Kamchatka


Nota: ★★★★

Anotação em 2003, com acréscimo em 2008: Uma beleza, uma maravilha. Foi uma das muitas pérolas da nova safra do cinema que se faz na Argentina que nos deixou e deixa maravilhados – uma beleza de safra que já trouxe os ótimos O Filho da Noiva, Lugares Comuns, O Abraço Partido, Memória de Quem Fica/18-j, Conversando com Mamãe, Clube da Lua/La Luna de Avellaneda. Herencia, Nove Rainhas, Não é Você, Sou Eu, As Leis da Família, XXY.

Um bando de filmes que nos deixam boquiabertos, com uma certa inveja e uma pergunta aflita: como é que los hermanos conseguem fazer um cinema tão melhor que o brasileiro?

Enquanto aqui continuamos a denunciar a existência da miséria (como se houvesse alguém no mundo que não soubesse dela) e da violência das favelas, tudo sem meios tons, sem sutilezas, sem complexidade, os argentinos fazem filmes sobre o amor a vida a morte, a vida das pessoas comuns, gente como a gente, seus problemas, suas alegrias, suas angústias – ao mesmo tempo em que sabem mostrar todo o pano de fundo político e econômico, a complexidade social toda.

Este aqui se passa na década de 1970, logo após o golpe militar: uma família – pai, mãe, dois filhos – deixa Buenos Aires, para evitar a iminente prisão, e se refugia num sítio de conhecidos, no campo. Com ótimas interpretações de todos os atores, e uma imensa sensibilidade, o filme retrata os dias de exílio da família.

A palavra estranha que dá o título do filme, Kamchatka, e que só vai aparecer no finalzinho, é de uma localidade que aparece nem um jogo de tabuleiro, a versão argentina do nosso War.

Quase todos os filmes citados acima foram feitos em esquema de co-produção com a Espanha, e não poderia haver nada mais natural. A Espanha enriqueceu demais nos últimos 20 anos de Europa unificada, tem dinheiro sobrando para investir em bons produtos feitos nas suas ex-colônias. E o talento do cinema argentino interage bem com o talento do novo cinema espanhol, ele também surpreendentemente bom. O diretor Marcelo Piñeyro foi à antiga metrópole dirigir o excelente O Que Você Faria?/El Método, de 2005, com um elenco que incluía também atores argentinos.

Kamchatka

De Marcelo Piñeyro, Argentina-Espanha, 2002.

Com Ricardo Darín, Cecilia Roth, Fernanda Mistral, Hector Alterio

Argumento e roteiro Marcelo Piñeyro e Marcelo Figueras

Música Bingen Mendizábal

Cor, 105 min 

2 Comentários

  1. Karyttus
    Postado em 21 janeiro 2009 às 6:30 pm | Permalink

    Eu fiquei simplesmente estupefato, com a beleza do filme; todos os atores incluindo os meninos, estão maravilhosamente bem.
    É como se a gente eu estivesse a ver a vida de algum cohecido a contar sua própria história. Eu vi na Tv a cabo felizmnete Dublado em Português, e estou a espera de quando reprisar eu já estar com a minha placa de captura de tv consertada para gravar e guardar para a posteridade!.

  2. Sérgio
    Postado em 26 junho 2012 às 10:56 pm | Permalink

    Fiquei sem palavras… é sem dúvidas um dos filmes que vc não deve deixar de assistira na vida, sobretudo se for sulamericano..

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Textos » O Segredo dos Seus Olhos em 21 fevereiro 2010 às 4:08 pm

    […] falar de cinema, porque neste quesito, sim, podemos elogiar os argentinos sem correr risco de […]

  2. […] no aeroporto da Cidade do México, onde Lucía (a personagem da ótima argentina e almodovariana Cecilia Roth, de Tudo Sobre Minha Mãe e do seriado de TV bem falado Epitáfios), num dia do final de dezembro, […]

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