Criminosos por Acaso / Face


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2000: O problema é que essa diretora Antonia Bird fez O Padre, um filme em tudo por tudo extraordinário. E é óbvio que a expectativa fica, naturalmente, grande. Este aqui é um filme bem feito, claro; atores excepcionais, excepcionalmente dirigidos; trilha sonora forte, meio folk meio blues, voz e violão, belas letras.

O problema é que, ao final, a gente se pergunta: e daí? a que veio? Não dá pra saber.

Detalhe interessante: no apartamento do personagem central, Ray (o competente Robert Carlyle de Ou Tudo ou Nada, que também está em O Padre), há um gigantesco cartaz de Hidden Agenda, o filme de 1990 de Ken Loach sobre a Irlanda do Norte.

Antonia Bird – nascida em Londres, em 1959 –  quer deixar claro, o tempo todo, que ela toma partido na vida. Ray, agora um ladrão em tempo integral, é um ex-comunista; sua namorada (interpretada por um atriz extraordinariamente bela, que deve ser essa Lena Headey) e sua mãe continuam comunistas. Numa cena lá pelo meio do filme, ele vai encontrar a mãe em uma demonstração, e ele diz a ela: “Você não lê jornal, mãe? Acabou, e eles venceram”.

Beleza de cena, beleza de diálogo.

Flashbacks da época de Ray militante comunista perpassam toda a narrativa. No entanto, não se mostra, não se indica, não se discute por que, afinal, o ex-militante comunista resolveu virar ladrão comum.

E, de resto, a narrativa é permeada de cenas de violência explícita que seriam de se esperar mais no trash americano do que no filme de uma militante do pensamento e do humanismo que fez O Padre.

Criminosos por Acaso/Face

De Antonia Bird, Inglaterra, 1997.

Com Robert Carlyle, Ray Winstone, Phil Davis, Steven Waddington, Damon Albarn, Lena Headey, Peter Vaughan, Sue Johnson

Roteiro Ronan Bennett

Música Andy Robets, Paul Conboy, Adrian Corker

Produção BBC Films e Distant Horizon

Cor, 110 min.

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