São Paulo Sociedade Anônima

Nota: ★★★★

Passados 56 anos de seu lançamento, São Paulo Sociedade Anônima permanece tão forte, poderoso, impactante, emocionante quanto era em 1965 – um ano depois do golpe militar, três anos antes do golpe dentro do golpe com o AI-5.

Tão cheio da vitalidade, do frescor – e da beleza – dos então jovens Luiz Sérgio Person, seu autor e diretor, e Walmor Chagas e Eva Wilma, seus protagonistas. Walmor, o mais velho dos três, aos 35 anos, já era um ator de teatro respeitadíssimo, mas foi sua estréia no cinema. Eva Wilma, resplandescentemente linda e jovem aos 32, era uma atriz veterana no teatro, no cinema e na TV. Person, com apenas 29 anos, fazia seu primeiro longa-metragem.

“Luiz Sergio Person (1936-1976) crossed the Brazilian cultural scene like a comet. He acted, wrote, directed and produced works of both cinema and theatre, worked as a commercial director and journalist.”

É gostoso ver isso assim, escrito em inglês, “a língua do patrão”, como dizia outra bela obra da mesma época de São Paulo Sociedade Anônima, igualmente passada em São Paulo, Bebel Que a Cidade Comeu, de Ignácio de Loyola Brandão, transformada em filme por Maurice Capovilla em 1968 como Bebel, Garota Propaganda.

Inglês, que faz os jovens Carlos e Luciana – os papéis de Walmor e Eva – se conhecerem, colegas numa escola de línguas perto da Praça da República.

Esse texto aí acima sobre Person é o que está no IMDb, o maior, mais importante site sobre filmes que existe, e foi feito por alguém modesto que se assina “Annonymous”. É um bom texto, e faço questão de transcrevê-lo.

“Luiz Sergio Person (1936-1976) atravessou a cena cultural do Brasil como um cometa. Ele atuou, escreveu, dirigiu e produziu trabalhos tanto no cinema quanto no teatro, trabalhou como diretor comercial (em publicidade, eu acrescento) e jornalista. Com apenas cinco longa-metragens, ele estabeleceu uma das mais sólidas obras do cinema brasileiro. O mais famoso deles, São Paulo S/A (1965), permanece ainda um exame sem paralelo do amplo impacto do processo de industrialização do Brasil e o surgimento de uma nova classe média. O filme é um dos dez mais importantes títulos da cinematografia brasileira. Seu filme seguinte, O Caso dos Irmãos Naves, foi o mais corajoso grito contra o auge da ditadura militar instalada em 1964.

“Com a aspiração de aumentar o mercado de cinema no Brasil, Person foi um dos criadores do RPI – Reunião dos Produtores Independentes, uma iniciativa pioneira de distribuição corporativa. Um amante do teatro, onde sua carreira de ator e diretor começou, ele fundou o Teatro Augusta em 1973, que se transformou em um dos epicentros criativos de São Paulo.”

Adoro os textos escritos com paixão.

O eventual leitor tem todo o direito de se perguntar (assim como eu me pergunto) quais seriam os outros nove títulos mais importantes da cinematografia brasileira na opinião desse Annonymous que escreveu a minibiografia de Luiz Sérgio Person no IMDb. É muito difícil essa coisa de dez melhores filmes já feitos em um país. Prefiro uma abordagem… Uau! essa é uma típica palavra de crítico de cinema! Deixe eu dizer de outro jeito. Prefiro um modo mais pessoal. Em vez de os dez melhores filmes, os meus dez filmes preferidos.

Isso: meus tantos filmes preferidos. Os tantos filmes brasileiros de que eu mais gosto.

“Os dez mais importantes títulos da cinematografia brasileira” é algo muito solene, muito metido – além de ser uma lista danada de difícil de ser feita.

Muito melhor é a coisa pessoal.

