Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa / Star Trek IV: The Voyage Home

Nota: ★★★½

Este Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa, de 1986, é um filme inteligente, delicioso, engraçado, bem humorado, agradável. E tem seu lado sério: antes que isso virasse moda mundial, faz uma vigorosa, magnífica defesa da preservação do meio-ambiente.

Mesmo sendo uma ficção científica da série Jornada nas Estrelas/Star Trek, que mostra gente de planetas de toda a galáxia, e também de outras galáxias, A Volta Para Casa/ The Voyage Home traz claríssima aquela advertência que só imbecis – os negacionistas, os anticiência, antiverdade – insistem em ignorar: não há Planeta B. É este aqui, e nenhum outro: não vai dar tempo para que a raça humana consiga se mudar para outro, quando já tiver estragado definitivamente este em que vivemos.

Ao destruir o planeta, estamos nos destruindo.

O astrônomo Carl Sagan escreveu sobre a foto tirada pela nave Voyager em 2013, quando saía do nosso sistema solar, em que a Terra – distante 3,7 bilhões de milhas – é um minúsculo pontinho azul claro, “a pale blue dot”:

“Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todas as pessoas que você ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada superstar, cada ‘líder supremo’, cada santo e pecador na História da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.”

E ele finaliza assim:

“Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos até hoje.”

A Volta Para Casa/The Voyage Home demonstra exatamente o que Carl Sagan diz em seu texto sobre o Pale Blue Dot. O tom não é tão duro, tão pesado – mas a mensagem é a mesma.

Lá pelas tantas, a bióloga especializada em baleias Gillian Taylor (o papel de Catherine Hicks), uma lourinha bonitinha que conduz visitantes pelo aquário de Sausalito, do outro lado da Baía de San Francisco, fala da persistente luta da humanidade para extinguir as baleias.

Spock, o vulcano, que, apesar de meio humano, pensa e age como se fosse exclusivamente vulcano, apenas com a razão, a racionalidade, sem se abalar pelas emoções, pelos sentimentos, não se contém:

– “É ilógico caçar uma espécie até a extinção.”

A dra. Gillian olha para aquele sujeito estranho, esquisito, e diz, com uma lógica irrefutável:

– “E quem disse que a raça humana é lógica?”

Um filme que é delicioso, engraçado, bem humorado, agradável – e ao mesmo tempo faz uma vigorosa, magnífica defesa da preservação do meio-ambiente.

Dá para querer mais?

Pois tem mais. Embora seja Jornada nas Estrelas/Star Trek, embora tenha o número IV no nome, Star Trek IV: The Voyage Home é absolutamente acessível a todos os terráqueos, e não apenas aos trekkers, ou trekkies, os fanáticos por Star Trek.

É um filme amado pelos trekkers, claro. Mas não é necessário ser trekker para entender – e amar – o filme.

Sou uma prova disso. Entendo tanto de Star Trek quanto de física quântica, sânscrito ou como foi possível o Brasil ter eleito Bolsonaro – mas gosto demais do filme.

Uma jornada nas estrelas de volta para o passado

Huuuummm… A rigor, a rigor, o certo seria de dizer que quase não é necessário conhecer o universo Star Trek para entender o filme. Praticamente não é necessário.

Na segunda sequência, vemos uma reunião de uma grande assembléia de representantes de diversos planetas, uma espécie assim de ONU das galáxias. O embaixador do planeta Klingon (o papel de John Schuck) está fazendo uma acusação ao almirante James T. Kirk, a quem chama de “quintessência do mal, renegado e terrorista”. Ora, James T. Kirk (o papel de William Shatner, à direita na foto acima) é o mocinho de Jornada nas Estrelas; ele é o comandante da nave espacial Enterprise. O mais desavisado dos espectadores verá isso bem rapidamente.

A acusação que está sendo feito pelo embaixador de Klingon tem a ver com algo acontecido no filme anterior da série, Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock (1984) – e quem não tiver visto esse III poderá ficar sem entender muito bem a situação.

