Gonzaga – De Pai pra Filho

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Nota: ★★★★

Gonzaga – De Pai pra Filho é um filme extraordinário.

Assim que acabamos de ver, não consegui me conter, e botei no Facebook:

Alguém aí ainda não viu Gonzaga – De Pai Pra Filho?

Quem não viu deveria ver. Emocionante. De lavar a alma. De dar de novo orgulho de ser brasileiro, esse orgulho que andam tentando tirar da gente faz 11 anos.

Mary chorou algumas vezes, mas isso não é nada esquisito. Mary chora até com desenho animado. Eu chorei – de pura emoção, de alegria, por sentir que a existência dessas pessoas absolutamente extraordinárias que são Luiz Gonzaga e Gonzaguinha nos deixa claro que vale a pena viver.

Não sou de chorar muito. Bem antes ao contrário. Se um filme me faz chorar, é porque é muito especial.

Dois artistas importantíssimos, duas vidas ricas, repletas de pathos

As vidas de Luiz Gonzaga e de Gonzaguinha são especialmente ricas, plenas.

Costumo sempre dizer que há cinebiografias que não chegam a ser bons filmes porque não há nada de muito especial nas vidas dos biografados. Podem ser grandes artistas, mas, nas suas vidas, falta algo que seja um tcham!

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No caso de Lua e de Gonzaguinha, é exatamente o contrário. Além do fato de que são dois grandes artistas, há em suas vidas drama, tragédia, dificuldades e privações terríveis, pobreza, fama, fama extrema, glória, ciúme, conflitos. Pathos, enfim. Há fatos e pathos até demais. Só para contar toda a história de Luiz Gonzaga, um dos músicos mais importantes deste país especialmente rico musicalmente, precisaria ser feita uma minissérie, das longas.

Foi extremamente sábia, muito bem sacada, assim, a decisão do diretor Breno Silveira e dos roteiristas (um grupo grande, encabeçado por Patrícia Andrade) de concentrar a narrativa na relação entre pai e filho.

É uma relação extraordinariamente rica. Tumultuada, conflituosa, dolorosa, amarga, dura. Pathos de sobra.

De repente, me lembrei da relação entre mãe e filha interpretadas por Ingrid Bergman e Liv Ullmann na obra-prima Sonata de Outono, que Ingmar Bergman fez em 1978. É uma relação igualmente tumultuada, conflituosa, dolorosa, amarga, dura – mas são personagens fictícios. Aqui se conta uma história real, envolvendo dois artistas que fazem parte integrante, importante, de nossas vidas.

Bem, talvez eu esteja sendo invasivo com a vida dos outros ao dizer “nossas vidas”. Poderá, é verdade, haver pessoas, e até um eventual leitor, que não considere Lua e Gonzaguinha parte de suas vidas. Os muito jovens, talvez.

Mas seguramente os dois Gonzagas fazem parte da vida de milhares, milhões de brasileiros, de várias gerações.

Luiz Gonzaga apresentou o Nordeste ao Sul Maravilha, integrou o país

Falando estritamente por mim, como diria Joan Baez, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha são figuras importantíssimas.

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Cada um deles tem o seu lugar específico, é claro. Luiz Gonzaga – felizmente, aprendi isso bem cedo, e jamais esqueci – é uma das três bases, dos três alicerces, sobre os quais se construiu praticamente tudo na música popular brasileira. No início eram Noel Rosa, Dorival Caymmi e Luiz Gonzaga – todos os que vieram depois aprenderam com eles. Noel, a canção urbana, urbanóide, que viria desaguar em Chico Buarque, Sidney Miller, Paulinho da Viola, e depois no próprio Gonzaguinha, Ivan Lins, e depois no Rumo, Adriana Calcanhoto, e etc, etc, etc. Caymmi, o bem-viver, o savoir-faire, a malemolência, a alegria, a baianidade – a fonte em que beberia João Gilberto, baiano de Juazeiro. (Não é à toa que Caymmi e Tom Jobim tenham gravado juntos no início dos anos 60, o momento da passagem do bastão para a geração gloriosa de cantores-compositores que explodiria na época da ditadura.) De Caymmi, passando por João, viriam Caetano, Gal Costa, Maria Bethânia, Leila Pinheiro, e etc, etc, etc.