Assim, posso dizer com muita tranquilidade: São Paulo Sociedade Anônima é um dos filmes brasileiros de que mais gosto, que mais admiro, que mais me deixam boquiaberto e de queixo caído.

Um início arrebatador, com belas sacadas

Tem sido bastante comum, em filmes dos últimos anos, das últimas décadas, o uso do que chamo de narrativa-laço, que tem um nome mais chique, in media res, ou no meio das coisas. É o jeito de contar a história começando por um momento importante, impactante, que acontece bem perto do fim daquela história. Como mostrar um jogo de futebol a partir de um pênalti marcado aos 43 minutos do segundo tempo. Mostrar o pênalti sendo cometido, o jogador se preparando para bater o pênalti, o goleiro se preparando para tentar defender – e aí, depois de ter laçado o espectador, depois de ter deixado o espectador doidinho para ver o que vai acontecer em seguida, se será gol ou se o goleiro vai defender, voltar para o primeiro minuto do jogo, mostrá-lo inteiro, em ordem cronológica

Eu não saberia dizer com certeza se em 1965 essa coisa da narrativa-laço já era muito usada. Mas é um belo recurso dramático – e o jovem Person soube usá-lo magnificamente no primeiro longa-metragem que fez na vida, em cima de roteiro original dele, de história criada por ele.

E é de fato uma forma magnífica com que ele usa a narrativa-laço.

Vemos, na primeira tomada do filme, um casal discutindo, brigando, na sala de seu apartamento – mas a câmara não está lá. A câmara está como se colocada do lado de fora do apartamento. Como se estivesse num apartamento vizinho, como a câmara fotográfica de Jeff-James Stewart em Janela Indiscreta (1954).

E, portanto, não ouvimos direito o que está sendo dito pelo casal que discute, briga. Ouvimos o som de suas vozes, mas de longe. Só conseguimos captar perfeitamente algumas poucas palavras que são ditas muito alto, berradas.

A palavra “covarde”, dita e repetida por Luciana-Eva Wilma, a gente compreende perfeitamente.

Carlos-Walmor Chagas faz um gesto a rigor absurdo, mas que a gente faz mesmo, quando está enfurecido numa discussão, numa briga: passa o braço por cima da mesa e derruba no chão tudo o que estava nela.

Mais absurdo ainda: empurra a mulher, que cai no chão – e ele sai do apartamento, batendo a porta.

Começam então os créditos iniciais: ouvimos o início do tema musical criado por Ricardo Petraglia – pesado, denso, dramático -, enquanto a câmara faz um movimento para a direita, vai focalizando os prédios próximos ao do casal que brigava. Há um corte, e vemos, em contreplongée, grandes prédios bem conhecidos do Centro de São Paulo, no iniciozinho da Avenida São João, o do Banco do Brasil, o do Banespa, hoje Santander, o Martinelli, Novo corte, e vemos uma tomada área de São Paulo, enquanto continuam rolando os créditos. Corta para tomadas de estação de trem de subúrbio, tomadas de gente do povo em estação de trem, em ponto de ônibus. O povo – o tal de que mais fortes são os poderes, conforme havia sido declarado em altíssimo e excelente som pouco antes em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964). Voltam as tomadas aéreas da grande cidade,

E então, assim que terminam os créditos iniciais, há uma bela sacada do diretor, o realizador, o metteur-em-scêne. O sujeito que ama filmes e está vendo o filme pela segunda ou terceira ou quarta vez percebe. Quem está vendo o filme pela primeira vez não precisa reparar nesse detalhe, porque está envolvido com a história, querendo saber o que aquilo significa, por que aquele casal estava brigando daquele jeito.

A sacada é que, de repente, cortando aquele conceito da sequência anterior aos créditos iniciais, de que a câmara (e portanto os olhos dos espectadores) estava distante…

Temos uma tomada em que vemos Luciana-Eva Wilma, caída no chão, bem perto da câmara. A câmara agora está dentro da sala do casal – mas ela não fica parada sobre Luciana. Ela se vira para a janela, se volta lá para baixo, para a rua, e mostra Carlos-Walmor Chagas saindo do prédio, caminhando para a outra calçada, indo embora.

