela aos 33 anos de idade), mal se comunicam mais. Visitam um amigo que está muito mal, com doses de morfina para enfrentar as dores incessantes, e não falam uma palavra um com o outro – desde a chegada ao hospital, durante toda a visita, e nem no carro, no caminho de volta do hospital, enfrentando o trânsito louco, desordenado, italianamente caótico de Milão.

A sequência em que os dois estão lado a lado no carro, sem falar nada um com o outro, depois da visita ao amigo Tommaso (Bernhard Wicki, na foto abaixo), que abre o filme, é impressionante. Coisa de gênio.

Lidia não havia conseguido ficar muito tempo diante do amigo que sofria dores terríveis, e dera um pretexto qualquer para dizer que precisava sair, mas voltaria para vê-lo no dia seguinte. Despede-se de Tommaso – a tomada da despedida é fantástica –, da mãe dele, e sai do quarto, sem falar nada com o marido. Do lado de fora do hospital, perto do carro do casal, chora.

Giovanni fica mais algum tempo. Ao sair do quarto de Tommaso, é abordado pela mulher que o casal já havia visto ao chegar – uma mulher jovem, atraente, com um rosto convulsionado, gestos e jeito de quem perdeu a razão. A mulher (o papel de Maria Pia Luzi, numa interpretação fantástica) se gruda nele, puxa-o para seu quarto, tira a roupa – e., estranhissimamente, surpreendentemente, Giovanni, em vez de fugir da mulher claramente transtornada, fora de qualquer lucidez, se atraca com ela na cama – até que a porta é aberta e duas enfermeiras passam a cuidar da mulher.

Giovanni-Marcello Mastroianni sai do quarto e do hospital com o belo, apolíneo rosto sem demonstrar perturbação.

Ele e Lidia se vêem, ela entra no carro na poltrona do carona, ele entra também, dá a partida.

A câmara do diretor de fotografia Gianni Di Venanzo (que faria também a fotografia de O Eclipse, de 8 ½ de Federico Fellini, de O Bandido Giuliano de Francesco Rosi, para citar só uns poucos) está como se fosse colocada no capô do carro. Todo o quadro é ocupado pelo vidro dianteiro, e vemos em close-up os rostos de Lidia e Giovanni, de Jeanne Moreau e de Marcello Mastroianni.

Por umas duas ou três vezes, Giovanni vira levemente o rosto para o lado da mulher, como se fosse finalmente falar alguma coisa com ela – mas ele não fala nada. Lidia também se vira para ele – mas não saem palavras de sua boca.

Em um momento, cada um deles se vira para ver o outro. Os olhares se cruzam por um milésimo de segundo – mas não saem palavras de suas bocas.

Seguem-se tomadas do trânsito pesado, louco, das ruas da cidade que é o grande centro industrial da Itália, a São Paulo deles.

Só quando o filme está com 21 dos seus 122 minutos de duração é que é pronunciada a primeira frase entre o casal. – “Só faltava essa chateação do livro”, diz Giovanni.

O casal vai a uma festa na casa de um milionário

Giovanni Pontano – esse protagonista de A Noite (1961), o segundo filme da Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni, entre A Aventura (1960) e O Eclipse (1962) – é um escritor, e um escritor de sucesso, cujo nome é reconhecido pelas pessoas. Logo após a visita ao amigo à beira da morte, o escritor e sua mulher vão à livraria em que está havendo o lançamento de seu mais novo livro. A livraria está apinhada de gente.

E é impossível não notar, hoje, o detalhe de que todos os homens, sem exceção, estão de terno e gravata.

Estão também todos de gravata na grande festa na noite daquele dia, na casa de um milionário, à qual irão Giovanni e Lidia. A noite da festa dá o título do filme e ocupa cerca de metade dele.

