Kimera – Uma Estranha Sedução / The Inner Life of Martin Frost


Nota: ★½☆☆

Anotação 2008: A maravilhosíssima Irène Jacob, musa de Kieslowsky em A Dupla Vida de Véronique/La Double Vie de Véronique e no Vermelho da trilogia das cores, que andava meio sumida (ao menos para mim), é a musa inspiradora do personagem interpretado pelo chato do David Thewlis.

Ela é a melhor, se não a única coisa boa nesta história meio nonsense do escritor Paul Auster. O autor-diretor colocou a filha, Sophie, para fazer o papel de uma aprendiz de musa.

O filme, produção independente de baixo orçamento, é todo econômico: pouquíssimos cenários, pouquíssimos atores, uma falação danada. É como se Auster estivesse escrevendo com a câmara em vez de com o processador de texto. Não sem razão, a revista Studio de novembro de 2007 chamou o filme de decepcionante e terminou dizendo o seguinte: “Si vous aimez vraiment Paul Auster, lisez-le”.

Por comodismo, preguiça e falta de entusiasmo com o filme, me fio na sinopse do AllMovie:

“Um escritor americano de sucesso que se refugiou no campo após a publicação de seu mais recente livro encontra a mais misteriosa musa no drama psicológico elíptico do diretor e roteirista Paul Auster. Sua última novela tendo sido um sucesso imediato, o famoso autor Martin Frost (David Thewlis) decide comemorar passando algum tempo numa casa de campo remota. Ao acordar na primeira manhã na casa, Martin fica chocado ao descobrir que está dividindo sua cama com uma mulher de beleza assombrosa. Ao longo dos dias seguintes, Martin fica cada vez mais fascinado com a beleza radiante e a inteligência aguda da visitante – eventualmente se apaixonando profundamente por ela. (…) Quanto mais Martin tenta chegar perto da mulher, mais distante ela parece ficar, o que leva o autor a suspeitar que ela seja uma invenção de sua imaginação ou um fantasma que de alguma maneira teve acesso aos seus pensamentos mais íntimos.”

Eu anotei que Irène Jacob andava sumida. Na verdade, ela não sumiu coisa alguma, segundo vejo no iMDB: depois de A Fraternidade é Vermelha/Trois Couleurs: Rouge, de 1994, ela continuou fazendo filmes, um ou dois por ano. Fez a Desdêmona no Othello de 1995, ao lado de Kenneth Branagh e Laurence Fishburne; trabalhou em filmes franceses, americanos e espanhóis. No entanto, passando os olhos pela filmografia dela, acho que, só vi, além de Othello, Tempo da Inocência/My Life so Far, um filme do inglês Hugh Hudson, de 1999, em que ela faz um papel pequeno, da tia do personagem central e narrador, um garotinho travesso. Um absurdo não ter visto mais filmes dela. Ver Irène Jacob é um imenso prazer – mesmo em filme fraco.

Kimera – Uma Estranha Sedução/The Inner Life of Martin Frost

De Paul Auster, Espanha-Portugal-França-EUA, 2007.

Com David Thewlis, Irène Jacob, Sophie Auster, Michael Imperioli

Argumento e roteiro Paul Auster

Produção Clap Films

Cor, 94 min.

*1/2

3 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Textos » Paris em 4 março 2010 às 1:29 am

    […] esquecida do grande músico). Uma peça com André Dussollier, o ator de Resnais. Uma peça com Irène Jacob, a atriz do Kieslowski. Uma peça com Richard Berry, o ator do Lelouch, com texto adaptado por ele, […]

  2. […] maravilha do china Wayne Wang em parceria com o nova-iorquino de adoção nascido em New Jersey Paul Auster. (O que me faz lembrar que tenho que rever Sem Fôlego para refazer o texto sobre ele, antigo e […]

  3. […] bom até mesmo no piano nas aulas com a belíssima srta. Davenne (interpretada pela esplendorosa Irène Jacob), e, além de tudo, parece um protegido dos padres, Julien passa a ver em Jean um rival. Na […]

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