E, na outra ponta do triângulo, acompanhado pelo próprio, mais zabumba e sanfona, Luiz Gonzaga, o sujeito que revelou o Nordeste ao Brasil do Sudeste, o camarada que, sozinho, foi tão promotor de integração nacional quanto o Marechal Rondon e os irmãos Villas-Bôas.

Luiz Gonzaga fez na música popular o trabalho de apresentar o Nordeste ao Brasil Maravilha que alguns dos maiores nomes da literatura brasileira fizeram nos livros, de José de Alencar a Graciliano Ramos, passando por Rachel de Queirós, José Lins do Rego, Jorge Amado (se é que se pode considerar a Bahia Nordeste).

Luiz Gonzaga foi um dos primeiros pop stars da música brasileira. Foi uma espécie assim de Raul Seixas, de Mutantes, muito à frente do tempo – ou não seria algo arrebatadoramente pop, muito antes dos trajes estranhos dos irmãos Batista e de Rita Lee nos festivais dos anos 60, a aparição de um sujeito em trajes de cangaceiro nos auditórios das rádios cariocas nos anos 40?

Sem Luiz Gonzaga não teria havido Gilberto Gil, Alceu Valença, Geraldinho Azevedo, Fagner, Elba Ramalho, Amelinha, quanto mais mangue-beat.

zzgonzaga3Noel se fez nos anos 30, Caymmi e Gonzaga, nos anos 40. Quando comecei a me entender como gente, eles já eram as bases, os alicerces da música brasileira. Minha geração teve o privilégio de ser jovem quando estourou a mais santa safra de cantores e compositores que já houve nesta que é a nossa melhor arte, nosso melhor produto de exportação, nosso orgulho – e todos eles, Nara, Bethânia, Chico, Caetano, Gil, Paulinho, Milton, são produtos daquela trinca inicial, com pitadas de João Gilberto e Tom Jobim, que de alguma maneira amarraram tudo, amalgamaram tudo. (Nos três primeiros e definitivos discos de João, os LPs de 1959, 1960 e 1961, há quatro canções de Caymmi.)

Gonzaguinha veio na geração seguinte, a que se revelou nos anos 70, os anos em que a ditadura havia se tornado ainda mais dura – e muito mais dura. Veio na mesma geração de Ivan Lins, Raimundo Fagner, Walter Franco, Luiz Melodia. Era gente que tinha tido oportunidade de se educar, eram universitários, tinham conhecimento, verniz, e chegavam numa das piores épocas da história do país.

Gonzaguinha enfrentou reação brava. Foi apelidado de cantor-rancor. Não posso afirmar com certeza, mas é possível que tenha sido Telmo Martino – que trabalhava na mesma redação que eu, a do velho e bom Jornal da Tarde – o inventor do epíteto. (Costuma-se consagrar a Telmo Martino o epíteto de frajola do flagelo para Elba Ramalho e de gralha do apocalipse para Tetê Espíndola, e o de poncho-e-conga para qualquer pessoa que tivesse alguma simpatia por coisas tidas como antipáticas, tais como não gostar da ditadura, não gostar de injustiça social e/ou, pecado mortal, gostar de música latino-amerciana.)

Gonzaguinha foi criticado, ofendido, em programas de TV. Teve diversas músicas censuradas – foi um dos autores mais censurados pela ditadura.

