A Fonte das Mulheres / La Source des Femmes

Nota: ★★★½

A Fonte das Mulheres, do romeno radicado na França Radu Mihaileanu, é um filme excepcional, extraordinário, acachapantemente belo. Reúne imagens belíssimas, palavras maravilhosas, música encantadora, como só o cinema é capaz.

É um fortíssimo, vibrante, corajoso ataque especificamente ao machismo muçulmano, às interpretações dos textos religiosos muçulmanos que justificam a dominação dos homens sobre as mulheres. No sentido mais amplo, é um libelo poderosíssimo contra todo tipo de fanatismo religioso que distorce os textos sagrados para defender qualquer tipo de dominação, subjugação – qualquer forma de violência.

É também uma obra bem mais complexa, difícil, dura, do que dois filmes anteriores do realizador, Trem da Vida e O Concerto.

E não que Trem da Vida e O Concerto sejam filmes fáceis, simples. Não são, de forma alguma. Bem ao contrário. Neles, Radu Mihaileanu faz questão de passar bem ao largo de qualquer tipo de “realismo”. Talvez por ter nascido – em 1958 – em um país tornado comunista à força, ao final da Segunda Guerra, em 1945, na onda das ditaduras impostas aos países liberados do jugo nazista pelo jugo soviético, o realizador parece ter-se dedicado, naqueles dois filmes extraordinários, a combater o realismo socialista.

Assim, Trem da Vida é filme que beira o surrealismo, que flerta com o que nós, da América Latina, convencionamos chamar de realismo fantástico.

E O Concerto prossegue mais ou menos nesse tom, uma coisa que passa longe da lógica comum, e a bilhões de anos-luz do realismo socialista da época de Stálin.

Mas Trem da Vida trata do nazismo, e O Concerto, do comunismo, duas ideologias já, se não mortas, pelo menos abertamente derrotadas.

Neste seu filme de 2011, o realizador resolveu enfrentar de peito aberto algo que não está, de forma alguma, derrotado: o machismo, o fundamentalismo muçulmano estão aí firmes e fortes. Reinam soberanos sobre cerca de um quarto, ou no mínimo um quinto da população deste pobre planeta.

Meu Alá do céu e também da terra: um quinto das mulheres que habitam o planeta são tidas como seres inferiores! São escravas de seus pais e depois de seus maridos!

Um filme em tom muito mais sério, severo, do que os anteriores

Para tratar dessa questão que ainda está aí, presente, premente, ao contrário das tragédias tenebrosas que foram o nazismo e o comunismo, Radu Mihaileanu adotou estilo diferente do que escolheu nas duas belas obras anteriores.

Tanto Trem da Vida quanto O Concerto eram uma grande mistura de drama com comédia – com a válvula de escape do surrealismo, da fuga da realidade.

Este A Fonte das Mulheres também é um pouco assim – mas bem pouco. Muito, muito menos que os anteriores.

Há um leve, suave tom de humor, em A Fonte das Mulheres – até porque não dá para enfrentar uma situação tão esdrúxula, tão absurda, tão inimaginável de mulheres dominadas por homens, em pleno ano da graça de 2011. Há até um tom que chega perto do surreal – mas é mais porque a realidade é surreal, e então não poderia ser vista de outra forma.

A Fonte das Mulheres é, sem dúvida, bem menos cômico e surreal que os dois filmes anteriores do realizador. O tom é mais sério. Não dá para rir de uma situação que ainda existe hoje em dia – e que tem tudo para permanecer imutável durante os próximos séculos.

Uma união de As Mil e Uma Noites com Lisístrata

O filme abre com este letreiro:

“É um conto ou uma verdade? Um conto, é claro – o que há de verdade na Terra? Isso não se passa na corte de um sultão, mas em uma pequena vila de um país do Maghreb ou da Península Arábica. Ou em algum outro lugar onde corre uma fonte de água e onde o amor seca…”

Maghreb, para quem não se lembra, é toda a região do Norte da África, a Oeste do Egito, e inclui Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Mauritânia.

Europeu do Leste de nascimento, do Oeste por adoção, por ter conseguido fugir cedo da ditadura grotesca de Nicolae Ceaucescu, Radu Mihaileanu une Ocidente e Oriente na história que criou para seu filme. Na trama estão presentes tanto As Mil e Uma Noites quanto Lisístrata, de Aristófones. O grande clássico da literatura árabe, a obra que, conforme diz um personagem do filme, forneceu a própria identidade a esse povo, aparece como o símbolo de que através da literatura se aprende, se avança, se vai à frente. Já a peça do dramaturgo grego fornece a base da trama.

