O Amigo / The Friend

3.5 out of 5.0 stars

(Disponível no Amazon Prime Video em 11/2025.)

O Amigo, The Friend, produção americana de 2024, é um belo, sensível, delicado drama sobre o que mais importa na vida – as relações afetivas. O amor a vida a morte, como eu aprendi a dizer e a usar assim, as três coisas juntas, sem vírgula entre elas.

Conta a história da amizade de décadas de duas pessoas, Walter e Iris, ambos escritores, ficcionistas, e também professores. Lá no passado ele havia sido professor dela, tutor – e haviam desenvolvido uma amizade profunda, íntima. Um era, a rigor, o melhor amigo do outro.

Walter (o papel de Bill Murray, ótimo como sempre) a rigor aparece pouco tempo na tela – até porque bem no início ficamos sabendo que ele se matou. Claro que há flashbacks em que ele aparece, mas juntando tudo dá pouco tempo. Iris (a maravilhosa Naomi Watts, em uma interpretação absolutamente extraordinária), ao contrário, está na tela praticamente em todas as tomadas do filme.

Um filme adulto sobre seres humanos adultos – essa coisa abençoada que resiste, Deo gratias, entre tantos e tantos e tantos lançamentos sobre super-heróis, megabandidos, megavingadores, transformers, serial-killers, psicopatas, dezenas e dezenas deles baseados em histórias em quadrinhos ou videogames. Um filme sem um único tiro. Sem sequer uma cena de sexo. Sobre pessoas como o eventual leitor e como eu mesmo, gente como a gente.

Ahnnn…

Dizer que os personagens são gente como a gente talvez seja um pouquinho exagerado. Iris e Walter são da elite cultural de Nova York, a carésima, exclusivérrima capital do mundo – e portanto não exatamente como a gente, como e eventual leitor e eu.

E mais exato, mais correto seria dizer que o filme conta a história da amizade de duas pessoas e um cão. Ao escolher a morte, Walter acaba fazendo com que seu gigantesco dog alemão Apollo fique com Iris. E com isso a vida da pobre moça vira um inferno absoluto.

Eu, que não gosto de cachorro de nenhum tamanho, de pequinês a são-bernardo, sofri terrivelmente junto com Iris – uma mulher que também não gostava de cães. Agora, as pessoas que amam esses bichos, ah, meu, essas têm motivo especial para amar este O Amigo. Apollo, o dog alemão que se apossa da cama de Iris e obriga a mulher a usar um sleeping-bag em sua própria casa, é o terceiro personagem mais importante da história.

Durante uma corrida no parque, Walter encontrou o cão

O filme abre com a voz em off de Iris-Naomi Watts:

– “Imaginei várias vezes como você deve ter pensado nisto, entre todas as questões possíveis: o que vai ser do cachorro?”

Na primeira sequência, vemos Walter-Bill Murray correndo junto ao East River, perto da Brooklyn Bridge, Manhattan ao fundo. Ele corre, chega a um ponto em que se afasta da margem do rio, prepara-se para continuar rumo ao interior do parque – e vê algo que chama sua atenção. Walter vem correndo em direção à câmara, abrindo um sorriso, uma risada.

Corta, e, a uma ampla mesa de jantar, Walter está contando a um grupo de amigas – Iris entre elas – sobre exatamente aquele dia em que estava se exercitando junto do East River e aí, de repente, viu pela primeira vez a figura bela, grande, impressionante do dog alemão que iria adotar com seu.

– “Ele estava lá, no topo do morro, no meio das duas pontes, uma silhueta no céu límpido” – sem dono, sem coleira, sem nenhuma identificação. Abandonado.

– “E o que Barbara achou desse cão mágico que apareceu do nada?”, pergunta uma das amigas.

– “Ela aceitou muito melhor quando minha filha adulta apareceu magicamente do além.”

– “E como vai sua filha?”, pergunta outra amiga.

