Uma Janela Suspeita / The Bedroom Window


Nota: ★★★☆

Resenha na coluna O Melhor do DVD, no site estadao.com.br, em 2000: O diretor Curtis Hanson ficou famoso e obteve reconhecimento geral e irrestrito em 1997, com Los Angeles – Cidade Proibida/L.A. Confidential), uma primorosa reconstituição do submundo da cidade que abriga a capital mundial do cinema nos anos 50 e, ao mesmo tempo, uma brilhante reconstituição da atmosfera do film noir dos anos 40 e 50. O filme foi indicado para vários Oscars, levou dois (atriz coadjuvante para Kim Basinger e roteiro adaptado para o próprio Hanson em parceria com Brian Hegeland), conquistou a maior parte da crítica e teve um bom desempenho nas bilheterias. Antes, Curtis Hanson já havia já havia chamado a atenção com A Mão Que Balança o Berço, de 1992, um bom thriller psicológico, em que uma Rebecca de Mornay enfurecida pelo desejo de vingança inferniza a vida de um casal pacato, interpretado por Annabella Sciorra e Matt McCoy.

Bem antes de L.A., e de Garotos Incríveis, em cartaz atualmente nos cinemas (o texto é de 2000), no entanto, Curtis Hanson já demonstrava ter muito talento, e uma extraordinária capacidade de criar clima e envolver o espectador num filme que teve muito menos destaque do que merecia. Uma Janela Suspeita é de 1987; produção bem modesta, para os padrões americanos, não teve campanha de marketing, passou despercebido por muita gente. Chegou a ser lançado em vídeo no Brasil, por uma distribuidora pequena, e agora chega ao DVD, também por empresa pequena, a Cine Arte, de Rio Claro (SP), e chegou às bancas como brinde da revista DVD News.

O trio central de atores é formado por Steve Guttenberg, que nunca chegou a ser um grande astro; Elizabeth McGovern, lindíssima e boa atriz, mas que, apesar de ter participado, entre outros bons, de dois filmes importantíssimos, Na Época do Ragtime, de Milos Forman, de 1981, e Era Uma Vez na América, de Sergio Leone, de 1984, não virou nenhuma estrela; e, para completar, a francesa Isabelle Huppert, mais cult do que star, musa de Claude Chabrol e homenageada depois também pelo independente tão chato quanto benquisto pela crítica Hal Hartley.

Os três estão corretos, numa trama inteligente, envolvente, e que demonstra à exaustão que não é preciso mostrar cenas de violência explícita para se manter o espectador em suspense, torcendo pela sorte dos personagens – gente comum, que de repente se vê envolvida em uma série de crimes. O trailer da época, que pode ser visto no DVD, define o filme como “um thriller romântico na tradição do mestre do suspense”; não cita o nome de Alfred Hitchcock, mas nem seria preciso. Como o velho Hitch, o então jovem Curtis Hanson apresenta uma história em que o suspense vem não da necessidade, à la Agatha Christie, de se tentar adivinhar quem é o assassino – isso está posto, desde o início – e sim com a ansiedade em se saber como e quando os protagonistas vão escapar das ações do assassino e de suas próprias manobras atordoadas que acabam por, inevitavelmente, atrair a suspeita da polícia.

Nos anos 90, fizeram-se diversos thrillers milionários sobre serial killers; esta produção simples, quase despretensiosa, dá de dez a zero na maioria deles. 

 Anotação em 2001: R, *** Gostei de rever. É um desses filmes interessantes, de grande cineasta em começo de carreira, que já revelam o talento que o cara tem.

Uma Janela Suspeita/The Bedroom Window

De Curtis Hanson, EUA, 1987.

Com Steve Guttenberg, Elizabeth McGovern, Isabelle Huppert,

Roteiro Curtis Hanson

Baseado em novela de Anne Holden

Cor, 112 min.

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