A Proposta / The Proposal


Nota: ★★½☆

Anotação em 2010: Uma comedinha romântica bem bobinha, absolutamente descartável – e bem gostosinha de se ver.

Parece que 2009 foi o melhor ano da carreira de Sandra Bullock. Este A Proposta foi um dos três filmes dela lançados no ano; por Um Sonho Possível/The Blind Side, levou o Oscar de melhor atriz, o Globo de Ouro e Screen Actors Guild, o sindicato dos atores.

Não está mal, a Bullock, nesta comedinha, pela qual teve uma indicação ao Globo de Ouro como melhor atriz em comédia e/ou musical. Está legal, e em alguns momentos bem engraçada no papel de Margaret Tate, a editora-chefe de uma grande editora de livros de Nova York – uma megera, uma tirana, cobra cascavel, detestada e temida por todos os funcionários da empresa, em especial por Andrew Paxton (Ryan Reynolds), secretário dela.

Quando o filme começa, vemos, em ações paralelas, Andrew e Margaret acordando para mais um dia de trabalho no coração da capital do mundo, o lugar mais competitivo do planeta. A entrada de Margaret na empresa faz lembrar, e muito, a entrada no local de trabalho de Miranda Priestley, a diretora de redação megera, tirana, cobra cascavel, interpretada por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada.

Já se fizeram todas as comédias românticas possíveis e imagináveis, e assim não sobra espaço para novidades, grandes sacadas. A trama de A Proposta mistura elementos de O Diabo Veste Prada com Green Card, de Peter Weir, com Gérard Depardieu e Andie MacDowell, com alguma coisinha de Recém Chegada/New in Town.

Nada contra – é só uma constatação.

         Situações bobas, forçadas, e algumas boas sacadas

O roteirista Pete Chiarelli não demora mais que uns dez minutos para apresentar o ponto crucial da trama. A poderosa, tirânica Margaret Tate é canadense; descuidou-se com os papéis, a burocracia, e agora está diante de uma iminente expulsão dos Estados Unidos por não ter legalizado sua situação. É avisada disso por seus superiores, os donos da editora.

No mesmo momento, acha a solução: anuncia aos patrões que vai se casar – com Andrew, o secretário. Andrew é americano, e com isso resolve-se tudo.

Sim, a idéia pode até ser boa, mas há dois probleminhas. Primeiro, é preciso que Andrew aceite a proposta. E, segundo, se ele aceitar, terão que enfrentar o rigor do serviço de imigração, que tratará da executiva bem situada na vida com o mesmo rigor que dispensa a qualquer cucaracha.

Com uns 20 minutos de filme, talvez até menos que isso, Margaret e Andrew estão viajando para Sitka, uma cidadezinha perdida no interiorzão do Alasca, onde moram os pais do rapaz.

O roteiro reunirá situações bem bobas, bem forçadinhas, e algumas sacadas bem legais. Uma delas é que Margaret terá grandes surpresas naquele lugar perdido no fim do mundo. Grace, a mãe de Andrew (a sempre boa Mary Steenburgen), e especialmente Annie, a avó (Betty White, na foto), são exatamente o oposto do que seria de se esperar de um Estado que foi governado por Sarah Palin, aquele fóssil dinossáurico, aquela coisa reacionária, quadrada, tradicionalista. São bem soltas, liberadas, pra frente, anti-convencionais, mamãe Grace e vovó Annie.

Na verdade, Betty White, no papel da avó, rouba o filme. É uma delícia de personagem.

E então é isso. É absolutamente previsível, como qualquer comédia romântica. Tem coisas bocós, e coisas engraçadas. É uma comedinha gostosinha.

         Mais um filme com mulher mais velha e garotão

E a Bullock, com aquela carinha da garota da casa ao lado, como dizem os americanos, aquele jeito de pessoa normal, sem beleza estonteante de atriz de cinema ou top model, está bonita, e bem inteira e gostosa, aos 45 anos de idade.

Há até uma piadinha deliciosa a respeito do tamanho pequeno dos seios da personagem Margaret – que, obviamente, é uma brincadeira com o corpo anti-estrela da própria Sandra Bullock. A velhinha Annie está provando um vestido em Margaret e brinca: “Bem, agora é só achar onde estão os seus seios”.

Aliás, este filme, que tem elementos de vários outros, entra também na onda recente dos filmes em que mulheres mais velhas se envolvem com homens bem mais novos. Nisso, segue os exemplos de Terapia do Amor/Prime, de 2005, Nunca é Tarde para Amar/I Could Never Be Your Woman, de 2007, Por Amor/Personal Effects, de 2009, Jogando com Prazer/Spread, de 2009, e ainda Novidades no Amor/Rebound, também de 2009.

Vejo no site do Box Office Mojo que A Proposta, que estreou nos Estados Unidos em 19 de junho de 2009 e teve um orçamento de US$ 40 milhões, já faturou, até fevereiro de 2010, US$ 314 milhões – US$ 163 milhões só no mercado americano. Nada mal, nada mal.

Mas outro dos filmes dela no ano, o drama Um Sonho Possível/The Blind Side, baseado em fatos reais, é um fenômeno muito maior. É o que os americanos chamam de sleeper, de dorminhoco – um filme que não estoura assim que estréia, mas vai atraindo mais e mais público com o passar do tempo, em geral pela propaganda boca a boca. Foi lançado nos Estados Unidos em 20 de novembro de 2009; custou menos que A Proposta – US$ 29 milhões – e rendeu, só nos Estados Unidos, US$ 244 milhões. Cacilda, e isso em menos de três meses!

Com esses dois sucessos, Sandra Bullock virou a atriz número 1 nos EUA, em 2009.

Ao contrário da minha filha Fernanda, gosto da Bullock. Já fez muita porcaria, como o horrendo Forças da Natureza. Mas está bem em 28 Dias, em que faz o papel de uma alcoólatra, e em Confidencial/Infamous, de 2006, foi uma maravilhosa Harper Lee, a escritora, autora de To Kill a Mockinbird, amiga de Truman Capote que vai com ele ao Kansas após os bárbaros assassinatos que seriam retratados no livro A Sangue Frio

Para terminar, duas informações sobre Anne Fletcher, a diretora. É jovem – nasceu em Detroit em 1966; trabalhou como atriz em uma dúzia de filmes. Este aqui é o terceiro que ela dirige. Leva jeito. E parece ter bom humor, o que é uma maravilha. 

A Proposta/The Proposal

De Anne Fletcher, EUA, 2009

Com Sandra Bullock (Margaret Tate), Ryan Reynolds (Andrew Paxton), Mary Steenburgen (Grace Paxton), Betty White (Annie), Craig T. Nelson (Joe Paxton), Malin Akerman (Gertrude), Oscar Nuñez (Ramone) 

Argumento e roteiro Peter Chiarelli

Fotografia Oliver Stapleton

Música Aaron Zigman 

Produção Touchstone

Cor, 107 min

**1/2

2 Comentários

  1. Maria B.Marques
    Postado em 13 setembro 2011 às 11:20 am | Permalink

    Os atores são simpáticos. A dupla (jovem) principalmente me agrada muito. É um filme muito divertido, os sofrimentos que são impostos à Margaret quando chega ao local onde mora a família dele é super hilário, e também a surpreza dela que não o julgava tão bem situado familiarmente. Muitas, muitas cenas gostosas para se rever de vez em quando, como costumo fazer eu. Precisamos ver coisas leves assim…

  2. Laisa Alexandra
    Postado em 10 junho 2016 às 12:30 pm | Permalink

    Amo de paixão esse filme. Sandra está perfeita

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*