– “Ela é espetacular. Está trabalhando com Iris atualmente, com as cartas.”

A câmara mostra o roto de Iris-Naomi Watts em close-up, depois a de Walter-Bill Murray em close-up, e sobre elas surge o título do filme, em letras maiúsculas, em vermelho – THE FRIEND. Não há créditos iniciais, a apresentação dos nomes dos atores, dos autores do roteiro, do diretor, nada. Apenas o título.

Na sequência seguinte, logo após o título, já aconteceu o suicídio de Walter. Iris está no apartamento em que vive sozinha, ouvindo uma mensagem que o amigo havia deixado para ela no celular, e se preparando para ir até a casa dele, onde amigos se reúnem para uma homenagem ao recém-falecido – parte das cerimônias de adeus.

Ali o espectador fica conhecendo várias pessoas ao mesmo tempo, é claro. Não que os realizadores tenham pretendido deixar o espectador confuso – mas nessas ocasiões é absolutamente normal que ele se sinta um tanto perdido.

O amigo queria que Iris adotasse o cachorrão – fazer o quê?

Estão ali as duas ex-esposas de Walter, a atual, a que havia acabado de ficar viúva, e a filha que não é de nenhuma das três, e sim, muito provavelmente, de um namoro eventual:

* Elaine, a primeira das três esposas, é o papel de Carla Gugino. Ela e Iris são amigas faz décadas e décadas. Dá para inferir que as duas foram alunas de Walter na mesma época, mais de 20 anos antes. Aparentemente, Elaine havia se afastado bastante do ex-marido e também da amiga Iris. Fica surpresa quando, em uma das salas do vasto apartamento de Walter no Brooklyn, depois da cerimônia de adeus, com alguns discursos, Iris a apresenta para a jovem Val como sendo filha do morto – fica evidente que ela não sabia, até aquele momento, da existência da moça.

* Val (Sara Pidgeon), a filha única desse homem que obviamente encantava as mulheres, é, como quase todas as pessoas em torno de Walter, ligada à escrita, à literatura, aos livros. Como é mencionado naquela segunda sequência do filme, estava trabalhando junto com Iris na organização da vastíssima correspondência de Walter, para publicação de um livro de cartas selecionadas do autor. É uma jovem simpática, boa gente.

* Não parece simpática nem boa gente a segunda mulher de Walter, Tuesday (o papel de Constance Wu, americana descendente de chineses de Taiwan). Parece presunçosa, metida, esnobe. Iris não tem qualquer simpatia por ela.

* Barbara, a terceira mulher, a viúva, é o papel de Noma Dumezweni, na foto abaixo, atriz britânica de ascendência sul-africana. Naquela cerimônia fúnebre em seu apartamento, pede a Iris se ela poderia voltar alguns dias mais tarde para conversar.

Quando Iris vai visitá-la, conforme o combinado, Barbara apresenta para a maior amiga do morto a questão dog alemão Apollo. Diz que o cachorrão havia ficado absolutamente desconsolado com a morte do dono. Olhava choroso para a porta, como se estivesse à espera de que algum dia Walter voltasse para casa. Barbara havia levado o cachorro para um canil – e agora pedia que Iris o adotasse. Era a vontade de Walter. Walter dissera para Barbara que, se viesse a acontecer alguma coisa com ele, era para Iris adotar Apollo. Iris resolvia todos os problemas – haveria de ser a nova cuidadora do cão.

E então, junto como o endereço do canil e as últimas recomendações, Barbara diz que Apollo é grandão, mas muitíssimo educado e obediente. Jamais, jamais subia em uma cama.

Como já foi dito, o monstruoso animal pula na cama da pobre Iris assim que chega ao apartamento dela no Village – e não quer mais saber de sair dali.

Iris perde o grande e também o sossego – e talvez o apartamento

Hektor (Felix Solis), o zelador do prédio, avisa Iris assim que ela chega com o bicho que a administração não permite cachorros nos apartamentos.

