Deixe-me Viver / White Oleander


Nota: ★★★☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: Eis aí um belo filme sobre família, relações familiares, adolescência, crescimento. Um bom filme, sério, pesado, às vezes assustador, que, para mim, revelou uma jovem atriz de especial talento, essa Alison Lohmam.

O filme me impressionou mais quando vimos pela segunda vez, em 2007; tínhamos visto antes em 2004, mas naquela época não fiz anotação, só a ficha técnica e a nota, duas estrelas e meia. Realmente não sei dizer por que não gostei mais da primeira vez.

 Alison Lohmam faz o papel de Astrid, uma garota de uns 14 anos, filha de uma artista plástica belíssima (Michelle Pfeiffer), independente, muito rica, segura de si ao extremíssimo, que se tem como o centro do mundo  e, numa crise de ciúme, mata o namorado.

Assim como o garoto mimado de família rica na Xangai em O Império do Sol, Astrid de repente, de um momento para o outro, cai de dentro de uma redoma diretamente no pior dos infernos. Com a mãe presa, ela é obrigada a trocar seu mundo dourado e começa uma via crucis sob a tutela do Estado, alternando pais adotivos e uma instituição estatal para órfãos – sempre com muita dor.

Ao longo do percurso, vai descobrindo o quanto a mãe é e sempre foi egoista, e, em vez de respeitar a filha, sempre procurou fazer com que a filha fosse uma cópia dela própria. À época em que está na terceira mãe adotiva, depois de duas passagens pela semiprisão-orfanato, enfrenta a mãe de frente.

Não sei realmente como não percebi da primeira vez que o filme é muito, muito bom. Posso ter ficado meio assustado com o fato de a deusa Michelle Pfeiffer estar interpretando um caráter ruim de dar medo. Ou posso ter ficado assustado com a beleza de fato assombrosa dessa garota Alison Lohman.

O extraordinário talento dessa moça me pegou em cheio mais tarde, quando a vi em Verdade Nua/Where The Truth Lies, de 2005. Ela fez também um papel em Big Fish, do Tim Burton, de 2003, e está muito bem em Os Vigaristas/Matchstick Men, do Ridley Scott, também de 2003. 

É fácil confundir o nome dela com outra atriz quase da mesma geração, Lindsay Lohan. Esta é ainda mais nova, de 1986; está muito bem no maravilhoso A Última Noite/A Prairie Home Companion, o canto de cisne de Robert Altman, de 2006, e estabeleceu uma imensa fama como garota-problema, uma coisa à la Christiane F, 14 anos, drogada e prostituída.

Alison Lohman – que aparentemente não tem esses problemas comportamentais – é de 1979, e portanto estava já com 22 ou 23 anos quando fez este filme White Oleander – embora pareça não mais que 16. É, seguramente, uma das grandes atrizes dessas gerações mais novas. Espero que tenha muitos papéis pela frente.  

Deixe-me Viver/White Oleander

De Peter Kosminsky, EUA, 2002.

Com Alison Lohman, Michelle Pfeiffer, Robin Wright Penn, Renée Zellweger, Billy Connolly, Patrick Fugit

Roteiro Mary Agnes Donoghue

Baseado no romance de Janet Fitch

Música Thomas Newman

Produção Pandora Films e Warner Bros.

Cor, 109 min.

2 Comentários

  1. lucia zaidan
    Postado em 30 outubro 2008 às 6:52 pm | Permalink

    Como foi gostoso ler o comentário desse filme! Foi melhor do que quando eu o assistí. Que maravilha! Nosso comentarista é espetacular! Todos os dias tenho que ler pelo menos sobre um filme. Só assim tenho uma bela tarde!

  2. José Luís
    Postado em 13 novembro 2012 às 11:23 pm | Permalink

    Também só à segunda visão do filme é que reparei que é mesmo excelente e que a jovem Alison Lohmam é não só lindíssima como boa actriz.
    Oxalá não se perca lá pelos lados dos Estados Unidos.
    E a Michelle Pfeiffer até me faz impressão de tão bela que é…

3 Trackbacks

  1. […] de talento – só para dar alguns exemplos, em Questão de Vida/Nine Lives, de Rodrigo García, Deixe-me Viver/White Oleander, de Peter Kosminsky, Sorry, Haters, de Jeff Stanzier. Está absolutamente maravilhosa como a mulher […]

  2. […] para deixar o vício. A menina Alison Lohman, que me deixou absolutamente encantado em dois filmes, Deixe-me Viver/White Oleander, de 2002, e Verdade Nua/Where the Truth Lies, de 2007, está bem diferente, com o cabelo preto; tem […]

  3. Por O Quarteto - Senhoras e Senhores em 22 agosto 2014 às 12:00 am

    […] * Billy Connolly, 70 anos; 63 filmes e/ou séries, um prêmio e oito indicações. […]

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