Bem-vindo ao Jogo / Lucky You


Nota: ★★½☆

Anotação em 2008: Curtis Hanson recriou com extremo cuidado o mundo dos jogadores de um determinado tipo de pôquer na loucura de Las Vegas – usando vários viciados na coisa como consultores e atores coadjuvantes.

Como havia ganho um Oscar num filme anterior do diretor (o ótimo Garotos Incríveis/Wonder Boys, de 2000, para o qual compôs Things Have Changed), Bob Dylan fez uma música especialmente para este filme, Huck’s Tune. Além dessa canção, cantada pelo próprio Dylan, a trilha sonora ainda tem Bruce Springsteen, Kris Kristofferson e Bonnie Raitt.

Essas duas características – a coisa da reconstruição cuidadosíssima do mundo de um tipo de pôquer e a trilha sonora – são as coisas mais marcantes deste filme.

Mas ainda tem a gracinha que é Drew Barrymore, e uma história de uma relação muitíssimo complicada entre o personagem central, interpretado por Eric Bana, e seu pai, feito por Robert Duvall, sempre cheio de maneirismos mas sempre bom de se ver. Duvall vai ficando cada vez mais careca e cada vez melhor com a passagem do tempo.

O filme conta a história de Huck Cheever, o personagem de Eric Bana (que fez o papel principal de Munique/Munich, de Steven Spielberg), um sujeito cuja vida é jogar pôquer. Na verdade, não tem muita história. É só isso: Huch Cheever joga pôquer. Vai conhecer uma mocinha que está passando uma temporada em Vegas, na casa da irmã – Billie, a personagem de Drew Gracinha Barrymore. Vai participar de um torneio que reúne os fodões do jogo vindos de todos os cantos do país, inclusive L.C., seu pai, com quem nunca se deu bem e com quem tem uma rivalidade a toda prova. 

Em torno desse fiapo de histórias, temos jogo, e jogo, e jogo – e as jogadas não são inventadas por um roteirista que pouco entende do assunto (Eric Roth, que fez também o roteiro de Forrest Gump); elas são recriações de jogadas verdadeiras, que de fato aconteceram, e foram reconstituídas para o filme pelos muitos jogadores de verdade que colaboram com a produção.

 Mas quem não entende porcaria alguma de pôquer não estará excluído da brincadeira. Tem a historinha de amor, tem a relação tempestuosa pai-filho, tem as boas músicas. O filme se deixa ver direitinho. 

Agora, se for para ser rigoroso, a este filme poderia se aplicar a mesma pergunta que me fiz ao ver o filme anterior de Curtis Hanson, Em Seu Lugar/In Her Shoes, a história de duas irmãs em tudo opostas, antípodas, interpretadas por Cameron Diaz e Toni Collette: mas, afinal, diabos, por que foi mesmo que um diretor tão talentoso resolveu filmar essa historinha boba?

É o tal negócio: quem mandou fazer filmes tão bons antes? Curtis Hanson de fato fez coisas muito boas. Uma Janela Suspeita/The Bedroom Window, de 1987, é um bom thriller. Rio Violento/The River Wild, de 1994, também. A Mão Que Balança o Berço/The Hand that Rocks the Cradle, de 1992, é ótimo, tem um clima forte, denso. Los Angeles Cidade Proibida/L.A.Confidential, de 1997, é excelente, Garotos Incríveis/Wonder Boys é delicioso. Diante do retrospecto, dá a sensação de que o diretor piorou, nos seus dois últimos filmes. Escolheu histórias menos importantes, menos impactantes. Está nos devendo um grande filme.  

Bem-vindo ao Jogo/Lucky You

De Curtis Hanson, EUA, 2007.

Com Eric Bana, Drew Barrymore, Robert Duvall, Robert Downey Jr.

Roteiro Eric Roth

Música Christopher Young

Com canções de Bob Dylan, Bruce Springsteen, Kris Kristofferson, Bonnie Raitt

Cor, 124 min.

**1/2

3 Trackbacks

  1. […] história, fiquei, mais uma vez completamente envolvido pelo clima de tensão e medo que o diretor Curtis Hanson consegue […]

  2. […] em 2011: Garotos Incríveis/Wonder Boys, que Curtis Hanson fez em 2000, é um daqueles filmes que a gente deveria rever de vez em quando. Talvez uma vez por […]

  3. […] entre outros, Uma Janela Suspeita (1987), Sob a Sombra do Mal (1990), Garotos Incríveis (2000), Bem-vindo ao Jogo (2007), Grande Demais Para Quebrar (2011). O cara é […]

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