Close-up dele, olhando para o apartamento que havia acabado de deixar. Rápida tomada do prédio, em contreplongée. Close-up de Luciana no chão, chorando.

Ela diz, sozinha na sala de seu apartamento, vista em close-up: – “Não vá embora, Carlos.”

Um homem que carrega toda a amargura do mundo

Vemos então Carlos caminhando pelas ruas do Centro de São Paulo, no meio daquela multidão de pedestres que vão e vêm, com a expressão de quem está absolutamente perdido na vida, sem saber o que fazer. E só então há o flashback – voltamos quatro anos atrás.

Um letreiro, logo após os créditos iniciais, havia avisado que a história se passa entre 1957 e 1961.

Esse Carlos que o jovem demais Luiz Sérgio Person criou, e ganhou vida numa interpretação primorosa do estreante no cinema Walmor Chagas, é um dos personagens que mais ficaram marcados na cabeça do adolescente adorador de filmes Sérgio Vaz.

Carlos é um homem triste, infeliz. Carrega nos ombros uma amargura do tamanho do mundo. Não vê sentido nas coisas a seu redor, não vê sentido na sua vida.

Na vida profissional, joga fora uma boa oportunidade quando, formado em desenho industrial, consegue um bom emprego de supervisor de qualidade (ou algo parecido) na Volkswagen, recém implantada no país – mas coloca tudo em risco ao entrar num esquema corrupto com um fornecedor da gigantesca montadora, Arturo (o papel de Otelo Zeloni). Arturo tem uma pequena fábrica que produz uma determinada peça – e Carlos vende para sua chefia o produto como sendo de imensa qualidade. Quando a chefia descobre que o funcionário é amigo de Arturo, e provavelmente ganhou algum dinheiro com a transação, Carlos é demitido.

Acaba indo trabalhar com o próprio Arturo na fábrica dele, vira seu segundo, seu braço direito – mas não gosta do que faz, não está satisfeito com o trabalho, com o salário, com nada.

Na vida afetiva, da mesma maneira, não fica inteiramente satisfeito com nenhuma das mulheres com quem se relaciona. Com Ana (Darlene Glória, linda, gostosa, sensual, aos 22 anos, em seu segundo filme), se dá bem na cama – mas desconfia dela, das mentiras que ela conta. E Ana, definitivamente, não é do tipo monogâmico.

A convivência com Hilda (Ana Esmeralda), uma mulher culta, intelectualizada, admiradora de artes plásticas e literatura, até que é boa; Carlos se sente bem com ela. Mas Hilda, um pouco como Ana, também tem outros amantes – e acaba se apaixonando, casando e indo viver numa fazenda. Só voltarão a ser nos dias que antecedem aquela briga com Luciana, mostrada no início da narrativa.

Luciana-Eva Wilma, como já foi dito, Carlos ficou conhecendo num curso de inglês. Diante daquela mulher de beleza estupenda, é claro que o cara deu em cima – e teve a sorte de que a moça deu trela, permitiu que ele fizesse a corte. Começaram a namorar; Carlos frequentava a casa dela, conversava com o pai e a mãe dela.

Houve brigas – mas, afinal, são pouquíssimos os casais que não brigam. E ele a pediu em casamento.

É um bom momento de criatividade. Person registrou o casório, na igreja, Luciana de vestido branco, véu e grinalda – mas apenas em fotos, numa sequência especialmente bela.

Uma mulher lindíssima, meiga, simpática, suave, doce.

Carlos é um sujeito que não sabe ser feliz

Mas Carlos não veio ao mundo para ser feliz. Não sabe aproveitar as coisas boas que caem em suas mãos.