Walter era um professor universitário e um escritor muito bem-sucedido. Era um homem muito bem de vida, em termos financeiros. Iris não tinha esse conforto material do grande amigo; morava sozinha no pequeno apartamento alugado no Village; tinha alguns livros publicados, sim, mas basicamente ganhava a vida como professora em cursos de escrita criativa. Não poderia, de jeito algum – como ela diz mais de uma vez ao zelador Hektor -, ser despejada daquele apartamento.

Ao que Hektor repetia que, pelas regras, cachorros não eram permitidos.

E aqui, finalmente, chego ao que, creio, é o cerne deste belo filme.

De repente, sem qualquer aviso, Iris, aquela pessoa simpática, amável, afável, sensível, bom caráter, se vê, ao mesmo tempo, tudo ao mesmo tempo, sem a companhia do seu maior amigo; com a obrigação de cuidar daquele bicho monstruoso que roubou sua cama, seu conforto, seu sossego e ameaça que ela perca seu teto – e que, ao mesmo tempo, a faz lembrar a cada minuto do dia o companheiro que ela perdeu.

Posso estar errado, é claro, mas creio que O Amigo é basicamente sobre a raiva que Iris tem do fato de seu maior amigo ter decidido se matar – e, com isso, ter virado a sua própria vida literalmente de cabeça pra baixo.

E de como ela tem que aprender a viver com o inferno que recebeu de presente do amigo – e, quem sabe, tentar transformá-lo em algo melhor.

É a mesma autora do livro que deu origem a O Quarto ao Lado

Iris, Walter, Apollo, esses personagens todos e sua história saíram da cabeças de uma mulher que é da minha geração, assim como o britânico Ian McEwan e o cubado Leonardo Padura, meus dois escritores prediletos das últimas décadas. Sigrid Nunez nasceu em 1951, em Nova York, filha de uma alemã com um descendente de chineses e panamenhos.

É autora de nove romances, publicados entre 1995 e 2023, de uma biografia de Susan Sontag, mais de uma dúzia de contos e mais de uma dúzia de ensaios.

Lançado em 2018, The Friend foi muitíssimo bem recebido por público e crítica. Chegou à lista dos mais vendidos do New York Times, venceu o National Book Award daquele ano e ficou entre os finalistas do Simpson/Joyce Carol Oates Literary Prize do ano seguinte. Na França, foi finalista do Prix du Meilleure Livre Étranger de 2019.

Eu não sabia de nada disso quando vi o filme, é claro – só procuro informações depois de ver. E não me lembrava do nome da autora Sigrid Nunez. Pois é. O livro seguinte de Sigrid Nunez, após The Friend, foi What Are You Going Through, lançado em 2020, que a Wikipedia resume com brilho assim: “Uma mulher concorda em ajudar uma amiga com doença terminal a viajar com e ficar a seu lado nos últimos dias de sua vida”.

No mesmo ano, 2024, foram lançados dois filmes baseados nos dois livros de Sigrid Nunez de 2018 e 2020, este O Amigo aqui e O Quarto ao Lado/The Room Next Door, o primeiro filme em língua inglesa de Pedro Almodóvar, com Julianne Moore e Tilda Swinton!

Um livro e filme sobre a opção pela eutanásia, um livro e filme sobre a opção pelo suicídio. Uau! Definitivamente, as obras de Sigrid Nunez não poderiam fazer parte da Biblioteca de Moças com autores como M. Delly e títulos como Elzira, a Morta Virgem e O Grande Industrial que minha mãe lia quando era jovem…

Iris conversa com o amigo morto, e ele sempre cita Beckett

Quando sai da casa de Walter e Barbara, após a cerimônia de adeus, e volta para casa, Iris vai conversando com o amigo, em seus pensamentos – e, num licença poética a que se permitem Scott McGehee & David Siegel, os diretores e autores do roteiro do filme, os espectadores podem ouvir o que vai na cabeça da bela mulher solitária.