Mas essa questão das acusações do povo de Klingon contra o almirante Kirk é logo deixada de lado. O que importa mesmo é o que começou a ser mostrado logo na primeira sequência do filme: uma gigantesca sonda, em forma de um longo cilindro negro, está vindo de algum canto distante do universo em direção à Terra.

Uma nave de patrulha tenta estabelecer contato com a sonda – envia mensagens de saudação e de paz em todas as línguas conhecidas, mas não obtém resposta.

A sonda se aproxima da Terra e emite sons que ninguém consegue, a princípio, identificar. Em seguida, as fontes de energia do planeta vão sendo desligadas; ondas emitidas pela sonda fazem buscas nos oceanos. A atmosfera se enche de nuvens grossas, espessas, que a luz do Sol não consegue atravessar.

No planeja Volcano, o lugar natal de Spock – o braço-direito do almirante Kirk, o grande cérebro de sua equipe -, a tripulação da Enterprise, agora de posse de uma antiga nave dos klingons, acompanha os acontecimentos pelos fantásticos meios de comunicação existentes naquela segunda metade do século XXIII – ali por volta de 2.280, mais ou menos.

Spock é interpretado por Leonard Nimoy, que é também um dos autores do roteiro e o diretor do filme.

E é ele que faz o raciocínio que ninguém havia feito até então, desde que a sonda havia se aproximado da Terra: seja qual for essa civilização que enviou a sonda, pode ser que ela esteja tentando contato com alguma outra forma de vida que não a raça humana.

Bingo!

Um estudo dos sons transmitidos pela sonda, feito ali pela equipe de Kirk, revela: os sons são o canto das baleias jubartes!

Aquela civilização desconhecida havia enviado a sonda para fazer contato com as baleias jubartes.

Acontece que, ali pelo começo do século XXI, as baleias jubartes haviam sido extintas. E, portanto, aquela civilização que veio conversar com elas poderia ficar brava com os terráqueos… Só a sonda deles já havia acabado com as fontes de energia da Terra…

E aí é o almirante Kirk que bola a solução: eles fariam uma viagem no tempo até a segunda metade do século XX, encontrariam na Terra daquela época baleias jubartes e as transportariam para o futuro!

O plano é arquitetado quando o filme está aí com uns 10, 15 minutos. Daí para a frente, vemos a valorosa equipe do Enterprise (sem a Enterprise, usando uma velha nave dos klingons) executando o plano: viajando no espaço e no tempo, de volta para a casa e de volta ao passado longínquo.

Pousam a nave no Golden Gate Park, em San Francisco, ali por volta de 1986 – o ano de lançamento do filme.

A nave, naturalmente, tem um escudo protetor que a torna invisível.

As aventuras daqueles seres do final do século XXIII nesta antiquíssima, quase pré-histórica Terra da década de 80 do século XX são absolutamente sensacionais.

O choque entre gente de hoje e gente do século XXIII

Há dois momentos especialmente fantásticos nesse encontro de gente do futuro com gente da nossa época. Jamais esqueci deles, desde que vi o filme na época do lançamento, 1987, no maravilhoso Cine Comodoro, com minha filha, que estava então com 12 anos de idade.

Dois dos membros da tripulação, o médico, dr. McCoy (DeForest Kelley) e o engenheiro-chefe Scotty (James Doohan), estão incumbidos de arranjar um aquário super-gigante, capaz de conter um casal de baleias jubarte a ser transportado para o futuro. Visitam uma fábrica de material resistente, sei lá se de alumínio, acrílico ou coisa parecida. Scotty elogia o material que a fábrica produz, mas diz que o ideal seria se o material tivesse uma espessura muito, mas muito menor e mais leve. O diretor da fábrica diz que isso é absolutamente impossível. Scotty diz que não, e prepara-se para demonstrar, no computador, como é o tipo de acrílico ou de alumínio que em 1986 ainda não existia.

– “Alô, computador!”, ele diz, todo alegre, para a tela.

Hello, computer!

Claro: no século XXIII é assim. Mas, nestes pré-históricos anos 80 do século XX os computadores não falavam, certo?

McCoy vê o mouse, e aponta para Scotty. Scotty acha que aquilo é o microfone – vai ver que naquele passado distante ainda era necessário usar microfones externos. Pega o mouse e, delicadamente, repete: – “Hello, computer!”

