Os Sete Relógios de Agatha Christie / Agatha Christie’s Seven Dials

3.0 out of 5.0 stars

(Disponível na Netflix em 1/2026.)

O nome mais famoso internacionalmente do grande elenco da gostosa, divertida minissérie britânica Os Sete Relógios de Agatha Christie é o da exuberante Helena Bonhan Carter – e ela está maravilhosa como sempre. Mas, apesar de seu papel ser importantíssimo, seu personagem não está em cena durante boa parte dos cerca de 150 minutos da série de apenas três episódios. A protagonista da história é interpretada por Mia McKenna-Bruce, uma jovem que eu nunca tinha visto antes – mas de quem, posso apostar, o mundo ainda vai falar muito.

Mia McKenna-Bruce é mignonzinha, baixinha – 1 metro e 52 –, e tem uma baby face absolutamente baby que a faz parecer ter uns 18, no máximo 20 anos, embora, da classe de 1997, ela estivesse com 28 anos no inicinho de 2026, quando a minissérie foi lançada. Já é quase uma veterana: começou a carreira em 2008, aos 11 anos, e sua filmografia tem 38 títulos; já teve 56 indicações e levou 4 prêmios, inclusive o Bafta de estrela emergente em 2024.

A personagem que ela faz é conhecida por todo mundo como Bundle – e o apelido meio infantil combina bem mais com seu jeito de garotinha do que o solene Lady Eileen Brent. É uma garotinha espevitada, curiosa, bem-humorada, ousada, corajosa – e extremamente esperta, safa, inteligente. Tem todo o jeito de quem poderia vir a ser uma detetive de primeira categoria, como aquela outra personagem criada por Agatha Christie, Miss Marple.

Uma gigantesca festa com gente importante

Na segunda sequência da minissérie, está havendo uma tremenda festa, com um grande número de convidados, gente importante, na imensa mansão no campo, Chimneys, onde Bundle mora com a mãe, Lady Caterham (o papel de Helena Bonham Carter). Um letreiro avisa que estamos em 1925.

Veremos que Lady Caterham é viúva, perdeu o marido alguns anos antes; já havia perdido o outro filho em 1918, na Grande Guerra. A mansão, Chimneys, é imensa, gloriosa, maior até que a dos Crawley, de Downton Abbey – mas o dinheiro da família está no fim. A grande, rica festa está sendo dada por um casal de conhecidos de Lady Caterham, um industrial riquíssimo, Oswald Coote, e sua mulher, Lady Coote (os papéis de Mark Lewis Jones e Dorothy Atkinson).

Os Cootes – extremamente antipáticos, marido e mulher – haviam alugado a propriedade para poder oferecer a festa. Oswald Coote tinha grande interesse em se aproximar de altos funcionários do Foreign Office, o Ministério de Relações Exteriores britânico. O subsecretário George Lomax (Alex Macqueen) era amigo de Lady Caterham, e havia sido convidado por ela para a festa – atendendo aos interesses de Coote.

Estavam na festa também quatro jovens funcionários do Foreign Office, todos eles amigos de Bundle – Gerry Wade (Corey Mylchreest), Jimmy Thesiger (Edward Bluemel), Bill Eversleigh (Hughie O’Donnell) e Ronny Devereux (Nabhaan Rizwan). Todos eles – o subsecretário George Lomax e os quatro funcionários – serão importantes na trama.

A garota Bundle está apaixonada por Gerry Wade – e, na festa, fica claro que ele também tem o maior interesse por ela. Marcam um jantar para a semana seguinte – e Bundle se sente nas nuvens.

Cinco anos antes da festa, um assassinato na Espanha

É uma daquelas festas de gente rica no campo inglês em que, em vez de voltarem para Londres tarde da noite, todos dormem na propriedade, e tomam café da manhã no dia seguinte antes da viagem de volta à cidade.

