Justa Causa / Just Cause


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2001: Eis aí um filme peculiar. É extraordinariamente bem feito, tem ritmo, pega o espectador, tem seqüências assustadoras – e é extraordinariamente mal intencionado, moralmente perverso.

Durante os primeiros, digamos, três quartos do filme, ele parece ser um filme humanista, contra a pena de morte. Só no final revela-se exatamente o contrário: um panfleto mais do que a favor da pena de morte, mas da execução dos criminosos, olho por olho, dente por dente.

Sean Connery faz um ex-advogado, na época da ação (1994) um professor de Direito de Harvard, ferrenho contestador da pena de morte. Nessa qualidade, é chamado para defender Bobby Earl, um negro que está no corredor da morte na Flórida, condenado por estuprar e assassinar com ritual de violência uma garota branca de 11 anos. Ele vai levantando as circunstâncias do crime e do julgamento de Bobby Earl, e todas as indicações são de um julgamento injusto, após um trabalho de merda da polícia, que incluiu uma confissão de Bob Earl mediante tortura bárbara.

Aí, no final, uma vez restabelecida a justiça – de acordo com o que se acompanhou até então -, tudo muda. Bobby Earl era de fato o estuprador, e tramou com um colega de corredor da morte, um megapsicopata branco (interpretado por Ed Harris, brilhante), os elementos para transferir a culpa para o próprio preso, que já estava mesmo condenado à morte por diversos outros crimes. E o agora confesso assassino de fato, Bobby Earl, pega a mulher e a filhinha do advogado liberal para uma vingança final. Claro, não dá outra: o final satisfaz a moral pervertida dos espectadores da maioria silenciosa.

É muito triste ver Sean Connery compactuar com isso tudo. E ele compactua mesmo: foi um dos produtores executivos do filme.

Justa Causa/Just Cause

De Arne Glimcher, EUA, 1995.

Com Sean Connery, Laurence Fishburne, Ed Harris, Kate Capshaw, Blair Underwood, Ruby Dee, Hope Lange

Roteiro Jeb Stuart e Peter Stone

Baseado no romance de John Katzenbach

Música James Newton Howard

Produção executiva Sean Connery

Produção Warner

Cor, 102 min.

3 Comentários para “Justa Causa / Just Cause”

  1. Quer dizer que “torcer” por um final infeliz para o assassino é produto de “mentes pervertidas”… Que comentário mais boboca e carregado de preconceitos. Bom mesmo para esse “crítico” (?) são as nossas leis boazinhas para os criminosos…

  2. Respeito a crítica “intelectual”, mas apesar de ser contra a pena de morte, sei que com gente assim, do tipo dos personagens de Ed Harris e Blair Underwood, não tem conserto. Querere posar de humanista numa situação dessa é mais pervertido que querê-los mortos.

  3. A mensagem que o filme passa é de extremo preconceito. Quer dizer que ir para o corredor da morte sem nenhuma prova concreta é correto? Porque pode ser que o culpado, negro, seja mesmo culpado, como no filme? Sandice total, embora o filme seja bom até a idiotice do final.

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