Fargo


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: O filme é baseado em fatos reais, nos avisam os irmãos Coen logo de cara – embora seja uma mentira. Parece ter saído da cabeça de um escritor de livros policiais, tipo Um Plano Simples. Se fosse uma história real, seria mais uma prova de que vida e arte nos Estados Unidos espelham a mesma realidade: uma sociedade rica, a mais rica do planeta, e inteiramente ensandecida, em que, por um pouco de dinheiro, se matam pessoas – sete, no caso específico – com a mesma facilidade com que se matam baratas.

Um gerente de vendas de uma revendedora de carros de Minneapolis, Minnesota, tem problemas financeiros, e por isso pede a dois bandidos que forjem o sequestro de sua mulher, filha de um homem muito rico; o plano – aparentemente simples, como o do livro deste nome – é pedir US$ 1 milhão de resgate, dizer pros bandidos que o resgate foi de US$ 80 mil, pagar 40 mil e ficar com o resto. Tudo dá errado, e os assassinatos se sucedem.

Duas coisas impressionam sobretudo, no filme – além da denúncia da insanidade da sociedade americana. A primeira é a narrativa, simples, e ao mesmo tempo envolvente, brilhante, e extremamente pessoal. A segunda é o casting e a direção de atores. São todos tipos absolutamente perfeitos, parece documentário, de tão bem escolhidos e caracterizados que são.

Frances McDormand, como a policial grávida da cidadezinha do interior que vai atrás dos assassinos, está brilhantíssima. Todos os tipos são muito bem construídos, mas o dela rouba a cena, com toques do humor mais negro possível.

 

Se você não viu o filme, não leia a partir de agora

  O personagem de Frances McDormand vai contra o clichê de que os policiais do interior são imbecis e ruins de serviço. Ela é esperta, sagaz, inteligente, com aquele barrigão que parece que vai explodir a qualquer momento. É esse personagem que explicita a moral no finalzinho do filme, depois de prender um dos dois bandidos no momento em que ele botava o companheiro assassinado por ele dentro de um triturador. “Tudo isso por causa de um pouco de dinheiro”, diz ela.

Outros filmes dos irmãos Coen neste site:

Queime Depois de Ler/Burn After Reading;

Matadores de Velhinhas/Ladykillers;

O Amor Custa Caro/Intolerable Cruelty.

Fargo

De Joel Coen, EUA, 1996.

Com William H. Macy, Frances McDormand, Steve Buscemi, Peter Stormare, Harve Presnell

Argumento e roteiro e Joel e Ethan Coen

Música Carter Burwell

Cor, 98 min.

5 Trackbacks

  1. […] um dinheiro com um ato ilegal mas não violento acabam resultando em banhos de sangue – como em Fargo e Matadores de […]

  2. […] uma comédia amarga, muito mais amarga que jiló. É tão violento, tão amargo, que me fez lembrar Fargo, a maravilha dos irmãos […]

  3. […] ponto, O Homem Que Não Estava Lá parece um pouco com Fargo, um dos filmes mais cruéis e mais fascinantes feitos por essa dupla de irmãos talentosos. Em […]

  4. […] de ser muito conhecido quando fez a rápida participação neste filme aqui. Depois, estrelaria Fargo (1996), dos irmãos Coen, Focus (2001), de Neal Slavin, De Porta em Porta (2002), de Steve […]

  5. Por 50 Anos de Filmes » Grande Bolada / Arme Riddere em 1 março 2017 às 3:32 pm

    […] em Fargo (1996), dos irmãos Coen. No livro O Inocente, de Ian McEwan, que deu origem ao filme O Inocente […]

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