Desejo / Desire Under the Elms


Nota: ★★★☆

Anotação em 2003: Uma baita, imensa tragédia grega, passada numa fazenda da Nova Inglaterra no começo do século XIX. Sophia, maravilhosa, belíssima, é a jovem que se casa com um fazendeiro bem mais velho, duro, irascível (o grande, em todos os sentidos, Burl Ives) e se apaixona pelo filho dele (Anthony Perkins).

É o melhor dos filmes que a Sophia fez nos Estados Unidos nos anos 50 e que foram exibidos durante uma semana no Telecine.  

E é interessante ver que foi feito por um diretor tido como medíocre, enquanto os outros filmes da mesma safra, ruins sejam de grandes ou no mínimo bons diretores – Sidney Lumet (Mulher Daquela Espécie/That Kind of Woman, de 1959), Martin Ritt (Orquídea Negra/Black Orchid, de 1959), Jean Negulesco (A Lenda da Estátua Nua/Boy on a Dolphin, de 1957).

Ao todo, Sophia fez 13 filmes em Hollywood, entre 1957 e 1961.

Desejo/Desire Under the Elms

De Delbert Mann, EUA, 1958.

Com Sophia Loren, Burl Ives, Anthony Perkins

Roteiro Irwin Shaw

Baseado em peça de Eugene O’Neill

Música Elmer Bernstein

Produção Paramount

P&B, 114 min.

2 Comentários

  1. Gadú Costa
    Postado em 1 agosto 2014 às 5:28 pm | Permalink

    Quando aceitei Tennesse Williams como meu único salvador, rsrs, não sabia que bem ao lado dele, na casa quase com a mesma pintura, a mesmíssima cerca branca, morava um vizinho que mantinha a grama tão verde quanto a do vizinho problemático. De fato, existem vizinhos problemáticos, mas não como Tennesse! Um dia, no meu ensino médio, deixei-me ser convidado para tomar um chá com o vizinho, sentou-se ao meu lado e chamava-se de Eugene. Eugene me deixava entrar em sua casa e conhecer sua família. Ao passar dos anos eu lia no seu rosto, sempre às 4 da tarde quando eu largava das aulas no colégio integral de freiras, que eu seria sempre bem vindo que a minha casa e a do Tennesse não seriam as únicas a enfrentarem problemas. Pois bem. Como todo começo é conturbado e após uma Longa Jornada Noite Adrento, abandonei sua companhia e me dediquei aos estudos para estudar numa faculdade boa e conseguir realizar meus sonhos. Eugene e Tennesse ficaram sozinhos, cada qual odiando a grama do outro e nas tardes de domingo na minha ausência tomavam chá no alpendre. Desde então não havia enfrentado coisa pior que eu mesmo até me deparar com uma arrogante ‘Madrasta’. Como um péssimo filho eu tinha que me contentar com o teto que me era custeado. Deus tinha um plano para mim, deixar ao máximo eu longe de Eugene O’neill por aqueles tempos de treva, sabe lá o que eu iria fazer com a maldita da minha madrasta se eu tivesse lido “Desejo”, e não seria rolar no feno jurando amor eterno ou escondendo do pai um romance proibido. Os tempos passaram rápidos até posso dizer, e eu ingressei na faculdade. Meu pai não tomou muito orgulho do que eu tinha escolhido. Eu finalmente tinha andado com as próprias pernas e numa tarde dessas de bobeira enquanto o professor não vinha, me deparei com o mesmo companheiro de tantos anos atrás, xii, não tantos eram só a 4 anos mirrados atrás. Eugene, matinha o mesmo porte franzino e a cara de poucos amigos, que jogava bilhar tomando uísque em algum bar da cidade. Apertei a mão dele e comecei a relê-lo. Foram anos difíceis, talvez bem mais difíceis que na infância, ou na adolescência, mas dizem que os piores e os melhores anos são aqueles em que estamos vivendo agora. Sem divagar muito numa tentativa de me auto-biografar (rsrs), a 5 anos depois de e entrar na faculdade estava eu diante do computador com saudade daquele frenesi de tramas absurdas, de famílias falidas e desconjuntadas, e de toda aquela farra de sentimentos que enchia copos e mais copos e me deixava embriagado só com as frases de efeito e todo o dramalhão. Foi quando vasculhando o 50AnosdeFilme encontrei uma crítica de “Desire Under the Elms”, não tinha realmente muita coisa, comparado a grandes textos que vocês escreve ( rsrs), enfim, decidi começar uma maratona revendo os filmes baseados nas peças do Eugene e não deixá-lo mais tomar chá sozinho no alpendre. Não sei se vai ler tudo isso, mas é apenas um toque, vale a pena ler e assistir as outras obras tanto do Tennessee quanto do Eugene, eu fiquei desolado quando não encontrei nem o classicão do “A Streetcar Named Desire” ou até o “Longa Jornada Noite Adentro”. Espero que tenha chegado até o fim com a saúde em dia e as virgulas nos lugares certos, tomara que não tenha passado na frente de ninguém nem desrespeitado a minha raça ( rsrs). Agora já tenho um nome para por a culpa, dos filmes recomendados ‘ruins’ e para abençoar quando na maioria das vezes você não perde tempo em nos surpreender, SÉRGIO!

  2. Sérgio Vaz
    Postado em 1 agosto 2014 às 9:17 pm | Permalink

    Hê-hê! Adorei a “autobiografia”!
    De fato, preciso rever A Streetcar (tenho o DVD em casa) e também “Longa Jornada” (basta alugar) para comentar e botar aqui no site.
    Mas é muito filme que tenho que ver e / ou rever, Gadu!
    Um abraço!
    Sérgio

Um Trackback

  1. […] de arte, a trilha sonora, e a interpretação magistral dos dois atores, os monstros sagrados Sophia Loren e Marcello […]

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