Marie & Bruce / Marie and Bruce


Nota: ½☆☆☆

Anotação em 2009: Este Marie & Bruce é um filme tão idiota, tão estupidamente chato, sacal, insuportável, e pretensioso, e metido a genial, que dá uma imensa preguiça falar dele.

Serei breve.

Marie é interpretada pela bela e ótima Julianne Moore, com aquela brancura diáfana dela; Bruce é feito por Matthew Broderick, que já fez muita coisa boa, desde que era bem novinho, como em Jogos de Guerra e O Feitiço de Áquila/Ladyhawke.

Marie e Bruce se odeiam, estão de saco profundamente cheio um do outro. Um implica com o outro o tempo todo, nas mínimas coisinhas. Quando o filme começa, o despertador tocando às 7 horas da manhã, Marie vira-se para a tela e diz que não agüenta mais, que vai se separar de Bruce.

Marie e Bruce são pessoas chatas de galocha. São insuportavelmente chatos. São desinteressantes. São burros. São pobres de espírito. São intoleráveis. Por que eles viveram juntos até agora, até este dia que o diretor vai nos mostrar ao longo de intermináveis, torturantes 91 minutos de filme, é um mistério maior que as perguntas filosóficas básicas – quem somos, onde estamos, para onde vamos.

O diretor Tom Cairns deve ter visto muito filme dos mestres europeus, não entendeu nada, não deglutiu, e aí resolveu fazer um filme pretensamente inteligente, cheio de símbolos que não querem dizer nada – de repente, no meio de um passeio por uma cidade, Marie se vê num campo verde deslumbrante, de sonho. Não, ela não tinha fumado baseado, nem tomado ácido, nem nada.

A câmara usa aquele esqueminha de, no mesmo plano, sem corte, mostrar a passagem do tempo um tanto aceleradamente – ou seja, o tempo da câmara se distancia do tempo decorrido na ação, embora não tenha havido corte algum no plano. Então, por exemplo, a câmara focaliza Marie no chuveiro, aí faz um travelling pelo apartamento e  vemos Marie já sentada na poltrona da sala, a aborrecer-se, a entendiar-se – ela não tem nada para fazer na vida, não tem hobby, não lê, não vê filme, não coleciona selo, não se masturba, não malha, não compra roupas, não faz coisa alguma a não ser entediar-se, aborrecer-se – e aborrecer o pobre coitado do espectador. Esse esqueminha do mesmo plano mostrando dois momentos distintos é repetido ad nauseam.

E depois os dois se encontram numa festinha chata, cheia de gente chata, que só fala coisa chata, propositadamente chata. É possível que o diretor pense que está recriando o clima de A Noite, de Antonioni, com uma pitada de Faces, de John Cassavetes.

         É tão chato que não dá nem vontade de ficar falando mal 

Argh. Chega. Nem eu, que quando me emputeço com um filme costumo fazer diatribes enormes, tenho saco de ficar falando muito deste filme. Vou procurar alguma informação sobre esse chato desse diretor e alguma opinião de gente que diga que o filme é genial (sempre tem), e pronto.

Quase nada sobre o diretor Tom Cairns no iMDB. Este aqui foi o primeiro filme dele. A notícia boa é que, de 2004 até agora, final de 2009, ele não cometeu nenhuma outra atrocidade.

O iMDB diz que o filme teve avant-première no Sundance Film Festival em janeiro de 2004, mas, por problemas de distribuição, levou cinco anos para chegar aos cinemas americanos. Pois é, penso eu: às vezes o mercado é sábio.

Um sujeito chamado A.T. Hurley chega a comparar o filme a Cenas de um Casamento, de Bergman. Era previsível. Tem louco pra tudo. Mas minha imensa preguiça com esse filme me impede de traduzir o texto. Está aí pra quem quiser:

“First comes love, then comes marriage–then comes the roller-coaster ride of a lifetime. The wickedly dark yet moving Marie and Bruce, written by arch-wit Wallace Shawn, is an unflinching look at a marriage, warts and all. (Or perhaps it is all warts.) Julianne Moore and Matthew Broderick, playing the title couple, are in peak–often surprising–form, giving nuanced performances to Shawn’s often stagey-sounding dialogue (the film is based on his play). In the same vein as Who’s Afraid of Virginia Woolf?, Scenes from a Marriage, and War of the Roses, the film wades into harrowing emotional territory–and stays there, unwavering. Marie, unsatisfied in her marriage, throws words like “dear,” “darling,” and “sweetheart” at the slightly hapless Bruce as though they were poison-tipped darts. But Bruce has a secret life of his own, far from the reach of the acid-tongued Marie. It’s the screenplay’s strength that each scene and revelation involving this couple are a surprise. The situation is not all bleak. There’s love between these two. And Marie has, under her barely contained rage, a tremendous vulnerability, portrayed perfectly by Moore as traces of anxiety flicker across her face at a cocktail party where she’s suddenly uncomfortable–and sympathetic. The deeply affecting performances of Moore and Broderick will stay with the viewer long after Marie and Bruce have taken their journey into the dark side of love.”

Marie & Bruce/Marie and Bruce

De Tom Cairns, EUA, 2004

Com Julianne Moore, Matthew Broderick, Bob Balaban

Roteiro Tom Cairns e Wallace Shawn

Baseado na peça de Wallace Shawn

Produção Holedigger Films e Little Bird Development

Cor, 91 min

Bola preta

2 Comentários para “Marie & Bruce / Marie and Bruce”

  1. Era essa a crítica que eu estava procurando. E só não foi chata pq não se adentrou mais em falar da chatice do filme. Maldito TOC que me fez assistí-lo todo…

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