No entanto, lá pelo final dos anos 1970, tornou-se um dos compositores mais gravados e mais executados nas rádios e na TV. Teve canções gravadas pelas maiores da época, Bethânia, Gal, Simone. Até as alegres Frenéticas gravaram Gonzaguinha – e foi um grande sucesso. De repente, o ex-cantor-rancor tocou em novela da Globo, foi capa da Veja. Suas canções eram tão fortes, tão marcantes, e tantas, que o Establishment rendeu-se a ele.

Várias pessoas trabalharam no roteiro. O esforço foi muitíssimo bem sucedido

Acho que me alonguei um tanto aqui, e esta é uma anotação sobre um filme, e não sobre música. Mas quando se fala de música costumo mesmo me perder. Sou um apaixonado por música, por Gonzaga e por Gonzaguinha, e em geral sou bem informado sobre o tema. Mas confesso que, embora tenha escrito textos tanto sobre Lua quanto sobre Gonzaguinha para o Jornal da Tarde, me surpreendi com a quantidade de informações sobre eles que eu desconhecia e o filme apresenta.

zzgonzaga4Os créditos finais informam que colaborou com a roteirista Patrícia Andrade um bom número de pessoas: George Moura, Adriana Falcão, Breno Silveira, Leonardo Gudel e Maria Hernandez.

Os créditos informam também que o argumento é de Maria Hernandez, com base nas biografias de Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga Júnior, e no livro Gonzagão e Gonzaguinha – Uma História Brasileira, de Regina Echeverria.

Não dá, é claro, para o espectador ter idéia de como foi o processo de redação do roteiro, e de como exatamente terá funcionado a colaboração de tantas pessoas. Mas o espectador pode perfeitamente sentir, como eu senti: valeu a pena. É um brilho de roteiro.

 A ação começa em 1981, quando Lua está em baixa e o filho, no auge

A narrativa começa aí pelo iniciozinho dos anos 80. Gonzaguinha está no auge do sucesso – e então recebe a visita de Helena, que pede a ele o favor de ajudar o pai, que não está nada bem.

O primeiro letreiro informa “Exu, 1981”. Exu, todos sabemos, é a cidade natal de Lua, no sertão de Pernambuco, num pé de serra, como ele cantou. Gonzaguinha está chegando de carro para um reencontro com o pai, atendendo ao pedido de Helena.

Naquele momento – é o que o filme vai nos mostrar –, naquele ano de 1981, enquanto Gonzaguinha faz imenso sucesso, Gonzaga, o pai, está mal. A moda do baião havia passado, o sucesso havia acabado. Depois de algum tempo fazendo shows para públicos minguados, Luiz Gonzaga, o rei do baião, havia se escondido de novo na Exu natal. O filho com quem tivera batalhas ferozes vinha afinal, atendendo a um pedido, propor ao pai uma turnê dos dois juntos, para que ele, o grande Luiz Gonzaga, pudesse recompor um pouco as finanças.

Um pouquinho como Nasce uma Estrela, ou como Luzes da Ribalta – a história eterna e recorrente de que um artista pode descer enquanto o outro, bem próximo dele, sobe.

O encontro de pai e filho é dificílimo. As feridas do passado são fundas demais. Por várias vezes Gonzaguinha meio que se arrepende de ter feito a longa, imensa viagem do Sul Maravilha até aquele pé de serra perdido no sertão pernambucano.

O velho Lua pede ao filho que o leve até junto de um juazeiro. Quase obriga o filho a pegar na inscrição que havia sido feita no tronco da árvore, L & N. E aí começa a contar para o filho – e para o espectador, mas sobretudo para o filho – a história de sua vida.

Surge na tela o letreiro “Exu, 1929”.

O garotão Luiz Gonzaga está apaixonado por Nazinha (Cecília Dassi).

Acontece que Nazinha é branca e filha do coroné da região – e Luiz, mulato, é filho da pobre Santana (Cyria Coentro) e Januário (Claudio Jaborandy). Januário é respeitado no pedaço: conserta sanfonas, e toca uma de oito baixos bem demais. Mas é pobre, e crioulo.

