Johnny & June / Walk the Line


Nota: ★★★☆

 

Anotação em 2006, com complemento em 2008: É o tal negócio: nem todo artista tem uma vida que dá um bom filme. Às vezes a cinebiografia de um grande e valioso artista é um tédio só, porque a vida do cara simplesmente não ajuda – como é o caso recente de Ray, a cinebiografia de Ray Charles.

Já o late great Johnny Cash, o Homem de Negro, este teve uma vida que de fato merece ser narrada em um filme. Tem droga, tem muita estrada, tem o fascínio que ele exerceu sobre os presidiários, suas constantes apresentações dentro de prisões, tem uma história de amor tumultuada, longa, com June Carter, herdeira de um clã absolutamente nobre no mundo da música country, que já era famosa quando ele estava começando a carreira. A vida dele tem movimento, ação, altos, baixos, romance – tudo para dar um bom filme.

O diretor James Mangold soube aproveitar toda essa riqueza. Ele pega o espectador (pelo menos aqueles que conhecem alguma coisa da música do grande Johnny Cash; e quem não conhece deveria ir atrás o quanto antes) já na primeira seqüência, ao longo da apresentação. Temos um presídio – uma legenda informa que é Represa, Califórnia, 1968 -, guardas armados por todos os lados; lá dentro, em um grande pátio, uma multidão de presos bate os pés no chão, bate palmas, bate as mãos nas cadeiras à frente, enquanto, no palco, um baterista, um baixista e um guitarrista vão repetindo e repetindo os poucos acordes iniciais de uma música, a música que dá o título original do filme, Walk the Line; os músicos estão ansiosos, o público também, e o público é perigoso, e o artista principal não entra em cena. O espectador o vê então, sentado diante de uma serra elétrica; um copo d’água na mesa treme com o barulho altíssimo no pátio ao lado. Um guarda se aproxima e tenta timidamente chamar o artista à razão; afinal, a tensão pode explodir: “Mr. Cash? Mr. Cash?”

Corte rápido, e estamos – um letreiro nos informa – em Dyess, Arkansas, 1944. Os músicos e os presos ansiosos, assim como o espectador, vão ter que esperar. Johnny Cash só vai entrar no palco daquele presídio bem mais tarde.  

O garoto Joaquin Phoenix realmente encarnou o músico. A voz que se ouve, em todas as muitas músicas cantadas no filme, é dele mesmo. E Reese Witherspoon, depois de tantas comedinhas ligeiras, encontrou um belo papel na pele de June Carter, mais tarde June Carter Cash. É ela também que canta, com sua própria voz, as canções de June.

O filme teve cinco indicações ao Oscar – ator, atriz, figurinos, montagem e mixagem de som; Reese Withersopoon ganhou o prêmio. Ela, Joaquin Phoenix e o filme levaram os Globos de Ouro.

James Mangold, nascido em 1963, é daqueles que não fazem filmes sem parar, um filme a cada ano. É cuidadoso nas escolhas. Fez Cop Land, bom policial, em 1997, e Garota, Interrompida/Girl, Interrupted, em 1999, sobre jovens desajustadas em um hospital psiquiátrico. Bom sujeito.

Johnny e June/Walk The Line

De James Mangold, EUA, 2005.

Com River Phoenix, Reese Whiterspoon,

Roteiro Gill Dennis e James Mangold

Baseado nos livros Man in Black e Cash The Autobiography, de Johnny Cash

Música T. Bone Burnett

Cor, 136 min.

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2 Trackbacks

  1. [...] quer imediatamente dividir com os amigos todos: pô, olha aqui, você sabia que a Joni Mitchell e o Johnny Cash tinham feito um dueto na [...]

  2. [...] estão lá dois dirigidos por James Mangold – Cop Land, bom filme sobre corrupção policial, e Johnny & June/Walk the Line, a boa cinebiografia do grande Johnny [...]

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