Círculo de Paixões / Inventing the Abbotts


Nota: ★★½☆

Anotação em 1998: Um dos mutíssimos filmes sobre adolescência no interior dos Estados Unidos – mas este é melhor do que a média. É suave, sensível, o ritmo é lento e, embora de maneira realmente doce, não escrachada, dá uma visão positiva, com a angulação correta (dentro do que entendo como valores, é claro) sobre a eterna questão da briga pela ascensão social.

O filme é narrado por Doug, o filho mais novo de Helen Hoyt, uma viúva pobre, que trabalha como professora primária numa cidade pequena de Illinois. O irmão mais velho, Jacey, tem uma fixação pela família Abbott, a mais rica, ou que passa pela mais rica da cidade. Vamos vendo os envolvimentos afetivos dos garotos Hoyt com as três garotas Abbott, todas as três lindas.

Enquanto a ação – iniciada em 1957, e que vai até 1960 – se passa, vamos entendendo que Jacey tem um terrível ódio do fato de a mãe ter tido, depois da morte do pai, um caso com Abbott, o pai das meninas; ele crê que a mãe passou para o amante uma patente de invenção do pai; vamos vendo que Jacey na verdade quer casar com qualquer uma delas, para tornar-se rico, e restabelecer o que para ele é a verdade dos fatos – que a invenção do pai deveria ter dado dinheiro para a familia dele. E, bem mais para o fim, entendemos que na verdade não houve caso entre Helen e Abbott, era tudo disse-que-disse de cidade do interior; e que tinha sido o pai que tinha vendido a tal da patente para Abbott.

O irmão que está ligado na ascensão social é o insensível, o que só pensa em dinheiro e na verdade não tem qualquer ligação realmente afetiva com as filhas do rico – embora as coma a todas. O sensível é o que não liga para nada disso – e que acabará, afinal, casando com Pamela, a mais nova, mais sensível e melhor das três, mas por amor, e não por interesse.

Dito assim, parece esquemático e bobo. Não é. É sensível, e suavemente antimaterialista, anti-ascensão social.

(Vi, muito depois de fazer a anotação acima, que Pat O’Connor, irlandês de nascimento, dirigiu Cal – Memórias de um Terrorista, aquele com trilha sonora de Mark Knopfler.)

Círculo de Paixões/Inventing the Abbotts

De Pat O’Connor, EUA, 1997.

Com Joaquin Phoenix (Doug), Liv Tyler (Pamela), Billy Crudup (Jacey), Jennifer Connelly (Eleanor), Joanna Going (Alice), Will Patton (Abbott, o pai das três meninas, Kathy Baker (Helen, a mãe dos dois rapazes)

Roteiro Ken Hixon

Baseado em história de Sue Miller

Música Michael Kamen

Produção Ron Howard, Brian Grazer e Janet Meyers, distribuição 29th Century Fox

Cor, 110 min.

Um Trackback

  1. […] de 1943, fez Cal, sobre guerrilheiro do IRA, com música do Mark Knoplfer, e também, em Hollywood, Círculo de Paixões/Inventing the Abbotts, um filme sensível. Mas a história que ele tinha aqui era fraca […]

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