Noivo em Fuga / The Groomsmen


Nota: ★★★☆

Anotação em 2009: Continua em forma o Edward Burns, que me surpreendeu e encantou com seus dois primeiros filmes, Os Irmãos McMullen, de 1995, e Nosso Tipo de Mulher, de 1996 – em que, como neste aqui, ele é o autor, o roteirista, o diretor e o ator principal. 

Em Noivo em Fuga, de 2006, ele conta as histórias de cinco amigos de infância, na faixa dos 33 a 35 anos, em Long Island -, e, ao apresentá-las, faz assim uma espécie de compêndio dos pequenos problemas que assolam o dia-a-dia do macho americano típico nesta primeira década dos novos século e milênio. Os quais, a rigor, não são muito diferentes dos problemas do brasileiro, do francês, do italiano, do inglês, do mexicano, do argentino – epa, do argentino, não!, berrariam os argentinos. Nosotros no tenemos ningún problema!

Eta piadinha besta.

Uma jornalista de primeiríssimo time de revista feminina (não consegui deixar de pensar em Regina Lemos e Lucy Dias) poderia fazer um belíssimo estudo dos medos, indecisões, inibições, equívocos, dramas, paranóias, incapacidades dos homens de hoje – em especial a incapacidade de ficar mais maduro, mais sábio, mais velho – a partir deste filme.

Como são imbecis os meninos, diria, com toda certeza, Lucy Dias, se visse o filme.

         Tensão pré-casamento

A ação se concentra nos dias que antecedem o casamento de Paulie (o papel de Edward Burns) com Sue (interpretada por Brittany Murphy, essa atriz que morreu tão absurdamente nova, aos 32 anos, em dezembro de 2009, exatamente o mês em que vi o filme). Paulie e Sue já viviam juntos havia uns três anos; não planejavam ter filho, mas Sue ficou grávida, e eles nem pensaram na possibilidade de um aborto. Estão para se casar, com grande festa, como se deve fazer na vida real e especialmente nos filmes, porque as platéias parecem adorar filmes em que aparecem festas de casamento.

Não se especifica em que exatamente trabalha Paulie; só se diz que ele passa algumas horas do dia ao computador, e não está mal de vida. Deve ser escritor, ou algo assim. O fato é que, materialmente, não está mal, e se dá bem com Sue, as coisas estão basicamente bem. Ele não se sente, a bem da verdade, muito preparado para essa história de ser pai – e quanto mais se aproxima a data do casamento, mais Sue se mostra demandante; demanda cada vez mais carinho, atenção, cuidado, demonstrações de felicidade com o casamento em si, com a perspectiva de ser pai.

Paulie gosta de ver os velhos amigos, de jogar beisebol com eles, recriar com eles a velha banda de rock que eles haviam abandonado faz tempo, pescar com eles, bater papo furado com eles e, sobretudo, beber com eles, em qualquer lugar, mas de preferência no bar de Dez.

Dez (Matthew Lillard) é o único dos cinco amigos que já tem filhos – dois garotos, de uns oito, nove anos. A vida de Dez com a mulher Tina (Shari Albert) não é assim um absoluto mar de rosas, mas também não tem grandes problemas; Tina já nem reclama mais que o marido dá mais atenção ao bar e ao rock do que a ela.

Já a vida de Jimbo (Donal Logue), o irmão mais velho de Paulie, com a mulher está muito mal. Ele andou perdendo um emprego atrás do outro, entrou numa fase ruim, está comendo e bebendo cerveja demais e engordando e dando cada vez menos atenção a ela.

         Aos 33 anos, o cara coleciona gibis e faz álbum de figurinhas

Mike (Jay Mohr), primo de Paulie e Jimbo, ao contrário, dá toda a atenção possível a Jen (Jessica Capshaw), e gostaria muito de ter filhos e criar uma família – o problema é que Jen rompeu o namoro e não quer saber dele de jeito nenhum. Ele insiste, insiste, insiste – mas só recebe pé no rabo. Jen explica didaticamente que não agüenta o fato de que ele continua um garoto, embora tenha 33 anos; continua fazendo coleção de gibis e figurinhas de jogadores de beisebol, e se recusa a crescer, a encarar o fato de que é adulto. Mike ainda mora com o pai viúvo, e é de fato um bebezão. Tanto que ainda tem um ódio profundo de TC, o quinto membro da turma, oito anos depois que TC roubou uma figurinha do álbum de beisebol dele e sumiu no mundo, nunca mais deu notícia alguma para ninguém – até agora, quando reaparece para o casamento de Paulie.

E então finalmente temos TC (John Leguizano), o que foi embora e nunca mais tinha dado notícia. TC é um personagem muito interessante, muito bem construído – e John Leguizano está muito bem no papel; ele se ressalta em meio a um elenco homogeneamente correto.

O filme acompanha os encontros, as conversas, as brigas, as discussões desses cinco camaradas.

Como em seus outros filmes, aqui os diálogos criados por Edward Burns são ágeis, inteligentes, rápidos. Os amigos falam de seu dia-a-dia, dos problemas que estão enfrentando – tudo do jeito macho de ser, ou seja, nunca abrindo muito o coração, sempre um tanto com pé atrás, na defensiva, em frases meio entrecortadas. Ninguém quer ter uma conversa muito franca, muito aberta – isso é coisa de mulher.

No final, o filme me decepcionou um pouco. Me pareceu um tanto simplista demais, um tanto rápido demais, um tanto dentro do esquema demais. Mas a decepção é pequena. É um bom filme, extremamente sensível, que fala coisas importantes, necessárias, sobre o dia-a-dia das pessoas normais, gente como a gente.

Noivo em Fuga/The Groomsmen

De Edward Burns, EUA, 2006

Com Edward Burns (Paulie), John Leguizamo (T.C.), Jay Mohr (Mike), Matthew Lillard (Dez), Donal Logue (Jimbo), Brittany Murphy (Sue), Heather Burns (Jules), Jessica Capshaw (Jen), Shari Albert (Tina)   

Argumento e roteiro Edward Burns

Fotografia William Rexer II

Música Robert Gary e P.T. Walkley

Produção Marlboro Road Gang Productions, Bauer Martinez Studios

Cor, 98 min

***

7 Comentários para “Noivo em Fuga / The Groomsmen”

  1. Edward Burns tem apenas 43 anos. Agora em 2011, Se passaram 17 anos do filme “Os Irmãos McMullen”, o primeiro que Edward dirigiu. Acredito que ele dirigiu apenas 7 filmes. Espero que ele continue dirigindo por mais duas décadas. Ele tem potencial. Eu acredito que ele vai amadurecer e ser reconhecido pela academia, sendo nomeado ao Orcar ou até mesmo ganhando a estatueta. A capa nacional de “Noivo Em Fuga” não é boa. Não é bem representativa para o conteúdo adulto do filme. O filme não é comédia. É um filme muito parecido com o filme “Hora De Voltar” (Garden State, 2004), realizado dois anos antes do filme de Edward. O filme me fez recordar de amigos e de amigas que casaram e que eu não os vejo mais. Me emocionei com o reencontro de TC (John Leguizano) com o pai. O filme parece com seriados jovens, quando já está naquelas temporadas que os personagens já estão mais velhos, trabalhando, uns casados, outros morando em outra cidade e a audiencia diminui, pois o que era comédia romântica passou para um nível mais adulto e, para muitos, perdeu a graça. É necessário colocar um gênero para estes filmes que não são comédia, nem drama e nem romance kkkk Eu gosto do gênero… só não sei classificá-lo ainda 🙂

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