Na pequena vila em que se passa a ação, há uma única fonte de água, no alto de um morro. As mulheres são encarregadas de subir o morro, pegar a água em grandes baldes e descer com eles, enquanto os homens não fazem absolutamente nada, coçam o sacão, no absoluto ócio, paxás que se julgam, porque alguém lá atrás leu no Corão que as mulheres são escravas mesmo.

Aí a protagonista, Leila (Leïla Bekhti, nas fotos acima e abaixo), uma “estrangeira”, vinda do Sul, de um lugar um pouco mais próximo de algum tipo de civilização, casada com um homem bom, o professor do lugar, Sami (Saleh Bakri), finalmente se insurge contra o absurdo. Tem o apoio de uma senhora idosa, conhecida como Velho Fuzil (Biyouna), e a total oposição de sua sogra, Fátima (interpretada pela extraordinária Hiam Abbass, em seu primeiro papel como uma personagem antipática de que tenho notícia). E propõe uma greve de sexo – exatamente como na peça da Grécia clássica, quatro séculos antes de Cristo, uns 2.500 anos antes do filme.

Não há nada maniqueísta no filme. Há homens bons, e mulheres que defendem o machismo

É para ser um conto, uma fábula, e assim Radu Mihaileanu poderia ter feito uma história mais simples, mais clara, mais próxima da dicotomia bem x mal. Mas o cara é um grande artista, e não optou por nada fácil.

A trama é toda complexa, nada maniqueísta. Não temos aqui uma luta mulheres (o Bem) x homens (o Mal). Há mulheres que apóiam abertamente a tradição da subjugação do gênero, como a sogra da protagonista Leila. Já Sami, o marido de Leila, não compactua com a opressão – e sofrerá por causa disso.

Não há preto x branco no filme. A vida é muito mais complexa do que isso.

Todo o filme é cheio de belíssimas imagens, repito. Até mesmo da paisagem dura o diretor extrai imagens de uma plasticidade absurda. Sem falar da beleza estonteante das atrizes Leïla Bekhti e Hafsia Herzi, uma coisa de louco. A trilha sonora, de Armand Amar, é igualmente extraordinária. Mas a força das palavras é incomensurável. É tão incomensurável, que me dou o direito de transcrever o diálogo que, para mim (e também para Mary, que chorou feito uma criança), é o cerne do que este filme extraordinário tem a dizer.

Acontece quando a narrativa já está bem passada da metade.

Os líderes políticos do vilarejo resolvem pedir que o imã – o chefe religioso – vá lá convencer as mulheres de que elas têm que parar com aquilo tudo, a greve de sexo, a revolta, o enfrentamento.

Dá-se então o seguinte:

O imã: – “É lícito um marido bater na mulher, mas os golpes não podem ser violentos. Alá sabe o que pede ao marido. A punição deve ser de caráter educativo e afetuoso, à imagem do pai que bate no filho ou do professor que bate no aluno. (…) Lembro a vocês seus deveres de mulher e nossas tradições. (E então ele se dirige a Velho Fuzil.) Seu filho diz que você em jihad contra os homens. Ele escolheu o caminho certo. De Alá. Você deveria dar o exemplo.”

Lembrando: jihad, a guerra santa.

E então Leila intervém: – “Em jihad contra os homens? Nossa jihad é contra nós mesmas, nossa condição, a injustiça. Para melhorarmos.”

Pausa, e Leila prossegue, segurando no colo dois grossos livros: – “O que são o Islã e a sabedoria santa do Profeta? É a feliz comunhão de Alá. O Islã nos dá regras de vida em comunidade, respeito, amor, e sacia nossa sede de espiritualidade. Ele nos eleva! Eleva todos os homens e as mulheres. Todo o resto é apenas interpretação, desvio da Escritura por interesses pessoais.”

Um parágrafo destrói todas as interpretações fanáticas da Bíblia, do Corão, da Cabala

“Todo o resto é apenas interpretação, desvio da Escritura por interesses pessoais.”

Meu Deus do céu e também da terra, meu Alá, Xangô, Buda, Jeová, Oxalá: em um parágrafo, a voz da fascinantemente bela Leïla Bekhti destrói todas as interpretações fanáticas, xiitas, das Bíblias, Corões, Cabalas!

E aí Leila começa a citar os livros sagrados que tem no colo: – “Vamos começar do começo. O Altíssimo disse (e lê do Corão): ‘Em nome de Alá, o Misericordioso, todos vós temeis o Senhor, que os criou de um único ser, e dele criou sua esposa, e que de ambos criou vários homens e mulheres’.