O diretor da fábrica está certo de que o sujeito é louco. É o dr. McCoy que aponta para Scotty esse instrumento da idade das pedras, o teclado. Scotty finalmente compreende, pega o teclado e, em dois segundos, coloca no computador a fórmula de um acrílico ou alumínio o fininho e super resistente.

O outro momento especialmente delicioso acontece quando Kirk, a bióloga Gillian Taylor e o dr. McCoy vão a um hospital, para tentar salvar Chekov (Walter Koenig), o membro da equipe que havia sofrido uma queda e estava para ser operado.

É o choque da Medicina do século XXIII com a Medicina do final do século XX.

Num corredor, uma senhorinha está deitada numa maca à espera de uma sessão de hemodiálise. O dr. McCoy dá a ela uma pílula, e daí a alguns minutos, a senhorinha está lépida, fagueira: – “O dr. me deu um rim novo!”, ela comemora.

Os três entram na sala de operações. Primeiro dão um jeito de se livrar dos médicos que se preparavam para operar Chekov; em seguida o dr. McCoy trata dele com a tecnologia do século XXIII, enquanto resmunga contra os métodos dos médicos da San Francisco dos anos 1980: – “Parecem da Idade Média! Parecem da Inquisição Espanhola!”

Foi um grande sucesso de bilheteria

Essas são apenas duas das muitas situações bem humoradas, engraçadas do filme. Mas há alguns diálogos sérios, como aquele que transcrevi lá em cima, entre Spock e a dra. Gillian Taylor, sobre os animais em extinção.

É do almirante Kirk outra belíssima frase, já quando o filme se aproxima do final – um final feliz, é claro. Ao ver o casal de baleias jubarte nadando no oceano, ele diz:

– “Que ironia. Ao matar essas criaturas, o homem estava destruindo seu próprio futuro.”

A melhor característica da ficção científica é esta mesma: a capacidade de falar de temas sérios, importantes, fundamentais, de forma suave, leve. De filosofar sobre as grandes questões postas diante da humanidade no meio de tramas atraentes, saborosas.

A página de Trivia sobre o filme no IMDB tinha em janeiro de 2021 nada menos que 167 itens. É informação gostosa, curiosidade, que não acaba mais. Vou apontar só alguns dos fatos que considero mais importantes.

O filme teve quatro indicações ao Oscar: melhor fotografia para Donald Peterman, melhor música para Leonard Rosenman, melhor som para Terry Porter, David J. Hudson, Mel Metcalfe e Gene S. Cantamessa e melhores efeitos sonoros para Mark A. Mangini.

Nas bilheterias, foi um dos mais bem sucedidos filmes da série Star Trek: ficou em quinto lugar entre todos os filmes lançados no mercado norte-americano em 1986, com renda de US$ 56 milhões, segundo o livro Box Office Hits, de Susan Sackett. O livro, claro, é datado: foi lançado em 1990. Segundo o IMDb, a renda total do filme até hoje é de US$ 109 milhões.

O filme tem uma dedicatória, mostrada antes dos créditos iniciais: “O elenco e a equipe de Star Trek deseja dedicar este filme aos homens e mulheres da nave espacial Challenger, cujo espírito de coragem permanecerá vivo até o século XXIII e adiante.” A Challenger foi a nave que explodiu ao ser lançada, no dia 28 de janeiro de 1986, matando todos os seus sete ocupantes.

Este foi apenas o segundo de todos os filmes de ficção científica a apresentar seres extraterrestres que visitam a Terra sem estar interessados em contato com os humanos. Em todos os demais, os alienígenas – sejam os de paz, como no clássico O Dia em Que a Terra Parou (1951), de Robert Wise, sejam os que querem guerra, como o da comédia Marte Ataca! (1996), de Tim Burton – vêm é mesmo por causa do homo sapiens.

O outro é exatamente o E.T. de Steven Spielberg: os alienígenas de E.T. são botânicos que estão na Terra numa expedição em busca de plantas. O filhinho de um casal deles acaba se desencontrando dos pais e acidentalmente é encontrado pelo garoto Elliott (Henry Thomas).