É na festa do milionário industrial Gherardini (Vincenzo Corbella) e sua mulher (Gitt Magrini) que o casal fica conhecendo Valentina, o papel de Monica Vitti, musa e companheira de Antonioni por dez anos – viveram juntos entre 1957 e 1967, ou seja, entre O Grito (1957) e até depois de Blow-up, na carreira dele, entre Quel buon diavolo del commissario (1957) e até depois de Modesty Blaise (1967), na carreira dela.

Monica Vitti foi a única pessoa a interpretar um dos protagonistas em todos os três filmes, A Aventura A Noite O Eclipse.

Ao fim da longa noite, Lídia percebe que o amor acabou

Em algum lugar da propriedade gigantesca do milionário Gherardini, Lidia e Giovanni dão com um exemplar do livro Os Sonâmbulos, um catatau de Arthur Koestler que diz a que veio no subtítulo: Uma História da Visão Mutante do Homem sobre o Universo – simplesmente, um exame da evolução da compreensão da humanidade sobre o mundo desde a Mesopotâmia até Isaac Newton.

Mais tarde, enquanto caminha sozinha pela casa sem fim do milionário, Lidia vê, de longe, uma mulher sentada numa escada, lendo o calhamaço. Ela comenta com o marido que tinha visto quem era a leitora de Os Sonâmbulos – e depois de mais algum tempo Giovanni encontra a mulher, e começa a conversar com ela. Só depois fica sabendo que Valentina é filha dos donos da casa, e ela fica sabendo que ele é casado.

Lá pelas tantas, na noite de festa que parece não terminar nunca, Lidia vai ver de longe que o marido beija a moça. Ela mesma será paquerada por um dos convidados – e só em um último momento decide dizer não ao assédio dele.

“Em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba”, escreveu Paulo Mendes Campos ao fim de uma das mais belas crônicas que já li na vida, publicada na revista Manchete em maio de 1964 – por uma dessas coincidências de que é feita a vida, apenas dois meses antes de eu ver A Noite pela primeira vez, adolescente de tudo, aos 14 anos de idade, no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas, no centro de Belo Horizonte, no dia 26 de julho do ano do golpe militar.

Paulo Mendes Campos viu A Noite, bem provavelmente no ano de seu lançamento, 1961. Dá para afirmar isso porque todo mundo que tinha sensibilidade e gostava de cinema viu A Noite. Não dá para saber, é claro, se ele estava se lembrando de Giovanni, Lidia e Valentina quando escreveu “O amor acaba” – mas, durante a longa noite, que só termina já com o céu claro, o casal saindo da propriedade do milionário, cai a ficha na cabeça de Lidia: o amor havia acabado.

No verbete sobre A Noite em seu Dicionário de Filmes, o historiador Georges Sadoul enumera as sequências mais impressionantes, para em seguida transcrever uma fala do próprio Antonioni sobre seu filme:

“Seqüências famosas: a visita ao doente, o passeio da mulher rica por Milão e suas ruas, a entediante noitada numa boate, os convidados da recepção jogando-se na piscina, o abraço amargo e angustiante na relva, depois da festa.”

E o comentário do autor: “Um casal em que a mulher é mais lúcida que o homem, porque a sensibilidade feminina é um filtro muito mais preciso que qualquer outro, e o homem, no campo dos sentimentos, é quase sempre incapaz de sentir a realidade, pois tem a tendência de dominá-la. O peso do egoísmo masculino supõe, em seu benefício, uma abstração total da personalidade da mulher.”

Foi o primeiro encontro de Mastroianni e Antonioni

Vou transcrever, como sempre faço, mais trechos de críticas sobre o filme – mas, antes, quero registrar algumas informações, muitas delas tiradas da página de Trivia do IMDb, com pitacos meus, é claro.

* Sim, todo mundo viu A Noite, assim como viu A Aventura e O Eclipse. Consta que era um dos dez filmes preferidos de Stanley Kubrick – e, diacho, o grande, o genial Kubrick seguramente devia ter grande reverência pelo filme. Seu último filme, De Olhos Bem Fechados/Eyes Wide Shut, aquela beleza com o então casal Nicole Kidman-Tom Cruise, tem bastante a ver com o filme que Antonioni havia feito 38 anos antes.

