A Batalha de Passchendaele / Passchendaele

Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2010: Eis aí um filme que, se não tivesse sido feito, seria uma pequena porém boa contribuição para a humanidade. Ele vem com a aparência de querer mostrar a importante participação do Canadá nas batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Na verdade, é um melodramão de trama novelesca e implausível da pior categoria, que, depois de fingir que vai tratar da insanidade da guerra, faz o elogio do heroísmo pessoal no campo de batalha.

É um show de narcisismo de um tal de Paul Gross, que escreveu o roteiro, produziu e dirigiu o filme e interpretou o protagonista, o super-herói Michael Dunne, que se sacrifica e sacrifica o que pareciam ser suas convicções em nome do amor da mocinha.

O filme – produzido com o apoio de instituições do governo do Canadá e do Província de Alberta – abre com letreiros que falam da participação do Canadá na Primeira Guerra (1914-1918). Ficamos sabendo que o Canadá, na época, tinha apenas 8 milhões de habitantes (3 milhões a menos do que tem hoje o município de São Paulo), e que 600 mil canadenses foram para a guerra – uma proporção absurda, quase 10% da população – e que um de cada dez deles não voltou para casa.

Vemos então na seqüência de abertura – bem feita, bem realizada, como de resto todo o filme, nos aspectos puramente técnicos – uma batalha numa cidade européia em ruínas. Depois de levar um tiro na perna, o sargento Michael Dunne, o protagonista, salva companheiros e mata vários inimigos – inclusive um soldado alemão de olhos muito azuis que não passa de uma criança, e que Dunne executa com sua baioneta. A explosão de mais uma bomba o deixa desacordado, e, quando volta a si, está em um hospital no Canadá, sendo cuidado por uma bela enfermeira, Sarah Mann (Caroline Dhavernas).

Uma trama que parece de uma novela de TV de quinta categoria

Condecorado por bravura, pela participação na batalha na qual quase morreu, o sargento Dunne não está, neste início de filme, apenas ferido fisicamente. Está traumatizado pela loucura da guerra, e em especial por ter matado o garotinho de olhos azuis quando nem era necessário, quando ele já estava rendido. Dunne agora contesta a guerra, a insanidade total; uma junta militar e médica decide considerá-lo portador de neurastenia, e não enviá-lo de volta ao front. Ficará trabalhando na junta de alistamento militar em Calgary, a maior cidade de Alberta.

Começa aí uma espécie de segundo movimento do filme, passado no Canadá, longe do campo de batalha, que ocupa na verdade a maior parte dele, entre as seqüências de guerra na Europa iniciais e depois as finais. E esse segundo movimento tem uma trama que faz lembrar novela de TV de quinta categoria, opondo as Pessoas Boas – o sargento Dunne, a bela enfermeira Sarah – às Pessoas Malvadas – um médico ricaço, um major inglês veterano da guerra dos Boers na África do Sul. As Pessoas Malvadas farão de tudo para infernizar a vida das Pessoas Boas.

No meio desse baita novelão, cheio de intriguinhas como toda novela ruim, até que surge um tema importante: um arraigado preconceito dos canadenses – um país de imigrantes, como todos os das Américas – contra os descendentes de alemães. Mas o filme não sabe explorar bem a questão, fica tudo en passant.        

Há belas paisagens de Alberta, aquela província no interiorzão do Canadá; a atriz Caroline Dhavernas é correta, e de fato linda de se ver. Mas são as únicas qualidades do filme, na minha opinião.

Esse Paul Gross, vejo no iMDB, começou na TV, onde trabalhou em dezenas de filmes como ator; este foi seu primeiro longa-metragem para o cinema. Segundo o iMDB, a história foi inspirada no avô do ator-roteirista-diretor, que se  chamava, como o herói do filme, Michael Dunne; ele lutou na Primeira Guerra e matou um alemão com a baioneta – como o filme mostra no início.

Ainda segundo o iMDB, foi a produção mais cara já realizada no Canadá, com um orçamento de US$ 20 milhões.

Um desperdício de dinheiro.

A Batalha de Passchendaele/Passchendaele

De Paul Gross, Canadá, 2008

Com Paul Gross (Michael Dunne), Caroline Dhavernas (Sarah Mann), Joe Dinicol (David Mann), Meredith Bailey (Cassie Walker), Jim Mezon (major Dobson-Hughes), Michael Greyeyes (Highway)

Argumento e roteiro Paul Gross

Fotografia Gregory Middleton

Música Jan A.P. Kaczmarek

Produção Damberger Film & Cattle Co, Rhombus Media

Cor, 114 min

*

Um Comentário

  1. Ale
    Postado em 30 julho 2011 às 10:10 am | Permalink

    Por que sita tanto o termo novela de Tv de quinta categoria? você é tão critico que não sabe usar outro Termo! Se fosse critico mesmo usaria termos a altura de um critico e não sempre usando as mesmas palavras. e qual é teu problema com o Cadana participar da 1ª
    guerra? você é um infeliz.

Um Trackback

  1. […] o condutor em um trem), David Cronenberg, Denys Arcand (no papel de um maïtre de restaurante), Paul Gross e Saul […]

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