Crimes de Amor / Love Crimes


Nota: ★★½☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Os guias americanos metem o pau. Não entenderam nada. É um belo filme, corajoso e (para ele a palavra, embora gasta, realmente vale) instigante. A diretora do filme, Lizzie Borden, coloca em discussão as relações homem-mulher, a diferença entre estupro e sexo consentido – e não da maneira cega, vesga, calhorda, politicamente correta do feminismo linha xiita, e sim mostrando ambiguidades, a ampla linha da ambiguidade.

É um filme para se pensar sobre ele, não para simplesmente descartar.

A trama é assim: Dana, uma promotora, interpretada por Sean Young (que nunca mais esteve tão bela quanto em Blade Runner), investiga David Hanover, um sujeito que se faz passar por um famoso fotógrafo, e seduz, uma depois da outra, mulheres que ele identifica como frágeis e que se deixem manipular. Abusa delas sexualmente e as chantageia com fotos comprometedoras – mas elas submetem-se às exigências dele, e mais tarde se recusam a prestar queixa à polícia. A promotora dá um jeito de se encontrar com o sujeito como se estivesse pronta para ser mais uma vítima dele – e se vê, surpresa, envolvida na teia de sedução que ele sabe lançar.

Vejo agora, em 2008, anos depois de feito a anotação acima, no AllMovie que a diretora Lizzie Borden é tida como feminista de carteirinha:

“A diretora feminista Borden, que também dirigiu o ótimo filme de baixo orçamento Working Girls, levanta interessantes questões a respeito de sexo, humilhação e as relações homem-mulher, mas o filme é estragado pela ambiguidade do personagem principal, Dana. Ela própria abusada sexualmente na infância, Dana tem, como as demais vítimas de Hanover, uma baixa auto-estima, mas as motivações para suas ações permanecem obscuras. Apesar dessas falhas, Borden, sempre uma cineasta interessante, levanta questões importantes que talvez não pudessem ser adequadamente resolvidas devido às restrições do gênero thriller.”

Crimes de Amor/Love Crimes

De Lizzie Borden, EUA, 1992

Com Sean Young, Patrick Bergin

Roteiro Allan Moyle e e Laurie Frank

Baseado em história de Allan Moyle

Música Graeme Revell

Produção Miramax

Cor, 90 min

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