É um ser amargurado, haja o que houver.

É nítido que Person quer atribuir essa amargura, essa angústia, essa incapacidade de ser feliz de Carlos à pressão constante da vida na metrópole, à concorrência, à necessidade de vencer na vida, ao capitalismo, ao Sistema.

É nítido, é claro, é óbvio.

Mas, ao rever o filme agora – 55 anos depois de tê-lo visto pela primeira vez, 53 anos depois de ter chegado a São Paulo com uma mão na frente e outra atrás sem ter a mínima idéia de como iria sobreviver, 48 anos depois de ter me casado com uma paulistana linda como Luciana –, minha sensação é de Carlos simplesmente não sabia como ser feliz.

Tudo bem: havia a pressão constante da vida na metrópole, a concorrência, blá-blá-blá, etc, etc, etc – mas Carlos era feito de carne, osso e angústia.

O Carlos de Person e Walmor Chagas se parece demais com Alain Leroy, o trágico personagem interpretado por Maurice Ronet em Trinta Anos Esta Noite/Le Feu Follet, de Louis Malle, lançado em 1963, apenas dois anos antes de São Paulo Sociedade Anônima.

Pessoas nascidas para serem amarguradas, angustiadas.

Não creio que a lembrança de Trinta Anos Esta Noite seja sem sentido. Bem ao contrário. São Paulo Sociedade Anônima tem muitas características que mostram que Luiz Sérgio Person era um apaixonado pelo cinema francês, pelo cinema europeu. Há muito de nouvelle vague, e também de Antonioni, no estilo com que ele encena a vida deste homem perdido na vida.

“Todos os expedientes do cinema moderno”

Falei, bem lá acima, que é magnífica a forma com que Person usa essa coisa da narrativa-laço, de começar mostrando um evento que acontece perto do final da história e aí voltar atrás para ir relatando tudo o que aconteceu até chegar de volta àquele evento.

Gostaria de explicitar por que ela é magnífica – e creio que não é spoiler dizer que, quando o filme está se encaminhando para o fim, voltamos a ver aquela cena da briga do casal Carlos e Luciana.

Claro que não é spoiler: desde a primeira cena do filme sabemos que houve aquela briga.

A bela sacada de Person é que, na segunda vez em que vemos a briga, a câmara, que da primeira vez estava fora do apartamento do casal, um tanto longe, distanciada, desta vez está lá dentro.

Quando o filme já está se aproximando do fim, revemos toda a cena, só que de perto, acompanhando todo o diálogo, toda a discussão.

É uma beleza de artifício narrativo.

Eis o que diz do filme o livro História Ilustrada dos Filmes Brasileiros – 1929-1988, de Salvyano Cavalcante de Paiva:

“Filme insólito, vigoroso de enredo e direção, São Paulo S.A. reflete o processo da realidade urbana brasileira na fase da industrialização acelerada. Episódios se entrecruzam num vaivém admirável a evocar fases diferentes do processo e a destacar o presente angustiado da personagem central antecipando o desfecho anticlimático. Luiz Sérgio Person – de carreira auspiciosa tolhida pela morte – estréia no longa-metragem com apetite, vigilante, seco e sereno o suficiente para evitar o grandiloquente, mas numa linguagem iconoclasta em forma e conteúdo.”

Aqui são necessários dois registros.

Um é sobre a grafia do título do filme. Muita gente – como Salvyano Cavalcante de Paiva em seu livro – usa a forma abreviada, São Paulo S.A. Há quem use também São Paulo S/A. A grafia, digamos, oficial, a que está nos créditos iniciais e nos cartazes originais, é esta que estou usando, tudo por extenso: São Paulo Sociedade Anônima.

O segundo registro é barra pesada: Luiz Sérgio Person morreu em 1976, com apenas 40 anos. Foi vítima de um acidente automobilístico.

