A Oitava Esposa de Barba-Azul / Bluebeard’s Eighth Wife


Nota: ★★☆☆

Anotação em 1999, com complemento em 2008: Uma trama bem chegada no ridículo: multimilionário americano em viagem à França casa-se com francesa filha de marquês sem um tostão, e cria-se um embate à la A Megera Domada (que o personagem de Gary Cooper, aliás, lê para se inspirar), ela querendo demonstrar que o ama mas não quer ser tratada como uma mercadoria comprada.

Mas há boas gagues, interessantes piadas, texto afiadíssimo do então aprendiz Wilder e seu companheiro Charles Brackett. É o tal do Lubitsch touch.

Aliás, vejo no iMDB uma informação sobre isso, que vale a pena transcrever. Este filme foi a primeira vez em que Wilder e Brackett trabalharam juntos; na primeira reunião de trabalho, Lubitsch colocou a questão: como o mocinho e a mocinha vão se encontrar? Wilder, então com 32 anos, imediatamente sugeriu que a cena de abertura deveria ser na seção de roupas masculinas de uma loja de departamentos. “O rapaz está tentando comprar um pijama. Mas ele dorme apenas com a camisa. Então ele insiste em comprar apenas as camisas. O vendedor diz que ele tem que comprar as calças também. Então a garota entra na loja e compra as calças porque ela só dorme com as calças, sem camisa.” Segundo o iMDB, Lubitsch e Brackett descobriram mais tarde que o próprio Wilder só usava a camisa dos pijamas, e estava com a idéia de usar isso na primeira oportunidade que aparecesse.

Interessante: o livro da história da Paramount diz que só a cena de abertura, essa da loja de departamentos, é engraçada, e que a história vai ficando cada vez mais chata. “O Lubitsch Touch virou uma mão pesada, e a deslumbrante década dele na Paramount terminou; irritantemente, ele foi em seguida para a MGM e teve um triunfo com Ninotchka“, diz o livro.

Uma curiosidade: este filme foi o primeiro a ganhar a cotação mais alta do bonequinho do jornal O Globo, criado em 1938. Um trecho do delicioso texto:

“A estrea deste clichesinho número 1 de nossa classificação graphica – o boneco que aplaude de pé – não representa nenhum favor à bella, fina, engraçadíssima comédia de Ernst Lubitsch para a Paramount e ora exhibindo-se no Plaza. A Oitava Esposa de Barbazul, estrellando Claudette Colbert e Gary Cooper, é a melhor comédia da temporada, e ficará como um dos grandes films de 1938. Lubitsch não se deixou arrastar pela actual gagueira das comédias absurdas. Trabalhou o interessante e vivo argumento tirado à peça de Savoir com aquella agudeza e aquelle talento que celebrizaram o seu touch e justamente situaram a sua mis-en-scène num lugar aparte da cinematographia contemporânea. O filme é todo e inteiro obra lubitschiana.”

Que delícia: o bonequinho estreou fascinado com o Lubitsch touch e puto da vida com as screwball comedies!

A Oitava Esposa de Barba-Azul/Bluebeard’s Eighth Wife

De Ernst Lubitsch, EUA, 1938.

Com Gary Cooper, Claudette Colbert, David Niven,

Roteiro Billy Wilder e Charles Bracket

Produção Paramount

P&B, 85 min

5 Trackbacks

  1. […] “com Spencer Tracy e Katharine Hepburn, ou com Cary Grant e Rosalind Russell”, dirigidas por “Billy Wilder e Ernst Lubitsch”, em que o mocinho e a mocinha se xingam de tudo quanto é possível e […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 29 Maio 2011 às 11:10 pm

    […] Lubitsch: A Oitava Esposa de Barbazul/Bluebeard’s Eighth Wife […]

  3. […] A Garota (o personagem de Veronica Lake não tem nome) fala várias vezes em Lubitsch, diz que daria tudo para ter tido a oportunidade de ser vista por Lubitsh – o grande diretor […]

  4. […] pela Europa. É fascinante: ele já havia feito um personagem exatamente assim, 19 anos antes, em A Oitava Esposa de Barba-Azul/Bluebeard’s Eighth Wife, de 1938. O filme foi dirigido por Ernst Lubitsch, o diretor que era o ídolo de Billy Wilder, o […]

  5. Por 50 Anos de Filmes » Anjo / Angel em 26 Abril 2016 às 6:40 pm

    […] foi, para mim, uma fantástica, maravilhosa descoberta. Este filme que Ernst Lubitsch fez em 1937 tem muito menos fama, muito menos reconhecimento do que deveria. Pelo que dá para […]

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