– “Passeando com Samuel Beckett numa pacata manhã de primavera, um amigo perguntou: ‘Dias assim não fazem a vida valer a pena?’ Beckett respondeu: ‘Eu não chegaria a tanto.’”

Numa bela sacada da dupla de diretores e roteiristas dentro dessa sua licença poética, as falas de Beckett vêm na voz de Walter-Bill Murray – que obviamente era um fã apaixonado do escritor irlandês.

Vemos Iris-Naomi Watts caminhando pelas ruas do Brooklyn, tomando o metrô, descendo no Village, e a voz dela prossegue:

– “Outra fala de seu herói, Beckett: ‘O dia em que eu morrer será como qualquer outro dia, só que mais curto’. Com esta aqui você morria de rir: ‘Quanto mais suicidas houver, menos suicidas haverá’.”

No hall de seu edifício, Iris é cumprimentada pelo zelador Hektor, que está carregando pinheiros para começar a preparar a árvore de Natal. Iris se espanta: – “Já estamos nessa época?”

Quando Iris chega finalmente em casa, nós a ouvimos em sua conversa com Walter: – “Li que quase todas as pessoas que tentam se suicidar e sobrevivem se arrependem de ter tentado. Quem salta de um prédio, assim que tira o pé do chão, sabe que de verdade não queria morrer. Eu me pergunto como você se sentiu. Pensar nisso me tira o sonho.”

Estamos, aí, com uns 12 minutos dos 119 que dura o filme. Lá pelas tantas, Walter-Bill Murray surge na tela dizendo uma frase seriíssima, absolutamente distante daquelas ironias de Samuel Beckett: – “O suicídio é contagioso”.

Um feioso sedutor, uma mulher belíssima, dois grandes atores

The Friend é o sétimo filme com roteiro e direção da dupla Scott McGehee & David Siegel, ao longo de 31 anos – o primeiro, Sutura, é de 1993, e foi sendo tocado sem que a dupla tivesse levantado dinheiro suficiente para terminar o projeto. Os dias tiveram a sorte grande de Steve Soderbergh ter visto o que eles já haviam filmado – o incansável, workaholic diretor, produtor e roteirista gostou do trabalho dos então meninos, e ajudou a levantar o dinheiro para que terminassem o filme.

Não me lembrava disso, mas eu vi o segundo longa-metragem dos dois, de 2001, The Deep End, no Brasil Até o Fim, com Tilda Swinton. Era a refilmagem do livro The Blank Wall, de Elisabeth Sanxay Holding; o livro havia sido filmado em 1949 pelo grande Max Ophüls, que eu havia visto algum tempo antes – e foi impossível não fazer a comparação entre os dois. Achei a refilmagem muito, mas muito pior que a obra original do mestre francês.

Bem. Cresceram, amadureceram esses dois sujeitos. Este The Friend é uma beleza de filme.

E é impossível não falar duas palavrinhas sobre os atores que fazem os papéis centrais, os dois grandes amigos do título.

Bill Murray é uma grande figura. Me ocorreu que ele tem a ver com Jean-Paul Belmondo: assim como o francês da classe de 1933, esse americano de Illinois da extraordinária safra de 1950 é o que a gente pode chamar de feio charmoso que conquista as mais belas mulheres nos filmes todos. Meu, com aquele jeitão de bom camarada, de sujeito legal, nonchalant, o cara conquistou a deusa Sigourney Weaver em Os Caça-Fantasmas (1984). Encantou a então jovem de tudo Scarlett Johansson em Encontros e Desencontros/Lost in Translation (2003). E, só em Flores Partidas/Broken Flowers (2005), seu personagem namorou os de Sharon Stone, Jessica Lange, Tilda Swinton, Julie Delpy e Chloë Sevigny!

Ah, meu!

É. Bill Murray era o ator perfeito para fazer esse Walter, escritor, professor, encantador, sedutor…

E Naomi Watts… Naomi Watts é um encanto, uma dádiva.