Close no rosto do imã: ele resplandece de felicidade diante da palavra divina.

E Leila prossegue, lendo dos livros sagrados: – “Vamos ouvir o texto narrado por Al-Tirmidhi: ‘As mulheres são irmãs dos homens’. O Profeta, bendito seja ele, quis os homens e as mulheres iguais. Não homens superiores, dando ordens e decidindo, e mulheres inferiores, obedecendo e procriando. Iguais, não mulheres apanhando. Sim, eu leio, imã. E não apenas o Corão. Sim, eu penso, e sei que isso irrita muitos homens da aldeia. Por que não teríamos o direito de ler, escrever, pensar, interpretar? O Corão: ‘Deus exaltará aqueles que tiverem acreditado e recebido o saber’. Quem não quer que as mulheres sejam exaltadas por Deus? Elas não são muçulmanas assim como os homens? Imã, a seca atinge nossas terras e nossos corações. É o único problema. A terra fértil somos nós. Nós damos a vida. Por que não deveríamos decidir nosso futuro, assim como os homens?”

Close no rosto do imã: ele ouviu um argumento inteligente, deleitou-se com ele, e está feliz.

Daí a pouco o imã está em sua casa, e sua mulher pergunta:

– “Você pôs as feiticeiras no lugar delas, não é?

E o imã:

“Às vezes me pergunto se você é mulher. Por que está sempre do lado dos homens?”

Não me lembro de muitos filmes que tenham batido assim tão na cara do machismo muçulmano.

Um filme não acaba com um absurdo de não sei quantos mil anos.

Mas qualquer coisa que se faça contra estes absurdos de não sei quantos mil anos é uma maravilha.

Belas atrizes de origem muçulmana

Uma palavrinha sobre quatro das atrizes que Radu Mihaileanu escolheu para seu filme todo falado em árabe.

Hiam Abbas é palestina, nascida em Nazaré, em 1960. Trabalhou em Munique, de Spielberg, mas confesso que não reparei nela quando vi o filme. Virei fã de carteirinha dela com Lemmon Tree – ela é a protagonista do filme, e dá um show. Trabalhou também em A Noiva Síria, do mesmo diretor de Lemmon Tree, o israelense Eran Riklis, e no americano O Visitante, outro belo filme.

É uma extraordinária atriz, e tem um rosto absolutamente expressivo, de uma beleza forte, altiva. Neste A Fonte das Mulheres faz uma megera, e me pareceu mais envelhecida do que seria de se esperar – provavelmente de forma proposital, com auxílio de maquiagem.

Leïla Bekhti, Hafsia Herzi e Sabrina Ouazani, francesas descendentes de pais do Maghreb, que Deus as tenha. Têm tudo para ter carreiras gloriosas à frente, com toda aquela beleza e talento.

Leïla Bekhti é de 1984, de uma pequena cidade francesa, descendentes de argelinos. Começou a carreira em 2006, e já acumula 25 títulos, incluindo séries de TV e dois filmes que em abril de 2012 estavam em fase de pós-produção. Esteve em um segmento de Paris, Te Amo, trabalhou em Má Fé, ao lado de Cécile de France, O Profeta, filme tão badalado quanto violento, e Inimigo Público nº 1, ao lado de Vincent Cassel.

Hafsia Herzi é de 1987, também do interior da França, filha de pais da Tunísia e Argélia. Participou de um filme para a TV em 2002 e só voltou a trabalhar em O Segredo do Grão, de Abdellatif Kechiche, de 2007, em que teve um desempenho extasiante. A longa seqüência em que ela executa uma dança do ventre, para entreter os convidados de uma festa enquanto o namorado da mãe não chega com a comida, um cuscuz especial, é um absoluto espetáculo. Sua filmografia já está com 21 títulos.

Pessoalmente, achei que o diretor Radu Mihaileanu aproveitou pouco a beleza da jovem Hafsia Herzi – talvez porque estivesse querendo centrar a narrativa sobre a personagem interpretada por Leïla Bekhti.

E há ainda, nesse elenco de belas mulheres, Sabrina Ouazani, que também trabalhou em O Segredo do Grão. Nascida no interior da França, em 1988, Sabrina Ouazani já tem 33 títulos na filmografia, inclusive participações breves mas importantes em Homens e Deuses e Feliz que Minha Mãe Esteja Viva.

Os quase 18% dos eleitores da ultra-direitista Marine Le Pen não gostam, mas a verdade dos fatos é que a França – e o cinema francês – têm ficado cada vez mais bonitos com essas belas jovens descendentes dos países colonizados por franceses no Norte da África.