Gerry tem fama de acordar tarde, e de ter sono forte pela manhã. Por isso, Ronnie e Bill resolvem pregar uma peça no amigo: quando estamos com 10 minutos dos 50 que dura o primeiro episódio da minissérie, os dois espalham no quarto em que Gerry vai dormir oito despertadores.

Na manhã seguinte, enquanto Bundle, sua mãe e vários dos convidados estão tomando o café da manhã, os despertadores começam a tocar – e não param nunca. Lady Caterham manda o mordomo dar um jeito naquilo, mas em seguida Bundle resolve ir ver o que está acontecendo.

O mordomo e logo depois a garota encontram Gerry Wade morto. No criado mudo havia um frasco de sonífero poderoso – algo que poderia indicar suicídio.

Bundle tem absoluta certeza de que o rapaz que ela ama não se matou. Era um rapaz alegre, sem problemas – e tinham combinado jantar juntos dali a alguns dias. A garota achava até que ele havia indicado que a pediria em casamento naquele jantar.

O assassinato de Gerry – sim, porque é muito óbvio que foi assassinato – não é o único da trama. Agatha Christie, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Alfred Hitchcock, gosta dessa coisa de dead bodies, corpses, cadáveres. Dame Agatha não gostava de deixar por menos – e assim o assassinato de Gerry, que não é o último a ser mostrado, também não é o primeiro. O espectador já havia visto um assassinato logo na abertura, na primeira sequência do episódio e da série.

É uma sequência feita com brilho – o diretor Chris Sweeney e o roteirista e criador da série Chris Chibnall capricharam no visual e no inusitado da forma com que acontece e é mostrada a morte do personagem cujo nome só nos será apresentado no segundo dos três episódios.

Um letreiro informa que estamos em “Ronda, 1920”. Um homem impecavelmente vestido, com chapéu, terno, colete sobre a camisa social, caminha pelas ruas da cidade espanhola cheia de construções medievais, até a bela praça de touros. Os sinos da igreja estão tocando as 12 badaladas do meio-dia quando ele entra no centro da praça, que está inteiramente vazia, sem viva alma à mostra.

No chão da praça, o homem encontra algo do tamanho de uma carta de baralho. Abaixa-se, pega a carta, examina – mas o que há nela não é mostrado para o espectador.

Um touro entra na praça de touros – e entra com uma fúria danada.

Dá uma chifrada só. Lança o homem perfurado pelo chifre para o alto e sai correndo de volta para o lugar de onde veio.

A câmara mostra o homem morto, caído no chão no meio de uma poça de sangue. A carta que ele havia apanhado no chão havia saído do bolso do paletó. A câmara se aproxima dela – em super big close-up, vemos que há na carta a figura de um relógio.

Estamos com pouco mais de 3 minutos de ação. Surgem na tela o título – Agatha Christie’s Seven Dials – e o desenho de um despertador, que vai rolando para o meio exato da imagem.

Corta, e vemos o rosto de uma garota com uma máscara, no meio de uma festa em que quase todos usam máscaras. Veremos que é Bundle, a protagonista da história – e um novo letreiro informa que estamos em Chimneys, 1925.

O ator que faz o homem assassinado por um touro na cidade espanhola de Ronda é Iain Glen. Revelar quem ele é seria um spoiler, porque, como já foi dito, sua identidade só será mostrada bem mais adiante, no segundo episódio. Durante metade do tempo de duração da minissérie, o espectador fica sem saber quem é aquele homem, por que ele foi morto, e o que ele tem a ver com a história de Bundle, sua mãe, a grande festa em Chimneys e o assassinato de Gerry Wade.

E creio que não é necessário relatar mais da trama – a não ser registrar que surgirá uma organização secreta formada por sete homens que se encontram usando vestimentas pretas, com máscaras em que aparece o desenho de um relógio. Essa organização secreta tem o nome de Seven Dials, Sete Relógios.

E Seven Dials é também o nome de um nightclub em uma região bastante deteriorada de Londres, também chamado de Seven Dials.

