Tempestade de Gelo / The Ice Storm


Nota: ★★½☆

Anotação em 1999: É extremamente bem feito – como é a marca registrada do diretor Ang Lee. E, no entanto, é um filme que não toca a gente, não envolve emocionalmente. Ao contrário. É frio como a época do ano em que se passa.

A música, que me fez lembrar o minimalismo de Philip Glass, é brilhante. Os atores são excepcionais, todos, regularmente, sem um brilho maior para este ou aquele – e que elenco primoroso. Sigourney Weaver está maravilhosa – absolutamente diferente de outros papéis dela, uma perfeita senhora do subúrbio em 1973. A fotografia é um brilho, tudo é perfeito.

E, no entanto, não toca, não envolve. É gelado. Mary e Fernanda comentaram que ele não diz a que veio. Fiquei com a sensação de que o que ele quer dizer é que aquelas pessoas todas – famílias classe média alta de Connecticut no pós anos 1060 – não sabiam nada o que estavam fazendo; foram pegas pela onda da revolução dos costumes, e entraram na onda sem saber por que, sem querer, como fantoches. Todos os personagens adultos são insípidos, inodoros, incolores – nenhum tem vontades fortes, crenças fortes, sentimentos fortes. É assim uma espécie dos burgueses de Antonioni na trilogia da incomunicabilidade.

Tempestade de Gelo/The Ice Storm

De Ang Lee, EUA, 1997.

Com Kevin Kline, Joan Allen, Sigourney Weaver, Christina Ricci, Elijah Wood, Adam Hann-Byrd, Tobey Maguire, Henry Czerny, Jamey Sheridan

Música Mychael Danna

Roteiro James Schamus

Baseado no romance Rick Moody

Fotografia Frederick Elmes

Produção  Fox Searchlight e Good Machine Prod

Cor, 125 min.

Um Comentário

  1. ivan
    Postado em 26 Março 2013 às 2:13 pm | Permalink

    Vi este filme no sábado,23 deste mes. Deixei “rascunhado” e mando agora.
    Crises de relacionamento incluindo os jóvens.
    Percebe-se que estão todos perdidos , melhor dizendo, estão literalmente à deriva.
    Nas aparências parece que tudo corre normal mas todos escondem seus medos e anseios e que não conseguem dividir.
    Falta tudo ali, entre os casais , pais e filhos , enfim …
    Por isto, Sergio, é que tu fôste “visceral” quando fizeste a comparação com a trilogia da incomunicabilidade.
    Todos bem jóvens,inlusive a Christine nos seus 18 aninhos e a voz do Tobey, enjoada para qualquer ouvido …
    Gostei do filme.
    Abraço !!

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