Intrusos / Intruders

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Nota: ★★☆☆

Intrusos/Intruders promete – em especial para quem, como eu, gosta de um bom filme de terror. Tem ótimos atores – Clive Owen, Pilar López de Ayala, Daniel Brühl, Carice van Houten. É uma co-produção EUA-Inglaterra-Espanha, e a ação se passa nestes dois últimos países.

Tanto a Inglaterra quanto a Espanha têm tradição em bons thrillers, filmes de suspense e/ou terror.

Infelizmente, no entanto, Intrusos, do diretor espanhol Juan Carlos Fresnadillo, promete mais do que entrega, na minha opinião.

Começa na Espanha: Juan (Izán Corchero), garoto aí de uns sete, oito anos, tem imaginação fértil, e gosta de histórias de monstros. Em vez de ouvir histórias contadas pela mãe, Luisa (a bela Pilar López de Ayala, de Medianeras, na foto abaixo), é ele que conta para ela histórias de terror que ele mesmo cria.

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Na primeira sequência do filme, tarde da noite, ele está contando para Luisa uma história em que o monstro das sombras engole um garotinho.

Juan ainda não tem o fim da história.

E então Luisa diz a ele que é muito tarde, que ele precisa dormir.

Ao ficar sozinho para dormir, Juan sai pela janela do quarto para pegar seu gatinho. E aí vê um monstro, um homem sem rosto, chegar perto do apartamento, e invadir seu quarto. Berra pela mãe, Luisa vem em sua defesa.

A sequência é bem feitíssima, a montagem é ágil, as tomadas são frenéticas.

A garotinha Mia descobre num buraco de árvore uma história de terror

Em seguida vemos uma extraordinária tomada aérea de Londres.

John Farrow (o papel de Clive Owen) é um empreiteiro de obras, e está construindo um arranha-céu altíssimo. É um trabalho arriscado, perigoso – embora todos trabalhem com material de segurança.

Enquanto ele trabalha, sua mulher, Susanna (Carice van Houten), e a filha única deles, Mia (Ella Purnell, na foto abaixo), de 12 anos de idade, estão visitando os pais dele, que moram no campo.

Mia se afasta um pouco da casa, seguindo uma gata. A gata sobe numa árvore, Mia sobe atrás dela. Bem no alto, há um buraco na árvore. A garota enfia a mão lá dentro – e nesse momento uma correntinha cai de seu pulso e fica lá dentro do buraco da árvore, mas ela consegue retirar do buraco uma folha de caderno envelhecida que contém uma história de terror sobre um homem sem rosto.

zzintruders6Mia copia a história em seu próprio caderno, e lê o texto em classe, como se tivesse sido ela a autora. A história não tem final. A professora pede a ela que arranje um final e depois o apresente na sala de aula.

A tendência natural é o espectador acreditar que as histórias ocorrem simultaneamente

A narrativa prossegue alternando as duas histórias, as duas situações: a vida dos Farrow na Inglaterra, a vida de Luisa e Juan na Espanha.

Na Espanha, um jovem padre, Antonio (interpretado por Daniel Brühl, esse bom ator mezzo alemão, mezzo espanhol), tentará ajudar aquela mulher e seu filho que tem a certeza de que um monstro sem rosto quer pegá-lo.

Na Inglaterra, haverá um acidente na obra que está sendo tocada pela equipe de John Farrow. John tenta salvar a vida de um de seus empregados, mas não consegue – e o trabalhador despenca de uma altura inimaginável.

Exatamente como o menino Juan, a garotinha Mia começará a ter visões de um homem sem rosto que quer pegá-la.

É claro que não há legendas indicando a época em que se passam os fatos na Espanha e os fatos na Inglaterra. A tendência natural é que o espectador imagine que as duas narrativas sejam de fatos que ocorreram ao mesmo tempo, simultaneamente, já que estão sendo mostrados simultaneamente.

Num filme com bons atores, as duas crianças roubam a cena

É tudo realizado com capricho: fotografia, música, edição de som, tudo é bem feitíssimo, com o propósito firme de assustar, aterrorizar o espectador.

Não me lembrava da belíssima atriz que faz Susanna Farrow, Carice van Houten. No entanto, já tinha visto ao menos dois filmes com ela: A Espiã, produção holandesa dirigida por Paul Verhoeven, e Operação Valquíria, a refilmagem americana da história que havia sido contada em Operação Valkiria, bela produção alemã. Nascida na Holanda, Carice van Houten tem quase 40 títulos na filmografia, incluindo séries de TV – é uma das estrelas de Game of Thrones. A partir de agora, acho que não esqueço quem ela é.

zzintruders4Em um filme com bons atores, quem rouba a cena são os dois garotinhos, o espanhol Izán Corchero e a inglesinha de Londres Ella Purnell. Nascida em 1996, a menina é lindíssima, e, como tanta gente naquelas ilhas malucas, tem grande talento dramático. No belo e triste Não Me Abandone Jamais, de 2010, ela interpretou Ruth, a personagem que, adulta, é feita por Keira Knightley.

Na minha opinião, Ella Purnell é a melhor coisa de Intrusos.

Porque, pelo menos na minha opinião, os roteiristas Nicolás Casariego e Jaime Marques não conseguiram amarrar as pontas das duas histórias que vão sendo contadas em paralelo e, quase no final, como era de se esperar, se unem. Na minha opinião, ficou um monte de pontas soltas, e alguns buracões bem maiores que as de um queijo suíço.

Fui conferir o que diz o belo site AllMovie, e fiquei bastante surpreso – e contente – ao ver que o resenhista, Jason Buchanan, de quem já li bons textos, teve uma visão bastante parecida com a minha. Ele diz que quase tudo no filme é muito bom: atuações, direção, fotografia, figurinos, direção de arte. O problema é exatamente o roteiro. E o pior, diz Buchanan, é que dá para ver que os roteiristas Nicolás Casariego e Jaime Marques chegaram bem perto de realizar um belo trabalho; se tivessem caprichado um pouco mais, reescrito algumas passagens, acertado algumas idéias, teriam feito “um thriller sobrenatural-psicolótgico inteligente e inventivo”, com tudo para virar um cult.

Diacho. Antes de começar esta anotação, pensei em usar uma frase tipo Intrusos é quase um bom filme de terror, ou por pouco Intrusos não chega a ser um bom filme de terror. Acabei deixando a idéia de lado. E é exatamente o que Jason Buchanan diz. Quem se interessar em ler toda a crítica a encontra aqui.

Buchanan diz ainda que o filme anterior do diretor Juan Carlos Fresnadillo, 28 Weeks Later, no Brasil Extermínio 2, é excelente – motivo pelo qual era de se esperar muita coisa deste Intrusos.

É isso. Intrusos é quase um bom filme. Promete muito – mas não entrega tudo o que promete.

Anotação em março de 2013

Intrusos/Intruders

De Juan Carlos Fresnadillo, EUA-Inglaterra-Espanha, 2011

Com Clive Owen (John Farrow), Carice van Houten (Susanna), Ella Purnell (Mia), Kerry Fox (dra. Rachel ), na Inglaterra

e Pilar López de Ayala (Luisa), Daniel Brühl (Padre Antonio), Izán Corchero (Juan), Héctor Alterio (velho padre), na Espanha

Roteiro Nicolás Casariego e Jaime Marques

Fotografia Enrique Chediak

Música Roque Baños

Montagem Nacho Ruiz Capillas

Produção Antena 3 Films, Apaches Entertainment, Canal+ España, Universal Pictures International.

Cor, 100 min

**

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