Um Amor de Tesouro / Fool’s Gold


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2009: Este aqui é um daqueles filmes de aventura que o cinemão americano faz sempre – é tão imbecil, tão babaca, tão desprovido de qualquer lógica ou seriedade, tão inverossímil, que às vezes fica até engraçado. Para quem gosta de passatempo com belas paisagens, muitos tiros, tapas, explosões, é um prato cheio. 

A trama é intrincada, como se usa atualmente no cinemão de Hollywood, com um bando grande de personagens, e subtramas, e encontros, e surpresas nunca muito surpreendentes. Mas, basicamente, trata-se de um casal de aventureiros-mergulhadores-pesquisadores, um tanto à la Indiana Jones, que passaram anos à procura de um fantástico tesouro – o dote para a nova rainha da Espanha, em seu casamento com o então rei Felipe número não importa qual – que seria levado das Américas para a Espanha em galeões que naufragaram no Caribe em 1715. 

Quando a ação começa, o casal de mocinhos está separado; está, especificamente, para se divorciar, a pedido dela. Ele está enrolado em dívidas para com um cantor de rap bandidaço dono de uma ilha no Caribe, e tentando pelo bilionésimo mergulho encontrar traços do tal tesouro submergido. Ela está trabalhando como iatemoça no barco gigantesquérrimo de um bilionário, que, por uma dessas coincidências fantásticas, está naquele momento ali por perto daquela ilha específica do Caribe. Mocinho e mocinha vão se encontrar, é claro. Ela parece odiar o marido, mas na verdade continua apaixonadíssima. Tudo como manda o figurino, tudo óbvio.

afoolsO casal é interpretado pela dupla Matthew McConaughey-Kate Hudson, que havia tido um bom sucesso em 2003 com Como Perder um Homem em Dez Dias; a indústria sempre gostou de usar casais na tentativa de repetir sucessos. O casal em questão não chega, é claro, a não ser nenhum Spencer Tracy-Katharine Hepburn, mas por que não ser, assim, nesta primeira década do século, algo como Rock Hudson-Doris Day dos anos 60?

McConaughey – que começou bem, fez bons papéis em Amistad e Contato, ambos de 1997, antes de virar arroz de festa em comedinhas românticas, é do tipo bonitão, e então os produtores tiveram o cuidado de botá-lo em cena a maior parte do tempo sem camisa, exibindo os brações malhados. Kate Hudson, a filha de Goldie Hawn, tem um daqueles rostos tão barbiemente perfeitos que parece criação de designer gráfico, e também tem feito comédias românticas às mancheias. Por que diabos será que os produtores não a mostram mais tempo sem tanta roupa? Houve aí um caso claro de privilegiar o homem-objeto, para felicidade das mulheres e do público gay-homem. Mas e nós, os espectadores homens, e o público gay-mulher?

Bem, brincadeira à parte, é preciso dizer que tanto o bonitão McConaughey quanto a barbiemente linda Kate fazem mais caretas estapafúrdias neste filme do que Jim Carrey e Burt Lancaster conseguiram ao longo de todas as carreira deles.

E temos ainda Donald Sutherland no papel do biliardário dono do big iate. Sutherland, grande ator, é daqueles que trabalham demais; deve fazer uns três filmes por ano, e não parece ser muito exigente – topa tudo por dinheiro, até uma bobagem como esta aqui. O biliardário Nigel que deram para ele interpretar tem uma filha que é assim uma espécie de Paris Hilton; Gemma (Alexis Dziena) tem a inteligência e a sensibilidade de uma minhoca e a futilidade de uma starlet pós-sucesso no BBB nº 429 – mas a gente sabe que no fim tudo vai dar certo, ela e papai vai resolver as diferenças. E, ao contrário do que diz a letra de Leonard Cohen, e do que acontece tantas vezes na vida real, os bandidos vão se dar mal e os mocinhos vão vencer.

Pelo que vejo na filmografia dele, os melhores momentos do diretor Andy Tennant foram Anna e o Rei, de 1999, uma versão sem música da história de O Rei e Eu com Jodie Foster, e Hitch, Conselheiro Amoroso, a comedinha romântica simpática com Will Smith e Eva Mendes, de 2005.

Vejo no iMDB que o filme foi rodado na Austrália. Agora, por que na Austrália, se o próprio Caribe fica ali muito mais perto de Hollywood, é um mistério tão complicado quanto tentar entender por que eu agüentei ver este filme inteirinho, até o fim, apesar das sugestões da Mary para, no mínimo, darmos umas avançadinhas rápidas. 

Um Amor de Tesouro / Fool’s Gold

De Andy Tennant, EUA, 2008

Com Matthew McConaughey, Kate Hudson, Donald Sutherland, Alexis Dziena, Ray Winstone

Roteiro John Claflin, Daniel Zelman e Andy Tennant

Baseado em história de John Claflin  Daniel Zelman

Música George Fenton

Produção Warner Bros.

Cor, 113 min

*

Título em Portugal: O Tesouro Encalhado

4 Comentários para “Um Amor de Tesouro / Fool’s Gold”

  1. Vai ver não privilegiaram cenas da barbie sem roupa pq a barbie é uma bruxa, como diria Rubem Alves. Tá, tá, nada a ver. Como o cinema já apresenta nudez feminina em 99,9% das vezes, de certo resolveram dar um refresco e decidiram presentear as mulheres :D. Pena que o filme é uma bomba e eu não vou ver os músculos do McConaughey.

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