O Aprendiz de Vampiro / Cirque du Freak: The Vampire’s Assistant

Nota: ★★½☆

Anotação em 2011: Apesar do título, O Aprendiz de Vampiro não é um filme de terror. É, na verdade, uma techno aventura de ficção/fantasia para adolescentes, que, voluntariamente ou não, às vezes faz rir. Além de vampiros de dois tipos, os bonzinhos e os maus, apresenta todo um circo de horrores, povoado por criaturas monstruosas, como a mulher barbada, o homem-crocodilo e os pigmeus encapazudos.

Tem, portanto, um toque assim dos velhos filmes de horror da RKO e da Universal dos anos 30: os monstros, os freaks do título original, remetem a Monstros/Freaks, o filme polêmico, cortado, de Tod Browning, de 1932.

Mas não é, de forma alguma, uma coisa trash, vagabunda, mal feita, à la Ed Wood. Nada disso. É uma produção suntuosa, cara, bem cuidadíssima, bem feitíssima. É assim uma espécie cruzamento de Freaks de Browning com Harry Potter.

E aí me ocorre, e me diverte, a idéia de que essa quantidade de rótulos, de definições, ficou parecendo com um autêntico texto embolado, gilberto-giliano, tipo “uma triste melodia que parecia um prelúdio bachiano, um frevo pernambucano, um choro do Pixinguinha”.

Mas a culpa é do filme, não minha.

Um início surpreendentemente bom

O Aprendiz de Vampiro começa muito, muito bem. Na primeira seqüência, vemos um grupo de pessoas reunidas para um enterro, enquanto uma voz em off de adolescente faz algumas considerações sobre a vida e as voltas que ela dá. A câmara focaliza um rapaz aí de uns 16, 17 anos, enquanto a voz em off diz: “Este aí não sou, é Steven, meu melhor amigo”. Steve (Josh Hutcherson) se aproxima do caixão prestes a ser baixado à cova e joga sobre ele uma flor. A câmara está agora sobre o caixão, e a voz diz: “Este aí sou eu. Sou Darren Shan, e esta é a minha história”.

Se esse lead, essa abertura já é muito, muito boa, o que vem a seguir é espantosamente brilhante: a apresentação do filme, os créditos iniciais surgem numa animação bem feitíssima, esplendorosa, com mortos, vampiros, caixões, uma coisa rápida, ágil, com um traço genial, de fazer inveja aos melhores criadores da Pixar, da Disney, de fazer babar todos os grandes designers gráficos do mundo. Carlos Bêla seguramente babaria.

Depois desse estupor de créditos iniciais, vem a história, e aí… Bem, é uma história de aventura de ficção/fantasia para adolescentes, fazer o quê? O protagonista, o narrador, Darren Shan (Chris Massoglia), é um garoto classe média para alta de uma pequena cidade americana qualquer; um garotinho bem certinho, caretinha, ótimo na escola; seu maior amigo Steve, no entanto, é exatamente o oposto: sua família é disfuncional, o pai é ausente, a mãe é bêbada, seu único amigo é Darren, e Steve detesta a escola, detesta estudar, detesta sua vida; tem tudo para se encaminhar para alguma marginalidade.

A única excentricidade do certinho Darren é que ele é apaixonado por aranhas. Uma das muitas pirações de Steve é que ele é fanático por vampiros.

Chega à cidade um circo de horrores, e os dois amigos vão ao show. Lá encontram um vampiro (o papel do ótimo John C. Reilly) e uma aranha como nenhuma outra do mundo.

E nada será como antes.

Uma produção milionária, um roteirista de primeira

É, repito, uma produção cara, requintada. Não conheço esses dois atores jovens, Chris Massoglia e Josh Hutcherson, mas achei que são um tanto fraquinhos, não foram muito bem escolhidos – em especial na comparação com os nomes de outros atores que estão no elenco, John C. Reilly como o vampiro, Ken Watanabe como o gerente do circo de horrores e a belíssima Salma Hayek como a mulher barbada.

A atuação desses atores, todo o visual do filme, os efeitos especiais, é tudo de primeira qualidade.

O roteiro é assinado pelo diretor Paul Weitz e por Brian Helgeland, e este último é nada mais nada menos que o roteirista de Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson, Dívida de Sangue e Sobre Meninos e Lobos, os dois de Clint Eastwood, Zona Verde, de Paul Greengrass, e Robin Hood, de Ridley Scott. Não é pouca coisa, de jeito nenhum.

Na verdade, é fascinante ver que um roteirista desse peso tenha se interessado em trabalhar nessa trama para adolescentes. Devia estar querendo umas férias da seriedade. Como tem talento, fez um roteiro gostoso, ágil, engraçado.

O roteiro se baseia numa trilogia de um jovem autor irlandês chamado – como seu protagonista – Darren Shan. Os três livros formam The Saga of Darren Shan, também conhecida como Cirque Du Freak Series. São parte de uma vastíssima obra: nascido em 1972, o camarada escreve como um Gabriel Chalita, de um Daniel Piza, em termos de quantidade: já fez mais de 22 livros.

Nem todas as sagas escritas para adolescentes dão certo como a de Harry Potter ou Crepúsculo.

O filme custou US$ 40 milhões – um orçamento bem razoável, em termos de cinema americano. Mas, para se pagar, um filme com um custo desses precisaria render pelo menos duas vezes mais, e rendeu, no mundo todo, US$ 39 milhões – no mercado americano, só R$ 13 milhões.

O escritor Darren Shan não teve a sorte de J.K.Rowling. O garoto Darren Shan não tem a mágica de Harry Potter. Mas terá. seguramente, seus seguidores. Para eles, o filme deve ser, com toda certeza, uma maravilha.

Um site que não tem tantos filmes fundamentais. Eta site esquisito, freak

E é isso aí. Faltaria apenas explicar por que raios eu vi esta bobagem, quer dizer, esta ótimo diversão para adolescentes, que estava passando no Telecine, em vez de me dedicar a ver um dos muitos filmes fundamentais da história do cinema que qualquer site que se preze o mínimo deveria ter e este aqui não tem, como volta e meia me cobram os amigos, Elói Gertel à frente.

Pois é. Há coisas que não têm explicação. Ou têm tantas que dá preguiça de falar.

O Aprendiz de Vampiro/Cirque du Freak: The Vampire’s Assistant

De Paul Weitz, EUA, 2009

Com John C. Reilly (Larten Crepsley), Josh Hutcherson (Steve), Chris Massoglia (Darren Shan), Jessica Carlson (Rebecca), Michael Cerveris (Mr. Tiny), Ray Stevenson (Murlaugh), Patrick Fugit (Evra, o menino-cobra), Daniel Newman (Pete), Morgan Saylor (Annie), Don McManus (Mr. Shan), Colleen Camp (Mrs. Shan), Ken Watanabe (Mr. Tall), Salma Hayek (Madame Truska)

Roteiro Paul Weitz e Brian Helgeland

Baseado nos livros de Darren Shan

Música Stephen Trask

Fotografia J. Michael Muro

Produção Universal Pictures, Relativity Media.

Cor, 109 min

**1/2

Um Comentário

  1. Postado em 10 novembro 2012 às 2:31 pm | Permalink

    Desde que eu assisti, do início ao fim, eu achei uma maravilha, não só eu como minhas primas e amigos adoramos o filme e gostaríamos muito que tivesse continuação. Beijos de uma fã muito ansiosa para ter continuação desse maravilhoso filme.

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