Um pai ausente, uma mãe de criação amantíssima, uma madrasta tipo bruxa

A partir daí, a narrativa vai basicamente assim, alternando-se entre as conversas de pai e filho em 1981, o pai contando sua história para o filho, com as sequências que mostram os fatos que o velho Lua está narrando.

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Mostra-se que Gonzaga, depois de servir Exército por cerca de dez anos, muda-se para o Rio de Janeiro em 1939. Que, no Rio, acaba recebido por um casal do Morro de São Carlos, Xavier (Luciano Quirino) e Dina (Sílvia Buarque). Que se apaixona por uma mezzo-dançarina, mezzo-puta, Odaléia, ou Léia (Nanda Costa). Que Léia fica grávida, e tem um filho – para, pouco depois, morrer de tuberculose.

Viúvo, e tendo que fazer turnês país afora para ganhar o pão, Gonzaga entregou o filho para a amiga Dina criar.

Dina – o filme não realça isso demais, mas dá perfeitamente para perceber – é a grande heroína da história. (Gonzaguinha fala dela em belas canções: “Ô Dina, teu menino desceu o São Carlos”; “Diz lá pra Dina que eu volto, que seu guri não fugiu”; “Ô Dina é preciso olhar essa vida além desse filme do Cine Colombo, saber dessa lama na festa do mangue”.)

(E, meu Deus do céu e também da terra, não é louco que Dina, a heroína, seja interpretada por Silvia Buarque, filha de Chico e Marieta?)

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu em 1945. Pelo que o  e Mafilme mostra, foi entregue a Dina ainda bebê.

Os anos 1940 foram os de imenso sucesso de Luiz Gonzaga. Gravou dezenas e dezenas de discos, vendeu milhares e milhares de cópias, fez shows Brasil afora, ganhou muito dinheiro. Mandava dinheiro para o casal amigo que criava seu filho – mas carinho, presença, que é bom, muito pouco, apenas esporadicamente.

Nos duríssimos diálogos entre pai e filho em 1981 mostrados no filme, Gonzaguinha joga isso na cara do pai com uma fúria demolidora: “Você sempre tirou da carteira o que dava pra mim. Mas agora sua carteira está vazia”.

Eventualmente, Lua se casaria de novo, exatamente com Helena, aquela mulher que no início da narrativa pede a Gonzaguinha que ajude o pai. O filme descreve Helena como uma madrasta desnaturada daquelas das histórias infantis crudelíssimas do folclore europeu, que os irmãos Grimm e Hans Christian Andersen transformariam em universais. Helena – incitada pela mãe, uma pustema absoluta – rejeita o filho do marido de todas as formas com que se pode rejeitar uma criança.

Ao abordar com coragem temas difíceis, ganha o filme, ganham os biografados

Discutiu-se muito, mais ou menos na mesma época em que este filme maravilhoso era lançado, a questão da autorização – ou não – das biografias pela família do biografado. Durante a discussão, resvalou-se por muita asneira, muita indigência mental.

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Não sei se Gonzaga – De Pai pra Filho obteve ou não concordância da família dos biografados. O que sei é que, quando se faz uma biografia séria, honesta, que não esconde os dramas, os sérios problemas, se faz o único tipo de biografia que de fato importa.

Gonzaga – De Pai pra Filho vai fundo, muito fundo, extremamente fundo nos problemas graves, nas questões sérias que envolveram o relacionamento entre Gonzaga e Gonzaguinha. Chega mesmo a tocar – e sem medo – numa questão dificílima, extremamente problemática: dada a vida promíscua de Léia, a mãe, seria Gonzaguinha de fato filho biológico de Lua?

Ninguém perde com essa abordagem séria, firme, corajosa, das questões difíceis. Muito ao contrário. Ganha o filme, ganha a figura de Gonzaga pai, ganha a figura de Gonzaguinha.