Críticos apontaram que o livro era uma mudança de estilo

Nascida na pequena cidade de Torquay, no Sudeste da Grâ-Bretanha, junto do Canal da Mancha, em 1890, Dame Agatha Mary Clarissa Christie estava com 30 anos quando publicou em 1920 o primeiro de seus 66 romances policiais, O Misterioso Caso de Styles, em que apresentou ao mundo o detetive Hercule Poirot. The Seven Dials Mystery, no Brasil e em Portugal O Mistério dos Sete Relógios, seu décimo livro de histórias policiais, veio em 1929. É um dos que não trazem nem Hercule Poiret nem Miss Marple.

Eis a sinopse que a primeira edição do livro trazia:

“Quando Gerald Wade morreu, aparentemente de uma overdose de um sonífero, sete relógios apareceram na lareira. Quem colocou os relógios ali? E teriam eles qualquer ligação com o nightclub em Seven Dials? Este é o mistério que Bill Eversleigh, Bundle e mais dois outros jovens vão investigar. Suas investigações os levam a alguns lugares bizarros e mais de uma vez a perigos consideráveis. Apenas bem no final do livro a identidade dos misteriosos Sete Relógios é revelada.”

Que beleza existir essa maravilhosa fonte de conhecimentos que é a Wikipedia! Quem escreveu o verbete sobre The Seven Dials Mystery conseguiu resgatar para nós a sinopse da história que constava da contracapa da primeira edição do livro:

Aqui vai o que o grande e informativo verbete fala sobre como o livro foi recebido. Sem aspas, para me desobrigar a ser literal:

O romance recebeu principalmente resenhas desfavoráveis. Um crítico da época, que escreveu para The Scotsman, notou uma mudança de estilo (“Menos positivo na questão do estilo”), mas sentiu que o romance “mantém a reputação de ingenuidade da autora”. Um crítico do Suplemento Literário do Times se mostrou bastante desapontado com a mudança de estilo em relação a alguns dos romances anteriores, dizendo que ela havia “abandonado o procedimento metódico de investigação de um crime único e circunscrito para o romance de conspiração universal e de bandidos internacionais”.

Um crítico do New York Times achou que a história começava bem – mas em seguida ele foi duro ao dizer que a autora “cuidadosamente evitou deixar qualquer pista apontando para o verdadeiro criminoso”. E acrescentou: “Pior de tudo, a solução em si é totalmente absurda”.

Bem. Eu mesmo li muito Agatha Christie. Li bem mais de uma dúzia de seus livros, em especial na Era Regina Lemos, ali entre meus 26 e 36 anos – Regina tinha uma paixão pela obra e até pela vida da velhinha doida. No entanto, não li este O Mistério dos Sete Relógios – e, ao ver a série agora, tive uma surpresa talvez parecida com a dos críticos da época citados aí pela Wikipédia.

Sim, há na história sem dúvida uma mudança em relação ao que parecia ser o estilo da Rainha do Crime. O tema básico de seus mistérios – crimes cometidos por uma pessoa, às vezes até por grupo – eram sempre por dinheiro, ciúme ou vingança. “A single and circumscribed crime”, um crime único e circunscrito.

De fato, não me lembro de outra das tantas histórias que conheço escritas por Agatha Christie que sai desse âmbito pessoal e passa a incluir circunstâncias e motivações mais gerais, abrangentes, alcançando a política. Tratando de “universal conspiracy and international rogues”.

Essa aí é a praia de outros escritores – John Le Carré, Frederick Forsyth, para citar dois gigantes –, não de Dame Agatha.

Pois é. Mas, diacho… Na minha opinião, ela se deu bem ao criar a trama desse The Seven Dials Mystery.

E o estilo é Agatha Christie, puro e simples. Nada da seriedade, da densidade de um Le Carré, de um Forsyth. Não, não, de jeito algum. As histórias da Rainha do Crime têm corpses – cadáveres, presuntos – , mas, como aquelas contadas pelo outro velhinho inglês doido, o dito Mestre do Suspense, sempre têm um toque de humor. Parece mesmo que é uma das manias britânicas – rir das histórias de crime.