Inglesa do Kent, da classe de 1968 – a mesma de Will Smith, Mathilde Seigner, Edward Burns, Mônica Martelli –, Naomi Ellen Watts foi parar na Austrália, para onde sua família se mudou, e começou a carreira lá, em filmes e séries de TV. Em 2001 mudou-se para os Estados Unidos, onde a princípio recebeu convites para produções pequenas – até que David Lynch deu a ela o papel de uma aspirante a atriz em Mulholland Drive.

Em 2005, dirigida pelo especialista em superespetáculos neo-zelandês Peter Jackson, ela foi a terceira loura a ficar dentro da mãozorra de King Kong, depois de Fay Wray (1933) e Jessica Lange (1976) – mas a praia mesmo de Naomi Watts são, como diz a Wikipedia, “os filmes independentes com temas sombrios ou trágicos”.

Tem 62 prêmios e 102 indicações no total, inclusive a dois Oscars, por 21 Gramas (2003) e O Impossível (2012), ao Primetime Emmy por Feud (2024) e ao Globo de Ouro por O Impossível e Feud.

Está bela, muito bela como essa triste Iris, e demonstra que está sabendo envelhecer muito bem. E, como já foi dito mas eu não cansaria de repetir, sua interpretação é um brilho, um show.

O filme tem boa aprovação, mostra o Rotten Tomatoes

Um detalhinho, uma informação que, naturalmente, eu não tinha: o que nós chamamos de dog alemão é, na língua inglesa, Great Dane, grande dinamarquês – muito embora a raça seja originária da Alemanha mesmo! Durma-se com uma balbúrdia babelesca desta!

Outra curiosidade, essa descoberta não por mim, que não sou tão atento assim, mas pelo IMDb: quando Marjorie, a vizinha e amiga de Iris interpretada por Ann Dowd, vê o gigantesco cão Apollo pela primeira vez, ela exclama: “Zoinks!”. Essa expressão de surpresa, lembra o IMDb, é muitas vezes usada no desenho animado Scooby-Doo, apresentado na TV entre 1979 e1983. Scooby-Doo, fiquei sabendo agora, é um dog alemão. Um Great Dane.

The Friend estava, em novembro de 2025 – um ano e pouco depois de seu lançamento no Telluride Film Festival, em agosto de 2024 – com nota 6,4 no IMDb, média dos votos de 5,4 leitores do site. No Rotten Tomatoes, tinha 84% de aprovação dos críticos e 80% entre os leitores do site agregador de opiniões.

Anotação em novembro de 2025

O Amigo/The Friend

De Scott McGehee & David Siegel, EUA, 2024

Com Naomi Watts (Iris),

Bill Murray (Walter),

Noma Dumezweni (Barbara, a terceira mulher de Walter), Sarah Pidgeon (Val, a filha única de Walter), Carla Gugino (Elaine, a primeira mulher de Walter), Sarah Baskin (Mara), Constance Wu (Tuesday, a segunda mulher de Walter), Juliet Brett (Sophie), Ann Dowd (Marjorie, a amiga e vizinha de Iris), Felix Solis (Hektor, o zelador do prédio de Iris), Gina Costigan (Jocelyn), Owen Teague (Carter), Josh Pais (Jerry), Tom McCarthy (Dr. Warren), Bruce Norris (Dr. Novak)

Roteiro Scott McGehee & David Siegel

Baseado no romance homônimo de Sigrid Nunez

Fotografia Giles Nuttgens

Música Trevor Gureckis, Jay Wadley

Montagem Isaac Hagy

Desenho de produção Kelly McGehee

Casting Scotty Anderson, Avy Kaufman

Figurinos Stacey Battat

Produção Liza Chasin, Scott McGehee, David Siegel, Mike Spreter, 3dot Productions, Big Creek Projects.

Cor, 119 min (1h59)

***1/2

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