Pai e filho não estavam tão rompidos assim. E Lua não estava tão por baixo

Existe outra questão. Uma cinebiografia, um filme baseado em história real, terá ele que ser rigorosamente fiel à verdade dos fatos, à cronologia dos fatos?

O filme dá mostras para o espectador de que o velho Lua e Gonzaguinha haviam rompido relações definitivamente depois da tentativa do garoto de viver com o pai e a madrasta Helena, no pequeno apartamento da Ilha do Governador, para onde Gonzaga havia sido empurrado depois que o dinheiro dos shows parou entrar como entram as águas na Cachoeira de Paulo Afonso.

Pelo que o filme mostra, haviam-se separado então, ali por meados de anos 60 (Lua tendo alguma simpatia pela ditadura), e apenas naquele momento crucial, 1981, haviam enfim se reencontrado em Exu, e tido duríssimas pelejas, duríssimos enfrentamentos, antes de, finalmente, se reconciliarem e iniciarem a gloriosa turnê “Vida de Viajante”.

Não é exatamente o que de fato aconteceu.

Gonzaguinha não rejeitou de forma tão absoluta o pai. Em vários de seus discos dos anos 70, Gonzaguinha citou canções do velho Lua. Às vezes citou o pai com raiva, é bem verdade, mas citou. Luiz Gonzaga sempre esteve presente nos discos do filho.

Há uma participação de Gonzaguinha em O Homem da Terra, o disco de 1980 de Gonzaga: os dois fazem um dueto na longa, tristíssima “A triste partida”, de Patativa do Assaré. Lua já havia gravado a música antes, mas a versão que ele divide com o filho para o disco de 1980 é especial, emocionante, extremamente bela. No disco de Gonzaguinha de 1981, coisa mais maior de grande, o pai faz uma participação especial, cantando em dueto com Milton Nascimento “Légua tirana”.

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E Luiz Gonzaga não estava tão por baixo, em 1981, quanto o filme quer fazer crer. No ano anterior havia lançado O Homem da Terra, e em 1981 lançaria A Festa, que tinha como participações especiais o próprio filho (na faixa “Não vendo, nem troco”), Emilinha Borba (uma regravação de “Paraíba”), Dominguinhos (“Depois da derradeira”), e, last but least, de Milton Nascimento, num dos duetos mais belos que já ouvi na vida, Lua e Mirtão cantando “Luar do Sertão”, de Catulo da Paixão Cearense.

Pode não ser ipsis literis. Mas é extraordinariamente verdadeiro

Então, estou querendo aqui dizer que o filme não é fiel à história real?

De forma alguma. Por tudo o que conheço desses dois artistas extraordinários, por tudo o que fiquei sabendo pelo filme, e pelo que li depois de vê-lo, Gonzaga – De Pai pra Filho conta a história verdadeira.

Para contar a história verdadeira, a que de fato aconteceu, um filme não tem que ser literal. Não tem que ser ipsis literis.

Gonzaga – De Pai Pra Filho pode não ser literal, não ser ipsis literis. Mas é extraordinariamente verdadeiro. É fiel na essência, no espírito, no clima, mesmo que tenha aqui e ali se permitido alguma licença poética.

É uma produção requintada. O diretor Breno Silveira, que havia emplacado um dos maiores sucessos do cinema brasileiro nos últimos anos com 2 Filhos de Francisco, de 2005, sobre a dupla Zezé Di Camargo e Luciano (cinco milhões de espectadores, um recorde espetacular), pôde contar com um orçamento confortável – R$ 12 milhões. Há locações de fato em Exu, no Recife, no Rio de Janeiro – foram cem locações diferentes, com a participação de 2 mil figurantes. A reconstituição de época é meticulosa, deslumbrante mesmo. A fotografia é um absoluto luxo.

zzgonzaga9E a equipe de casting, de escolha dos atores, teve a extrema felicidade de encontrar Chambinho do Acordeon e Júlio Andrade. O primeiro interpreta o velho Lua dos 27 aos 50 anos, e é uma revelação; não só se parece bastante com Luiz Gonzaga, como está bem, à vontade, em especial nas seqüências mais alegres e nas musicais – tem um sorrisão aberto, imenso, muito próximo do cantor e compositor.