Ótimos personagens, ótimas interpretações

Uma boa trama, com personagens bem interessantes – e muito bom humor.

Qualidades que foram muito bem transportadas para a tela por esses dois Chris, o roteirista e criador da série Chris Chibnall e o diretor Chris Sweeney.

Há alguns momentos de shows estilísticos, como toda aquela sequência de abertura na praça de touros, as tomadas em extremo plongée, a câmara colocada em um drone, mostrando lá embaixo o círculo perfeito da praça de touros com o próprio bicho atacando o bípede desplumado mas muito bem britanicamente vestido. Sim, há momentos assim, de shows estilísticos, mas na verdade são poucos – e muito bons. Na imensa maior parte, a narrativa é tranquila, escorreita, sem invencionices formais, criativóis.

As atuações… Bem, trata-se de uma caprichada produção britânica, e, diacho, as Ilhas Britânicas são – há muitos séculos – o maior celeiro de grandes atores que há no mundo. Todo o elenco – bem numeroso, com diversos personagens com importância na narrativa – está muito bem. Os destaques principais são – me parece bem nítido –as duas atrizes que fazem as personagens centrais, mãe e filha, Helena Bonham Carter e Mia McKenna-Bruce e Martin Freeman.

Nas primeiras vezes em que Battle, o personagem de Martin Freeman, aparece na tela, ele está seguindo a garota Bundle e seus amigos, após a morte de Gerry Wade. Bundle desconfia que ele pode estar ligado aos assassinos de Gerry. Demora um tanto para Bundle e o espectador ficarem sabendo que Battle não é bandido, e sim um policial da Scotland Yard. E não um policial qualquer, mas um superintendente – e na pronúncia em inglês a palavra parece ainda mais imponente, siuperintêndent.

Há uma coisa fascinante na forma com que muitos livros e filmes britânicos tratam os homens da polícia metropolitana de Londres, a Scotland Yard. Nas narrativas escritas pelo dr. John Watson sobre as aventuras de Sherlock Holmes, o inspetor G. Lestrade não é apresentado como um detetive assim propriamente brilhante, nem sequer muito inteligente. Bem ao contrário. O brilho é todo de Sherlock – o homem da Scotland Yard em geral está errado, em geral só faz besteira.

Alfred Hitchcock fez a gente rir muito com o inspetor Oxford da Scotland Yard em seu penúltimo filme, Frenesi/Frenzy (1972). Não que ele seja um policial ruim – mas é uma figura engraçadíssima, divertidíssima.

O siuperintêndent Battle feito por Martin Freeman não é incompetente, nem assim uma figura para fazer o espectador morrer de rir. É sério, correto, aplicado – mas muitas vezes um tanto atrapalhado, um tanto sem jeito. E, ao fim e ao cabo, é bastante surpreendente. Martin Freeman está perfeito no papel – ele demonstra todas essas características de seu personagem.

Helena Bonham Carter… Bem… Essa moça, ah, perdão, essa senhora (neste ano de lançamento da minissérie ele fará 60 anos) jamais é menos que excelente. Ela impressiona a mim (e aos cinéfilos do mundo todo) desde que interpretou Lucy Honeychurch em A Room With a View, no Brasil Uma Janela para o Amor, de 1985, o filme da maravilhosa trinca James Ivory- Ruth Prawer Jhabvala-Ismail Merchant baseado em um dos romances clássicos de E.M. Forster.

Aqui, no papel desta mulher que perdeu o marido e o filho queridos, que perdeu também a riqueza, e tem a companhia apenas da filha por quem ela no fundo não sente grande afeição, Helena Bonham Carter está bem mais contida do que em muitos de seus papéis, em especial nos filmes em que foi dirigida pelo namorado Tim Burton, como Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007). Mais contida, sim – mas tão boa quanto.