Anotação em abril de 2012

A Fonte das Mulheres/La Source des Femmes

De Radu Mihaileanu, França-Bélgica-Itália-Marrocos, 2011

Com Leïla Bekhti (Leila), Hafsia Herzi (Loubna / Esmeralda), Biyouna (Velho Fuzil), Sabrina Ouazani (Rachida), Saleh Bakri (Sami), Hiam Abbass (Fatima), Mohamed Majd (Hussein), Amal Atrach (Hasna), Karim Leklou (Karim), Saad Tsouli (Mohamed)

Argumento e roteiro Alain-Michel Blanc e Radu Mihaileanu

Fotografia Glynn Speeckaert

Produção Elzévir Films, Oï Oï Oï Productions, Europa Corp., France 3 Cinéma. DVD Paris Filmes

Cor, 135 min

***1/2

 

7 Comentários

  1. Moby
    Postado em 26 abril 2012 às 2:13 am | Permalink

    Sergio, primeiramente gostaria de agradecer por responder aos comntários. Imagino que deve ser muito difícil responder à todos os leitores. Não consigo assistir à um filme sem passar por aqui antes.
    Procurei no blog um filme canadense chamado Incêndios/Incendies e não encontrei. Se você ainda não viu eu recomendo. Gostaria muito de saber sua opinião sobre ele. Não vou escrever a sinopse aqui para o comentário não ficar muito longo, mas você consegue encontrar fácil na internet.
    Mais uma vez obrigado pelo site, é um bélissimo trabalho.
    Abraços!

  2. Postado em 14 maio 2012 às 6:09 am | Permalink

    Moby, também adorei Incêndios, vi no cinema, mas já tem em DVD já há algum tempo, um dos melhores filmes q vi no ano passado e endosso a sua recomendação ao Sérgio.
    Quanto a Fonte das Mulheres, a greve de sexo é uma arma antiga, concordo, mas vira e mexe as mulheres a usam, seja em grupo, como foi na Grécia antiga e num país árabe como no filme e, de vez em quando em outros países e e épocas também, mas tb individualmente. Qual é o homem q já não foi alvo de uma greve por ter saído da linha ou não ter feito alguma vontade da mulher que ela considerou crime de lesa majestade? Acho q essa greve teve todo o respaldo, imagina só os homens na boa vida e as mulheres se matando p pegar água, até abortando, uns folgados mesmo!
    E realmente é como vc disse,o filme decididamente não é maniqueísta, tipo mulheres prestam e homens não prestam. Nele existem homens legais, como o marido de Leila, um professor esclarecido que, inclusive, a tornou uma privilegiada entre as mulheres ao ensiná-la a ler(ela consegue ler as legendas das novelas!).A senhora idosa, conhecida como Velho Fuzil, provavelmente pq fala as coisas na cara e dispara como um fuzil é outro personagem interessante, q apóia Leila na greve de sexo que ela comanda entre as mulheres. A atriz que a protagoniza rouba as cenas que faz com os outros atores pelo seu desempenho convincente e, ao mesmo tempo, hilário. Por exemplo, ao entrar na casa de Leila e se deparar com a sua sogra, que não só não a aprova como não aceita a greve q a nora incitou diz, irônica, que ela apóia a greve e é uma sogra maravilhosa. O próprio ímã não é machista, como vc bem observou, pois critica a pp mulher por não apoiar a greve de sexo.Realmente é uma crítica ao machismo mas, não nos enganemos, apesar de este ser mais ostensivo nos países muçulmanos, permanece imperando nos países ocidentais.
    Guenia Bunchaft
    http://www.sospesquisaerorschach.com.br

  3. Ivan
    Postado em 14 julho 2012 às 6:35 pm | Permalink

    De fato causa uma indignaçao, uma raiva sem tamanho, ver as mulheres, inclusive grávidas,
    subir e descer aquele caminho com dois superbaldes cheios de agua, enquanto os “machões” ficam sentadinhos jogando conversa fora. Mas, o que engasga mais, é que muitas dessas mulheres,apoiavam o fato.
    Realmente, Sergio, aquele diálogo entre a Leila e o Imã, é de arrebatar, então quando ela lê os livros sagrados. . .
    Não tenho mais que dizer, a Guenia, já disse outras coisas que eu gostaría (e,muito bem),
    inclusive sôbre a Fuzil e a sua metralhadora bucal e o sarcasmo dela com a sogra da Leila,foi supimpa!!. E, tu, Sergio, como sempre, de uma felicidade sem fim, ao fazer a explanação deste filme maravilhoso.
    Um abraço prá ti e outro prá Guenia.