A excelente Enciclopédia do Cinema Brasileiro, organizada por Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda, traz, no seu belo verbete sobre Person, algumas informações interessantíssimas, e, depois uma boa avaliação do seu primeiro longa-metragem.

Relata que Person, exatamente em 1958, um dos quatro anos em que se passa a ação de São Paulo Sociedade Anônima, depois de ter tido já algumas experiências no cinema, afastou-se do que vinha fazendo, para “dedicar-se a atividades mais lucrativas”: “Foi agente de um decorador amigo e assumiu a diretoria da empresa Person-Bouquet S.A., fábrica de ferramentas do avô, de onde tirou idéias que usaria mais tarde no filme São Paulo S.A”.

Depois dessa experiência, passou uma temporada em Roma, onde fez, durante dois anos, um curso no Centro Sperimentale di Cinematografia; ainda na Itália, realizou seus dois primeiros curta-metragens, Al Ladro – Cronaca Urbana e L’Ottimista Sorridente. “Estudante de direção na Itália, conheceu e acompanhou vários ciclos e autores (a nouvelle vague, o cinema independente americano, o cinema político de Petri e Rosi e de seu mestre Valerio Zurlini).”

São Paulo S.A. foi lançado em 1965 e, nas palavras do cineasta Carlos Reichenbach, narra as sequelas do progresso perverso e desordenado que assolou a metrópole de 1957 a 1961, durante a expansão da indústria automobilística. Person vale-se de todos os expedientes do cinema moderno: narrativa fragmentada, cortes secos e abruptos, vozes contrastantes em off, grafismo, alteração proposital do diafragma na mesma cena e mistura ostensiva do documentário na ficção. O filme não só apresenta a cidade de São Paulo (cujos prédios estão sempre presentes ao fundo das cenas), bem como focaliza a história do ponto de vista do jovem Carlos (Walmor Chagas), representante da classe média nascida à sombra da Anchieta, com o novo-riquismo que desponta com a periferia da industrialização avassaladora.”

Em 2003, a PubliFolha publicou um livrinho – Filmes – em que sete críticos falam de dez filmes que levariam para uma ilha deserta, dez filmes de que gostam especialmente. Amir Labaki incluiu São Paulo Sociedade Anônima, e fez um bom texto sobre ele. Começa assim:

“Alguma coisa acontece em meu coração quando assisto a qualquer trecho de São Paulo S.A. (1965). A história do cinema brasileiro já reservou ao segundo longa de Luiz Sérgio Person seu merecido lugar de destaque na filmografia de títulos essenciais. (Amir se enganou aí: como já foi dito, este foi o primeiro longa do autor.) O frescor e a inventividade da narrativa, quatro décadas depois de sua filmagem, ainda surpreendem. A argúcia dos diálogos é ainda uma aula de cinedramaturgia pouco aprendida pelo cinema nacional. No papel central, do jovem funcionário da então nascente indústria automobilística, Walmor Chagas, em sua estréia no cinema, tem um desempenho de tamanho despojamento, de tão assustadora naturalidade, que transfere para diante das câmeras um ser-no-cinema de raros paralelos em qualquer cinematografia.”

Anotação em maio de 2021

São Paulo Sociedade Anônima

De Luiz Sérgio Person, Brasil, 1965.

Com Walmor Chagas (Carlos)  

e Eva Wilma (Luciana),

Otelo Zeloni (Arturo), Darlene Glória (Ana), Ana Esmeralda (Hilda), Etty Fraser (vizinha), Marta Gonda (filha de Arturo), Renato Gonda (filho de Arturo), Ricardo Gonda (filho de Arturo)

Argumento e roteiro Luís Sérgio Person

Fotografia Ricardo Aranovich

Música Ricardo Petraglia

Montagem Glauco Mirko Laurelli

Direção de arte Jean Lafront   

Produção Socine Produções Cinematógraficas.

P&B, 107 min (1h47)

Disponível em DVD.

R, ****

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *