Dead Man


Nota: ★★½☆

Anotação em 1998: É o velho estilo de Jim Jarmusch, minimalista, propositadamente lento, com pequenas seqüências como se fossem capítulos curtos (à la Dalton Trevisan), todas fechando com fade out, para abrir nova com fade in como nos filmes bem antigos.

A história é estranha, esquisita, doidona: um contador de Cleveland, chamado William Blake, pega um trem para o Oeste, na primeira metade do século XIX, porque recebeu um telegrama do dono de uma indústria dizendo que tinha um emprego para ele. Chega dois meses depois, e a vaga está ocupada. Vai para um bar, conhece uma prostituta, está com ela no quarto dela quando chega o namorado; o namorado atira nela, William Blake atira de volta e o mata.

O namorado morto é filho justamente do industrial, meio o dono do lugar, que oferece uma recompensa para quem matar o assassino do filho. Ele foge, ferido; encontra um índio que já leu os poemas do homônimo William Blake e meio que entende que aquele William Blake é o poeta, mas já está morto.

O fantástico, o fascinante, é o estranhamento daquela figura de Johnny Depp – com um terno ridículo e uma gravata mais ainda – perdido do Velho Oeste; como Altman fez em Quando os Homens São Homens/McCabe and Mrs. Miller, de 1971, Jarmusch mostra um Oeste sujo, enlameado, fedorento, feio, absolutamente antiglamour.

Completam a fascinação do filme a música – minimalista e forte; apenas riffs de guitarra que explodem – feita por Neil Young, e mais a extraordinária fotografia em preto-e-branco.

Dead Man

De Jim Jarmusch, EUA, 1995.

Com Johnny Depp, Robert Mitchum, Gabriel Byrne

Argumento e roteiro Jim Jarmusch

Música Neil Young

P&B, 121 min.

Um Comentário

  1. Cláudia M.
    Postado em 1 fevereiro 2012 às 8:05 pm | Permalink

    Adoro o Jim Jarmusch, mas esse filme é chatinho. A primeira parte até que é legal, o David Byrne tá bonitão, a fotografia é legal (como quase tds filmes preto e branco). Mas enfim. Demorei dias pra terminar de ver o filme. E ainda no final dei um FF pq não aguentava mais.
    Outros filmes que gosto bastante, e merecem crítica aqui no 50 years: Flores Partidas e Estranhos no Paraíso (brilhante).

3 Trackbacks

  1. […] seria capaz de apostar algum dinheiro que Sebastián Borensztein viu muito Jim Jarmusch na vida, em especial os primeiros, Estranhos no Paraíso, Down by Law, Trem […]

  2. Por 50 Anos de Textos » Era um homem em 24 maio 2016 às 5:59 pm

    […] anos antes de Mitchum morrer, em 1995, Jim Jarmusch dirigiu-o em Dead Man. Deram-se bem. Encontravam-se no estúdio, de manhã, e era sempre assim: “Como é que está […]

  3. Por 50 Anos de Filmes » O Tesouro / Comoara em 22 janeiro 2017 às 12:15 am

    […] minimalista. É assim meio Jim Jarmusch dos primeiros tempos, a época de Estranhos no Paraíso/Stranger Than Paradise (1984) e […]

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