
Nota: 



Anotação em 2007, com complemento em 2008: No mesmo mês, revimos dois dos melhores, mais bem cuidados filmes baseados em novelas de Agatha Christie – Morte Sobre o Nilo e este aqui.
É interessante como a história se baseia no caso do seqüestro do bebê Lindbergh, o caso que emocionou mais de meio mundo em 1932. Não me lembro se é assim no livro da velhinha inglesa doida, mas, no filme, parece a reconstituição exata da história.
O filme começa com o seqüestro do filho de um bilionário, um herói da aviação. (Não se usa o nome de Charles Lindbergh, mas o caso obviamente é a reprodução do de seu filho.) A história é fartamente noticiada nas manchetes dos jornais; pouco depois, a criança é encontrada morta.
Há então um corte no tempo, e estamos embarcando no luxuoso Orient Express em Istambul. Hercule Poirot, o famoso detetive belga – aqui interpretado por Albert Finney – está a bordo. Numa noite da viagem, quando o trem tem que interromper sua viagem rumo a Paris devido a uma tempestade de neve, um milionário americano (Richard Widmark) é assassinato com diversas facadas.
Como em Testemunha de Acusação, Agatha Christie faz a defesa da vingança com as próprias mãos – um horror. Mas o luxo e o cuidado de toda a parte técnica – fotografia, direção de arte, reconstituição de época, figurinos – e o elenco cheio de grandes estrelas e astros são ótimos. É gente demais: Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Michael York.
Ingrid Bergman ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por sua interpretação da missionária sueca Greta Ohlsson. Foi o terceiro Oscar do rosto mais estupendamente belo que já povoou as telas dos cinemas; ela havia ganho o prêmio de melhor atriz por À Meia Luz/Gaslight, de 1944, e por Anastácia, a Princesa Esquecida/Anastasia, de 1956; foi também indicada para o prêmio por Por Quem os Sinos Dobram/For Whom the Bell Tolls, de 1943, Os Sinos de Santa Maria/The Bells of St. Mary’s, de 1945, Joana d’Arc, de 1948, e Sonata de Outono/ Höstsonaten, de 1978.
Apesar de todo o luxo da produção – ou talvez também por causa dele -, é o filme menos pessoal, acho, do grande Sidney Lumet. Ele está longe de seus filmes que defendem teses progressistas, liberais, e dos bons retratos psicológicos de personagens interessantes; aqui, ele trabalhou não como o autor que em geral é, mas como um diretor de linha de montagem. Isso não prejudica em nada o filme – é só uma constatação.
Assassinato no Expresso Oriente/Murder on the Orient Express
De Sidney Lumet, Inglaterra, 1974.
Com Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Michael York, Richard Widmark
Roteiro Paul Dehn
Baseado no livro de Agatha Christie
Produção Paramount
Cor, 128 min.
R, ***


Um Comentário
Olá Sérgio, descobri seu site procurando por uma resenha de “Raise the Titanic” e encontrei um texto muito bem escrito! De cara, ganhou mais um visitante frequente fanático por filmes.
Assassinato no Expresso do Oriente tinha tudo na minha opinião para ser o filme mais difícil dentre as adaptações de um livro de Agatha Christie pela quantidade de pensonagens enclausuradas em um trem fechado (e realmente deve ter sido!). E por isso um diretor genial e um ótimo roteiro adaptado entram em cena e o transformam em um grande filme a meu ver.
Abs!
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[...] absolutamente difícil – tão difícil quanto fascinante de se ver, na literatura ou no cinema. Agatha Christie criou histórias assim – só para lembrar de um dos nomes mais famosos do universo das histórias [...]
[...] Agatha Christie (1890-1976), aquela velha inglesa louca de pedra, criou, sei lá, mais de 400 histórias. Tinha mais idéias de histórias do que o Tio Patinhas tinha moedas em seu cofre, e felizmente viveu muito. Qualquer professor de literatura terá trocentos argumentos para dizer que Agatha Christie é uma autora menor – mas as pessoas não dão a menor bola para o que os doutores falam em suas emproadas teses. As pessoas adoram as histórias envolvendo crimes, e a velhinha louca soube como ninguém bolar essas histórias. [...]
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