Amor Extremo / The Edge of Love


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2010: A maior qualidade deste Amor Extremo é a beleza das duas jovens atrizes, Keira Knightley e Sienna Miller. As duas estão deslumbrantes, o diretor tinha plena consciência disso e encheu o filme de belos close-ups dos rostos delas.

Há outras qualidades. É um daqueles filmes em que todos os detalhes são muito bem cuidados, um artesanato de primeira. A fotografia é de primeiríssima qualidade, assim como a reconstituição de época – a ação se passa em Londres e no País de Gales nos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. O elenco é todo perfeito. A trilha sonora, de Angelo Badalamenti, o compositor preferido de David Lynch, é soberba, e as canções – há várias – são ótimas, e bem interpretadas.

E, no entanto, não chega, na minha opinião, a ser um bom filme. Carece, a meu ver, do mais importante: uma boa história.

É aquela velha coisa sobre a qual volta e meia falo aqui. Não é porque uma pessoa é importante que a história de sua vida dê um bom filme. Dylan Thomas (1914-1953), todo mundo diz, é um grande poeta, e o filme reconstitui parte da vida dele, ao focalizar a trajetória de duas mulheres que ele amou. Os fãs de Dylan Thomas talvez achem o filme interessante – na minha opinião, não há história.

É a mesma coisa com a cinebiografia do pintor americano Jackson Pollock, ou do cantor Ray Charles, ou ainda do ator, cantor, showman Bobby Darin, contada respectivamente, nos filmes Pollock, Ray e Uma Vida Sem Limites. São grandes artistas, mas suas vidas não têm necessariamente nada de especial, e não deram bons filmes.   

E Dylan Thomas – assim como o pintor Pollock – além de tudo parece ter sido – pelo que mostra o filme – uma pessoa egocêntrica, chata, desagradável.

         Duas mulheres

A trama se concentra mais é nas duas mulheres, Vera (o personagem de Keira Knightley) e Caitlin (o papel de Sienna Miller). Vera teve uma transa com Dylan Thomas quando era uma garota de 15 anos, no País de Gales onde ambos nasceram; sempre teve uma paixão por ele. Quando a ação começa, em 1940, ela está cantando, acompanhada por um pequeno conjunto, numa estação do metrô de Londres, onde uma multidão se protege das bombas despejadas pelos aviões nazistas.

Aliás, essa seqüência – assim como diversas outras do filme – é de grande beleza visual. A câmara pega um super-close-up da boca de Keira Knightley, pintada com batom vermelho vivíssimo; depois vai se afastando, até mostrar a atriz inteira, cercada pelos músicos.

Vera reencontra Dylan, e parece ainda apaixonada por ele. Mas aí, para surpresa e um certo desapontamento seu, surge Caitlin, casada com o poeta e mãe de um filho dele.

A tomada que nos introduz Caitlin é igualmente fascinante: um super-close-up dos olhos lindíssimos de Sienna Miller.

Um soldado, William (Cillian Murphy), prestes a embarcar para o front, apaixona-se perdidamente por Vera, e acaba se casando com ela. Quando vai para a guerra, deixa Vera grávida; ela, mais Caitlin, agora sua grande amiga, mais Dylan Thomas, vão para o País de Gales.

E todo mundo vai trair todo mundo.

E no finalzinho haverá algumas seqüências de tribunal.

         Uma verborragia danada

E daí?

Daí nada. É isso. Um bom, ótimo, excelente artesanato em cima de uma história que simplesmente inexiste.

Felizmente, dá-lhe close-ups de Keira, e depois de Sienna, e depois de Keira de novo. Numa hora lá, o diretor John Maybury simplesmente põe os rostos lindos das duas juntinhos, uma deitada para um lado, a outra deitada para o outro, os rostos juntinhos um de cabeça pra baixo em relação ao outro, e aí ficamos alguns minutos vendo elas falarem alguma coisa absolutamente sem interesse, mas com os dois rostos lindos ocupando a tela inteira.

Ah, sim, falam muito, os personagens. É uma verborragia danada – e o pobre espectador tem que ficar agüentando uma enxurrada de frases feitas por quem se acha poeta, intelectual, culto, refinado. Uma verborragia horrorosa, absolutamente sacal.

A roteirista Sharman Macdonald vem a ser a mãe de Keira Knightley. Baseou-se, segundo os créditos finais, em textos de Dylan Thomas e de Esther Killig, que, presumo, deve ser filha de William Killig. Segundo o iMDB, mamãe escreveu o papel de Caitlin pensando na filha, mas a atriz optou por interpretar Vera.

Nunca tinha ouvido falar do diretor John Maybury, mas, pelo que ele mostra aqui, é bem chegado a uma festa de fogos de artifício. Não é jovenzinho: nasceu em 1958. Já está em idade de ser mais sóbrio. Já havia trabalhado com Keira Knighley em 2005, em Camisa de Força/The Jacket, um filme sobre um veterano da guerra do Golfo enviado para uma instituição para loucos.

Nos créditos finais, uma grande surpresa. Ao longo do filme, me perguntei algumas vezes quem será que teria cantado as músicas dubladas por Keira Knighley. Uma bela voz, boas interpretações. Nada: é ela mesma que canta! Além de linda, e talentosa, a menina ainda canta. Sensacional.

Amor Extremo/The Edge of Love

De John Maybury, Inglaterra, 2008

Com Keira Knightley (Vera Phillips), Sienna Miller (Caitlin), Matthew Rhys (Dylan Thomas), Cillian Murphy (William Killick)

Roteiro Sharman Macdonald

Fotografia Jonathan Freeman 

Música Angelo Badalamenti 

Produção Rainy Day Films, Capitol Films, BBC Films

Cor, 111 min

**

3 Comentários para “Amor Extremo / The Edge of Love”

  1. Gostaria de saber o nome da música que Vera(Kwira Knightley) canta no começo do filme amor extremo. Ela é belissíma.
    Grata!
    Rossana

  2. Rossana,
    Segundo o iMDB, as músicas cantadas por Keira Knightley no filme são;
    “”Blue Tahitian Moon”, de Alfred Newman e Mack Gordon;
    “Maybe It’s Because I Love You Too Much”, de Irving Berlin; e
    “Drifting and Dreaming”, de Erwin R. Schmidt, Haven Gillespie, Loyal Curtis e Egbert Van Alstyne.
    Sérgio

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