  4. Ivan
    Postado em 28 fevereiro 2013 às 7:08 pm | Permalink

    Sergio, sugeriste que eu desse minha opinião sôbre “Trem da Vida” aqui, ou no texto de “O concêrto” pelo fato de não poder fazer isto lá, lembras ?
    Como ainda não vi “O concêrto”, vou opinar aqui, onde aliás,já tem meu comentário sôbre o filme acima.
    É,o Radu teve essa coragem e fêz esse ótimo filme, essa comédia maravilhosa sôbre o tema Nazismo/Judeus.
    Humor de extremo bom gôsto.E muito divertido.
    Nenhuma dúvida, este filme é coisa de gênio.
    Mostra como somos capazes de ter intuições sôbre o ponto de vista que desejamos ter.
    Achei bem sacado é que em tôda confusão da história, em todos os momentos de perigo o mais lúcido ali é o louco da aldeia.
    As idéias são dele. Belas frases do filme são ditas por ele, como por exemplo quando explica a relação Deus/Homem.
    Olha, o Michel Muller que fêz o Yossi, era a cara do Castrinho ( KKKKKKKKK ).
    Digo mais uma vez,filme lindíssimo,coisa de gênio.
    Um abraço, Sergio.

  5. Jussara
    Postado em 28 maio 2013 às 12:48 am | Permalink

    O filme mal tinha começado e eu já fiquei irritada com a frase “*graças a Alá é um menino.”
    É difícil ver o filme e não ficar indignada com tanto desrespeito e machismo saindo por todos os lados. Saber que algumas mulheres eram machistas não me espanta, aqui também é assim, e na grande maioria das vezes somos criadas dessa forma, ouvindo frases e vendo comportamentos machistas de nossas avós, tias e mães. Algumas mulheres são tão machistas quanto os homens.

    Não vejo muito sentido em fazer greve de sexo, talvez lá tenha sido viável por ser a única alternativa. Mas fazer greve de sexo só me faz pensar que o homem vai procurar outra, afinal, a mulher é tida como objeto sexual dele. No filme isso fica claro, algumas foram violentadas e agredidas pelos próprios maridos (mas não é só lá que a mulher é vista como objeto sexual).

    O personagem Sami é encantador (e surreal), um homem sensível, inteligente, compreensivo. Quantos homens apoiariam a mulher numa greve de sexo e ainda não a forçaria a transar antes do tempo? Não conheço nenhum. Ele só caiu no meu conceito quando a chamou de vagabunda (quando descobriu que ela havia tido um relacionamento anterior). Típico comportamento do macho com orgulho ferido. Afinal, o homem pode ter quantas mulheres quiser, mas a mulher se fizer o mesmo é vagabunda.

    Também achei a protagonista belíssima, do tipo de beleza que enche a tela. Essas mulheres árabes são todas muito bonitas. Os homens também costumam ser, embora no filme não tenha nenhum, infelizmente, mas as mulheres parece que foram ainda mais agraciadas nesse quesito, e ironia das ironias, a maioria tem que andar escondendo a beleza.

    *Frases assim me lembram a F. Montenegro. Quando a Torres engravidou do segundo filho, e ficaram sabendo que era outro menino, ela disse que eles estavam felizes por ser outro menino, pois no mundo já tem muita mulher. Fiquei tão indignada quando li esse comentário infeliz quanto fiquei quando vi no filme “graças a Alá é um menino”; e indignada também fico toda vez que ouço uma frase machista, principalmente quando sai da boca de uma mulher.

  6. SArah Vaz
    Postado em 26 abril 2017 às 7:52 am | Permalink

    que amor tio!
    vc tem esse? quero assistir!

  7. Sérgio Vaz
    Postado em 27 abril 2017 às 2:18 pm | Permalink

    Ô, Sarinha, infelizmente, não tenho o DVD do filme… Vi quando ainda existia aquela coisa maravilhosa chamada locadora de vídeo…
    Pena…
    Um beijo.
    Sérgio

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Paris em 1 novembro 2014 às 10:50 pm

    […] . A dona da padaria perto da casa de Pierre. O personagem, interpretado por Karin Viard, não tem nome, e é uma das figuras mais antipáticas de todo o painel criado por Klapisch. Bajula os clientes com um sorrisinho e uma voz falsas que nem nota de três guaranis, ao mesmo tempo em que implica com todas as empregadas – menos com Khadija (o papel da belíssima Sabrina Ouazani). […]

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*