* “Este filme era um dos preferidos de Lars von Trier”, registra o IMDb.

* A Noite levou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim, um dos três mais importantes do mundo, ao lado de Cannes e Veneza. Antonioni ganhou o David di Donatello, o Oscar italiano, como melhor diretor.

O Sindicato Nacional de Jornalista de Cinema da Itália deu os prêmios de melhor diretor para Antonioni, melhor atriz coadjuvante para Monica Vitti e o de melhor música para Giorgio Gaslini.

* Era de 19 anos a diferença de idade entre Antonioni e Monica Vitti – ele é 1912, de Ferrara, Norte d Itália, ela é de 1931, de Roma.

* Como a Claudia de A Aventura e como a Vittoria de O Eclipse, os cabelos de Monica Vitti da vida real são louros. Como Valentina, Monica está com os cabelos negros. A cor dos cabelos da atriz variava muito de filme para filme.

* Foi depois do fim de seu casamento sem papel com Antonioni, e de suas atuações nos dramas dele, que Monica Vitti passou a demonstrar sua imensa versatilidade, em comédias e até filmes de ação. Em 1966 fez o papel título em Modesty Blaise, uma aventura-comédia-ação dirigida pelo em geral sisudo e esquerdista Joseph Losey. Trabalhou com um dos grandes mestres da comédia italiana, Mario Monicelli, em A Garota com a Pistola (1968) e com Ettore Scolla em outra comédia escrachada, Ciúme à Italiana (1970), para citar apenas dois.

E é fantástico: Monica Vitti, maravilhosa nos dramas densos de Michelangelo Antonioni, é uma extraordinária comediante.

* Havia muitos ótimos atores italianos naquele início dos anos 60, mas creio que dá para dizer sem dúvida alguma que Marcello Mastroianni era o maior astro, e, como tal, trabalhou com praticamente todos os grandes diretores do então melhor cinema do mundo – Vittorio De Sica, Ettore Scola, Mauro Bolognini, Elio Petri, Valerio Zurlini, Mario Monicelli, e, sobretudo, com os três que eram tidos como os maiores de todos, a Santíssima Trindade, Luchino Visconti, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni.

Assim, é interessantíssimo notar que este A Noite foi o primeiro e, naquela época, único filme em que ele trabalhou sob a direção de Antonioni. Só voltariam a ser encontro “estes dois titãs da indústria de cinema italiano”, como diz o IMDb, 34 anos depois, em Além das Nuvens, de 1995, em que Wim Wenders dividiu a direção com o então veterano realizador.

* A Noite foi a estréia de Maria Pia Luzi (na foto abaixo) no cinema. Tinha exatos 20 anos quando interpretou a mulher sem domínio das faculdades mentais, para usar uma expressão antiga, que puxa Giovanni-Marcello Mastroianni para dentro de seu quarto no hospital, no início do filme. Trabalhou em 20 filmes, entre 1961 e 1977.

* Uma deliciosa curiosidade: Umberto Eco aparece na tela como um dos muitíssimos convidados para a festa do milionário Gherardini. Devo dizer, sem um pingo de vergonha, que eu não o reconheci – a informação é do IMDb, portanto, verdadeira…

* E, at last but not at least: A Noite pertence àquela excelsa categoria de obras que relatam fatos ocorridos todos eles em um período de apenas 24 horas. Uma categoria que tem, por exemplo, o Ulysses de James Joyce, Sra. Dalloway de Virginia Wolf (filmado, belamente, por Marleen Gorris em 1997, com a deusa Vanessa Redgrave no papel título), Crônica de uma Morte Anunciada de Gabriel García Márquez, e o extraordinário, extraordinário Sábado, de Ian McEwan. E, claro, Um Dia Muito Especial/Una Giornata Particolare (1977), a obra-prima de Ettore Scola com Marcello Mastroianni e Sophia Loren.