E aí há essa jovem senhora que parece uma garotinha, essa fantástica  Mia McKenna-Bruce.

Mia McKenna-Bruce me deixou tão encantado quanto nas vezes em que fiquei conhecendo Millie Bobby Brown e Phoebe Waller-Bridge. Não são da mesma geração, mas são jovens, todas elas – Mia, como já foi dito, é de 1997. Millie é de 2004, e Phoebe, de 1985.

Ah, meu… Que maravilha as atrizes britânicas!

As primeiras reações não foram nada positivas

A série estreou na Netflix em 15 de janeiro de 2026, e nós a vimos poucos dias depois da estréia, quando, portanto ainda não havia tido tempo para muitas avaliações seja da crítica, seja do público. Mas, por algumas amostras, a receptividade inicial não foi muito boa. O site RogerEbert.com não havia trazido ainda uma crítica, mas uma apresentação da série tinha o título terrível de “O filme vai fazer seu botão de soneca entrar em ação”. O título de crítica do Estado de S. Paulo foi no mesmo tom: “Banal e rasa, Os Sete Relógios de Agatha Christie subestima o público”. Não li nem o que diz o texto do RogerEbert.com, nem o do Estado. Preguiça.

Mary e eu nos divertimos bastante com este Os Sete Relógios de Agatha Christie. Me deu vontade de ler alguns dos livros dela que ainda não li. E ver mais filmes baseados nas histórias dela.

Aliás… Já foram comentados aqui neste + de 50 Anos de Filmes os seguintes:

O Vingador Invisível / And Then There Were None (1945),

Testemunha de Acusação / Witness for the Prosecution (1957),

Quem Viu, Quem Matou / Murder, She Said. E mais três (1962, 1963, 1964, 1965),

Assassinato no Expresso Oriente / Murder on the Orient Express (1974),

Morte Sobre o Nilo / Death on the Nile (1978),

Assassinato no Expresso Oriente / Murder in the Orient Express (2017).

Anotação em janeiro de 2026

Os Sete Relógios de Agatha Christie/Agatha Christie’s Seven Dials

De Chris Chibnall, roteirista, criador, Reino Unido, 2026.

Direção Chris Sweeney

Com Mia McKenna-Bruce (Lady Eileen Brent, a Bundle),

Helena Bonham Carter (Lady Caterham, a mãe de Bundle),

Martin Freeman (superintendent Battle, da Scotland Yard)

e Edward Bluemel (Jimmy Thesiger), Hughie O’Donnell (Bill Eversleigh), Nabhaan Rizwan (Ronny Devereux), Corey Mylchreest (Gerry Wade), Alex Macqueen (George Lomax, o subsecretario de Relações Exteriores), Nyasha Hatendi (Dr Cyril Matip), Mark Lewis Jones (Sir Oswald Coote, o industrial), Dorothy Atkinson (Maria, Lady Coote), Tim Preston (Rupert Bateman, o Pongo, secretário dos Cootes), Nyasha Hatendi (Dr Cyril Matip), Iain Glen (Lord Caterham, o pai de Bundle), Ella-Rae Smith (Loraine Wade, a irmã de Gerry), Guy Siner (Tredwell), Ella Bruccoleri (Socks), Tristan Gemmill (doutor Jackman), Liz White (Emily, a criada), Josef Davies (Alfred, o criado), Lucy Backhurst (Bundle garotinha)

Roteiro Chris Chibnall

Baseado no romance “The Seven Dials Mystery”, de Agatha Christie

Fotografia Luke Bryant

Música Anne Nikitin

Montagem Emma Oxley

Desenho de produção Martin Childs

Direção de arte Jemima Hawkins, Monica Alberte, Francesc Masso

Casting Robert Sterne

Figurinos Amy Roberts

Produção Joanna Crow, Rebecca Roughan, Agatha Christie Productions, Imaginary Friends, Netflix Studios, Orchid Pictures,

Cor, cerca de 150 min (2h30)

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