E Júlio Andrade, que faz Gonzaguinha dos 35 aos 40, é impressionante: é como se fosse a reencarnação do artista. A semelhança física é absolutamente fantástica. Mary, que conheceu Gonzaguinha pessoalmente quando o compositor se mudou para Belo Horizonte no início dos anos 80, e, levado por Fernando Brant, trabalhou na Rádio Inconfidência onde ela também trabalhava, ficou espantada, emocionada, com a fantástica semelhança.

Dois outros atores interpretam Luiz Gonzaga: Land Vieira interpreta o jovem, dos 17 aos 23 anos, e Adélio Lima faz o velho, aos 70 anos.

Da mesma forma, dois outros atores interpretam Gonzaguinha: Alison Santos faz o garoto dos 10 aos 12, e Giancarlo di Tommaso o adolescente e jovem dos 17 aos 22 anos.

Breno Silveira, experiente, testado, é um competente diretor de atores. E um talentoso realizador como um todo.

É uma absoluta beleza de filme.

Anotação em abril de 2014

Gonzaga – De Pai Pra Filho

De Breno Silveira, Brasil, 2012

Com Adélio Lima (Luiz Gonzaga aos 70 Anos), Chambinho do Acordeon (Luiz Gonzaga dos 27 aos 50 anos), Land Vieira (Luiz Gonzaga dos 17 aos 23 anos), Júlio Andrade (Gonzaguinha dos 35 aos 40 anos), Giancarlo di Tommaso (Gonzaguinha dos 17 aos 22 anos), Alison Santos (Gonzaguinha dos 10 aos 12 anos), Nanda Costa (Odaléia), Magdale Alves (Helena dos 50 aos 55 anos), Roberta Gualda (Helena dos 35 aos 50 anos), Sílvia Buarque (Dina), Luciano Quirino (Xavier), Claudio Jaborandy (Januário),

Cyria Coentro (Santana), Zezé Motta (Priscila aos 70 anos), Olivia Araújo (Priscila dos 35 aos 50 anos), Nayara dos Santos (Priscila aos 17 anos), Cecília Dassi (Nazinha), Domingos Montagner (Coronel Raimundo)

Roteiro Patrícia Andrade, com a colaboração de George Moura, Adriana Falcão, Breno Silveira, Leonardo Gudel e Maria Hernandez

Argumento Maria Hernandez, com base nas biografias de Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga Júnior, e no livro Gonzagão e Gonzaguinha – Uma História Brasileira, de Regina Echeverria

Fotografia Adrian Teijido

Música original Berna Ceppas

Montagem Gustavo Giani e Vicente Kubrusly

Produção Conspiração Filmes, D Produções, Downtown Filmes, Globo Filmes, Teleimage.

Cor, 120 min

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5 Comentários

  1. Danilo Vicente
    Postado em 1 maio 2014 às 1:27 am | Permalink

    Não assistir Gonzaga – De Pai pra Filho é tapar os ouvidos para a música brasileira. Gonzaga e Gonzaguinha precisam ser conhecidos. As músicas ganham o espectador. E as imagens reais ampliam o impacto de algumas cenas emocionantes, como o encontro de pai e filho no palco. Muito bom!