“O tédio e as emoções atrofiadas dos ricos”

Vamos às opiniões de quem entende.

Eis o verbete sobre A Noite do livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, assinado por JRos, Jonathan Rosenberg, crítico do Chicago Reader, na tradução da edição brasileira da Sextante:

“A seqüência de Michelangelo Antonioni do inovador A Aventura (1960) é o longa intermediário de uma trilogia que se encerra com O Eclipse (1962), realizado no auge do seu prestígio intelectual na cena internacional de cinema. Repetindo muitos dos temas melancólicos e dos avanços estilísticos de seu antecessor, com especial ênfase no tédio e nas emoções atrofiadas dos ricos, A Noite se encerra com o mesmo tipo de lembrança arrependida de desejo sexual já superado presente na cena final do conto “Os mortos”, de James Joyce. Para o bem ou para o mal, os clichês disseminados sobre Antonioni como um diretor elitista de filmes entediantes sobre ricos entediados deriva em grande medida dos excessos deste longa, apesar de ele exibir também um pouco do trabalho mais sutil e modulado do cineasta.

“O sucesso de A Noite como uma narrativa bem estruturada e elegante é um tanto menos unânime do que nos casos de A Aventura e O Eclipse. As atuações são, de modo geral, superiores às do primeiro filme e inferiores às do segundo. A intriga minimalista, restrita a um período de menos de 24 horas, trata da morte da paixão entre um novelista de sucesso, Giovanni Pontano (Marcello Mastroianni), e a sua esposa frustrada (Jeanne Moreau). As melhores partes estão concentradas, em sua maioria, no início e no fim, e incluem um breve encontro do escritor com uma paciente ninfomaníaca, internada no hospital onde ele vai visitar um amigo moribundo (Bernhard Wicki), e seu encontro, bem mais longo, com a filha de um industrial (Monica Vitti) em uma festa, cenas que trazem à tona as mudanças de impulso e de humor do personagem. As duas seqüências mostram a mise-en-scène de Antonioni no auge de sua complexidade e de sua sutileza emocional. Em compensação, o segmento mais fraco é, provavelmente, o longo passeio a pé feito pela esposa do escritor por Milão, repleto de detalhes simbólicos produzidos para traduzir seu estado mental, coisa que demonstra a influência negativa de Bergman sobre alguns cineastas no início dos anos 60. Não importam as deficiências ocasionais, este longa é obra do período considerado, com toda a justiça, como o mais rico na obra de Antonioni, e a evidência de sua impressionante maestria está presente o tempo todo.”

Do Guide des Films de Jean Tulard, texto de Emmanuelle Neto:

“Algumas horas na vida de um casal (de um sábado à tarde até o alvorecer do domingo): Giovanni e Lidia, depois de visitar um amigo à morte, vão a uma noite mundana. Eles tentam se divertir, mas não chegam a superar a incompreensão, a indiferença e o cansaço que se instalaram entre eles. A festa vai até o amanhecer. Eles se encontram muitos sós e desamparados. Seu abraço é o apelo e a confirmação de seu desânimo. Não se amam mais, só resta a eles fazerem amor. Uma excelente radiografia da agonia de um casal.”

Ô beleza! Os franceses não apenas inventaram o cinema – são também os que melhor escrevem sobre ele!

Agora, os americanos.

Leonard Maltin deu 2.5 estrelas em 4: “Moreau está entediada e perturbada pelo marido unidimensional Mastroianni neste estúdio da falta de comunicação. Estiloso, interovertido, abstrato – e superficial –, cheio de ‘imagens vazias, sem esperança’. O segundo de uma trilogia, precedido por L’Avventura e seguido por L’Éclisse.”

