Batman, o Cavaleiro das Trevas / The Dark Knight


Nota: ★★★☆

Anotação em 2010: Batman, O Cavaleiro das Trevas é um fenômeno, dos maiores fenômenos do cinema nos últimos muitos anos. É um filme todo superlativo. Em menos de dois anos, tornou-se uma das maiores bilheterias de todos os tempos. Teve um número recorde de prêmios de melhor ator coadjuvante – provavelmente nenhum outro ator coadjuvante ganhou tantos prêmios, em toda a história, quanto Heath Ledger.

O filme é uma unanimidade. Não li nem ouvi ninguém falando mal dele. Ao contrário: todo mundo babou, ficou encantado, fez todo tipo de elogio.

É tanta loa, tanta badalação, tanta unanimidade que me dá preguiça.

Não vi o filme na época do lançamento; não vi quando saiu o DVD. Um dia qualquer, estávamos zapeando, o filme estava para começar – aí não dava mais para fugir. Vimos.

Não vou ser o primeiro sujeito a falar mal do filme, de forma alguma. É espetacular, é sensacional, é bem feitíssimo. É um tour-de-force – o ritmo começa acelerado, lá em cima, e não cai em momento algum. Até cansa, de tanto brilho, tanta lantejoula, tanto adereço – parece uns dez desfiles de escola de samba do Rio enfileirados, um atrás do outro. Se juntássemos dez desfiles da Sapucaí, batêssemos no liquidificador e extraíssemos um suco, o sumo, em 152 minutos, que é a duração do filme, teríamos tanto brilho quanto, tanta lantejoula quanto, tanto adereço quanto.

Em meados dos anos 80, quando Hollywood fazia um mega-sucesso atrás do outro, um Guerra nas Estrelas e em seguida um E.T., Geraldo Mayrink, que era repórter especial e crítico de cinema na revista Afinal, costumava escrever que Lucas e Spielberg ficavam disputando quem fazia o filme de maior bilheteria, e um estava sempre a bater o recorde do outro. Bons tempos, aqueles.

Quando vi o King Kong versão 3, o de Peter Jackson, de 2005, anotei: “É o exagero do exagero do exagero. Como se Peter Jackson tivesse se desafiado a fazer um filme que misturasse Indiana Jones com Godzilla com Parque dos Dinossauros com Titanic e fosse mais exagerado que todos eles juntos.”

Christopher Nolan conseguiu o prêmio do exagero do exagero do exagero do exagero. Não há Spielberg, não há Peter Jackson, não há sequer James Cameron que sequer chegue perto dele, no quesito exagero. Ele é nota dez, nota dez, nota dez – dez quinquilhões, septilhões, nonilhões no quesito exagero. Não tem pra mais ninguém.

Nunca houve vilão tão vilão quanto o Coringa de Nolan, que Heath Ledger encarnou com uma ferocidade mais que exagerada, pouco antes de partir desta para melhor.

Nunca houve tanta explosão, tanto estilhaço de vidro por quadro, tanta porrada, 24 vezes por segundo, na história do cinema.

O prêmio é dele.

         Pelamordedeus, rever, não! E – eta site desatualizado…

Quando terminou o filme, eu zonzinho, zonzinho, pensei: cacilda, o que vou escrever sobre ele?

Antes eu escrevia sobre o filme que tinha acabado de ver se me desse vontade. Se não desse vontade, não escrevia. Bons tempos, aqueles. Inventei este site, e agora me sinto na obrigação de escrever sobre todos os filmes que vejo, porque me sinto na obrigação de botar um novo post por dia aqui. Bobagem danada.

E aí pensei: cacilda, o que vou escrever sobre este filme? Todo mundo já escreveu tudo sobre este filme. Provavelmente já se escreveu mais sobre este filme do que a humanidade escreveu nos últimos 140 anos a respeito de Guerra e Paz. Ou nos últimos 2.000 anos a respeito da tragédia grega.

Pensei em ler algumas coisas sobre o filme. Pensei em pegar o DVD pra ver de novo, ainda que fossem só algumas seqüências.

Peguei o DVD. Botei pra tocar. Com menos de três minutos, tirei fora. Já sabia pelo menos uma coisa: não agüento rever este filme.

É um brilho, é sensacional, é bem feitíssimo, é um fenômeno – mas pelamordedeus, que eu não tenha que revê-lo.

E está escrito o post. Vamos em frente, que adiante tem muito filme bom pra ver.

Me ocorreu agora, na hora de botar o post no ar, que este 50 Anos de Cinema é danado de desatualizado. Démodé. Todo mundo já escreveu sobre O Cavaleiro das Trevas faz mais de ano; hoje li a coluna do Artur Xexéo no Globo em que ele fala de Avatar (sem ter visto o filme, por preguiça; não sou o único cara que tem preguiça das coisas badaladas demais); Xexéo, no texto gostoso dele, diz: “Cedo ou tarde, na vida de qualquer colunista, chega o momento em que é preciso falar de Avatar. Já aconteceu com o Zuenir, com o Verisissimo, com a Cora… Agora, chegou a minha vez.” Bem, eu não sou colunista, mas tenho um site sobre filmes, e então deveria estar falando sobre Avatar, fenômeno deste ano, e o maior de todos os fenômenos, e não sobre O Cavaleiro das Trevas, fenômeno do ano passado, ultrapassado.

Dentro de um ano, aqui, meu texto sobre Avatar. Eta sitezinho démodé… 

Batman, o Cavaleiro das Trevas/The Dark Knight

De Christopher Nolan, EUA, 2008

Com Christian Bale (Batman/Bruce Wayne), Heath Ledger (Coringa), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Michael Caine (Alfred), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes), Gary Oldman (Gordon), Morgan Freeman (Lucius Fox)

História de Christopher Nolan e David S. Goyer

Roteiro Christopher Nolan e Jonathan Nolan

Fotografia Timothy E. Angulo, Wally Pfister, Stephen Vaughan e Lev Yevstratov

Música James Newton Howard, Lee Smith e Hans Zimmer

Produção Warner

Cor, 152 min

***

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