Uma epopéia que já deu muitos frutos

A epopéia Star Trek começou como uma série de TV exibida na rede americana NBC entre 1966 e 1969. O criador foi Gene Roddenberry (1921-1991), um ex-piloto da Força Aérea americana que combateu na Segunda Guerra e depois se tornou roteirista e produtor. Hoje conhecida como The Original Series, tinha no elenco os atores William Shatner como o Capitão James T. Kirk, Leonard Nimoy como Spock, DeForest Kelley como Dr. Leonard McCoy, James Doohan como Montgomery Scott, Nichelle Nichols como Uhura, George Takei como Hikaru Sulu e Walter Koenig como Pavel Chekov.

A série gerou diversos filhotes, como os episódios de animação conhecidos como The Animated Series, exibidos entre 1973 e 1974.

Star Trek chegou ao cinema em 1979, com o título mais óbvio possível, Star Trek: The Motion Picture, que os exibidores brasileiros respeitaram: aqui ele se chamou Jornada nas Estrelas: O Filme. O grande barato para a já então imensa legião de fãs era que a tripulação da nave espacial USS Enterprise era interpretada pelos mesmos atores do seriado original da TV. A Paramount investiu pesado no filme, que foi dirigido pelo grande Robert Wise, o sujeito que havia feito o maravilhoso O Dia Em Que a Terra Parou.

Seguiram-se mais cinco filmes com o elenco original, até Star Trek VI: The Undiscovered Country, aqui Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida, de 1991.

Mas a epopéia jamais parou. Em 1994 começou um novo grupo de filmes, com Star Trek Generations, no Brasil Jornada nas Estrelas: Novas Gerações. Em 2009, o diretor, roteirista e produtor J.J. Abrams lançou um novíssimo Star Trek, seguido em 2013 por Além da Escuridão: Star Trek e em 2016 por Star Trek: Sem Fronteiras.

Há nos Estados Unidos festivais Star Trek, convenções Star Trek. Os aficionados, maníacos, apaixonados são tantos, mas tantos, que, como foi mencionado lá em cima en passant, há os que se definem como trekkers e os que se intitulam trekkies.

É bom comparar as datas de alguns dos grandes filmes de ficção científica dessa época, colocá-las em sequência. Dá um quadro geral interessante, e indica quem influenciou quem, quem foi pioneiro:

1966 – Star Trek, a série de TV;

1968 – 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick;

1968 – O Planeta dos Macacos, de Franklin J. Schaffner;

1977 – Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg;

1977 – Guerra nas Estrelas/Star Wars, de George Lucas, o início da saga – o filme depois renomeado como Star Wars IV – Uma Nova Esperança;

1979 – Star Trek: The Motion Picture, o primeiro filme da série;

1980 – Star Wars, Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980)

1982 – E.T.: O Extraterrestre, de Steven Spielberg;

1985 – De Volta para o Futuro, de Robert Zemeckis.

1986 – Este Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa/Star Trek IV: The Voyage Home aqui.

“O filme Star Trek mais elegante e satisfatório até agora”

Leonard Maltin deu a este Star Trek IV: The Voyage Home 3.5 estrelas em 4: “A tripulação da Enterprise faz uma acentuada curva à esquerda em direção à comédia neste filme pouco característico da série – e muito divertido. Os personagens conhecidos fazem uma viagem no tempo de volta ao século XX a fim de salvar a Terra do futuro, com a ajuda de algumas baleias jubarte. A pura novidade do tom cômico desculpa algumas incursões no óbvio: é tudo pela diversão.”

Eis o que diz Pauline Kael, a prima donna da crítica americana:

“As coisas estão indo bem mal no espaço, e você pode começar a se sentir deprimido, mas aí os sete amigos da tripulação viajam do século XXIII de volta para San Francisco do século 20 para salvar um par de baleias jubarte, e os encontros entre os sete e a mais primitiva San Francisco permitem algumas poucas piadas modestas.”