  2. Jussara
    Postado em 22 junho 2014 às 12:00 am | Permalink

    Eu gostei do filme, mais por ter ficado sabendo um pouco sobre as histórias de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha do que pelo filme em si. Na maioria do tempo parecia que eu estava vendo uma novela da Globo (e já faz uns bons anos que não vejo novela). Graças aos deuses do cinema pelo menos os atores que fazem pai e filho eram desconhecidos, isso ajudou muito; o carisma do Chambinho do Acordeon também.
    Eu me emociono com alguma facilidade, mas o que me emocionou mesmo foram as músicas, principalmente as de Gonzagão; são músicas que mexem com a alma, e acho que mexem também com a parte nordestina do meu sangue (concordo que a música brasileira é a nossa melhor arte, não tem pra ninguém). E elas casavam muito bem com as cenas.

    Lembro que do Gonzaguinha eu ouvia sempre uma mesma música na adolescência, quando ligava o rádio cedo enquanto me arrumava pra ir para a escola. Tocavam quase sempre as mesmas canções (era uma rádio só de MPB) e a dele que tocava de manhã era “Eu apenas queria que você soubesse”. Nesse mesmo período acabei comprando um CD de coletâneas, que ouvi por um bom tempo. Faz séculos que não ouço, hoje acho deprê demais; até as músicas alegres dele são um pouco tristes (na época foi bom para preencher a fase de inadequação ao mundo).

    Mas voltando ao filme: foi muito bom saber boa parte da trajetória do Gonzagão, o quanto ele ralou até atingir o sucesso, suas desavenças com o filho, seu jeito turrão mas com um fundo de bondade, a dúvida da paternidade que sempre o perseguiu (o que para mim explica o triste fato de ele ter meio que abandonado o filho), a perda quase total da visão de um olho devido a dois acidentes de carro (o filme acabou não abordando muito bem esse fato, só mostrando uma manchete de jornal contando sobre um dos acidentes).
    E que sorte a de Gonzaguinha de ter tido uma madrinha que foi uma mãe para ele, talvez até melhor do que a biológica teria sido.
    Um erro que me incomodou bastante foi ver o personagem dele chamando o pai de “senhor” e de “você” na mesma cena. E uma coisa que ficou mal explicada foi a história da filha. Tive que pesquisar para entender.

    Apesar dos pontos fracos (padrão Globo de novelas, atores com interpretações acima do tom etc) o filme mostra que o Gonzagão conseguiu fazer aquilo que queria, que era levar alegria ao povo brasileiro através das suas músicas. Eu li em algum lugar que o seu maior medo era o de ser esquecido. Espero que isso não aconteça, apesar da péssima memória do nosso país, e que esse filme ajude-a a se manter viva.

  3. Jussara
    Postado em 22 junho 2014 às 1:01 am | Permalink

    Só esclarecendo que o padrão Globo de novelas ao qual me refiro é no jeito de contar a história, nas caras dos atores (invariavelmente da emissora), na atuação (geralmente eles só fazem novela, não sabem atuar no cinema) e às vezes até na direção (que lembra mais a direção das minisséries do que das novelas, e portanto, é melhor, mas não deixa de incomodar; eles já fazem o filme num formato que dê para ser transformado em minissérie).
    Essa impressão ocorreu com todos os filmes que vi produzidos pela Globo, a maioria descartável. Este aqui é muito superior aos que vi e às novelas, que pelos comentários que ouço, estão cada vez piores.

  4. Postado em 21 julho 2015 às 10:14 am | Permalink

    Usei uma das imagens no meu blog, com créditos http://www.juliescreveu.com.br/resenharesumo-filme-gonzaga-de-pai-para-filho-parte-iii/

  5. Hilde de Holanda Sta
    Postado em 22 abril 2016 às 4:13 pm | Permalink

    Amei esse filme! Já o assisti quatro vezes, não me canso de ver. Tudo nele me cativou – os atores que fizeram o papel de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha foram perfeitos! O velho Januário também amei, as músicas escolhidas, a história de sua vida, que eu desconhecia, seu primeiro amor… enfim, considero este um dos melhores filmes nacionais. Nota 10!

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