
Nota: 



Anotação em 2009: Uma ótima surpresa, este filme recentíssimo, de 2008, do qual eu não tinha referência alguma. É um belo filme, mais um sobre o mundo após o 11 de setembro, o terrorismo – tem o ritmo de um bom thriller, mas faz pensar, tem idéias, faz ótimas considerações sobre religião e é ideologicamente corretíssimo, na minha opinião.
O que quero dizer com isso é que ele não cai na armadilha de ser contra os árabes, o mundo muçulmano, a cultura muçulmana, a religião muçulmana. Não defende o terrorismo, é óbvio – muito ao contrário. Mas é todo matizado; mostra o ponto de vista das pessoas que estão do outro lado da guerra. E faz a sábia – mas nem sempre lembrada – distinção entre os preceitos da religião islâmica e o mau uso que os fanáticos fazem dela.
”Você sabia que o Corão diz que matar uma pessoa inocente é como matar a humanidade toda?”, perguntará o personagem central, Samir Horn, interpretado pelo bom Don Cheadle, ele também um dos produtores executivos do filme. Don Cheadle tem feito filmes importantes, como Hotel Ruanda e Crash, e aparecido também em outros de muito sucesso, como a série de Steven Sodergergh iniciada com Onze Homens e um Segredo/Ocean’s Eleven.
Samir Horn aparece como uma criança, no Sudão, no início da narrativa, sempre ao lado do pai. Nos primeiros minutos do filme, o pai dele é morto num atentado, na explosão de um carro. Há um corte, um pulo no tempo, e temos Samir nos dias atuais, no Iêmen, vendendo bombas e detonadores para um grupo terrorista. A polícia chega ao lugar no momento em que ele está negociando com os terroristas; Samir é preso junto com vários outros homens que estavam ali naquela hora. Na prisão, vai se tornar amigo do braço direito do grupo terrorista.
Ainda na prisão, ele é visitado por Roy Clayton (o personagem interpretado pelo inglês criado na Austrália Guy Pearce, de Priscilla, a Rainha do Deserto e Los Angeles Cidade Proibida). Clayton é um agente do FBI; diz a Samir que pode tirá-lo daquela prisão e levá-lo para os Estados Unidos, onde o preso viveu muitos anos, desde que obtenha dele informações sobre o grupo terrorista e as bombas que iria vender. Samir recusa a oferta de Clayton. Mas seus destinos voltarão a se cruzar, ao longo do filme.
Estamos, a esta altura, com uns 10, 15 minutos de filme. Já houve cenas no Sudão e no Iêmen. Haverá seqüências em Marselha e Nice, na França; em Londres; em Chicago e Washington, nos Estados Unidos; em Toronto e Halifax, no Canadá. Haverá atentados terroristas, e a preparação de uma gigantesca, brutal série coordenada de ataques dentro dos Estados Unidos.
O espectador saberá, mais tarde, que a agente do FBI Clayton é filho e neto de pastores batistas; o tema religião perpassa boa parte do filme.
A trilha sonora, de um compositor que eu não conhecia, Mark Kilian, é excelente.
É fascinante ver, nos créditos finais (não há apresentação inicial – no começo do filme só aparecem os nomes das companhias produtoras e o título do filme) que um dos autores da história é Steve Martin, o comediante, que é também o prolífico autor de argumentos e diversos roteiros.
O diretor Jeffrey Nachmanoff é canadense, e antes deste filme aqui só havia dirigido um curta-metragem, em 1993, e um longa, Hollywood Palms, de 2001. Trabalhou também como montador e foi o co-autor, com o diretor Roland Emerich, do roteiro de O Dia Depois de Amanhã/The Day After Tomorrow, de 2004, um filme-catástrofe com mensagem pró ambiente. Demonstra, de forma cabal, um grande talento.
Outra figura bem interessante que está no filme é Archie Panjabi, que faz o papel de Chandra Dawkin, uma mulher que o FBI interroga para tentar obter pistas sobre Samir. Archie Panjabi é belíssima, de uma beleza forte, marcante; nasceu na Inglaterra em 1972, seguramente filha de indianos, e passou parte da infância em Bombaim, hoje Mumbai. Trabalhou, em geral em pequenos papéis, em diversos filmes: O Jardineiro Fiel/The Constant Gardner, de Fernando Meirelles, Um Bom Ano/A Good Year, de Ridley Scott, Nunca é Tarde para Amar/I Could Never Be Your Woman, O Preço da Coragem/The Mighty Heart, de Michael Winterbottom. Por causa de seu rosto moreno de indiana, acaba só tendo oportunidades quando há papéis para indianas ou muçulmanas. Foi a protagonista em Yasmin, Uma Mulher, Duas Vidas/Yasmin, um belo filme inglês também sobre as feridas deixadas pelo 11 de setembro.
São nomes não muito simples, usuais, mas deveriam ser acompanhados, os de Jeffrey Nachmanoff e Archie Panjabi. Boa atriz, bom diretor. Já entregaram boas coisas, prometem mais.
O Traidor/Traitor
De Jeffrey Nachmanoff, EUA, 2008
Com Don Cheadle, Guy Pearce, Saïd Taghmaoui, Archie Panjabi, Jeff Daniels
Roteiro Jeffrey Nachmanoff
Argumento Jeffrey Nachmanoff e Steve Martin
Música Mark Kilian
Produção Paramount Vantage, Ouverture Films, Hyde Park Films. Estreou em SP 14/11/2008.
Cor, 114 min.
****

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[...] de 11 de setembro, como pano de fundo para uma historinha de ação. O 11 de setembro deu origem a diversos filmes bons e sérios, que questionam vários aspectos que envolvem a tragédia, como o recrudescimento do preconceito [...]
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[...] brilhante a idéia de usar atores mais conhecidos – o inglês de nascimento criado na Austrália Guy Pearce, o excepcional inglês Ralph Fiennes, o americano de Massachussetts David Morse – como convidados [...]
[...] do mundo pós o 11 de setembro; só aqui neste site de poucos filmes já estão diversos deles, O Traidor, Sorry, Haters, No Vale das Sombras, Ato Terrorista, Vôo United 93, Strip Search, Medo e Obsessão [...]
[...] (Don Cheadle) é conhecido e respeitado na vizinhança como um grande bandido, traficante dos bons, muito amigo [...]
[...] já está em cinco filmes neste site – eu mesmo me assustei ao ver isso. Em 2009, quando vi O Traidor, beleza de filme sobre o mundo após o 11 de setembro, anotei: “Archie Panjabi é belíssima, de [...]
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