Aí Dame Kael descreve com aquele estilo mal humorado dela a sequência em que o dr. McCoy socorre o companheiro Chekov no hospital para em seguida meter o pau em tudo – a direção de Leonard Nimoy, a atuação dos atores, os diálogos. Segundo ela, é um alívio ouvir um rápido diálogo de dois lixeiros de San Francisco.

Roger Ebert deu 3.5 estrelas em 4, e começou seu longo texto assim: “Quando terminaram de escrever o roteiro de Star Trek IV, eles deviam estar com uns sorrisos nos rostos. Esta é sem dúvida a mais absurda das histórias de Star Trek – e no entanto, estranhamente, é também a melhor, a mais engraçada, e a mais agradável em simples termos humanos. Fico aliviado que nada como restrições ou senso comum interferiram.

“O filme começa com algumas sobras do filme anterior, inclusive protestos do embaixador de Klingon diante do Conselho da Federação; essas cenas pouco têm a ver com o que o filme mostra, mas elas dão uma certa garantia (como o ritual do flerte de James Bond com Miss Moneypenny) de que a série tem uma história. Enquanto isso, a tripulação da nave espacial Enterprise ainda está num planeta distante com a nave dos klingons da qual haviam se apossado em Star Trek III. Eles votam por voltar para casa a bordo da nave alienígena, mas no caminho encontram uma sonda estranha. Ela está emitindo sinais numa linguagem desconhecida que, quando decifrada, revela-se como o cântico das baleias jubartes.”

E Ebert prossegue relatando em detalhes a trama do filme. Para depois fazer comparações com os filmes anteriores: “As tramas dos outros filmes Trek centraram-se sobre vilões dramáticos, como Khan, o temível gênio interpretado por Ricardo Montalban em Star Trek III. Desta vez, os vilões não têm face. São os caçadores internacionais de baleias, que continuam a perseguir e massacrar os animais apesar das indicações claras de que eles vão fazer desaparecer esses nobres mamíferos da face da Terra. ‘Caçar uma raça até a extinção não é lógico’, Spock observa calmamente, mas vemos filmes de cenas reais em que os caçadores estão fazendo exatamente isso. Em vez de criar um único vilão como contraponto, Star Trek IV cria uma heroína, a personagem de (Catherine) Hicks.”

E ele conclui: “Há grandes sequências de ação no filme, mas eles não são os pontos altos; a saga Star Trek sempre dependeu mais da interação humana e das tramas voltadas para causas. O que acontece em San Francisco é muito mais interessante do que acontece lá fora no espaço sideral, e este filme, que poderia parecer ter o de mais improvável e desajeitada trama, é na verdade o filme Star Trek mais elegante e satisfatório até agora.”
Grande Roger Ebert! Que imensa sensibilidade tinha esse cara.

É uma delícia de filme.

Anotação em janeiro de 2021

Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa/Star Trek IV: The Voyage Home

De Leonard Nimoy, EUA, 1986

Com William Shatner (James T. Kirk),

Leonard Nimoy (Mr. Spock),

DeForest Kelley (Dr. Leonard McCoy, o Bones), James Doohan (Montgomery Scott, o Scotty, engenheiro chefe), George Takei (Sulu), Walter Koenig (Chekov), Nichelle Nichols (comandante Uhura), Majel Barrett (dra. Christine Chapel), Jane Wyatt (Amanda, a mãe de Spock), Catherine Hicks (dra. Gillian Taylor), Mark Lenard (Sarek), Robin Curtis (tenente Saavik), Robert Ellenstein (o presidente do Conselho da Federação), John Schuck (o embaixador de Klingon), Brock Peters (Cartwright), Scott DeVenney (Bob Briggs)

Roteiro Steve Meerson & Peter Krikes e Harve Bennett & Nicholas Meyer

Baseado em história de Leonard Nimoy e Harve Bennett, e na série de TV series criada por Gene Roddenberry

Fotografia Don Peterman

Música Leonard Rosenman

Montagem Peter E. Berger

Direção de arte Jack T. Collis

Efeitos especiais Michael Lantieri

Figurinos Robert Fletcher

Produção Harve Bennett, Paramount Pictures . DVD Paramount.

Cor, 119 min (1h59).

Disponível em DVD.

R, ***1/2

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