Pauline Kael, na edição brasileira do livro 1001 Noites no Cinema:

“No filme anterior A Aventura, de Antonioni, também sobre a pobreza moral e espiritual dos ricos, o senso arquitetônico do diretor era parte integral do tema e das personagens; aqui dominam os elementos abstratos, e o drama torna-se glacial. E sua concepção é desagradável: as personagens parecem encontrar glamour em sua própria desolação e vazio. São intelectuais de cartão-postal – uma espécie de café society internacional – e sua lassidão dá a impressão de poses vazias. Marcello Mastroianni faz um romancista de tez pálida; como sua mulher, Jeanne Moreau anda interminavelmente, com a câmera fixa em seu traseiro; e Monica Vitti é a morena mergulhada em dinheiro até o pescoço e sem nada para fazer.”

La Kael avisa que fala mais extensamente sobre o filme no seu livro I Lost it at the Movies – mas esse aí eu não tenho.

Um grande filme. Mas como tem momentos chatos!

E, agora, algumas considerações minhas, absolutamente pessoais e intransferíveis, feito dor de dente.

Sou um fã devotado de Michelangelo Antonioni, desde absolutamente sempre. No meu caderninho de cinema de criança/adolescente, anotei lá em 1964 a cotação máxima para La Notte. E repeti a cotação máxima quando revi o filme em 1966, no Cine Colégio Santa Maria, em Curitiba.

Muitas décadas mais tarde, depois de velho, revi Blow-up para escrever sobre ele no meu site, e fiquei extasiado com o filme. Revi A Aventura, e a admiração pelo filme foi enorme.

Não fiquei extasiado ao rever agora A Noite.

É um grande filme, sem dúvida alguma. Não há dúvida, não cabe discussão. O filme é grande, é forte, é imponente, é marcante. Tem, diversas, diversas sequências de imensa beleza visual. É obra de um dos maiores realizadores da arte ao longo destes hoje cerca de 130 anos.

Sem dúvida alguma, sem discussão possível.

Agora, em muitos momentos, o filme é chato.

Ao escancarar para o espectador o profundo tédio daquelas pessoas que não sabem se comunicar, ao exibir aquelas frases teoricamente intelectualizadas, profundas, sérias, mas na verdade vazias, ocas, beirando a idiotia total, A Noite consegue – em vários momentos – deixar o espectador entediado.

Foi uma experiência bastante interessante rever o filme agora, sozinho, Mary fora de casa, viajando pelas Oropa. Acho que, se visse com ela, não ficaria muito à vontade. Vendo sozinho, parei várias vezes – para pensar, para não pensar, me distrair, fazer outra coisa, ou ver de novo uma ou outra cena.

Me senti dividido – via momentos do grande, do maior cinema, via momentos chatos, aborrecidos. A longa sequência em que Lidia-Jeanne Moreau passeia sozinha por bairros periféricos de Milão é um pé no saco.

Depois que terminei de ver, o filme não me saía da cabeça.

Natural. Nada mais natural: filme poderoso, forte, importante aí é assim mesmo, uai.

Estou velho demais para dourar pílulas. Então posso dizer: A Noite é um filmaço. Mas, diabo, como tem momentos chatos!

E, sim: falta rever O Eclipse.

Anotação em junho de 2025

A Noite/La Notte

De Michelangelo Antonioni, Itália-França, 1961

Com Marcello Mastroianni (Giovanni Pontano),

Jeanne Moreau (Lidia),

Monica Vitti (Valentina Gherardini),

Bernhard Wicki (Tommaso, o amigo doente), Maria Pia Luzi (a paciente no hospital de Tommaso), Rosy Mazzacurati (Resy), Guido A. Marsan (Fanti), Gitt Magrini (signora Gherardini), Vincenzo Corbella (Gherardini), Giorgio Negro (Roberto), Roberta Speroni (Berenice), Ugo Fortunati (Cesarino)

Argumento e roteiro Michelangelo Antonioni, Tonino Guerra, Ennio Flaiano

Fotografia Gianni Di Venanzo

Música Giorgio Gaslini

Montagem Eraldo Da Roma

Produção Emanuele Cassuto

P&B, 122 min (2h02)

R, ***1/2

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